terça-feira, 13 de outubro de 2026

JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

 


JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

            O governo apresentou recentemente na Assembleia da Republica a sua proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano que , ao que se sabe, amplia de forma exponencial a destruição de direitos e conquistas que Abril nos trouxe a Constituição consagra.

            Um antigo primeiro ministro que ficou na nossa memória pelo roubo de direitos e pela venda ao desbarato dos nossos principais recursos, apressou-se a vir dizer-nos que o que aí vem é muito pouco e que são precisas alianças que permitam o "assalto final".

            Na Assembleia da Republica o Grupo Parlamentar que se bate pela destruição de Abril e da Constituição que o consagra, transforma diariamente a Casa da Democracia num circo (mau) e usa a chicana politica para dar palco  às mentiras e  ódio que os seus avençados disseminam na rua.

            Os outros  partidos que endeusam o capital (os que abertamente o defendem e os que dizendo por vergonha que o querem combater) apoiam as medidas que o protegem ou, combatem-no  através das violentíssimas abstenções.

            Enquanto isto os seus papagaios nos territórios mais os megafones que detêm na comunicação social que dominam afadigam-se a inundar-nos com toneladas de propaganda sobre a bondade  das suas ideias e ações ou, por vezes também argumentam, com a falta de meios para fazer o que faz falta.

            O Orçamento que todos vão votar (as exceções virão dos que teimam em não abdicar dos seus valores) é como todos os orçamentos um enunciado de valores e de opções. É bom, não duvido, para os que comandam o governo , a Europa dita unida, os merceeiros da guerra.

            É excelente, reconheço, para o grande capital. Para a banca, os grandes retalhistas, as principais cotadas em bolsa. As mesmas a quem o governo dá borlas fiscais e cria a condições para abocanharem milhões ao dia.

            É, estou certo, um bom orçamento para os senhores da guerra ou para o fascismo renascente com expressão máxima no território, governo e aliados ucranianos.

            Não o é, para os portugueses na sua maioria. Os que precisam, utilizam e sofrem com os ataques ao Serviço Nacional de Saúde. Os estudantes sem professores e sem escolas e os muitos que já não tem recursos para continuar os estudos. Os trabalhadores que mesmo trabalhando não conseguem ter casa, se reinventam para por comida na mesa, a quem sobra sempre mês.

            Esses não o consideram bom. Esses que somos nós não podem aceitar sem luta que o OE deste ano e comparativamente ao ano anterior que já era suficientemente mau, diminua as verbas para a saúde e aumente desmesuradamente  as receitas para a guerra.

            Não, não podemos estar de acordo.

            E a exemplo do que se começa a estender pela Europa dita em União, não podemos, e não iremos ficar apenas pela indignação.

A hora é, também aqui, de tomar partido.

É tempo de, também aqui, passarmos à ação!

Diogo Júlio Serra

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HABEAS ATLÉTICO!

 Habeas Atlético



O ATLÉTICO VOLTOU!

Vinte e duas épocas depois o Atlético está de volta ao futebol sénior regional.

O Atlético das grandes tardes no antigo campo do Rossio que enchia para extravasar clubismo e rivalidades nos confrontos com a Maravilha. Esse Atlético que incluiu nas suas fileiras grandes glórias do futebol arronchense e entre elas a estrela mais brilhante, o internacional Palmeiro, do Benfica e da Seleção Nacional, mas para nós, sempre, o Nosso Xico Feiteira e que deu o seu nome ao atual estádio municipal.

Só por esse passado, pelas recordações do velho campo da bola, do pelado cercado pelo gradeamento de madeira pintada de branco, sem balneários que esse luxo só chegou com a SECA, e por isso com as equipas a desfilarem equipadas desde a sua sede até ao campo, o regresso do A.C.A. ao futebol sénior seria motivo de regozijo. Mas há mais, muito mais.

