quarta-feira, 12 de maio de 2021

 


VELHOS SÃO OS TRAPOS! Verdade…(?)

Na passada semana tive a oportunidade de testar a verdade desta afirmação.

No âmbito do Projeto de intervenção que a Cooperativa Operária desenvolve com o patrocínio da Fundação Gulbenkian, visitei a Associação dos Bombeiros Voluntários de Portalegre e no dia seguinte, participei nas comemorações do 123º aniversário da COP que realizámos na sua sede, na rua com o seu nome.

Num e noutro lugar pude constatar quão longe estão a idade cronológica e a idade vivida.

Nos Bombeiros e no decorrer de uma visita guiada por um jovem operacional da respectiva Corporação, deparámo-nos com o entusiasmo, a coragem e a paixão juvenis, corporizados por uma Associação que já cumpriu cento e vinte e dois anos de existência.

Na sede da Cooperativa, na mesma sala que acolheu e concretizou o sonho de centenas de operários e das suas famílias, constatámos e comovemo-nos ao testemunhar que cento e vinte e três anos depois o sonho continua e na casa que os operários corticeiros disponibilizaram à cidade. Com um profundo respeito pelo passado, constrói-se o futuro e procuram-se caminhos para que os nossos “Maiores” continuem integrados e a brindar-nos com a sua experiência e saberes.

O Projecto ENTRE TEMPOS, cujo desenvolvimento foi dado a conhecer e a atenção que tem vindo a suscitar quanto à possibilidade de garantir a todos e todas que já deixaram a actividade profissional o serem e sentirem-se úteis, activos e sonhadores.

E sim, nestes dois espaços e momentos, era perceptível para todos que…Velhos são os trapos!

Mas, e há (quase) sempre um mas, houve mais semana para além destes momentos e quer no decorrer da Assembleia Geral da IPSS, cujos órgãos sociais integro, quer nos contactos mantidos com outras instituições dedicadas ao apoio (e institucionalização) a idosos foi-me possível constatar que para muitos, em particular para o governo “de Lisboa” os Velhos (os nossos pais e avós) são trapos que já tiveram a sua serventia mas são agora…descartáveis.

Hoje, por todo o distrito e acredito por todo o interior, as instituições que asseguram aos mais idosos, os cuidados que ao Estado competem estão a atravessar um período tão ou mais grave que aquele que a pandemia lhes/nos impôs: sem meios financeiros que acompanhem o aumento dos custos necessários para garantir as medidas de higiene e segurança que a situação impõe e abandonados pelo poder político que de longe, persiste em não perceber que não se pode tratar igual aquilo que é diferente.

No distrito existem instituições a viverem sob o espectro da insolvência, muitas sem condições para pagarem, no imediato, os salários e os subsídios aos seus trabalhadores e que têm como resposta por parte das instituições que as tutelam, que procurem junto dos familiares dos seus utentes as verbas de que carecem.

Para quantos gostam de afirmar que “estamos todos no mesmo barco” ou que “Vai tudo ficar bem” aí está o desmentido que a nossa realidade impõe. Nem estamos todos no mesmo barco, quando muito no mesmo mar, nem “vai tudo ficar bem”. Vão ficar sequelas e elas serão tanto maiores quando mais frágeis e desprotegidos estivermos.

As instituições que zelam e tratam os nossos idosos, eles próprios quase sempre os mais frágeis entre os frágeis porque já antes o eram, estão entre os que irão pagar o preço mais alto por terem nas instâncias do poder e particularmente no Governo da República quem desconhece a realidade dos territórios como o nosso ou, conhecendo, preferem fingir que não sabem.

E são estes comportamentos e omissões que nos mostram a diferença abismal entre as palavras e os actos. Que mostram que não há assim tantas diferenças entre os que apelidam os nossos maiores de “peste grisalha” e os que, mostrando-se incomodados com tal adjectivação persistem em “assassinar” as instituições e os projectos que na nossa região substituem o Estado, na sua obrigação de garantir a todos condições de viverem com dignidade.

