quinta-feira, 10 de junho de 2021

Viva o Santo António...

 


Viva o Santo António, Viva o S. João

Viva o 10 de Junho e a Restauração.

 

Os tempos que se aproximam trouxeram-me à memória a “Marcha do Pião das Nicas” que o saudoso Carlos Paião imortalizou.

Falava-nos de “chico-espertismo” e das disponibilidades sempre muito presentes de nos deixarmos levar por um qualquer “bem-falante” apostado em prometer o que os nossos ouvidos querem ouvir.

No nosso território, distrito e concelho, sabemos bem tratar-se da versão “tuga” do pão e circo usados pelos grandes do império romano. Sabemos também, confirmamo-lo no dia-a-dia, da existência de conterrâneos nossos que mantêm grande disponibilidade para ouvirem os cantos de sereia e, pior, confiarem nos “encantadores” de serviço o seu e nosso futuro.

Tem sido assim ao longo das últimas décadas.

As escolhas erradas, o sentimento de que “o que vem de fora é sempre melhor que o da casa”, o medo que alimenta o preconceito e esse sentimento “tão nosso” de fingir que está bem o que sabemos e sentimos estar pior que mal, colocaram-nos e mantêm-nos (distrito e concelho) no patamar de baixo do país, ele próprio nos últimos lugares dos países europeus, no que respeita a qualidade de vida, recomposição demográfica, trabalho com direitos, igualdade de oportunidades e níveis de rendimento.

Portalegre, cidade e concelho, são exemplo elucidativo desde desdenhoso deixa andar que nos tem caracterizado.

Concelho “fronteira” entre o Alentejo e as Beiras, ele próprio ostentando essa “divisão” com as freguesias a norte caracterizadas pelo minifúndio e pela agricultura familiar características Beirãs e as freguesias a sul onde imperava o latifúndio e as formas de concentração e exploração agrícolas marcadamente alentejanas. Viveu sempre dividido entre a geografia política e a “geografia religiosa e, tal “fidalgo arruinado” carregado de dívidas mas de nariz bem empinado.

A vida de Portalegre e dos portalegrenses desenvolveu-se sob um apertado controlo social exercido por meia dúzia de famílias que entendiam o isolamento como instrumento precioso para a manutenção do seu poder quase absoluto: as indústrias não eram bem-vindas porque “roubavam” braços aos campos e subserviência aos seus donos, mais tarde as novas fábricas eram empurradas para Castelo Branco, pelas razões anteriores mas também para que os salários de miséria aqui praticados não fossem abalados.

As mesmíssimas razões que já em democracia as auto-estradas nos tocaram ao de leve (a A6 em Elvas a caminho de Espanha e a A23 a norte a caminho de Castelo Branco) e agora o propalado maior investimento de sempre em transporte ferroviário tocará Elvas a caminho “das europas”, todas tratando o distrito e o concelho como barreiras e  não pontes, ao nosso desenvolvimento.

Vai ser (também) sobre isto que iremos de novo às urnas expressar a nossa vontade. Desta vez para decidir quem queremos ao leme do nosso concelho.

Todos, os que se empenharam na gestão da coisa pública fosse no governo do concelho ou na oposição. Todos os portalegrenses que aplaudiram, protestaram, propuseram e agiram nos locais próprios ou escondidos ao teclado do computador…voltam a ter a oportunidade de fazerem-se ouvir e decidirem do seu e do nosso futuro.

Não vai ser fácil a escolha? Claro que não vai ser fácil.

O que “o povo lagóia” tem que decidir é se quer ou não alterar os caminhos (logo as politicas), que nos colocaram em 2021 como capital de um distrito que é o menos desenvolvido, o menos populoso, o menos jovem …de todos os distritos do continente.

E, tomada esta decisão, como fazer para a alterar?

Insistir no “mais do mesmo“ e validar a falta de “jeito e de tino” para governar o concelho? Apostar nos que agora com megafones renovados, são os do “antigamente: os das fogueiras para purificar os hereges, da pide para os tais “safanões”, da masmorra para o que pediam pão? Chamar os que de novo insistem em tratar-nos como campeonato para “lavar cartões” e aqui apresentam quem vindo de “campeonatos de divisão inferior” quer tempo e palco para “fintar” a lei que lhe impõe limite de mandatos?

