segunda-feira, 19 de outubro de 2026

La jeunesse prend la Bastille avec détermination et musique!

 

La jeunesse prend la Bastille avec détermination et musique!

 


A Juventude francesa está na rua e em luta por valores que entende fundamentais para o seu desenvolvimento e o desenvolvimento do país. A sua determinação e a razão da sua luta tem trazido até eles muitas outras faixas da sociedade francesa.

O seu exemplo tem vindo a acender outras lutas pelos mesmos objetivos e razões em muitos outros países na Europa e no mundo.

França, Espanha, Bélgica, Itália, Albânia, Portugal e também a Ucrânia são pontos quentes  e de luta das populações esmagadas pelas politicas dum capitalismo predador que multiplica milionários à custa da disseminação da pobreza e das politicas de preparação de novas guerras.

Não há em minha opinião e a contrário do que os comentadeiros habituais insistem em fazer-nos acreditar, nenhum complot internacional ou tentativas de importar as movimentações de outros países.

Sabemos que apesar de todas as reivindicações terem um cunho comum - Terminar com as politicas que destruíram a chamada classe média e espalham a pobreza mesmo entre aqueles que trabalham cada dia. - nesta Europa , baluarte de países ricos que teimam em produzir à muitas e diversificadas razões para a revolta que se manifesta.

Como quase sempre os olhares viram-se todos para França. A consiga Liberdade, Igualdade, Fraternidade e sobretudo a sua Revolução continuam , 237 anos passados, a aterrorizar os governantes. E é esse medo, mais o preconceito ideológico que os amarra que os leva a perder a capacidade de análise e de isenção e, por vezes a vergonha.

Daí ao boato, à difusão de imagens e textos parciais e distorcidos, ao apelo ao ódio e à propalação do medo, é apenas um instante.

Alguns, amigos meus, com a agravante de a sua profissão lhes exigir algum rigor, apressam-se a identificar a totalidade dos que lutam com bandos e atitudes de arruaceiros, muitos deles plantados para semearem a confusão e o ódio e logo os catalogam com as cores e as cargas das ideologias, compromissos e atitudes das forças que os atormentam: a esquerda (agora a cartilha impõe-lhes que digam extrema esquerda) e os imigrantes.

Quaisquer deles só viram em frança excessos dos manifestantes e os confrontos com a policia. Não viram nem os policias infiltrados entre os manifestantes para provocarem os confrontos e justificarem os espancamentos. Não viram, pasme-se, aquela tomada da Bastilha com a Orquestra do Novo Mundo, composta por cerca de uma centena de jovens músicos, tocando peças emblemáticas como a "Sinfonia do Novo Mundo" de Dvořák, a "Marcha Imperial" de Star Wars (numa alusão humorística à polícia presente) e o hino nacional francês, "A Marselhesa"

Não viram o belo e é pena. Significa que estão a perder as condições necessária à sua profissão ou pior, estão a perder a humanidade.

Diogo Júlio Serra

sábado, 17 de outubro de 2026

 COMBATER A POBREZA. MAIS PÃO, MENOS CIRCO!



    As imagens lustram momentos de convívio entre instituições que diariamente, no terreno, procuram minimizar a fome que se instalou em muitos lares, pretende também assinalar O dia Nacional de combate à pobreza.

    Sou dos que reconhecem o papel dos Bancos Alimentares e das muitas outras entidades que procuram garantir que pelo menos em algum momento do dia, num ou todos os dias, alguns possam ter alguma coisa para pôr na mesa. Reconheço-o porque sei que sem eles e a sua ação muitos mais a muitas mais horas não teriam que comer, mas esse reconhecimento não pode tolher-nos a ação. Não pode impedir a reflexão.

     E a verdade é que a pobreza nunca será reduzida, muito menos irradicada se não atacarmos de frente os problemas que a originam e alimentam. A riqueza produzida é roubada pelos poderosos em detrimento dos que a produzem. Conseguem-no utilizando os instrumentos ao seu serviço a a quem chamam Estado: o governo deles, as forças repressivas deles, a comunicação social deles.