Não permitamos que transformem os nossos “maiores” em peças inúteis e descartáveis.

Não destruamos as nossas “bibliotecas”!

Diogo Serra

quinta-feira, 29 de abril de 2021

ABRIL DE NOVO, PELA FORÇA DO POVO!

 

ABRIL DE NOVO, PELA FORÇA DO POVO!

Em Portalegre como em todo o país o 47º aniversário do 25 de Abril voltou a ser assinalado nos salões do poder e nas ruas, com a precaução necessária e o entusiasmo de quantos o reconhecem como tão bem o definiu Sofia “ esta é a madrugada que eu esperava, o dia inicial inteiro e limpo…

Em Lisboa, o Dia voltou a ser assinalado institucionalmente na Assembleia da Republica e os populares voltaram a ter a possibilidade de descer a Avenida.

Interessante e novidade o facto de, desta vez, serem mais os que queriam comemorar Abril quer na Assembleia, quer no desfile da Avenida.

Outra novidade e de acordo com as posições que tem vindo a ser assumidas pelos saudosistas da ditadura alguns, poucos, terem pela primeira vez, assumido publicamente o seu apoio ao regime que o 25 de Abril depôs: na Assembleia assumindo o luto na tribuna e à porta com meia centena a manifestarem-se claramente contra Abril.

Entretanto e porque este é um ano de eleições autárquicas os dias que antecederam este 25 de Abril foram “agitados”.

Um grupo de autarcas eleitos em candidaturas exteriores aos Partidos Políticos, promoveram diversas manifestações contra as alterações sofridas pela lei que define o processo eleitoral para as autarquias locais e em particular, sobre o que entendiam ser a discriminação a que estas os sujeitariam.

No âmbito dessa vontade reuniram-se (também em Portalegre) e enviaram “recados” à Assembleia da Republica e aos partidos políticos ali representados.

Das posições publicamente assumidas percebeu-se que entendem ser “merecedores” de tratamento igual aos partidos políticos e, presumo, assumirem-se como partidos a nível local sem assumirem “as chatices “ que se colocam aos partidos “tradicionais” e em particular o controlo politico e social que a legislação e o eleitorado impõem.

Independentemente da apreciação que cada um de nós faça da bondade ou não das candidaturas exteriores aos partidos, a visita destes autarcas ao nosso concelho e o tempo de antena que lhes foi dado colocou-nos, cidade e região, nos alinhamentos televisivos e dos jornais e impôs-nos um olhar mais atento sobre estes autarcas que gostam de auto denominar-se de independentes e que no nosso caso são governo desde 2013.

Ao que parece, os seus argumentos convenceram o Parlamento e em particular aqueles que foram os autores das alterações introduzidas e agora contestadas. Desses, só o PSD não arrepiou caminho pelo que presumo os autarcas que querem voltar a concorrer em listas propostas fora dos partidos políticos poderão e voltarão a fazê-lo. Já o seu desconhecimento, profundo, sobre o Regime Democrático saído da Revolução de Abril e os objectivos que prossegue, certamente continuará.

Isto a propósito do ultimato apresentado a partir de Portalegre e do qual a Presidente Adelaide Teixeira foi porta-voz: “Ou fazem o que achamos justo ou…formamos um Partido Politico!”

Será que não perceberam (ainda) que o 25 de Abril se fez (e a Constituição consagra-o) para que os Partidos existentes pudessem vir à luz do dia e outros partidos, muitos, todos, pudessem nascer e consolidar-se?

Ultrapassados esses percalços voltámos, todos os portalegrenses que o quisemos, a comemorar Abril no Centro de Congressos e na rua. Num e noutro local para afirmarmos que Abril não tem donos mas tem promotores e deve ter, tem que ter, quem o defenda e continue.

E a continuação de Abril voltará a fazer sentir-se em Portalegre, como em cada ano, já no primeiro de Maio.

Viva o 25 de Abril e a Liberdade!