O Atlético Clube de Arronches que regressa às competições séniores após vinte e dois anos de afastamento teve tempo para cicatrizar feridas, garantir a sua continuidade enquanto instituição insubstituível na vivência desportiva e social do concelho e, sobretudo, para iniciar um trabalho de base que lhe permitisse regressar aos estádios que já pisou e, o sonho é livre, “fabricar” novos Palmeiros.

Reativou o futebol sem repetir erros seus e de outros clubes. Não apostou no “pronto-a-vestir”, apostou no “ouro da casa”.

Criou as escolinhas a partir dos sonhos de um homem da casa (parabéns Mister João Trindade) e durante anos a escolinha que foi a par da secção de cicloturismo quem manteve o clube ativo, foi criando condições para que as crianças  fossem participando nos vários escalões de formação que a idade dos seus atletas aconselhava até chegar aos dias de hoje, com os meninos das escolinhas, os que iniciaram o percurso, chegaram à idade sénior e constituírem a equipa principal do Atlético.

A reativação do futebol sénior que agora se assinala é fruto da resiliência (usemos também esta palavra tão em voga) da instituição, dos sonhos de alguns dos seus dirigentes, mas também da abnegação dos pais dos meninos das escolinhas que em muitos casos foram muito mais que asa protetora das suas crianças.

O renascimento do futebol sénior ocorre já num Atlético de portas abertas.

Este Atlético que nasceu como União Futebol Clube em 1930 pela vontade de alguns praticantes de futebol dos quais, o seu sócio nº 1, António Salgueiro, fora praticante dessa modalidade no Carcavelinhos Footeball Club, mas era também um ativista social e operário, cedo passou a ser muito mais que um clube de futebol assumindo-se como um instrumento de representação social do operariado/artesãos do concelho.

Agora, de novo de rosto erguido, o Atlético Clube de Arronches reassume-se como imprescindível. E não será nenhum resultado desportivo menos favorável a poder esconder a excelência deste regresso.

O Atlético voltou. De corpo inteiro, pela mão dos filhos, netos e bisnetos dos que o criaram e fizeram grande, decidido a retomar o lugar que é o seu!

Viva o Atlético!

Diogo Júlio Serra

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!


 

Nasci num terra que foi, mesmo em plena monarquia, um baluarte do republicanismo.

Cresci tendo por familiares e vizinhos, homens e mulheres prestigiados e reconhecidos como ilustres republicanos. Imbuído dos valores  republicanos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade no Centro Republicano Arronchense, fundado em 1912 pelos mesmos homens que haviam garantido ainda em 1910, nas últimas eleições da monarquia (apenas em Arronches e em  Galveias) a vitória do Partido Republicano.

Talvez por isso, comemorar hoje o 5 de outubro é para mim muito mais que celebrar a recuperação de um dia que o Passos Coelho nos havia roubado e soubemos recuperar. É honrar os homens que na minha meninice aprendi a respeitar: os Marouços, pai e filhos; os Bigares, António que fundou a casa com o seu nome e presidiu a comissão do Registo civil. do filho Eudóxio que me habituei a ver frente à janela a manusear os selos da sua coleção e António, o neto que ajudou a consolidar Abril. Os Balbinos, Daniel e Francisco, Luís pai e filho. José António Lopes, que conheci e o seu pai dirigente Operário que só conheci através das histórias que me contavam. O Professor Castelhano e o seu irmão, dona da farmácia onde regularmente se reuniam republicanos e maçons, , António Mota, e Joaquim Coelho, ambos ilustres republicanos que por várias vezes presidiram a Câmara Municipal. O meu avô Domingos que durante o fascismo ano após ano, comemorava com o lançamento de foguetes e que escapava à prisão alegando que o fazia para comemorar o aniversário do Padre Câmara que era então Presidente da Câmara.

Cresci e vivi no seio de gente séria e trabalhadora. Homens e mulheres livres no pensamento mesmo quando prisioneiros na ação. E pela luta dos republicanos e pelos valores que me implantaram  pude viver mais tarde a alegria de ABRIL.

VIVA O 5 DE OUTUBRO

VIVA A REPUBLICA!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Um homem de Deus e dos Homens. Um Homem BOM!