Dar, desta vez, oportunidade a quem nunca governou a nossa cidade e concelho e cujo passado e prática podem ser selo de garantia de autenticidade e competência?

São estas algumas das interrogações com que se irão confrontar os eleitores do concelho e será a cada uma destas interrogações que as candidaturas em presença deverão procurar responder.

Importa que nestas eleições possamos ter presente o poema de um portalegrense por adoção e possamos agir em conformidade: ouvindo sem preconceito, escolhendo o que pensamos ser o melhor para Portalegre e para as suas gentes e tendo sempre presente o desejo/acção de todo um povo – Fascismo nunca mais!

Assim “armados” procuremos a escolha acertada levando como ponto de partida as palavras de Régio: …Não sei para onde vou  … sei que não vou por aí!.

 

Diogo Serra

Publicado no Jornal do Alto Alentejo de 9-6-2021

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Nos 471 anos de Cidade!

 


QUE VIVA A FESTA!

Assinalámos no passado dia 23 o quadrigentésimo septuagésimo primeiro ano de elevação de Portalegre a cidade.

Em tempos de pandemia, e com o número de infectados de novo a crescer, foi-nos possível usufruir de um programa mínimo (ajustado aos tempos que correm) mas diga-se com o mínimo de dignidade que a efeméride e os portalegrenses merecem: uma componente cultural diversificada, uma componente política com a tradicional cerimónia do hastear da bandeira e a sessão solene com as também tradicionais atribuições de medalhas.

Nenhum reparo. Já no secretismo do programa ou no também tradicional afastamento dos eleitos, fora do círculo próximo da Sra. Presidente, há muitos reparos a fazer.

Na verdade, nada justifica o ensurdecedor silêncio durante as sessões de câmara a não ser a vontade de afrontar as restantes forças políticas representadas no Executivo.

Prática desde há muito cultivada e que teve recentemente duas exemplares manifestações: a não informação à vereação da vinda da Sra. Ministra da Cultura ao concelho de Portalegre e o agendamento para reunião de câmara, a decisão sobre uma pintura de um mural artístico … que estava a ser concretizada desde o dia anterior.

Também a atribuição de medalhas com que a autarquia anualmente reconhece o papel de instituições, personalidades e trabalhadores do município, não merecerá quaisquer reparos. Já a atribuição da medalha de ouro da cidade, quinze anos depois da entrega de igual honraria ao então Ministro da Administração Interna me causa alguma perplexidade. Não que o actual Presidente da República não tenha nada a ver connosco. Escolheu a nossa cidade para as comemorações do Dia de Portugal em 2019 e até já atribuímos uma medalha ao seu megafone nessas comemorações, mas não percebo (ou percebo muito bem) porquê só a ele, se outros Presidentes houve que trataram Portalegre da mesmíssima maneira que ele o fez.

Mas adiante. Fixemo-nos na necessidade de reaprender a viver, de iniciarmos percursos que permitam sarar feridas e minimizar estragos (muitos) que a pandemia nos impôs e em particular, procurarmos homenagear os resistentes e ajudar a que muitos dos mais atingidos não fiquem pelo caminho: refiro o nosso tecido empresarial e em particular as empresas familiares dos serviços, do comércio e da restauração.

Fixemos aí a nossa atenção e sejamos capazes de suprir o que o nosso executivo não fez por incúria, incapacidade ou deliberada má-fé. Mobilizemo-nos para tratar do que é nosso, comprando às nossas gentes, usando os serviços de quem aqui se instalou, animando a economia local e não calando a revolta de quem viu um executivo municipal olimpicamente mobilizado para aforrar meios que lhes permitissem “brilhar” nas batalhas eleitorais, multiplicando-se em obras e em distribuição de estatuária, fingindo não ver nem ouvir, quer os que no nosso concelho se agigantavam para não morrer, quer os seus pares que nos concelhos vizinhos arregaçavam mangas e lado a lado com os seus, participavam na minimização da catástrofe.

Falo-vos dos apoios municipais que os nossos comerciantes não tiveram, do tratamento desigual que levou apoios a uns (muito poucos) em detrimento da esmagadora maioria. Falo-vos da forma como foram tratados os trabalhadores do município e em particular os que em situação de risco nunca deixaram de cumprir o seu papel: nunca deixaram de recolher os lixos e garantir o saneamento, mantiveram o funcionamento do mercado municipal, os que estiveram presentes nas escolas e no apoio aos mais carenciados. Esses mesmos, a quem o nosso município recusou o pagamento desde Janeiro, do complemento de salubridade e risco pelo qual esperaram 13 anos.

