segunda-feira, 19 de outubro de 2026

La jeunesse prend la Bastille avec détermination et musique!

 

La jeunesse prend la Bastille avec détermination et musique!

 


A Juventude francesa está na rua e em luta por valores que entende fundamentais para o seu desenvolvimento e o desenvolvimento do país. A sua determinação e a razão da sua luta tem trazido até eles muitas outras faixas da sociedade francesa.

O seu exemplo tem vindo a acender outras lutas pelos mesmos objetivos e razões em muitos outros países na Europa e no mundo.

França, Espanha, Bélgica, Itália, Albânia, Portugal e também a Ucrânia são pontos quentes  e de luta das populações esmagadas pelas politicas dum capitalismo predador que multiplica milionários à custa da disseminação da pobreza e das politicas de preparação de novas guerras.

Não há em minha opinião e a contrário do que os comentadeiros habituais insistem em fazer-nos acreditar, nenhum complot internacional ou tentativas de importar as movimentações de outros países.

Sabemos que apesar de todas as reivindicações terem um cunho comum - Terminar com as politicas que destruíram a chamada classe média e espalham a pobreza mesmo entre aqueles que trabalham cada dia. - nesta Europa , baluarte de países ricos que teimam em produzir à muitas e diversificadas razões para a revolta que se manifesta.

Como quase sempre os olhares viram-se todos para França. A consiga Liberdade, Igualdade, Fraternidade e sobretudo a sua Revolução continuam , 237 anos passados, a aterrorizar os governantes. E é esse medo, mais o preconceito ideológico que os amarra que os leva a perder a capacidade de análise e de isenção e, por vezes a vergonha.

Daí ao boato, à difusão de imagens e textos parciais e distorcidos, ao apelo ao ódio e à propalação do medo, é apenas um instante.

Alguns, amigos meus, com a agravante de a sua profissão lhes exigir algum rigor, apressam-se a identificar a totalidade dos que lutam com bandos e atitudes de arruaceiros, muitos deles plantados para semearem a confusão e o ódio e logo os catalogam com as cores e as cargas das ideologias, compromissos e atitudes das forças que os atormentam: a esquerda (agora a cartilha impõe-lhes que digam extrema esquerda) e os imigrantes.

Quaisquer deles só viram em frança excessos dos manifestantes e os confrontos com a policia. Não viram nem os policias infiltrados entre os manifestantes para provocarem os confrontos e justificarem os espancamentos. Não viram, pasme-se, aquela tomada da Bastilha com a Orquestra do Novo Mundo, composta por cerca de uma centena de jovens músicos, tocando peças emblemáticas como a "Sinfonia do Novo Mundo" de Dvořák, a "Marcha Imperial" de Star Wars (numa alusão humorística à polícia presente) e o hino nacional francês, "A Marselhesa"

Não viram o belo e é pena. Significa que estão a perder as condições necessária à sua profissão ou pior, estão a perder a humanidade.

Diogo Júlio Serra

sábado, 17 de outubro de 2026

 COMBATER A POBREZA. MAIS PÃO, MENOS CIRCO!



    As imagens lustram momentos de convívio entre instituições que diariamente, no terreno, procuram minimizar a fome que se instalou em muitos lares, pretende também assinalar O dia Nacional de combate à pobreza.

    Sou dos que reconhecem o papel dos Bancos Alimentares e das muitas outras entidades que procuram garantir que pelo menos em algum momento do dia, num ou todos os dias, alguns possam ter alguma coisa para pôr na mesa. Reconheço-o porque sei que sem eles e a sua ação muitos mais a muitas mais horas não teriam que comer, mas esse reconhecimento não pode tolher-nos a ação. Não pode impedir a reflexão.

     E a verdade é que a pobreza nunca será reduzida, muito menos irradicada se não atacarmos de frente os problemas que a originam e alimentam. A riqueza produzida é roubada pelos poderosos em detrimento dos que a produzem. Conseguem-no utilizando os instrumentos ao seu serviço a a quem chamam Estado: o governo deles, as forças repressivas deles, a comunicação social deles.