 Soube através do Noticias de Arronches que o Sr. Padre Farinha foi homenageado, e bem, pelo nosso Município, que terminará as suas funções religiosas no nosso concelho e que a sua última eucaristia ocorreu a 13 de Setembro na Igreja Matriz.

Por estar fora do distrito não pude ser, como gostaria, mais um entre os muitos que não deixaram de ir dizer adeus a quem durante 17 anos foi um dos nossos, foi o pároco e o amigo.

O Padre Fernando Farinha construiu ao longo dos 17 anos que esteve connosco uma relação de confiança e proximidade com todos os habitantes independentemente das suas posturas e crenças. Foi assim em todos os locais que puderam usufruir da sua presença, da sua coragem, da sua palavra e da sua fé.

Foi assim comigo e foi-o mesmo antes de nos termos conhecido.

Decorria o ano de 1988. O Distrito de Portalegre vivia momentos de grandes dificuldades com milhares de trabalhadores no desemprego e a praga dos salários em atraso. Eu era o Coordenador da CGTP-Intersindical no Alto Alentejo e o Sr. Padre Fernando Farinha era o Diretor do Jornal O Distrito de Portalegre, o jornal da Diocese e também o coordenador da disciplina de jornalismo na Escola Secundária de S. Lourenço. Em quaisquer destas funções mas também enquanto padre já me eram conhecidas as suas excecionais qualidades.

No início de Dezembro desse ano, o Movimento Sindical que eu coordenava, desenvolvia intensa atividade sindical nas empresas e nas ruas denunciando a Praga dos Salários em atraso, o desemprego que não parava de crescer e os impactos no Natal dos trabalhadores e suas famílias. Entre as inúmeras ações foi emitido e distribuído à comunicação social um comunicado que identificava todas as empresas que não pagavam salários.

O Distrito de Portalegre, dirigido pelo Sr. Padre Farinha, publicou-o na primeira página sob o título " O outro lado do Natal ". Os patrões (particularmente os incumpridores) não gostaram e pressionaram quanto puderam o Jornal e a Diocese para que o assunto fosse desmentido.

O Diretor do jornal. o Sr. Padre Farinha, ripostou que números rebatem-se com números e se foi publicada alguma mentira que o provem e o jornal lhes dará razão. Assunto encerrado...apesar de para mim e muitos outros ter ficado sempre a "impressão" que foi essa corajosa atitude a decidir o seu afastamento da direção do jornal.

Só três meses mais tarde nos encontrámos pessoalmente, absolutamente por acaso.

Na Rádio Portalegre, ainda a funcionar em Santa Clara, eu era o convidado de um programa dirigido e apresentado pelo António Milheiros, então diretor da Rádio e que previa que o convidado levasse música que gostava de ouvir e pudesse explicar a sua opção. Pois bem apareceu um segundo convidado com vários discos debaixo do braço. Era o Sr. Padre Farinha com discos do Zeca Afonso e assinalando que nesse dia, 23 de Fevereiro de 1989, se cumpria o segundo aniversário da morte do Trovador da Liberdade.

A partir daí voltámos a encontrar-nos várias vezes em Portalegre e em Arronches.

Aqui, quase sempre por "más razões", nos funerais de amigos e conhecidos exceto a última vez que estivemos juntos, desta vez na Igreja Matriz.

Foi já este ano, a 28 de Fevereiro, com a Igreja ainda mais linda porque extraordinariamente iluminada a acolher um concerto sublime proporcionado pela embaixada da Polónia e integrado no festival "Terras sem sombra".

Até sempre Senhor Padre Farinha!

Diogo Serra

quarta-feira, 12 de agosto de 2026




" E se Abril ficar distante
Desta terra e deste povo
A nossa força é bastante
Para fazer um Abril Novo" 

A menos de uma hora do eclipse solar, quando as televisões usam e abusam dos diretos para o transformar num acontecimento social ( há quem lhes chame feiras de vaidades ) surpreendo-me com a quantidade de expressões de ódio suportadas pelas redes sociais e na sua maior parte claramente justificadas pela falta de capacidade de usar o cérebro que todos temos, mas que alguns teimam em não usar.