    Para o confirmar não é necessário o conhecimento dos tratados marxistas ou outros. Não é preciso sair do nosso país, nem sequer da nossa rua! Os dados estão aí. Enquanto milhares de trabalhadores estão na rua a exigir o direito a uma habitação condigna para si e para a sua familia e são espancados por homens e mulheres também eles filhos e pais de outros homens e mulheres a quem o salário não chega, a casa já não é sua, que vivem em quartos ou nos carros por não poderem pagar a renda. Tudo isto, num momento e num país em que o governo dá borlas fiscais aqueles que arrecadam lucros (só no primeiro semestre) de 2,519 mil milhões de euros. 

Diogo Serra


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Entre o compromisso e a traição, mentiras, incompetência e...dignidade!

 Entre o compromisso e a traição, mentiras, incompetência e...dignidade!


"É profundamente triste ver a administração desvalorizar a total disponibilidade do médico para atender os seus pacientes, transformando uma virtude elogiada pelos doentes num aspeto negativo.
Esta atitude de desprezo e a quebra da palavra dada provam que este CA não tem condições para continuar em funções."

Nestas duas frases retiradas do post de Sónia Silva, um dos rostos da comissão que tem promovido iniciativas em defesa da manutenção da qualidade nos serviços de oncologia está (bem) espelhado o posicionamento e a falta de palavra do Conselho de Administração da ULSAA.

Só lhe falta colocar (e isso faço eu) a falta de geito (para usar uma expressão fofinha) do Presidente da Mesa da Assembleia Municipal para dirigir os trabalhos. Falta de geito que procura esconder por detrás dum autoritarismo bacoco e uma suberseviência gritante face às "estrelas" do seu partido.

E foi o somatório da falta de palavra do Conselho de Administração da ULSAA e do seu Presidente, da tentativa de trocar as respostas pedidas por propaganda e auto-promoção e da incompetência do Presidente da Mesa da Assembleia na direção dos trabalhos, que defraudou expetativas e pôs a nu os conluios para, também na saúde, manter o que está mal e mudar o que está bem.

Pior, só os tiques autoritários do Presidente da Mesa da Assembleia ao querer expulsar da sala quem ousou dizer em voz alta o que muitos ali pensavam.

Uma ano e um dia passados deste o dia em que os Portalegrenses elegeram os órgãos autárqicos o verniz estalou.

Valha-nos a dignidade dos autarcas que não pactuaram com a farsa. Honra aos que abandonaram a Sala.

Diogo Serra


terça-feira, 13 de outubro de 2026

JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

 


JÁ NÃO BASTA INDIGNARMO-NOS. A HORA É DE TOMAR PARTIDO E...AGIR!

            O governo apresentou recentemente na Assembleia da Republica a sua proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano que , ao que se sabe, amplia de forma exponencial a destruição de direitos e conquistas que Abril nos trouxe a Constituição consagra.

            Um antigo primeiro ministro que ficou na nossa memória pelo roubo de direitos e pela venda ao desbarato dos nossos principais recursos, apressou-se a vir dizer-nos que o que aí vem é muito pouco e que são precisas alianças que permitam o "assalto final".

            Na Assembleia da Republica o Grupo Parlamentar que se bate pela destruição de Abril e da Constituição que o consagra, transforma diariamente a Casa da Democracia num circo (mau) e usa a chicana politica para dar palco  às mentiras e  ódio que os seus avençados disseminam na rua.

            Os outros  partidos que endeusam o capital (os que abertamente o defendem e os que dizendo por vergonha que o querem combater) apoiam as medidas que o protegem ou, combatem-no  através das violentíssimas abstenções.

            Enquanto isto os seus papagaios nos territórios mais os megafones que detêm na comunicação social que dominam afadigam-se a inundar-nos com toneladas de propaganda sobre a bondade  das suas ideias e ações ou, por vezes também argumentam, com a falta de meios para fazer o que faz falta.