    Para o confirmar não é necessário o conhecimento dos tratados marxistas ou outros. Não é preciso sair do nosso país, nem sequer da nossa rua! Os dados estão aí. Enquanto milhares de trabalhadores estão na rua a exigir o direito a uma habitação condigna para si e para a sua familia e são espancados por homens e mulheres também eles filhos e pais de outros homens e mulheres a quem o salário não chega, a casa já não é sua, que vivem em quartos ou nos carros por não poderem pagar a renda. Tudo isto, num momento e num país em que o governo dá borlas fiscais aqueles que arrecadam lucros (só no primeiro semestre) de 2,519 mil milhões de euros. 

Diogo Serra


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Entre o compromisso e a traição, mentiras, incompetência e...dignidade!

 Entre o compromisso e a traição, mentiras, incompetência e...dignidade!


"É profundamente triste ver a administração desvalorizar a total disponibilidade do médico para atender os seus pacientes, transformando uma virtude elogiada pelos doentes num aspeto negativo.
Esta atitude de desprezo e a quebra da palavra dada provam que este CA não tem condições para continuar em funções."

Nestas duas frases retiradas do post de Sónia Silva, um dos rostos da comissão que tem promovido iniciativas em defesa da manutenção da qualidade nos serviços de oncologia está (bem) espelhado o posicionamento e a falta de palavra do Conselho de Administração da ULSAA.

Só lhe falta colocar (e isso faço eu) a falta de geito (para usar uma expressão fofinha) do Presidente da Mesa da Assembleia Municipal para dirigir os trabalhos. Falta de geito que procura esconder por detrás dum autoritarismo bacoco e uma suberseviência gritante face às "estrelas" do seu partido.

E foi o somatório da falta de palavra do Conselho de Administração da ULSAA e do seu Presidente, da tentativa de trocar as respostas pedidas por propaganda e auto-promoção e da incompetência do Presidente da Mesa da Assembleia na direção dos trabalhos, que defraudou expetativas e pôs a nu os conluios para, também na saúde, manter o que está mal e mudar o que está bem.

Pior, só os tiques autoritários do Presidente da Mesa da Assembleia ao querer expulsar da sala quem ousou dizer em voz alta o que muitos ali pensavam.

Uma ano e um dia passados deste o dia em que os Portalegrenses elegeram os órgãos autárqicos o verniz estalou.

Valha-nos a dignidade dos autarcas que não pactuaram com a farsa. Honra aos que abandonaram a Sala.

Diogo Serra


terça-feira, 13 de outubro de 2026

JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

 


JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

            O governo apresentou recentemente na Assembleia da Republica a sua proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano que , ao que se sabe, amplia de forma exponencial a destruição de direitos e conquistas que Abril nos trouxe a Constituição consagra.

            Um antigo primeiro ministro que ficou na nossa memória pelo roubo de direitos e pela venda ao desbarato dos nossos principais recursos, apressou-se a vir dizer-nos que o que aí vem é muito pouco e que são precisas alianças que permitam o "assalto final".

            Na Assembleia da Republica o Grupo Parlamentar que se bate pela destruição de Abril e da Constituição que o consagra, transforma diariamente a Casa da Democracia num circo (mau) e usa a chicana politica para dar palco  às mentiras e  ódio que os seus avençados disseminam na rua.

            Os outros  partidos que endeusam o capital (os que abertamente o defendem e os que dizendo por vergonha que o querem combater) apoiam as medidas que o protegem ou, combatem-no  através das violentíssimas abstenções.

            Enquanto isto os seus papagaios nos territórios mais os megafones que detêm na comunicação social que dominam afadigam-se a inundar-nos com toneladas de propaganda sobre a bondade  das suas ideias e ações ou, por vezes também argumentam, com a falta de meios para fazer o que faz falta.

            O Orçamento que todos vão votar (as exceções virão dos que teimam em não abdicar dos seus valores) é como todos os orçamentos um enunciado de valores e de opções. É bom, não duvido, para os que comandam o governo , a Europa dita unida, os merceeiros da guerra.

            É excelente, reconheço, para o grande capital. Para a banca, os grandes retalhistas, as principais cotadas em bolsa. As mesmas a quem o governo dá borlas fiscais e cria a condições para abocanharem milhões ao dia.

            É, estou certo, um bom orçamento para os senhores da guerra ou para o fascismo renascente com expressão máxima no território, governo e aliados ucranianos.

