O
Alto Alentejo está na moda?
Sim!
Pela sua qualidade.
O distrito de Portalegre
está claramente na moda. Os seus eventos culturais atraiem olhares e visitantes
em número crescente a cada dia que passa.
Longe vai o tempo em que o
Alto Alentejo só “virava notícia” se e quando acontecesse uma tragédia. Isto
nos apelidados órgão de comunicação de referência porque a comunicação social
local sempre esteve no mesmo lado da barricada a lutar pela valorização do
interior onde nos situamos.
Bem, parece que esses tempos
são passado e hoje a comunicação social nacional, incluindo as televisões
descobriram o Alto Alentejo e as nossas gentes e com regularidade mostram-nos
nos seus écrans divulgando o que até há pouco ignoravam; a enorme riqueza
paisagística, patrimonial e cultural que sempre aqui estiveram bem visíveis e
ativas.
Nos últimos dias o país pode
ver-nos em diferentes concelhos e eventos de altíssima qualidade e
acompanhar-nos, os que aqui vivemos e trabalhamos mais aos muitos que nos
visitam e usufruem do que temos e lhes disponibilizamos.
Foi assim no desporto com as
24 horas todo o terreno no terródromo de Fronteira. Foi assim em Portalegre com
o Mercadinho das Artes que juntou mais de 80 artistas no mercado municipal,
foi-o, também, com o Festival transfronteiriço “Tascas e Bodegas” que teve
lugar na Praça da Republica e particularmente com a terceira edição da Feira
dos Vinhos de Altitude que de uma só vez mostrou ao país a qualidade dos nossos
produtos vinícolas, a resiliência dos nossos produtores e a joia arquitetónica
durante anos escondida à fruição dos portalegrenses - a ex-Igreja de S.
Francisco.
No momento em que escrevo
este texto está em preparação no Alentejo e Ribatejo mais um extraordinário
evento cultural e turístico promovido para Entidade Regional de Turismo e autarquias
locais - O LiterÁrea - Festival de Turismo Literário do Alentejo e Ribatejo. Uma
iniciativa turística e cultural que vai dar “palco” aos diferentes Roteiros
Literários que o Alentejo e o Ribatejo tem disponíveis para serem usufruídos
por turistas e residentes. Nos dias 13, 14 e 15 de dezembro toda a atenção será
dada à obra literária dos escritores que elegeram este território como local de
residência e de trabalho e aos espaços e memórias que semearam com o seu
talento e a sua escrita.
O Alto Alentejo participa
com diferentes e importantes iniciativas disseminadas pelo seu território: em Galveias
– Centro de Interpretação José Luís Peixoto e Rota “Galveias”); Monforte –
Torre de Palma Wine Hotel e Casa Branca – Associação era uma voz. Em Galveias à
conversa com os escritores Margarida Vale do Gato e Frederico Pedreira, em
Monforte num Brunch Literário e na Casa Branca – com o “Ler para comer”.
Mas, ainda mais relevante
que os eventos que se concretizam a cada momento o semear de estruturas (novas
ou recuperadas) que afirmam o Alto Alentejo como um território onde nada está
parado e tudo acontece. A inauguração de mais um museu em Castelo de Vide - o
museu Garcia de Orta, a consolidação do Centro de Interpretação José Luís
Peixoto em Galveias, a recuperação do Convento da Senhora da Luz em Arronches
e, sinceramente espero, que também em Portalegre possamos ter ultrapassado um
tempo de trevas para um valioso e caro equipamento cultural – o núcleo
museológico de S. Francisco e a sua Igreja, recuperada pela Fundação Robinson e
encerrada aos nossos olhos pela incúria e “casmurrice” de alguns.
Que seja o momento de também
esta joia ser “reconquistada” pelos portalegrenses para a região e para o país!
Diogo Júlio Serra