            O Orçamento que todos vão votar (as exceções virão dos que teimam em não abdicar dos seus valores) é como todos os orçamentos um enunciado de valores e de opções. É bom, não duvido, para os que comandam o governo , a Europa dita unida, os merceeiros da guerra.

            É excelente, reconheço, para o grande capital. Para a banca, os grandes retalhistas, as principais cotadas em bolsa. As mesmas a quem o governo dá borlas fiscais e cria a condições para abocanharem milhões ao dia.

            É, estou certo, um bom orçamento para os senhores da guerra ou para o fascismo renascente com expressão máxima no território, governo e aliados ucranianos.

            Não o é, para os portugueses na sua maioria. Os que precisam, utilizam e sofrem com os ataques ao Serviço Nacional de Saúde. Os estudantes sem professores e sem escolas e os muitos que já não tem recursos para continuar os estudos. Os trabalhadores que mesmo trabalhando não conseguem ter casa, se reinventam para por comida na mesa, a quem sobra sempre mês.

            Esses não o consideram bom. Esses que somos nós não podem aceitar sem luta que o OE deste ano e comparativamente ao ano anterior que já era suficientemente mau, diminua as verbas para a saúde e aumente desmesuradamente  as receitas para a guerra.

            Não, não podemos estar de acordo.

            E a exemplo do que se começa a estender pela Europa dita em União, não podemos, e não iremos ficar apenas pela indignação.

A hora é, também aqui, de tomar partido.

É tempo de, também aqui, passarmos à ação!

Diogo Júlio Serra

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HABEAS ATLÉTICO!

 Habeas Atlético



O ATLÉTICO VOLTOU!

Vinte e duas épocas depois o Atlético está de volta ao futebol sénior regional.

O Atlético das grandes tardes no antigo campo do Rossio que enchia para extravasar clubismo e rivalidades nos confrontos com a Maravilha. Esse Atlético que incluiu nas suas fileiras grandes glórias do futebol arronchense e entre elas a estrela mais brilhante, o internacional Palmeiro, do Benfica e da Seleção Nacional, mas para nós, sempre, o Nosso Xico Feiteira e que deu o seu nome ao atual estádio municipal.

Só por esse passado, pelas recordações do velho campo da bola, do pelado cercado pelo gradeamento de madeira pintada de branco, sem balneários que esse luxo só chegou com a SECA, e por isso com as equipas a desfilarem equipadas desde a sua sede até ao campo, o regresso do A.C.A. ao futebol sénior seria motivo de regozijo. Mas há mais, muito mais.

O Atlético Clube de Arronches que regressa às competições séniores após vinte e dois anos de afastamento teve tempo para cicatrizar feridas, garantir a sua continuidade enquanto instituição insubstituível na vivência desportiva e social do concelho e, sobretudo, para iniciar um trabalho de base que lhe permitisse regressar aos estádios que já pisou e, o sonho é livre, “fabricar” novos Palmeiros.

Reativou o futebol sem repetir erros seus e de outros clubes. Não apostou no “pronto-a-vestir”, apostou no “ouro da casa”.

Criou as escolinhas a partir dos sonhos de um homem da casa (parabéns Mister João Trindade) e durante anos a escolinha que foi a par da secção de cicloturismo quem manteve o clube ativo, foi criando condições para que as crianças  fossem participando nos vários escalões de formação que a idade dos seus atletas aconselhava até chegar aos dias de hoje, com os meninos das escolinhas, os que iniciaram o percurso, chegaram à idade sénior e constituírem a equipa principal do Atlético.

A reativação do futebol sénior que agora se assinala é fruto da resiliência (usemos também esta palavra tão em voga) da instituição, dos sonhos de alguns dos seus dirigentes, mas também da abnegação dos pais dos meninos das escolinhas que em muitos casos foram muito mais que asa protetora das suas crianças.