            Não o é, para os portugueses na sua maioria. Os que precisam, utilizam e sofrem com os ataques ao Serviço Nacional de Saúde. Os estudantes sem professores e sem escolas e os muitos que já não tem recursos para continuar os estudos. Os trabalhadores que mesmo trabalhando não conseguem ter casa, se reinventam para por comida na mesa, a quem sobra sempre mês.

            Esses não o consideram bom. Esses que somos nós não podem aceitar sem luta que o OE deste ano e comparativamente ao ano anterior que já era suficientemente mau, diminua as verbas para a saúde e aumente desmesuradamente  as receitas para a guerra.

            Não, não podemos estar de acordo.

            E a exemplo do que se começa a estender pela Europa dita em União, não podemos, e não iremos ficar apenas pela indignação.

A hora é, também aqui, de tomar partido.

É tempo de, também aqui, passarmos à ação!

Diogo Júlio Serra

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HABEAS ATLÉTICO!

 Habeas Atlético



O ATLÉTICO VOLTOU!

Vinte e duas épocas depois o Atlético está de volta ao futebol sénior regional.

O Atlético das grandes tardes no antigo campo do Rossio que enchia para extravasar clubismo e rivalidades nos confrontos com a Maravilha. Esse Atlético que incluiu nas suas fileiras grandes glórias do futebol arronchense e entre elas a estrela mais brilhante, o internacional Palmeiro, do Benfica e da Seleção Nacional, mas para nós, sempre, o Nosso Xico Feiteira e que deu o seu nome ao atual estádio municipal.

Só por esse passado, pelas recordações do velho campo da bola, do pelado cercado pelo gradeamento de madeira pintada de branco, sem balneários que esse luxo só chegou com a SECA, e por isso com as equipas a desfilarem equipadas desde a sua sede até ao campo, o regresso do A.C.A. ao futebol sénior seria motivo de regozijo. Mas há mais, muito mais.

O Atlético Clube de Arronches que regressa às competições séniores após vinte e dois anos de afastamento teve tempo para cicatrizar feridas, garantir a sua continuidade enquanto instituição insubstituível na vivência desportiva e social do concelho e, sobretudo, para iniciar um trabalho de base que lhe permitisse regressar aos estádios que já pisou e, o sonho é livre, “fabricar” novos Palmeiros.

Reativou o futebol sem repetir erros seus e de outros clubes. Não apostou no “pronto-a-vestir”, apostou no “ouro da casa”.

Criou as escolinhas a partir dos sonhos de um homem da casa (parabéns Mister João Trindade) e durante anos a escolinha que foi a par da secção de cicloturismo quem manteve o clube ativo, foi criando condições para que as crianças  fossem participando nos vários escalões de formação que a idade dos seus atletas aconselhava até chegar aos dias de hoje, com os meninos das escolinhas, os que iniciaram o percurso, chegaram à idade sénior e constituírem a equipa principal do Atlético.

A reativação do futebol sénior que agora se assinala é fruto da resiliência (usemos também esta palavra tão em voga) da instituição, dos sonhos de alguns dos seus dirigentes, mas também da abnegação dos pais dos meninos das escolinhas que em muitos casos foram muito mais que asa protetora das suas crianças.

O renascimento do futebol sénior ocorre já num Atlético de portas abertas.

Este Atlético que nasceu como União Futebol Clube em 1930 pela vontade de alguns praticantes de futebol dos quais, o seu sócio nº 1, António Salgueiro, fora praticante dessa modalidade no Carcavelinhos Footeball Club, mas era também um ativista social e operário, cedo passou a ser muito mais que um clube de futebol assumindo-se como um instrumento de representação social do operariado/artesãos do concelho.

Agora, de novo de rosto erguido, o Atlético Clube de Arronches reassume-se como imprescindível. E não será nenhum resultado desportivo menos favorável a poder esconder a excelência deste regresso.

O Atlético voltou. De corpo inteiro, pela mão dos filhos, netos e bisnetos dos que o criaram e fizeram grande, decidido a retomar o lugar que é o seu!

Viva o Atlético!

Diogo Júlio Serra

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!


 

Nasci num terra que foi, mesmo em plena monarquia, um baluarte do republicanismo.