A base de suporte desse autrêntico mar de intolerância e desinformação é hoje a Festa do Avante e alguns posts que o Partido que a organiza e alguns dos muitos que anualmente a constróiem e frequentam.

Eu que ajudei a construir a priomeira versão, já lá vão 50 anos, e daí para cá tenho sido deu "cliente" regular, tenho dificuldades em perceber como com mais de meio século de liberdade continua a haver tanta desinformação, tanto preconceito e sobretudo tanto medo. Sim, é o medo que permite e estimula o ódio. Medo do desconhecido, medo de acreditar, medo de ser feliz.

E todavia houve Abril.

Este país que hoje assiste amorfo ao cimentar do medo e ao semear do ódio é o mesmo país que viveu 60 anos de ditadura terrorista e mesmo assim soube sonhar, acreditar no sonho e transformá-lo em realidade.

Este país que passou o sonho à sua juventude e que a preparou para que se libertasse da tirania e da guerra e construisse aquela dia inicial inteiro e limpo que a poetiza cantou e todos os portugueses ratificaram 6 dia depois por todo o país, na jornada inesquecivel do 1º de Maio, está agora a braços com os que sairam da hibernação a que a libertade os remeteu e procuram agora o ajuste de contas.

E volto ao eclipse e à informação que a ciência nos deixa de que em Portugal só valtaremos a ver, em Portugal, um eclipse solar total no ano de 2144 e surpreendo-me a pensar e a temer se também será assim com o retorno do sonho chamado Abril.

Rapidamento regresso à realidade. É claro que Liberdade e Eclipse têm vida e tempos diferentes. A primeira nasceu da vontade dos homens e mulheres e será por eles alimentada e defendida. 

Nada está ou foi perdido. Falta tão só que se cumpra Abril. Como Sophia o definiu.

Diogo Júlio Serra



domingo, 26 de julho de 2026


Não são "implicados", são Heróis!

 Nos últimos tempos temos vindo a assistir a um crescendo de aparições de fantasmas do antigamente. Agora que não só voltaram a ter representação parlamentar como têm assento na Presidência da Assembleia da Republica, perderam o medo de se assumirem como Salazaristas e inundam com ódio osw espaços público e mediático.

Assumem-se como sempre foram. Gente sem Moral e sem Vergonha e à boa maneira pidesca invadem o espaço dos outros, procuram intimidar, ameaçam e procuram "transformar" (como sempre fizeram) os bandidos em vilões e condenarem os heróis de Abril a quem nunca perdoram terem reposto a Democracia.

Nos últimos dias um dos Capitães de Abril que se recusa a abdicar da sua condição de obreiro da liberdade denunciava as "canalhices" que os Cheganos e outros defensores do salazarismo/fascista escreviam na sua própria página  no facebbok e no sítio que a ASM - a Associação que recorda, homenageia e divulga o Herói da Revolução dos Cravos - Salgueiro Maia.

É tão só, todos o sabemos, uma pequena parte da campanha que salazaristas e fascistas desenvolvem sob a asa protetora da direita troglodita instalada no poder (politico, económico e comunicacional) e a indiferença cumplice da outra (direita) que se diz democrata ou que se afirma (ainda de esquerda).

Nesta situação por todos vivenciada é fundamental que a indiferença ou o medo não tolham a vontade dos que defendem, praticam e beneficiam da liberdade conquistada.

Que os que "fizeram Abril" não se deixem transformar em "implicados" que não cedam às pressões nem aos insultos com que pretendem enleá-los e sobretudo que assumam que alguns epitetos (a "acusação de comunista", poe exemplo, não é insulto, é louvor!

Defendamos Abril, SEMPRE!

sexta-feira, 13 de março de 2026

11 de Março 75 - Golpe falhado contra Abril

 


11 de Março de 75 – Golpe (falhado) contra Abril.