Que saibamos continuar Abril!

quarta-feira, 14 de abril de 2021

“DA PORTUS ALACER “ AO CAMPEONATO DOS PEQUENINOS

 “DA PORTUS ALACER “ AO CAMPEONATO DOS PEQUENINOS.

Não há cidades pobres. Há cidades sem projecto!

Esta verdade vem-me sempre à memória de cada vez que ouço ou leio afirmações que procuram justificar o “estado a que chegámos” por sermos um território pobre.

Território pobre? Portalegre? Desde quando?

Ouçamos o Padre Diogo de Sotto Maior e atentemos nas razões que justificaram a instalação em Portalegre da Real Fábrica de Panos.

Relembremos a Portalegre Operária com a corticeira, os lanifícios, as sedas, os sabões, as salsicharias, a finicisa e as tapeçarias, rodeada por intensa atividade agrícola característica do minifúndio nas freguesias do norte e a sul, a intensa actividade agro - pastorícia e silvícola, característica do latifúndio.

Chamemos à memória a cidade atravessada por um enorme centro comercial a céu aberto que se abria desde o Alentejano ao Rossio. Atentemos nos cafés repletos de gente e de ideias, as tertúlias do Central e do Facha, o bulício nervoso dos estudantes no Alentejano.

Recordemos a pujança do seu associativismo, os inúmeros jornais aqui sedeados, a intensa atividade artística e cultural, onde o teatro tinha papel de relevo.

Foi a pobreza de ideias e não do território que nos aprisionou nesta tristeza.

Foi o não termos sabido construir (e brigar por ele) um projecto para nós e para o concelho.

Foi por não termos tida a coragem de dizer não, ao controlo social absurdo que nos prendeu e que fechou portas a todas as oportunidades que se nos foram apresentando: As fábricas que não se instalavam para não porem em causa primeiro os “terratenientes” e depois as famílias “industriais” que faziam dos salários de miséria a garantia da sua riqueza e mais recentemente o deixarmos assassinar as perspetivas de um continuar da indústria corticeira, por vassalagem aos novos monopólios que entretanto se instalaram.

Foi essa permanente disposição para sermos heróis à mesa do café (actualmente frente ao teclado do computador) e “gatinhos” frente aos poderes instalados, que aliada ao tradicional entendimento que “o de fora é sempre melhor” e ao preconceito que nos continua a impedir de escolher o que se nos apresenta como mais capaz, que nos aprisionou nos nossos medos e nos empurrou para o “Estado a que isto chegou”.

Medos, ausência de capacidade e vontade de experimentar diferente, que volta a expressar-se de novo, agora que nos encontramos a poucos meses de voltarmos a poder decidir o futuro de Portalegre e dos portalegrenses.

De novo, quando voltamos a poder decidir sobre o governo do nosso território, cidade e concelho, quando com as eleições autárquicas podemos operacionalizar um Projecto para Portalegre e em conjunto construir e levantar a nossa bandeira, o que se perspetiva é mantermos a inércia.

Por medo ou comodismo, aceitarmos repetir o voto em personalidades que já provaram a sua “falta de jeito” para gerirem o concelho ou nas que se perfilam, não por Portalegre mas por não aceitarem que esgotaram o tempo legal para serem autarcas.

Foi assim nas eleições últimas quando aceitámos ter como candidatos autarcas cuja motivação era manterem-se visíveis pelos eleitores dos concelhos a que tinham presidido.

Passado o período de nojo, eles aí estão, já posicionados na linha de partida dos concelhos de onde saíram com a mesma ou com outra camisola.

Entretanto já estão oficialmente anunciadas novas/velhas repetições.

Cidade Pobre? Não!

Pobre cidade que passou a ser “campeonato” onde alguns só vêm jogar para limpar os “castigos”.

Até quando?

Diogo Serra

* Publicado no Jornal do Alto Alentejo de 14-4-21

Postal

Portalegre - Praça do Municipio
Edição de Bartholomeu da Guerra Conde
(Colecção com 13 clichés)

quarta-feira, 31 de março de 2021

UMA BANDEIRA P’RA PORTALEGRE!

 



UMA BANDEIRA P’RA PORTALEGRE!

“Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade!”

 

Portalegre não precisa de bandeiras. Errado!

Nos últimos tempos, erradamente penso, a discussão politica em Portalegre tem vindo a centrar-se à volta de questões sempre escorregadias como o são as questões da estética e do gosto e, à boa maneira lagóia, sempre ao sabor de modas impostas por “influencers” mais ou menos modernaças ou, foi agora o caso, por mensagens fabricadas por quem (deliberadamente ou não) vai trocando a nobre função do jornalismo pela opinião pessoal e não fundamentada ou, bem pior, pela “comunicação” de encomenda.

Desta forma, porque partindo de premissas falsas, muito dificilmente a conclusão poderia ser correcta.

Assim, quer a conclusão de que uma rotunda, um pau ou mastro com ou sem bandeira, são fundamentais e por isso justificam, quer a falta de discussão, quer os avultados recursos, é fundamental para o concelho, quer o seu contrário: Portalegre não precisa de bandeiras, pecam por não corresponderem à realidade.

Na verdade, se ´há coisa de que Portalegre (cidade e concelho) carece é de Bandeiras em que os portalegrenses de nascimento e de opção se revejam e acreditem, a ponto de as fazerem coisa sua, pela qual vale a pena “brigar”.

Certamente não será uma qualquer bandeira (por maior simbolismo que encerre) a flutuar no cimo de um pau ou mastro rico, de quase cem mil euros e cuja importância lhe advirá de ser palco de discursata em dia de festa e cenário para fotografia importante para a campanha eleitoral que se aproxima.

Não. Portalegre (cidade e concelho) precisa de bandeiras que correspondam a projectos capazes de dar concretização aos desejos e reivindicações que nos garantam o desenvolvimento e o bem-estar que ansiamos e merecemos. Portalegre (cidade e concelho) precisa de uma bandeira que corresponda a uma ideia de futuro: uma estratégia para o desenvolvimento, um projecto em que todos nos possamos rever e empenhar.

Portalegre cidade operária precisa de uma estratégia de desenvolvimento que potencie a cultura operária que desenvolveu e preserva.

O concelho de Portalegre precisa de uma estratégia de desenvolvimento que consiga unir os portalegrenses na exigência clara de políticas nacionais de valorização deste território, de infra-estruturas que potenciem as capacidades endógenas, em vez de nos prender entre fronteiras construídas, que podem ser (como agora o são) as auto-estradas que nos tocam, os investimentos ferroviários que por cá passam mas nada deixam, ou a incapacidade de potenciar a excelência de ensino e investigação que, as instituições do saber aqui instaladas têm mostrado serem capaz.

Num tempo em que se anunciam para o país disponibilidades financeiras avultadíssimas, acompanhadas da necessidade de serem correcta e rapidamente utilizadas, é fundamental que as regiões como a nossa, sistematicamente arredadas dos investimentos públicos e das políticas capazes de atraírem e manterem o investimento privado, façam ouvir a sua voz e garantam um lugar à mesa da distribuição e aproveitamento desse “robusto” envelope financeiro.

É tempo de eleger e levantar bandeiras e desde logo, aquelas que unirão à sua volta a esmagadora maioria, senão a totalidade dos portalegrenses:

·         A electrificação total da Linha Ferroviária do Leste e a alteração do traçado que a faça chegar à cidade de Portalegre e ponha fim ao estrangulamento rodoviário que provoca em Santa Eulália e a construção de estações na Zona Industrial de Portalegre e em Elvas junto à intercepção com a Linha Sines/Caia.

·         A finalização do IC 13 em toda a sua extensão entre Lisboa e Galegos/Marvão.

·         A Ligação em perfil de auto-estrada entre a A6 e A23 ligando Badajoz a Castelo Branco com passagem por Portalegre.

·         A concretização do IP2 em toda a sua extensão com a resolução dos atravessamentos de Estremoz e Évora e a eliminação dos pontos negros existentes no nosso concelho.