Falo-vos ainda dos trabalhadores da Fundação Robinson e do seu núcleo museológico, obrigados a rescindirem os contratos por não pagamento do salário, do próprio museu encerrado por não ter sido pago o fornecimento de luz e que corre o risco de se ver destruído.

Mas retornemos ao 23 de Maio. Gostei!

Diogo Serra

Publicado no Jornal Alto Alentejo de 26-05-2021

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 


VELHOS SÃO OS TRAPOS! Verdade…(?)

Na passada semana tive a oportunidade de testar a verdade desta afirmação.

No âmbito do Projeto de intervenção que a Cooperativa Operária desenvolve com o patrocínio da Fundação Gulbenkian, visitei a Associação dos Bombeiros Voluntários de Portalegre e no dia seguinte, participei nas comemorações do 123º aniversário da COP que realizámos na sua sede, na rua com o seu nome.

Num e noutro lugar pude constatar quão longe estão a idade cronológica e a idade vivida.

Nos Bombeiros e no decorrer de uma visita guiada por um jovem operacional da respectiva Corporação, deparámo-nos com o entusiasmo, a coragem e a paixão juvenis, corporizados por uma Associação que já cumpriu cento e vinte e dois anos de existência.

Na sede da Cooperativa, na mesma sala que acolheu e concretizou o sonho de centenas de operários e das suas famílias, constatámos e comovemo-nos ao testemunhar que cento e vinte e três anos depois o sonho continua e na casa que os operários corticeiros disponibilizaram à cidade. Com um profundo respeito pelo passado, constrói-se o futuro e procuram-se caminhos para que os nossos “Maiores” continuem integrados e a brindar-nos com a sua experiência e saberes.

O Projecto ENTRE TEMPOS, cujo desenvolvimento foi dado a conhecer e a atenção que tem vindo a suscitar quanto à possibilidade de garantir a todos e todas que já deixaram a actividade profissional o serem e sentirem-se úteis, activos e sonhadores.

E sim, nestes dois espaços e momentos, era perceptível para todos que…Velhos são os trapos!

Mas, e há (quase) sempre um mas, houve mais semana para além destes momentos e quer no decorrer da Assembleia Geral da IPSS, cujos órgãos sociais integro, quer nos contactos mantidos com outras instituições dedicadas ao apoio (e institucionalização) a idosos foi-me possível constatar que para muitos, em particular para o governo “de Lisboa” os Velhos (os nossos pais e avós) são trapos que já tiveram a sua serventia mas são agora…descartáveis.

Hoje, por todo o distrito e acredito por todo o interior, as instituições que asseguram aos mais idosos, os cuidados que ao Estado competem estão a atravessar um período tão ou mais grave que aquele que a pandemia lhes/nos impôs: sem meios financeiros que acompanhem o aumento dos custos necessários para garantir as medidas de higiene e segurança que a situação impõe e abandonados pelo poder político que de longe, persiste em não perceber que não se pode tratar igual aquilo que é diferente.

No distrito existem instituições a viverem sob o espectro da insolvência, muitas sem condições para pagarem, no imediato, os salários e os subsídios aos seus trabalhadores e que têm como resposta por parte das instituições que as tutelam, que procurem junto dos familiares dos seus utentes as verbas de que carecem.

Para quantos gostam de afirmar que “estamos todos no mesmo barco” ou que “Vai tudo ficar bem” aí está o desmentido que a nossa realidade impõe. Nem estamos todos no mesmo barco, quando muito no mesmo mar, nem “vai tudo ficar bem”. Vão ficar sequelas e elas serão tanto maiores quando mais frágeis e desprotegidos estivermos.

As instituições que zelam e tratam os nossos idosos, eles próprios quase sempre os mais frágeis entre os frágeis porque já antes o eram, estão entre os que irão pagar o preço mais alto por terem nas instâncias do poder e particularmente no Governo da República quem desconhece a realidade dos territórios como o nosso ou, conhecendo, preferem fingir que não sabem.

