COMBATER A POBREZA. MAIS PÃO, MENOS CIRCO!
As imagens lustram momentos de convívio entre
instituições que diariamente, no terreno, procuram minimizar a fome que se
instalou em muitos lares, pretende também assinalar O dia Nacional de combate à
pobreza.
Sou dos que reconhecem o papel dos Bancos Alimentares e das muitas outras entidades que procuram garantir que pelo menos em algum momento do dia, num ou todos os dias, alguns possam ter alguma coisa para pôr na mesa. Reconheço-o porque sei que sem eles e a sua ação muitos mais a muitas mais horas não teriam que comer, mas esse reconhecimento não pode tolher-nos a ação. Não pode impedir a reflexão.
E a verdade é que a pobreza nunca será
reduzida, muito menos irradicada se não atacarmos de frente os problemas que a
originam e alimentam. A riqueza produzida é roubada pelos poderosos em
detrimento dos que a produzem. Conseguem-no utilizando os instrumentos ao seu
serviço a a quem chamam Estado: o governo deles, as forças repressivas deles, a
comunicação social deles.
Para o confirmar não é necessário o conhecimento dos
tratados marxistas ou outros. Não é preciso sair do nosso país, nem sequer da
nossa rua! Os dados estão aí. Enquanto milhares de trabalhadores estão na rua a
exigir o direito a uma habitação condigna para si e para a sua familia e são
espancados por homens e mulheres também eles filhos e pais de outros homens e
mulheres a quem o salário não chega, a casa já não é sua, que vivem em quartos
ou nos carros por não poderem pagar a renda. Tudo isto, num momento e num país
em que o governo dá borlas fiscais aqueles que arrecadam lucros (só no primeiro
semestre) de 2,519 mil milhões de euros.
Diogo Serra