Cresci tendo por familiares e vizinhos, homens e mulheres prestigiados e reconhecidos como ilustres republicanos. Imbuído dos valores  republicanos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade no Centro Republicano Arronchense, fundado em 1912 pelos mesmos homens que haviam garantido ainda em 1910, nas últimas eleições da monarquia (apenas em Arronches e em  Galveias) a vitória do Partido Republicano.

Talvez por isso, comemorar hoje o 5 de outubro é para mim muito mais que celebrar a recuperação de um dia que o Passos Coelho nos havia roubado e soubemos recuperar. É honrar os homens que na minha meninice aprendi a respeitar: os Marouços, pai e filhos; os Bigares, António que fundou a casa com o seu nome e presidiu a comissão do Registo civil. do filho Eudóxio que me habituei a ver frente à janela a manusear os selos da sua coleção e António, o neto que ajudou a consolidar Abril. Os Balbinos, Daniel e Francisco, Luís pai e filho. José António Lopes, que conheci e o seu pai dirigente Operário que só conheci através das histórias que me contavam. O Professor Castelhano e o seu irmão, dona da farmácia onde regularmente se reuniam republicanos e maçons, , António Mota, e Joaquim Coelho, ambos ilustres republicanos que por várias vezes presidiram a Câmara Municipal. O meu avô Domingos que durante o fascismo ano após ano, comemorava com o lançamento de foguetes e que escapava à prisão alegando que o fazia para comemorar o aniversário do Padre Câmara que era então Presidente da Câmara.

Cresci e vivi no seio de gente séria e trabalhadora. Homens e mulheres livres no pensamento mesmo quando prisioneiros na ação. E pela luta dos republicanos e pelos valores que me implantaram  pude viver mais tarde a alegria de ABRIL.

VIVA O 5 DE OUTUBRO

VIVA A REPUBLICA!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Um homem de Deus e dos Homens. Um Homem BOM!

 Soube através do Noticias de Arronches que o Sr. Padre Farinha foi homenageado, e bem, pelo nosso Município, que terminará as suas funções religiosas no nosso concelho e que a sua última eucaristia ocorreu a 13 de Setembro na Igreja Matriz.

Por estar fora do distrito não pude ser, como gostaria, mais um entre os muitos que não deixaram de ir dizer adeus a quem durante 17 anos foi um dos nossos, foi o pároco e o amigo.

O Padre Fernando Farinha construiu ao longo dos 17 anos que esteve connosco uma relação de confiança e proximidade com todos os habitantes independentemente das suas posturas e crenças. Foi assim em todos os locais que puderam usufruir da sua presença, da sua coragem, da sua palavra e da sua fé.

Foi assim comigo e foi-o mesmo antes de nos termos conhecido.

Decorria o ano de 1988. O Distrito de Portalegre vivia momentos de grandes dificuldades com milhares de trabalhadores no desemprego e a praga dos salários em atraso. Eu era o Coordenador da CGTP-Intersindical no Alto Alentejo e o Sr. Padre Fernando Farinha era o Diretor do Jornal O Distrito de Portalegre, o jornal da Diocese e também o coordenador da disciplina de jornalismo na Escola Secundária de S. Lourenço. Em quaisquer destas funções mas também enquanto padre já me eram conhecidas as suas excecionais qualidades.

No início de Dezembro desse ano, o Movimento Sindical que eu coordenava, desenvolvia intensa atividade sindical nas empresas e nas ruas denunciando a Praga dos Salários em atraso, o desemprego que não parava de crescer e os impactos no Natal dos trabalhadores e suas famílias. Entre as inúmeras ações foi emitido e distribuído à comunicação social um comunicado que identificava todas as empresas que não pagavam salários.

O Distrito de Portalegre, dirigido pelo Sr. Padre Farinha, publicou-o na primeira página sob o título " O outro lado do Natal ". Os patrões (particularmente os incumpridores) não gostaram e pressionaram quanto puderam o Jornal e a Diocese para que o assunto fosse desmentido.

O Diretor do jornal. o Sr. Padre Farinha, ripostou que números rebatem-se com números e se foi publicada alguma mentira que o provem e o jornal lhes dará razão. Assunto encerrado...apesar de para mim e muitos outros ter ficado sempre a "impressão" que foi essa corajosa atitude a decidir o seu afastamento da direção do jornal.