E são estes comportamentos e omissões que nos mostram a diferença abismal entre as palavras e os actos. Que mostram que não há assim tantas diferenças entre os que apelidam os nossos maiores de “peste grisalha” e os que, mostrando-se incomodados com tal adjectivação persistem em “assassinar” as instituições e os projectos que na nossa região substituem o Estado, na sua obrigação de garantir a todos condições de viverem com dignidade.

Não permitamos que transformem os nossos “maiores” em peças inúteis e descartáveis.

Não destruamos as nossas “bibliotecas”!

Diogo Serra

quinta-feira, 29 de abril de 2021

ABRIL DE NOVO, PELA FORÇA DO POVO!

 

ABRIL DE NOVO, PELA FORÇA DO POVO!

Em Portalegre como em todo o país o 47º aniversário do 25 de Abril voltou a ser assinalado nos salões do poder e nas ruas, com a precaução necessária e o entusiasmo de quantos o reconhecem como tão bem o definiu Sofia “ esta é a madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo…

Em Lisboa, o Dia voltou a ser assinalado institucionalmente na Assembleia da Republica e os populares voltaram a ter a possibilidade de descer a Avenida.

Interessante e novidade o facto de, desta vez, serem mais os que queriam comemorar Abril quer na Assembleia, quer no desfile da Avenida.

Outra novidade e de acordo com as posições que tem vindo a ser assumidas pelos saudosistas da ditadura alguns, poucos, terem pela primeira vez, assumido publicamente o seu apoio ao regime que o 25 de Abril depôs: na Assembleia assumindo o luto na tribuna e à porta com meia centena a manifestarem-se claramente contra Abril.

Entretanto e porque este é um ano de eleições autárquicas os dias que antecederam este 25 de Abril foram “agitados”.

Um grupo de autarcas eleitos em candidaturas exteriores aos Partidos Políticos, promoveram diversas manifestações contra as alterações sofridas pela lei que define o processo eleitoral para as autarquias locais e em particular, sobre o que entendiam ser a discriminação a que estas os sujeitariam.

No âmbito dessa vontade reuniram-se (também em Portalegre) e enviaram “recados” à Assembleia da Republica e aos partidos políticos ali representados.

Das posições publicamente assumidas percebeu-se que entendem ser “merecedores” de tratamento igual aos partidos políticos e, presumo, assumirem-se como partidos a nível local sem assumirem “as chatices “ que se colocam aos partidos “tradicionais” e em particular o controlo politico e social que a legislação e o eleitorado impõem.

Independentemente da apreciação que cada um de nós faça da bondade ou não das candidaturas exteriores aos partidos, a visita destes autarcas ao nosso concelho e o tempo de antena que lhes foi dado colocou-nos, cidade e região, nos alinhamentos televisivos e dos jornais e impôs-nos um olhar mais atento sobre estes autarcas que gostam de auto denominar-se de independentes e que no nosso caso são governo desde 2013.

Ao que parece, os seus argumentos convenceram o Parlamento e em particular aqueles que foram os autores das alterações introduzidas e agora contestadas. Desses, só o PSD não arrepiou caminho pelo que presumo os autarcas que querem voltar a concorrer em listas propostas fora dos partidos políticos poderão e voltarão a fazê-lo. Já o seu desconhecimento, profundo, sobre o Regime Democrático saído da Revolução de Abril e os objectivos que prossegue, certamente continuará.

Isto a propósito do ultimato apresentado a partir de Portalegre e do qual a Presidente Adelaide Teixeira foi porta-voz: “Ou fazem o que achamos justo ou…formamos um Partido Politico!”

Será que não perceberam (ainda) que o 25 de Abril se fez (e a Constituição consagra-o) para que os Partidos existentes pudessem vir à luz do dia e outros partidos, muitos, todos, pudessem nascer e consolidar-se?

Ultrapassados esses percalços voltámos, todos os portalegrenses que o quisemos, a comemorar Abril no Centro de Congressos e na rua. Num e noutro local para afirmarmos que Abril não tem donos mas tem promotores e deve ter, tem que ter, quem o defenda e continue.

E a continuação de Abril voltará a fazer sentir-se em Portalegre, como em cada ano, já no primeiro de Maio.

Viva o 25 de Abril e a Liberdade!