Estas são bandeiras que importa elevar bem alto. Estas são algumas das necessárias Bandeiras para Portalegre.

Assumamo-las!

Diogo Serra

quarta-feira, 17 de março de 2021

TOMAR PARTIDO!

 


TOMAR PARTIDO!

Quando nos aproximamos de novo acto eleitoral, desta vez para os órgãos de poder mais próximos dos cidadãos e quando a campanha eleitoral já está no terreno a partir de quem, ainda, exerce o poder, importa, penso, tomar partido.

Em 1975 um revolucionário que era então primeiro ministro de Portugal afirmou convictamente que não há meios-termos “ ou se está com a Revolução ou se está com a Reação!”.

Passados 46 anos é-nos fácil perceber que também aqui, Vasco Gonçalves estava com a razão. Mas também é acertado pensarmos que hoje, quarenta e sete anos depois de Abril e passados 45 (cumprem-se em Dezembro) das primeiras eleições livres para as autarquias locais aqueles termos mesmo que certos não se adequam à linguagem actual e por isso prefiro colocá-lo assim: Hoje, em Portalegre, também não pode haver “meias tintas”: ou se está com o desenvolvimento e o bem-estar de Portalegre e dos portalegrenses ou se está com quem está a destruir a cidade e o concelho a favor de uns poucos, se está com o passado.

O concelho e a cidade estão num estado de retrocesso acelerado nos seus interesses e valores: de cidade industrial passou, por culpas próprias e alheias, a cidade de mão estendida.De concelho reconhecido como motor de desenvolvimento da região envolvente, para concelho da inércia e do atraso face aos restantes seus vizinhos.De detentor e promotor de uma cultura industrial, a promotor de uma “indústria/angústia do desemprego, da descrença e da paralisia.

Está na hora de “Tomar Partido”! Talvez nos esteja a ser oferecida a última oportunidade de retomar os caminhos do progresso que merecemos, do desenvolvimento que aspiramos, do orgulho que já tivemos.

As candidaturas começam a ser conhecidas, as movimentações dos diferentes actores já são bem visíveis e para lá dos anúncios já feitos quanto a candidatos e das normais especulações, todos sabemos quais as forças políticas que irão estar em presença e conhecemos quer as suas promessas, quer sobretudo, os seus objectivos.

Voltaremos a poder escolher entre o grupo que deteve a governação (ou falta dela) na última década, os comunistas e verdes coligados, os defensores da Social-democracia divididos (como sempre) em dois grupos distintos: uns apresentando-se sozinhos e outros em coligação com os democratas cristãos que restam no CDS.

Os saudosistas que durante décadas, por cobardia, se espalhavam por diferentes forças políticas do chamado arco da governação aparecerão agora com o partido que encomendaram e pagam, depois de perderam o medo de dar a cara pelo retrocesso que anseiam.

Assim, no quadragésimo quinto aniversário das primeiras eleições livres, em Portalegre vamos ter que TOMAR PARTIDO e também aqui e agora, como o afirmou o Militar de Abril, então Primeiro-ministro, não pode haver outras vias. Ou se está com a Liberdade, a Democracia e o Futuro ou se está com o Preconceito, o Ódio e o Passado Retrógrado Colonial/Salazarista.

E, porque estamos num tempo em que as palavras proferidas e escritas nem sempre correspondem ao que se quer e ao que se faz permito-me transcrever porque com ele me identifico o que o Primeiro-ministro de Portugal nos 4º e 5º Governos Provisórios entendia por Liberdade.

A liberdade não se define ou não se consubstancia, apenas, nos direitos políticos, no direito de poder falar livremente, no direito de opinar e contestar ou de se organizar colectivamente sem ser preso. …São necessárias estruturas políticas, económicas, sociais, culturais que garantam o exercício das liberdades consagradas na Constituição. O desemprego, a miséria, a fome, a falta de instrução, a falta de habitação, as relações sociais de exploração são contrários ao exercício livre da liberdade. Mesmo esta (a liberdade política) tem condicionamentos económicos e sociais, culturais e até, ambientais. Por exemplo, o novo código de trabalho, as novas leis aprovadas em 2004 nos domínios da segurança social, da saúde, da educação, do arrendamento urbano, limitam claramente as condições de vida das pessoas… Têm uma influência decisiva sobre a igualdade de oportunidades, condição indispensável para o exercício das liberdades. Outro exemplo: o domínio dos meios de comunicação social de maior difusão pelo sistema do capital. A desinformação deliberada influencia negativamente a formação cultural, a formação da consciência social e política dos cidadãos, e, consequentemente, o exercício do direito à liberdade.”