O renascimento do futebol sénior ocorre já num Atlético de portas abertas.

Este Atlético que nasceu como União Futebol Clube em 1930 pela vontade de alguns praticantes de futebol dos quais, o seu sócio nº 1, António Salgueiro, fora praticante dessa modalidade no Carcavelinhos Footeball Club, mas era também um ativista social e operário, cedo passou a ser muito mais que um clube de futebol assumindo-se como um instrumento de representação social do operariado/artesãos do concelho.

Agora, de novo de rosto erguido, o Atlético Clube de Arronches reassume-se como imprescindível. E não será nenhum resultado desportivo menos favorável a poder esconder a excelência deste regresso.

O Atlético voltou. De corpo inteiro, pela mão dos filhos, netos e bisnetos dos que o criaram e fizeram grande, decidido a retomar o lugar que é o seu!

Viva o Atlético!

Diogo Júlio Serra

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPUBLICA!


 

Nasci num terra que foi, mesmo em plena monarquia, um baluarte do republicanismo.

Cresci tendo por familiares e vizinhos, homens e mulheres prestigiados e reconhecidos como ilustres republicanos. Imbuído dos valores  republicanos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade no Centro Republicano Arronchense, fundado em 1912 pelos mesmos homens que haviam garantido ainda em 1910, nas últimas eleições da monarquia (apenas em Arronches e em  Galveias) a vitória do Partido Republicano.

Talvez por isso, comemorar hoje o 5 de outubro é para mim muito mais que celebrar a recuperação de um dia que o Passos Coelho nos havia roubado e soubemos recuperar. É honrar os homens que na minha meninice aprendi a respeitar: os Marouços, pai e filhos; os Bigares, António que fundou a casa com o seu nome e presidiu a comissão do Registo civil. do filho Eudóxio que me habituei a ver frente à janela a manusear os selos da sua coleção e António, o neto que ajudou a consolidar Abril. Os Balbinos, Daniel e Francisco, Luís pai e filho. José António Lopes, que conheci e o seu pai dirigente Operário que só conheci através das histórias que me contavam. O Professor Castelhano e o seu irmão, dona da farmácia onde regularmente se reuniam republicanos e maçons, , António Mota, e Joaquim Coelho, ambos ilustres republicanos que por várias vezes presidiram a Câmara Municipal. O meu avô Domingos que durante o fascismo ano após ano, comemorava com o lançamento de foguetes e que escapava à prisão alegando que o fazia para comemorar o aniversário do Padre Câmara que era então Presidente da Câmara.

Cresci e vivi no seio de gente séria e trabalhadora. Homens e mulheres livres no pensamento mesmo quando prisioneiros na ação. E pela luta dos republicanos e pelos valores que me implantaram  pude viver mais tarde a alegria de ABRIL.

VIVA O 5 DE OUTUBRO

VIVA A REPUBLICA!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Um homem de Deus e dos Homens. Um Homem BOM!

 Soube através do Noticias de Arronches que o Sr. Padre Farinha foi homenageado, e bem, pelo nosso Município, que terminará as suas funções religiosas no nosso concelho e que a sua última eucaristia ocorreu a 13 de Setembro na Igreja Matriz.

Por estar fora do distrito não pude ser, como gostaria, mais um entre os muitos que não deixaram de ir dizer adeus a quem durante 17 anos foi um dos nossos, foi o pároco e o amigo.

O Padre Fernando Farinha construiu ao longo dos 17 anos que esteve connosco uma relação de confiança e proximidade com todos os habitantes independentemente das suas posturas e crenças. Foi assim em todos os locais que puderam usufruir da sua presença, da sua coragem, da sua palavra e da sua fé.

Foi assim comigo e foi-o mesmo antes de nos termos conhecido.