Que saibamos continuar Abril!

quarta-feira, 14 de abril de 2021

“DA PORTUS ALACER “ AO CAMPEONATO DOS PEQUENINOS

 “DA PORTUS ALACER “ AO CAMPEONATO DOS PEQUENINOS.

Não há cidades pobres. Há cidades sem projecto!

Esta verdade vem-me sempre à memória de cada vez que ouço ou leio afirmações que procuram justificar o “estado a que chegámos” por sermos um território pobre.

Território pobre? Portalegre? Desde quando?

Ouçamos o Padre Diogo de Sotto Maior e atentemos nas razões que justificaram a instalação em Portalegre da Real Fábrica de Panos.

Relembremos a Portalegre Operária com a corticeira, os lanifícios, as sedas, os sabões, as salsicharias, a finicisa e as tapeçarias, rodeada por intensa atividade agrícola característica do minifúndio nas freguesias do norte e a sul, a intensa actividade agro - pastorícia e silvícola, característica do latifúndio.

Chamemos à memória a cidade atravessada por um enorme centro comercial a céu aberto que se abria desde o Alentejano ao Rossio. Atentemos nos cafés repletos de gente e de ideias, as tertúlias do Central e do Facha, o bulício nervoso dos estudantes no Alentejano.

Recordemos a pujança do seu associativismo, os inúmeros jornais aqui sedeados, a intensa atividade artística e cultural, onde o teatro tinha papel de relevo.

Foi a pobreza de ideias e não do território que nos aprisionou nesta tristeza.

Foi o não termos sabido construir (e brigar por ele) um projecto para nós e para o concelho.

Foi por não termos tida a coragem de dizer não, ao controlo social absurdo que nos prendeu e que fechou portas a todas as oportunidades que se nos foram apresentando: As fábricas que não se instalavam para não porem em causa primeiro os “terratenientes” e depois as famílias “industriais” que faziam dos salários de miséria a garantia da sua riqueza e mais recentemente o deixarmos assassinar as perspetivas de um continuar da indústria corticeira, por vassalagem aos novos monopólios que entretanto se instalaram.

Foi essa permanente disposição para sermos heróis à mesa do café (actualmente frente ao teclado do computador) e “gatinhos” frente aos poderes instalados, que aliada ao tradicional entendimento que “o de fora é sempre melhor” e ao preconceito que nos continua a impedir de escolher o que se nos apresenta como mais capaz, que nos aprisionou nos nossos medos e nos empurrou para o “Estado a que isto chegou”.

Medos, ausência de capacidade e vontade de experimentar diferente, que volta a expressar-se de novo, agora que nos encontramos a poucos meses de voltarmos a poder decidir o futuro de Portalegre e dos portalegrenses.

De novo, quando voltamos a poder decidir sobre o governo do nosso território, cidade e concelho, quando com as eleições autárquicas podemos operacionalizar um Projecto para Portalegre e em conjunto construir e levantar a nossa bandeira, o que se perspetiva é mantermos a inércia.

Por medo ou comodismo, aceitarmos repetir o voto em personalidades que já provaram a sua “falta de jeito” para gerirem o concelho ou nas que se perfilam, não por Portalegre mas por não aceitarem que esgotaram o tempo legal para serem autarcas.

Foi assim nas eleições últimas quando aceitámos ter como candidatos autarcas cuja motivação era manterem-se visíveis pelos eleitores dos concelhos a que tinham presidido.

Passado o período de nojo, eles aí estão, já posicionados na linha de partida dos concelhos de onde saíram com a mesma ou com outra camisola.

Entretanto já estão oficialmente anunciadas novas/velhas repetições.

Cidade Pobre? Não!

Pobre cidade que passou a ser “campeonato” onde alguns só vêm jogar para limpar os “castigos”.

Até quando?

Diogo Serra

* Publicado no Jornal do Alto Alentejo de 14-4-21

Postal

Portalegre - Praça do Municipio
Edição de Bartholomeu da Guerra Conde
(Colecção com 13 clichés)

quarta-feira, 31 de março de 2021

UMA BANDEIRA P’RA PORTALEGRE!

 



UMA BANDEIRA P’RA PORTALEGRE!

“Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade!”

 

Portalegre não precisa de bandeiras. Errado!