Só três meses mais tarde nos encontrámos pessoalmente, absolutamente por acaso.

Na Rádio Portalegre, ainda a funcionar em Santa Clara, eu era o convidado de um programa dirigido e apresentado pelo António Milheiros, então diretor da Rádio e que previa que o convidado levasse música que gostava de ouvir e pudesse explicar a sua opção. Pois bem apareceu um segundo convidado com vários discos debaixo do braço. Era o Sr. Padre Farinha com discos do Zeca Afonso e assinalando que nesse dia, 23 de Fevereiro de 1989, se cumpria o segundo aniversário da morte do Trovador da Liberdade.

A partir daí voltámos a encontrar-nos várias vezes em Portalegre e em Arronches.

Aqui, quase sempre por "más razões", nos funerais de amigos e conhecidos exceto a última vez que estivemos juntos, desta vez na Igreja Matriz.

Foi já este ano, a 28 de Fevereiro, com a Igreja ainda mais linda porque extraordinariamente iluminada a acolher um concerto sublime proporcionado pela embaixada da Polónia e integrado no festival "Terras sem sombra".

Até sempre Senhor Padre Farinha!

Diogo Serra

quarta-feira, 12 de agosto de 2026




" E se Abril ficar distante
Desta terra e deste povo
A nossa força é bastante
Para fazer um Abril Novo" 

A menos de uma hora do eclipse solar, quando as televisões usam e abusam dos diretos para o transformar num acontecimento social ( há quem lhes chame feiras de vaidades ) surpreendo-me com a quantidade de expressões de ódio suportadas pelas redes sociais e na sua maior parte claramente justificadas pela falta de capacidade de usar o cérebro que todos temos, mas que alguns teimam em não usar.

A base de suporte desse autrêntico mar de intolerância e desinformação é hoje a Festa do Avante e alguns posts que o Partido que a organiza e alguns dos muitos que anualmente a constróiem e frequentam.

Eu que ajudei a construir a priomeira versão, já lá vão 50 anos, e daí para cá tenho sido deu "cliente" regular, tenho dificuldades em perceber como com mais de meio século de liberdade continua a haver tanta desinformação, tanto preconceito e sobretudo tanto medo. Sim, é o medo que permite e estimula o ódio. Medo do desconhecido, medo de acreditar, medo de ser feliz.

E todavia houve Abril.

Este país que hoje assiste amorfo ao cimentar do medo e ao semear do ódio é o mesmo país que viveu 60 anos de ditadura terrorista e mesmo assim soube sonhar, acreditar no sonho e transformá-lo em realidade.

Este país que passou o sonho à sua juventude e que a preparou para que se libertasse da tirania e da guerra e construisse aquela dia inicial inteiro e limpo que a poetiza cantou e todos os portugueses ratificaram 6 dia depois por todo o país, na jornada inesquecivel do 1º de Maio, está agora a braços com os que sairam da hibernação a que a libertade os remeteu e procuram agora o ajuste de contas.

E volto ao eclipse e à informação que a ciência nos deixa de que em Portugal só valtaremos a ver, em Portugal, um eclipse solar total no ano de 2144 e surpreendo-me a pensar e a temer se também será assim com o retorno do sonho chamado Abril.

Rapidamento regresso à realidade. É claro que Liberdade e Eclipse têm vida e tempos diferentes. A primeira nasceu da vontade dos homens e mulheres e será por eles alimentada e defendida. 

Nada está ou foi perdido. Falta tão só que se cumpra Abril. Como Sophia o definiu.

Diogo Júlio Serra



domingo, 26 de julho de 2026


Não são "implicados", são Heróis!

 Nos últimos tempos temos vindo a assistir a um crescendo de aparições de fantasmas do antigamente. Agora que não só voltaram a ter representação parlamentar como têm assento na Presidência da Assembleia da Republica, perderam o medo de se assumirem como Salazaristas e inundam com ódio osw espaços público e mediático.

Assumem-se como sempre foram. Gente sem Moral e sem Vergonha e à boa maneira pidesca invadem o espaço dos outros, procuram intimidar, ameaçam e procuram "transformar" (como sempre fizeram) os bandidos em vilões e condenarem os heróis de Abril a quem nunca perdoram terem reposto a Democracia.