Cumpriram-se na passada quarta-feira cinquenta e um anos da tentativa de mais um golpe contra Abril. Era a quarta tentativa. A primeira que recorria à força armada e viria a resultar no assassinato de um portalegrense, o soldado Luís.

As tentativas anteriores, também elas resultantes da ambição pessoal de António de Spínola, haviam sido derrotadas sem originarem derramamento de sangue. A primeira no próprio dia 25 de Abril quando o general do monóculo se apresentou no Posto de Comando do MFA a querer pôr e dispor e teve que lhe ser lembrado que as tropas do Movimento ainda estavam na rua. A segunda com o chamado golpe Palma Carlos visando plebiscitar uma Constituição e a passagem dos poderes absolutos para o Presidente d Republica a. A terceira a 28 de Setembro através da maioria silenciosa que deveria desaguar em Lisboa, demitindo o Governo de Vasco Gonçalves, adiando as eleições convocadas e entronizando Spínola. Nova derrota!

O  11 de Março foi a quarta tentativa de Spínola tomar o poder e evitar as eleições que o programa do MFA garantia, e desta vez fê-lo, como viria a repetir, apostando na força militar e não hesitando em arrastar o país para uma guerra civil. Utilizando a mentira e os seus homens de mão, arrastando consigo os fascistas derrotados em Abril ocupou uma base militar e a partir daí metralhou o Ralis e procurou decapitar o MFA e o governo provisório.

Mais uma vez foi derrotado. Os heli-canhões que metralharam o Ralis e assassinaram o soldado Luís foram rechaçados pelos militares de Dinis de Almeida e os pára-quedistas mobilizados para o cercarem eram desmobilizados pela firmeza e pelos argumentos de Dinis de Almeida e outros militares de Abril e regressavam a Tancos.

O fracasso foi total e teve como resultado um passo em frente da revolução que iria atingir a economia. No dia seguinte eram nacionalizadas a Banca, os Seguros e outras alavancas da economia.

Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, com muitos dos golpistas ou os seus “rebentos” estão no poder. Quando muitos dos heróis de Abril sofreram perseguições, prisões e prejuízos nas suas carreiras. Quando um dos mandadores do terrorismo bombista que assolou o país e assassinou portugueses se senta na cadeira da vice-presidência da Assembleia da Republica há quem queira reescrever a história. É fundamental que os que viveram esses dias não permitam que apaguem a memória. É obrigação de todos os democratas e particularmente daqueles que foram protagonistas de alguns desses momentos.

No que respeita ao 11 de Março eu vivi-o na BA3 em Tancos. Vivi-o com outros Alto Alentejanos. Alguns já partiram, casos do Tenente Jaime Pinheiros, de Portalegre, que comandava uma companhia de PA e do sargento Vintém, dos Fortios, mas outros estamos vivos e recordados do que vimos e no que participámos. O Alferes Caldeira, o cabo e instrutor dos amanuenses, João Manuel, de Stº António das Areias e os instruendos, como eu, Caldeira, do Crato; Barata, de Castelo de Vide; Nuno, de Stº António das Areias; Patrício de Nisa.

Cinquenta e um ano depois o chefe do golpe, dos que o antecederam e das acções terroristas e bombistas que se lhe sucederam, morreu como Marechal enquanto os heróis que fizeram Abril foram passados ao “estatuto” de implicados no 25 de Abril e por isso perseguidos e mal tratados pelos fascistas que então derrotaram mas também por camaradas de armas que se acobardaram quando foi preciso dar o passo ou até, por alguns camaradas que com eles conspiraram e executaram o golpe militar.

Ao longo destas cinco décadas foram dados muitos passos atrás mas mantêm-se no essencial o legado de Abril. O Regime Constitucional Democrático, a Constituição com o seu nome e que continua a garantir os direitos, liberdades e garantias essenciais a qualquer democracia politica.

Os Cravos continuam Vermelhos.

Que Viva Abril!