Decorria o ano de 1988. O Distrito de Portalegre vivia momentos de grandes dificuldades com milhares de trabalhadores no desemprego e a praga dos salários em atraso. Eu era o Coordenador da CGTP-Intersindical no Alto Alentejo e o Sr. Padre Fernando Farinha era o Diretor do Jornal O Distrito de Portalegre, o jornal da Diocese e também o coordenador da disciplina de jornalismo na Escola Secundária de S. Lourenço. Em quaisquer destas funções mas também enquanto padre já me eram conhecidas as suas excecionais qualidades.

No início de Dezembro desse ano, o Movimento Sindical que eu coordenava, desenvolvia intensa atividade sindical nas empresas e nas ruas denunciando a Praga dos Salários em atraso, o desemprego que não parava de crescer e os impactos no Natal dos trabalhadores e suas famílias. Entre as inúmeras ações foi emitido e distribuído à comunicação social um comunicado que identificava todas as empresas que não pagavam salários.

O Distrito de Portalegre, dirigido pelo Sr. Padre Farinha, publicou-o na primeira página sob o título " O outro lado do Natal ". Os patrões (particularmente os incumpridores) não gostaram e pressionaram quanto puderam o Jornal e a Diocese para que o assunto fosse desmentido.

O Diretor do jornal. o Sr. Padre Farinha, ripostou que números rebatem-se com números e se foi publicada alguma mentira que o provem e o jornal lhes dará razão. Assunto encerrado...apesar de para mim e muitos outros ter ficado sempre a "impressão" que foi essa corajosa atitude a decidir o seu afastamento da direção do jornal.

Só três meses mais tarde nos encontrámos pessoalmente, absolutamente por acaso.

Na Rádio Portalegre, ainda a funcionar em Santa Clara, eu era o convidado de um programa dirigido e apresentado pelo António Milheiros, então diretor da Rádio e que previa que o convidado levasse música que gostava de ouvir e pudesse explicar a sua opção. Pois bem apareceu um segundo convidado com vários discos debaixo do braço. Era o Sr. Padre Farinha com discos do Zeca Afonso e assinalando que nesse dia, 23 de Fevereiro de 1989, se cumpria o segundo aniversário da morte do Trovador da Liberdade.

A partir daí voltámos a encontrar-nos várias vezes em Portalegre e em Arronches.

Aqui, quase sempre por "más razões", nos funerais de amigos e conhecidos exceto a última vez que estivemos juntos, desta vez na Igreja Matriz.

Foi já este ano, a 28 de Fevereiro, com a Igreja ainda mais linda porque extraordinariamente iluminada a acolher um concerto sublime proporcionado pela embaixada da Polónia e integrado no festival "Terras sem sombra".

Até sempre Senhor Padre Farinha!

Diogo Serra

quarta-feira, 12 de agosto de 2026




" E se Abril ficar distante
Desta terra e deste povo
A nossa força é bastante
Para fazer um Abril Novo" 

A menos de uma hora do eclipse solar, quando as televisões usam e abusam dos diretos para o transformar num acontecimento social ( há quem lhes chame feiras de vaidades ) surpreendo-me com a quantidade de expressões de ódio suportadas pelas redes sociais e na sua maior parte claramente justificadas pela falta de capacidade de usar o cérebro que todos temos, mas que alguns teimam em não usar.

A base de suporte desse autrêntico mar de intolerância e desinformação é hoje a Festa do Avante e alguns posts que o Partido que a organiza e alguns dos muitos que anualmente a constróiem e frequentam.

Eu que ajudei a construir a priomeira versão, já lá vão 50 anos, e daí para cá tenho sido deu "cliente" regular, tenho dificuldades em perceber como com mais de meio século de liberdade continua a haver tanta desinformação, tanto preconceito e sobretudo tanto medo. Sim, é o medo que permite e estimula o ódio. Medo do desconhecido, medo de acreditar, medo de ser feliz.

E todavia houve Abril.

Este país que hoje assiste amorfo ao cimentar do medo e ao semear do ódio é o mesmo país que viveu 60 anos de ditadura terrorista e mesmo assim soube sonhar, acreditar no sonho e transformá-lo em realidade.