Nos últimos dias um dos Capitães de Abril que se recusa a abdicar da sua condição de obreiro da liberdade denunciava as "canalhices" que os Cheganos e outros defensores do salazarismo/fascista escreviam na sua própria página  no facebbok e no sítio que a ASM - a Associação que recorda, homenageia e divulga o Herói da Revolução dos Cravos - Salgueiro Maia.

É tão só, todos o sabemos, uma pequena parte da campanha que salazaristas e fascistas desenvolvem sob a asa protetora da direita troglodita instalada no poder (politico, económico e comunicacional) e a indiferença cumplice da outra (direita) que se diz democrata ou que se afirma (ainda de esquerda).

Nesta situação por todos vivenciada é fundamental que a indiferença ou o medo não tolham a vontade dos que defendem, praticam e beneficiam da liberdade conquistada.

Que os que "fizeram Abril" não se deixem transformar em "implicados" que não cedam às pressões nem aos insultos com que pretendem enleá-los e sobretudo que assumam que alguns epitetos (a "acusação de comunista", poe exemplo, não é insulto, é louvor!

Defendamos Abril, SEMPRE!

sexta-feira, 13 de março de 2026

11 de Março 75 - Golpe falhado contra Abril

 


11 de Março de 75 – Golpe (falhado) contra Abril.

Cumpriram-se na passada quarta-feira cinquenta e um anos da tentativa de mais um golpe contra Abril. Era a quarta tentativa. A primeira que recorria à força armada e viria a resultar no assassinato de um portalegrense, o soldado Luís.

As tentativas anteriores, também elas resultantes da ambição pessoal de António de Spínola, haviam sido derrotadas sem originarem derramamento de sangue. A primeira no próprio dia 25 de Abril quando o general do monóculo se apresentou no Posto de Comando do MFA a querer pôr e dispor e teve que lhe ser lembrado que as tropas do Movimento ainda estavam na rua. A segunda com o chamado golpe Palma Carlos visando plebiscitar uma Constituição e a passagem dos poderes absolutos para o Presidente d Republica a. A terceira a 28 de Setembro através da maioria silenciosa que deveria desaguar em Lisboa, demitindo o Governo de Vasco Gonçalves, adiando as eleições convocadas e entronizando Spínola. Nova derrota!

O  11 de Março foi a quarta tentativa de Spínola tomar o poder e evitar as eleições que o programa do MFA garantia, e desta vez fê-lo, como viria a repetir, apostando na força militar e não hesitando em arrastar o país para uma guerra civil. Utilizando a mentira e os seus homens de mão, arrastando consigo os fascistas derrotados em Abril ocupou uma base militar e a partir daí metralhou o Ralis e procurou decapitar o MFA e o governo provisório.

Mais uma vez foi derrotado. Os heli-canhões que metralharam o Ralis e assassinaram o soldado Luís foram rechaçados pelos militares de Dinis de Almeida e os pára-quedistas mobilizados para o cercarem eram desmobilizados pela firmeza e pelos argumentos de Dinis de Almeida e outros militares de Abril e regressavam a Tancos.

O fracasso foi total e teve como resultado um passo em frente da revolução que iria atingir a economia. No dia seguinte eram nacionalizadas a Banca, os Seguros e outras alavancas da economia.

Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, com muitos dos golpistas ou os seus “rebentos” estão no poder. Quando muitos dos heróis de Abril sofreram perseguições, prisões e prejuízos nas suas carreiras. Quando um dos mandadores do terrorismo bombista que assolou o país e assassinou portugueses se senta na cadeira da vice-presidência da Assembleia da Republica há quem queira reescrever a história. É fundamental que os que viveram esses dias não permitam que apaguem a memória. É obrigação de todos os democratas e particularmente daqueles que foram protagonistas de alguns desses momentos.

No que respeita ao 11 de Março eu vivi-o na BA3 em Tancos. Vivi-o com outros Alto Alentejanos. Alguns já partiram, casos do Tenente Jaime Pinheiros, de Portalegre, que comandava uma companhia de PA e do sargento Vintém, dos Fortios, mas outros estamos vivos e recordados do que vimos e no que participámos. O Alferes Caldeira, o cabo e instrutor dos amanuenses, João Manuel, de Stº António das Areias e os instruendos, como eu, Caldeira, do Crato; Barata, de Castelo de Vide; Nuno, de Stº António das Areias; Patrício de Nisa.