Tomemos partido!

Como não me canso de afirmar “O Futuro tem Partido”! Nas autárquicas, em Portalegre, o Passado (parece) Também.

Saibamos escolher!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 3 de março de 2021

Foi ontem. Já passaram cem anos!



 

Foi ontem. Já passaram cem anos!*

…”E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.”

A quadra acima encerra o poema que Ary dos Santos escreveu no dia 11 de Agosto de 1975, registando o assalto fascista ao Centro de Trabalho de Braga. É ilustrativa da vida, do sonho e da firmeza daquele partido politico nascido a 6 de Janeiro de 1921 e que reflectia a evolução do movimento operário português e da sua experiência e consciência social e política.

Os primeiros anos de vida do PCP não foram fáceis. Não foi fácil afirmar uma ideologia revolucionária no movimento operário, tendo em conta, quer a estrutura e a composição da classe operária à época, quer a influência de anarquistas e socialistas.

O partido foi desde a primeira hora perseguido e boicotado pelo regime republicano (a sua primeira reunião marcada para sede Sindical de Lisboa, no edifício que depois viria a ser a sede da PIDE, foi impedida pela autoridades, com o argumento que nas sedes sindicais não se podia discutir politica), situação brutalmente agravada com o golpe militar de 28 de Maio de 1926 que conduziu à instauração da ditadura fascista.

 Com apenas cinco anos de vida, foi proibido e perseguido, passando a desenvolver a sua acção na clandestinidade e sob a brutal repressão que havia de prender e assassinar centenas de militantes e dirigentes.

Foi sob essa situação de brutal repressão e na mais severa clandestinidade que não só atravessou a longa noite fascista, como o fez garantindo a sua ligação aos trabalhadores e aos seus problemas, organizando a sua intervenção e luta em todos os sectores de actividade e criando as condições que, viriam a desaguar no 25 de Abril e na transformação do golpe militar na Revolução dos Cravos.

A revolução trouxe a liberdade e a acção politica à luz do dia mas não trouxe nem facilidades, nem o fim das perseguições e do ódio. O PCP continuou fiel aos seus princípios a ser cimento fundador da democracia e ferramenta dos trabalhadores para a construção da Democracia e, por isso, a ser o alvo principal do ódio e da violência orquestradas pelos serventuários dos monopólios e das forças politicas derrotadas em Abril.

O chamado verão quente de 75 (forma “elegante” com que a direita bem pensante intitulou a acção terrorista da direita caceteira, contra os valores de Abril), trouxe de novo à tona a coragem, a capacidade de sacrifício, a justeza dos valores defendidos e a ligação aos trabalhadores, deste partido nascido em 1921 e que, tantas vezes, já anunciaram estar moribundo ou mesmo morto e enterrado.

E aqui estamos. No próximo dia 6 de Março, em cem locais diferentes, por todo o país e também na nossa cidade, ouvir-se-á alto e bom som entoar a “Internacional”!

Perguntar-se-ão alguns, como é possível cem anos depois esta afirmação de vontade? Qual é a receita que permite esta vitalidade? A resposta é simples e entendível por quantos consigam libertar-se de peias e palas do preconceito. Esta vitalidade é possível pela profunda ligação aos trabalhadores e ao povo, por assumir nos seus valores e na sua prática as reivindicações e os anseios dos trabalhadores e das populações.