Este país que passou o sonho à sua juventude e que a preparou para que se libertasse da tirania e da guerra e construisse aquela dia inicial inteiro e limpo que a poetiza cantou e todos os portugueses ratificaram 6 dia depois por todo o país, na jornada inesquecivel do 1º de Maio, está agora a braços com os que sairam da hibernação a que a libertade os remeteu e procuram agora o ajuste de contas.

E volto ao eclipse e à informação que a ciência nos deixa de que em Portugal só valtaremos a ver, em Portugal, um eclipse solar total no ano de 2144 e surpreendo-me a pensar e a temer se também será assim com o retorno do sonho chamado Abril.

Rapidamento regresso à realidade. É claro que Liberdade e Eclipse têm vida e tempos diferentes. A primeira nasceu da vontade dos homens e mulheres e será por eles alimentada e defendida. 

Nada está ou foi perdido. Falta tão só que se cumpra Abril. Como Sophia o definiu.

Diogo Júlio Serra



domingo, 26 de julho de 2026


Não são "implicados", são Heróis!

 Nos últimos tempos temos vindo a assistir a um crescendo de aparições de fantasmas do antigamente. Agora que não só voltaram a ter representação parlamentar como têm assento na Presidência da Assembleia da Republica, perderam o medo de se assumirem como Salazaristas e inundam com ódio osw espaços público e mediático.

Assumem-se como sempre foram. Gente sem Moral e sem Vergonha e à boa maneira pidesca invadem o espaço dos outros, procuram intimidar, ameaçam e procuram "transformar" (como sempre fizeram) os bandidos em vilões e condenarem os heróis de Abril a quem nunca perdoram terem reposto a Democracia.

Nos últimos dias um dos Capitães de Abril que se recusa a abdicar da sua condição de obreiro da liberdade denunciava as "canalhices" que os Cheganos e outros defensores do salazarismo/fascista escreviam na sua própria página  no facebbok e no sítio que a ASM - a Associação que recorda, homenageia e divulga o Herói da Revolução dos Cravos - Salgueiro Maia.

É tão só, todos o sabemos, uma pequena parte da campanha que salazaristas e fascistas desenvolvem sob a asa protetora da direita troglodita instalada no poder (politico, económico e comunicacional) e a indiferença cumplice da outra (direita) que se diz democrata ou que se afirma (ainda de esquerda).

Nesta situação por todos vivenciada é fundamental que a indiferença ou o medo não tolham a vontade dos que defendem, praticam e beneficiam da liberdade conquistada.

Que os que "fizeram Abril" não se deixem transformar em "implicados" que não cedam às pressões nem aos insultos com que pretendem enleá-los e sobretudo que assumam que alguns epitetos (a "acusação de comunista", poe exemplo, não é insulto, é louvor!

Defendamos Abril, SEMPRE!

sexta-feira, 13 de março de 2026

11 de Março 75 - Golpe falhado contra Abril

 


11 de Março de 75 – Golpe (falhado) contra Abril.

Cumpriram-se na passada quarta-feira cinquenta e um anos da tentativa de mais um golpe contra Abril. Era a quarta tentativa. A primeira que recorria à força armada e viria a resultar no assassinato de um portalegrense, o soldado Luís.

As tentativas anteriores, também elas resultantes da ambição pessoal de António de Spínola, haviam sido derrotadas sem originarem derramamento de sangue. A primeira no próprio dia 25 de Abril quando o general do monóculo se apresentou no Posto de Comando do MFA a querer pôr e dispor e teve que lhe ser lembrado que as tropas do Movimento ainda estavam na rua. A segunda com o chamado golpe Palma Carlos visando plebiscitar uma Constituição e a passagem dos poderes absolutos para o Presidente d Republica a. A terceira a 28 de Setembro através da maioria silenciosa que deveria desaguar em Lisboa, demitindo o Governo de Vasco Gonçalves, adiando as eleições convocadas e entronizando Spínola. Nova derrota!