Cinquenta e um ano depois o chefe do golpe, dos que o antecederam e das acções terroristas e bombistas que se lhe sucederam, morreu como Marechal enquanto os heróis que fizeram Abril foram passados ao “estatuto” de implicados no 25 de Abril e por isso perseguidos e mal tratados pelos fascistas que então derrotaram mas também por camaradas de armas que se acobardaram quando foi preciso dar o passo ou até, por alguns camaradas que com eles conspiraram e executaram o golpe militar.

Ao longo destas cinco décadas foram dados muitos passos atrás mas mantêm-se no essencial o legado de Abril. O Regime Constitucional Democrático, a Constituição com o seu nome e que continua a garantir os direitos, liberdades e garantias essenciais a qualquer democracia politica.

Os Cravos continuam Vermelhos.

Que Viva Abril!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 



A CIMAA e a ULSAA andam a brincar ao faz de conta?

A Comunicação social Regional deu-nos a conhecer o seu entusiasmo com uma iniciativa dos nossos autarcas e do conselho executivo da ULSAA para, dizem-nos, atraírem novos médicos para o nosso território.

Tratando-se de uma dificuldade óbvia a que o distrito e o país não têm conseguido dar resposta, também eu não consegui alhear-me.

Procurei a informação disponível e a desilusão foi (sempre assim sucede) proporcional à expetativa que entretanto alimentara. O alarido era isso mesmo, alarido.

Sendo certo que só “por obra de milagre” seria possível a uma resposta parcelar, por melhor que se apresentasse, teria condições para responder positivamente a uma dificuldade que se coloca em todo o país: a falta de meios humanos que garantam as respostas necessárias aos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

Os dados recolhidos permitiram confirmar a vontade dos autarcas do distrito reunidos na CIMAA, criarem com a Unidade de Saúde do Alto Alentejo uma parceria visando a atração de médicos para o nosso distrito.

Ao que parece a parceria está de pé para, diz-nos o Presidente da CIMAA, ser criado um portefólio com “as bondades do nosso distrito” para afirmam, poderem intervir junto dos jovens médicos e mostrarem-lhes a qualidade de vida que podem usufruir quem optar por exercer aqui a sua profissão.

Ou seja, vamos mostrar aos jovens médicos (e também, espero, aos jovens com as mais diversas profissões no campo da saúde, todas elas deficitárias no nosso distrito). Isso é mau? Não concordo que temos um território encantador? Claro que não!

Estou totalmente alinhado com quantos entendem que o nosso território tem condições de excelência para viver: a riqueza do nosso património construído, do nosso património natural e do nosso património cultural imaterial garantem uma qualidade de vida muito difícil de encontrar em qualquer outro ponto do nosso país. Só que…isso tudo conhecem os nossos jovens e, mesmo assim, “teimam” em deixar a região, a família, as raízes…

Porquê? Porque não conseguimos garantir-lhes trabalho com direitos e salários dignos. E porque ninguém consegue (por enquanto) sobreviver com o ar puro e paisagens idílicas “conquistámos o título de região menos populosa e mais envelhecida.

Acresce que no caso em apreço (atrair médicos) temos um exemplo recente que ninguém ignora e muito menos autarcas e responsáveis pelas instituições de saúde.

Um concurso para médicos de Medicina Geral Familiar para as Unidades de Saúde Familiar teve resultados diferentes para as USF de modelo C e as USF restantes. Para as primeiras (privadas) o número de candidatos ultrapassou o número de vagas, para as restantes (publicas) os candidatos não chegaram para preencher as vagas postas a consumo.

Tal situação não se verificou por as USF do SNS ficarem em regiões sem beleza, sem ar puro, sem atividades culturais e de lazer. Não se deve a questões ideológicas: os médicos preferem trabalhar no privado e não no setor publico. Autarcas e responsáveis pela saúde no distrito conhecem bem as razões de tal situação. Nós também: nas USF privadas o vencimento é de 7.000€/mês e seguro de responsabilidade civil profissional. Nas USF do SNS o vencimento é de 2.800mês.

Há dúvidas?