Nos últimos tempos, erradamente penso, a discussão politica em Portalegre tem vindo a centrar-se à volta de questões sempre escorregadias como o são as questões da estética e do gosto e, à boa maneira lagóia, sempre ao sabor de modas impostas por “influencers” mais ou menos modernaças ou, foi agora o caso, por mensagens fabricadas por quem (deliberadamente ou não) vai trocando a nobre função do jornalismo pela opinião pessoal e não fundamentada ou, bem pior, pela “comunicação” de encomenda.

Desta forma, porque partindo de premissas falsas, muito dificilmente a conclusão poderia ser correcta.

Assim, quer a conclusão de que uma rotunda, um pau ou mastro com ou sem bandeira, são fundamentais e por isso justificam, quer a falta de discussão, quer os avultados recursos, é fundamental para o concelho, quer o seu contrário: Portalegre não precisa de bandeiras, pecam por não corresponderem à realidade.

Na verdade, se ´há coisa de que Portalegre (cidade e concelho) carece é de Bandeiras em que os portalegrenses de nascimento e de opção se revejam e acreditem, a ponto de as fazerem coisa sua, pela qual vale a pena “brigar”.

Certamente não será uma qualquer bandeira (por maior simbolismo que encerre) a flutuar no cimo de um pau ou mastro rico, de quase cem mil euros e cuja importância lhe advirá de ser palco de discursata em dia de festa e cenário para fotografia importante para a campanha eleitoral que se aproxima.

Não. Portalegre (cidade e concelho) precisa de bandeiras que correspondam a projectos capazes de dar concretização aos desejos e reivindicações que nos garantam o desenvolvimento e o bem-estar que ansiamos e merecemos. Portalegre (cidade e concelho) precisa de uma bandeira que corresponda a uma ideia de futuro: uma estratégia para o desenvolvimento, um projecto em que todos nos possamos rever e empenhar.

Portalegre cidade operária precisa de uma estratégia de desenvolvimento que potencie a cultura operária que desenvolveu e preserva.

O concelho de Portalegre precisa de uma estratégia de desenvolvimento que consiga unir os portalegrenses na exigência clara de políticas nacionais de valorização deste território, de infra-estruturas que potenciem as capacidades endógenas, em vez de nos prender entre fronteiras construídas, que podem ser (como agora o são) as auto-estradas que nos tocam, os investimentos ferroviários que por cá passam mas nada deixam, ou a incapacidade de potenciar a excelência de ensino e investigação que, as instituições do saber aqui instaladas têm mostrado serem capaz.

Num tempo em que se anunciam para o país disponibilidades financeiras avultadíssimas, acompanhadas da necessidade de serem correcta e rapidamente utilizadas, é fundamental que as regiões como a nossa, sistematicamente arredadas dos investimentos públicos e das políticas capazes de atraírem e manterem o investimento privado, façam ouvir a sua voz e garantam um lugar à mesa da distribuição e aproveitamento desse “robusto” envelope financeiro.

É tempo de eleger e levantar bandeiras e desde logo, aquelas que unirão à sua volta a esmagadora maioria, senão a totalidade dos portalegrenses:

·         A electrificação total da Linha Ferroviária do Leste e a alteração do traçado que a faça chegar à cidade de Portalegre e ponha fim ao estrangulamento rodoviário que provoca em Santa Eulália e a construção de estações na Zona Industrial de Portalegre e em Elvas junto à intercepção com a Linha Sines/Caia.

·         A finalização do IC 13 em toda a sua extensão entre Lisboa e Galegos/Marvão.

·         A Ligação em perfil de auto-estrada entre a A6 e A23 ligando Badajoz a Castelo Branco com passagem por Portalegre.

·         A concretização do IP2 em toda a sua extensão com a resolução dos atravessamentos de Estremoz e Évora e a eliminação dos pontos negros existentes no nosso concelho.

Estas são bandeiras que importa elevar bem alto. Estas são algumas das necessárias Bandeiras para Portalegre.

Assumamo-las!

Diogo Serra

quarta-feira, 17 de março de 2021

TOMAR PARTIDO!

 


TOMAR PARTIDO!

Quando nos aproximamos de novo acto eleitoral, desta vez para os órgãos de poder mais próximos dos cidadãos e quando a campanha eleitoral já está no terreno a partir de quem, ainda, exerce o poder, importa, penso, tomar partido.