O  11 de Março foi a quarta tentativa de Spínola tomar o poder e evitar as eleições que o programa do MFA garantia, e desta vez fê-lo, como viria a repetir, apostando na força militar e não hesitando em arrastar o país para uma guerra civil. Utilizando a mentira e os seus homens de mão, arrastando consigo os fascistas derrotados em Abril ocupou uma base militar e a partir daí metralhou o Ralis e procurou decapitar o MFA e o governo provisório.

Mais uma vez foi derrotado. Os heli-canhões que metralharam o Ralis e assassinaram o soldado Luís foram rechaçados pelos militares de Dinis de Almeida e os pára-quedistas mobilizados para o cercarem eram desmobilizados pela firmeza e pelos argumentos de Dinis de Almeida e outros militares de Abril e regressavam a Tancos.

O fracasso foi total e teve como resultado um passo em frente da revolução que iria atingir a economia. No dia seguinte eram nacionalizadas a Banca, os Seguros e outras alavancas da economia.

Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, com muitos dos golpistas ou os seus “rebentos” estão no poder. Quando muitos dos heróis de Abril sofreram perseguições, prisões e prejuízos nas suas carreiras. Quando um dos mandadores do terrorismo bombista que assolou o país e assassinou portugueses se senta na cadeira da vice-presidência da Assembleia da Republica há quem queira reescrever a história. É fundamental que os que viveram esses dias não permitam que apaguem a memória. É obrigação de todos os democratas e particularmente daqueles que foram protagonistas de alguns desses momentos.

No que respeita ao 11 de Março eu vivi-o na BA3 em Tancos. Vivi-o com outros Alto Alentejanos. Alguns já partiram, casos do Tenente Jaime Pinheiros, de Portalegre, que comandava uma companhia de PA e do sargento Vintém, dos Fortios, mas outros estamos vivos e recordados do que vimos e no que participámos. O Alferes Caldeira, o cabo e instrutor dos amanuenses, João Manuel, de Stº António das Areias e os instruendos, como eu, Caldeira, do Crato; Barata, de Castelo de Vide; Nuno, de Stº António das Areias; Patrício de Nisa.

Cinquenta e um ano depois o chefe do golpe, dos que o antecederam e das acções terroristas e bombistas que se lhe sucederam, morreu como Marechal enquanto os heróis que fizeram Abril foram passados ao “estatuto” de implicados no 25 de Abril e por isso perseguidos e mal tratados pelos fascistas que então derrotaram mas também por camaradas de armas que se acobardaram quando foi preciso dar o passo ou até, por alguns camaradas que com eles conspiraram e executaram o golpe militar.

Ao longo destas cinco décadas foram dados muitos passos atrás mas mantêm-se no essencial o legado de Abril. O Regime Constitucional Democrático, a Constituição com o seu nome e que continua a garantir os direitos, liberdades e garantias essenciais a qualquer democracia politica.

Os Cravos continuam Vermelhos.

Que Viva Abril!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 



A CIMAA e a ULSAA andam a brincar ao faz de conta?

A Comunicação social Regional deu-nos a conhecer o seu entusiasmo com uma iniciativa dos nossos autarcas e do conselho executivo da ULSAA para, dizem-nos, atraírem novos médicos para o nosso território.

Tratando-se de uma dificuldade óbvia a que o distrito e o país não têm conseguido dar resposta, também eu não consegui alhear-me.

Procurei a informação disponível e a desilusão foi (sempre assim sucede) proporcional à expetativa que entretanto alimentara. O alarido era isso mesmo, alarido.

Sendo certo que só “por obra de milagre” seria possível a uma resposta parcelar, por melhor que se apresentasse, teria condições para responder positivamente a uma dificuldade que se coloca em todo o país: a falta de meios humanos que garantam as respostas necessárias aos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

Os dados recolhidos permitiram confirmar a vontade dos autarcas do distrito reunidos na CIMAA, criarem com a Unidade de Saúde do Alto Alentejo uma parceria visando a atração de médicos para o nosso distrito.