Os autarcas não podem/não devem fazer nada? Claro que podem. Podem e devem!

Podem e devem bater-se e mobilizar a região para termos direitos (e deveres iguais) aos de todos os portugueses: saúde, educação, transportes e acessibilidades, energia e redes de comunicação… trabalho não lhes irá faltar deixem a dinamização turística e a propaganda para quem para tal tem competências e resp0onsabilidades.

Diogo Serra

(a foto foi pedida de emprestimo à RP)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

 

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

O Novo Ano trouxe aos portugueses e ao mundo alguns sinais de esperança, mas mais, muitos mais, motivos de incerteza e angústia.

Esperança numa melhor organização do mundo com o fim do unilateralismo que dominou as últimas décadas e o nascimento e afirmação de um mundo multipolar em que mais países e povos são chamados a tomar parte na governança do nosso planeta e com o crescimento das preocupações e acções em defesa do meio ambiente e da vontade de deixar aos vindouros um mundo habitável.

O crescimento exponencial da militância ambientalista e a extraordinária adesão da juventude mundial à causa ecologista e o nascimento e consolidação dos BRICS como alternativa ao poder “quase absoluto” dos Estados Unidos da América e do dólar são disso os exemplos mais visíveis.

Paradoxalmente são esses mesmos sinais de esperança e o que anunciam, os motivos maiores para a incerteza e angustias citadas.

A tentativa de manter o poder e as regalias de que têm desfrutado levam os seus detentores a tomarem medidas, capazes de incendiar o mundo e a não olharem a meios para procurarem parar a roda do tempo.

São estas as razões aliadas à ganância, sempre alardeada pelos ricos e poderosos que nos tem vindo a arrastar perigosamente para o que poderá ser a última guerra no Planeta Terra. São estas as razões verdadeiras que têm dinamitado todas as estruturas criadas no seguimento da segunda grande guerra com o objectivo de criar, a nível internacional, um conjunto de regras que protegessem os mais fracos da cobiça dos poderosos: homens, estruturas, países…

O Novo Ano trouxe-nos o regresso da política da canhoeira em detrimento do direito internacional. Os “piratas” com menores escrúpulos e mais e melhor armamento não hesitam em assaltar bancos, navios, países. Não têm qualquer pudor em proceder ao genocídio de todo um povo e ao roubo das terras, das casas, das pátrias e ao contrário do que faziam antes, já não se preocupam em tapar com mentiras os seus crimes hediondos. Agora, como é o caso do “ Cowboy dos states” assumem com clareza que matam para roubar enquanto os seus capachos espalhados pelo mundo (também em Portugal, também na nossa cidade) se contorcem para encontrar formas de nos explicar o inexplicável e de nos fazer acreditar que é por um Bem Maior que nos roubam o alimento e querem levar os nossos filhos e netos a matar e morrer nas guerras que os alimentam.

É neste contexto que em Portugal estamos a ser chamados a escolher um novo Presidente da Republica.

Conhecidas as candidaturas e os protagonistas não é difícil percebermos quer o que os move, quer o que defendem para Portugal e para os Portugueses. E temos de tudo… Dois candidatos anti-sistema, um contra o sistema democrático mas sincero: consciente de que não tem “estatuto” para o conseguir, sonha com o regresso de um, dois, três Salazares para dinamitar o regime. O outro, culto e citadino procura com humor ridicularizar o sistema.      

Restam os outros que podemos dividir em três blocos diferentes.

Um bloco da direita democrática, que entende a democracia como a mera alternância de poder entre os defensores do “deus capital”. Um bloco dito do centro com um candidato que entende os partidos como um empecilho e pensa que ser independente é não ser filiado em qualquer partido e os partidos sociais-democratas, assumidos ou não, que entendem que o capitalismo até é bom se levar uns pequenos retoques. Temos depois, o bloco da esquerda sem “mas”, que apresenta como programa a Constituição da República Portuguesa e o compromisso constitucional de cumprir e fazer cumprir a Constituição de Abril.

Os atributos pessoais e a vontade de cumprir devem também pesar na nossa escolha, mas disso, cada um terá formas de medir tais intenções.

Eu não tenho dúvidas que é pela esquerda (e com a esquerda) que lá vamos.

Que sejamos muitos mil!

 

Diogo Júlio Serra