É possível porque este é o Partido de Bento Gonçalves, de Álvaro Cunhal, de Bento de Jesus Caraça, de Alfredo Dinis, Dinis Miranda, António Gervásio…mas é também, o partido do electricista João Silva, do corticeiro João Mourato, do comerciante Jorge Arranhado, do professor Manuel Pinho, do operário químico Leonardo Portalete, do economista Joaquim Miranda e de todos e todas que a ele e ao nosso povo deram e dão o que de melhor sabem e podem e…tantos deles a própria vida.

É possível viver um século e continuar menino, sempre com os olhos no futuro porque estes são:

“100 anos em que não há nenhuma transformação social, nenhum avanço ou conquista dos trabalhadores e do povo português a que não esteja directa ou indirectamente associada à iniciativa, à luta, à acção e à intervenção do PCP. São 100 anos de vida e de luta de um Partido que, orgulhoso da sua história e aprendendo com a sua própria experiência e a do movimento comunista e revolucionário internacional, assume com determinação e confiança as exigências da actualidade e do futuro.”

Que venham mais cem!

 

Diogo Júlio Serra

* publicado no Jornal Alto Alentejo em 3-3-2021


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

ACORDAI!

 


ACORDAI!

A nossa cidade e concelho foi recentemente “abanada” por uma reportagem televisiva assinada por um ilustre portalegrense, que nos mostrava o estado comatoso para onde temos sido sistematicamente empurrados.

Mostrava, também, os rostos e as falas de alguns que teimam em remar contra a maré mas também rostos e falas de gente desiludida, que não percepciona a gravidade da coisa ou que já atirou a toalha ao chão.

Para os portalegrenses que há muito denunciam as politicas e as acções que impõem ou permitem a estagnação que nos atinge, a peça televisiva serviu para confirmar a justiça das denúncias e animar para novos “combates”. Esperámos, eu encontro-me entre estes, que a exposição pura e dura da situação para onde fomos atirados nos arrancaria, a todos, do “torpor” em que nos deixámos envolver.

Não foi o que sucedeu, a acreditarmos no que se ouviu dos apoiantes da “inércia” e das forças políticas que a têm imposto. Nas redes sociais e nas “conversas da treta” em que se especializaram e cujo palco privilegiado é o espaço que as redes sociais permitem o “povo lagóia” reagiu como tem sido seu costume: fingir que não se passa nada, culpar os outros, a notícia não é boa? “Mate-se” o mensageiro…

Mais do mesmo… afinal a culpa é das “forças de bloqueio”- onde e quando já ouvimos isto? – é a oposição que não nos deixa governar! E nem repararam que a principal responsável pela política municipal numa demonstração do que tem sido o seu papel no concelho, colocada perante as câmaras de uma televisão nacional, em vez de aproveitar o tempo de antena que lhe está a ser oferecido para promover o concelho a que preside, optou por mostrar ao país o que aqui já todos sabemos: É a líder de uma equipa que há muito desistiu de ser solução e é cada vez mais o problema.

Recordemos. É verdadeiro o papel nefasto dos governos centrais e centralistas para com todo o designado “interior”, é conhecido o efeito nefasto para cidades como Portalegre, da eliminação dos distritos (sim eu sei que formalmente não foram extintos) sem que tivesse sido cumprida a imposição constitucional da criação das Regiões Administrativas.

 Sabemos, todos, das criminosas decisões sobre para onde vão e onde acabam os investimentos públicos e privados, as empresas e os empregos. Sabemo-lo, mas sabemos igualmente e sofremo-lo, que a esse quadro se adicionam, no caso de Portalegre, uma governação local sem capacidade de liderar, de prever e antecipar acontecimentos, de congregar esforços e projetos, de construir e liderar uma estratégia para o concelho e, até, sem capacidade de ouvir.

Um concelho que só mexe ao ritmo dos calendários eleitorais pode, por vezes, atingir os objectivos eleitorais de quem o dirige, não chegará nunca a bom porto. É assim Portalegre.

E agora? Não há nada a fazer?

Claro que há! Como o poeta nos ensina, importa acordar. … pois quando um povo acorda é sempre cedo!

 

Diogo Júlio Serra