Em 1975 um revolucionário que era então primeiro ministro de Portugal afirmou convictamente que não há meios-termos “ ou se está com a Revolução ou se está com a Reação!”.

Passados 46 anos é-nos fácil perceber que também aqui, Vasco Gonçalves estava com a razão. Mas também é acertado pensarmos que hoje, quarenta e sete anos depois de Abril e passados 45 (cumprem-se em Dezembro) das primeiras eleições livres para as autarquias locais aqueles termos mesmo que certos não se adequam à linguagem actual e por isso prefiro colocá-lo assim: Hoje, em Portalegre, também não pode haver “meias tintas”: ou se está com o desenvolvimento e o bem-estar de Portalegre e dos portalegrenses ou se está com quem está a destruir a cidade e o concelho a favor de uns poucos, se está com o passado.

O concelho e a cidade estão num estado de retrocesso acelerado nos seus interesses e valores: de cidade industrial passou, por culpas próprias e alheias, a cidade de mão estendida.De concelho reconhecido como motor de desenvolvimento da região envolvente, para concelho da inércia e do atraso face aos restantes seus vizinhos.De detentor e promotor de uma cultura industrial, a promotor de uma “indústria/angústia do desemprego, da descrença e da paralisia.

Está na hora de “Tomar Partido”! Talvez nos esteja a ser oferecida a última oportunidade de retomar os caminhos do progresso que merecemos, do desenvolvimento que aspiramos, do orgulho que já tivemos.

As candidaturas começam a ser conhecidas, as movimentações dos diferentes actores já são bem visíveis e para lá dos anúncios já feitos quanto a candidatos e das normais especulações, todos sabemos quais as forças políticas que irão estar em presença e conhecemos quer as suas promessas, quer sobretudo, os seus objectivos.

Voltaremos a poder escolher entre o grupo que deteve a governação (ou falta dela) na última década, os comunistas e verdes coligados, os defensores da Social-democracia divididos (como sempre) em dois grupos distintos: uns apresentando-se sozinhos e outros em coligação com os democratas cristãos que restam no CDS.

Os saudosistas que durante décadas, por cobardia, se espalhavam por diferentes forças políticas do chamado arco da governação aparecerão agora com o partido que encomendaram e pagam, depois de perderam o medo de dar a cara pelo retrocesso que anseiam.

Assim, no quadragésimo quinto aniversário das primeiras eleições livres, em Portalegre vamos ter que TOMAR PARTIDO e também aqui e agora, como o afirmou o Militar de Abril, então Primeiro-ministro, não pode haver outras vias. Ou se está com a Liberdade, a Democracia e o Futuro ou se está com o Preconceito, o Ódio e o Passado Retrógrado Colonial/Salazarista.

E, porque estamos num tempo em que as palavras proferidas e escritas nem sempre correspondem ao que se quer e ao que se faz permito-me transcrever porque com ele me identifico o que o Primeiro-ministro de Portugal nos 4º e 5º Governos Provisórios entendia por Liberdade.

A liberdade não se define ou não se consubstancia, apenas, nos direitos políticos, no direito de poder falar livremente, no direito de opinar e contestar ou de se organizar colectivamente sem ser preso. …São necessárias estruturas políticas, económicas, sociais, culturais que garantam o exercício das liberdades consagradas na Constituição. O desemprego, a miséria, a fome, a falta de instrução, a falta de habitação, as relações sociais de exploração são contrários ao exercício livre da liberdade. Mesmo esta (a liberdade política) tem condicionamentos económicos e sociais, culturais e até, ambientais. Por exemplo, o novo código de trabalho, as novas leis aprovadas em 2004 nos domínios da segurança social, da saúde, da educação, do arrendamento urbano, limitam claramente as condições de vida das pessoas… Têm uma influência decisiva sobre a igualdade de oportunidades, condição indispensável para o exercício das liberdades. Outro exemplo: o domínio dos meios de comunicação social de maior difusão pelo sistema do capital. A desinformação deliberada influencia negativamente a formação cultural, a formação da consciência social e política dos cidadãos, e, consequentemente, o exercício do direito à liberdade.”

Tomemos partido!

Como não me canso de afirmar “O Futuro tem Partido”! Nas autárquicas, em Portalegre, o Passado (parece) Também.

Saibamos escolher!

Diogo Júlio Serra