quarta-feira, 12 de agosto de 2026




" E se Abril ficar distante
Desta terra e deste povo
A nossa força é bastante
Para fazer um Abril Novo" 

A menos de uma hora do eclipse solar, quando as televisões usam e abusam dos diretos para o transformar num acontecimento social ( há quem lhes chame feiras de vaidades ) surpreendo-me com a quantidade de expressões de ódio suportadas pelas redes sociais e na sua maior parte claramente justificadas pela falta de capacidade de usar o cérebro que todos temos, mas que alguns teimam em não usar.

A base de suporte desse autrêntico mar de intolerância e desinformação é hoje a Festa do Avante e alguns posts que o Partido que a organiza e alguns dos muitos que anualmente a constróiem e frequentam.

Eu que ajudei a construir a priomeira versão, já lá vão 50 anos, e daí para cá tenho sido deu "cliente" regular, tenho dificuldades em perceber como com mais de meio século de liberdade continua a haver tanta desinformação, tanto preconceito e sobretudo tanto medo. Sim, é o medo que permite e estimula o ódio. Medo do desconhecido, medo de acreditar, medo de ser feliz.

E todavia houve Abril.

Este país que hoje assiste amorfo ao cimentar do medo e ao semear do ódio é o mesmo país que viveu 60 anos de ditadura terrorista e mesmo assim soube sonhar, acreditar no sonho e transformá-lo em realidade.

Este país que passou o sonho à sua juventude e que a preparou para que se libertasse da tirania e da guerra e construisse aquela dia inicial inteiro e limpo que a poetiza cantou e todos os portugueses ratificaram 6 dia depois por todo o país, na jornada inesquecivel do 1º de Maio, está agora a braços com os que sairam da hibernação a que a libertade os remeteu e procuram agora o ajuste de contas.

E volto ao eclipse e à informação que a ciência nos deixa de que em Portugal só valtaremos a ver, em Portugal, um eclipse solar total no ano de 2144 e surpreendo-me a pensar e a temer se também será assim com o retorno do sonho chamado Abril.

Rapidamento regresso à realidade. É claro que Liberdade e Eclipse têm vida e tempos diferentes. A primeira nasceu da vontade dos homens e mulheres e será por eles alimentada e defendida. 

Nada está ou foi perdido. Falta tão só que se cumpra Abril. Como Sophia o definiu.

Diogo Júlio Serra