Habeas Atlético
O ATLÉTICO
VOLTOU!
Vinte e duas
épocas depois o Atlético está de volta ao futebol sénior regional.
O Atlético das
grandes tardes no antigo campo do Rossio que enchia para extravasar clubismo e
rivalidades nos confrontos com a Maravilha. Esse Atlético que incluiu nas suas
fileiras grandes glórias do futebol arronchense e entre elas a estrela mais
brilhante, o internacional Palmeiro, do Benfica e da Seleção Nacional, mas para
nós, sempre, o Nosso Xico Feiteira e que deu o seu nome ao atual estádio
municipal.
Só por esse
passado, pelas recordações do velho campo da bola, do pelado cercado pelo gradeamento
de madeira pintada de branco, sem balneários que esse luxo só chegou com a
SECA, e por isso com as equipas a desfilarem equipadas desde a sua sede até ao
campo, o regresso do A.C.A. ao futebol sénior seria motivo de regozijo. Mas há
mais, muito mais.
O Atlético
Clube de Arronches que regressa às competições séniores após vinte e dois anos
de afastamento teve tempo para cicatrizar feridas, garantir a sua continuidade
enquanto instituição insubstituível na vivência desportiva e social do concelho
e, sobretudo, para iniciar um trabalho de base que lhe permitisse regressar aos
estádios que já pisou e, o sonho é livre, “fabricar” novos Palmeiros.
Reativou o
futebol sem repetir erros seus e de outros clubes. Não apostou no “pronto-a-vestir”,
apostou no “ouro da casa”.
Criou as
escolinhas a partir dos sonhos de um homem da casa (parabéns Mister João
Trindade) e durante anos a escolinha que foi a par da secção de cicloturismo
quem manteve o clube ativo, foi criando condições para que as crianças fossem participando nos vários escalões de
formação que a idade dos seus atletas aconselhava até chegar aos dias de hoje,
com os meninos das escolinhas, os que iniciaram o percurso, chegaram à idade
sénior e constituírem a equipa principal do Atlético.
A reativação
do futebol sénior que agora se assinala é fruto da resiliência (usemos também
esta palavra tão em voga) da instituição, dos sonhos de alguns dos seus
dirigentes, mas também da abnegação dos pais dos meninos das escolinhas que em
muitos casos foram muito mais que asa protetora das suas crianças.
O renascimento
do futebol sénior ocorre já num Atlético de portas abertas.
Este Atlético
que nasceu como União Futebol Clube em 1930 pela vontade de alguns praticantes
de futebol dos quais, o seu sócio nº 1, António Salgueiro, fora praticante
dessa modalidade no Carcavelinhos Footeball Club, mas era também um ativista
social e operário, cedo passou a ser muito mais que um clube de futebol
assumindo-se como um instrumento de representação social do operariado/artesãos
do concelho.
Agora, de novo
de rosto erguido, o Atlético Clube de Arronches reassume-se como imprescindível.
E não será nenhum resultado desportivo menos favorável a poder esconder a
excelência deste regresso.
O Atlético
voltou. De corpo inteiro, pela mão dos filhos, netos e bisnetos dos que o
criaram e fizeram grande, decidido a retomar o lugar que é o seu!
Viva o
Atlético!
Diogo Júlio
Serra