Ao que parece a parceria está de pé para, diz-nos o Presidente da CIMAA, ser criado um portefólio com “as bondades do nosso distrito” para afirmam, poderem intervir junto dos jovens médicos e mostrarem-lhes a qualidade de vida que podem usufruir quem optar por exercer aqui a sua profissão.

Ou seja, vamos mostrar aos jovens médicos (e também, espero, aos jovens com as mais diversas profissões no campo da saúde, todas elas deficitárias no nosso distrito). Isso é mau? Não concordo que temos um território encantador? Claro que não!

Estou totalmente alinhado com quantos entendem que o nosso território tem condições de excelência para viver: a riqueza do nosso património construído, do nosso património natural e do nosso património cultural imaterial garantem uma qualidade de vida muito difícil de encontrar em qualquer outro ponto do nosso país. Só que…isso tudo conhecem os nossos jovens e, mesmo assim, “teimam” em deixar a região, a família, as raízes…

Porquê? Porque não conseguimos garantir-lhes trabalho com direitos e salários dignos. E porque ninguém consegue (por enquanto) sobreviver com o ar puro e paisagens idílicas “conquistámos o título de região menos populosa e mais envelhecida.

Acresce que no caso em apreço (atrair médicos) temos um exemplo recente que ninguém ignora e muito menos autarcas e responsáveis pelas instituições de saúde.

Um concurso para médicos de Medicina Geral Familiar para as Unidades de Saúde Familiar teve resultados diferentes para as USF de modelo C e as USF restantes. Para as primeiras (privadas) o número de candidatos ultrapassou o número de vagas, para as restantes (publicas) os candidatos não chegaram para preencher as vagas postas a consumo.

Tal situação não se verificou por as USF do SNS ficarem em regiões sem beleza, sem ar puro, sem atividades culturais e de lazer. Não se deve a questões ideológicas: os médicos preferem trabalhar no privado e não no setor publico. Autarcas e responsáveis pela saúde no distrito conhecem bem as razões de tal situação. Nós também: nas USF privadas o vencimento é de 7.000€/mês e seguro de responsabilidade civil profissional. Nas USF do SNS o vencimento é de 2.800mês.

Há dúvidas?

Os autarcas não podem/não devem fazer nada? Claro que podem. Podem e devem!

Podem e devem bater-se e mobilizar a região para termos direitos (e deveres iguais) aos de todos os portugueses: saúde, educação, transportes e acessibilidades, energia e redes de comunicação… trabalho não lhes irá faltar deixem a dinamização turística e a propaganda para quem para tal tem competências e resp0onsabilidades.

Diogo Serra

(a foto foi pedida de emprestimo à RP)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

 

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

O Novo Ano trouxe aos portugueses e ao mundo alguns sinais de esperança, mas mais, muitos mais, motivos de incerteza e angústia.

Esperança numa melhor organização do mundo com o fim do unilateralismo que dominou as últimas décadas e o nascimento e afirmação de um mundo multipolar em que mais países e povos são chamados a tomar parte na governança do nosso planeta e com o crescimento das preocupações e acções em defesa do meio ambiente e da vontade de deixar aos vindouros um mundo habitável.

O crescimento exponencial da militância ambientalista e a extraordinária adesão da juventude mundial à causa ecologista e o nascimento e consolidação dos BRICS como alternativa ao poder “quase absoluto” dos Estados Unidos da América e do dólar são disso os exemplos mais visíveis.

Paradoxalmente são esses mesmos sinais de esperança e o que anunciam, os motivos maiores para a incerteza e angustias citadas.

A tentativa de manter o poder e as regalias de que têm desfrutado levam os seus detentores a tomarem medidas, capazes de incendiar o mundo e a não olharem a meios para procurarem parar a roda do tempo.

São estas as razões aliadas à ganância, sempre alardeada pelos ricos e poderosos que nos tem vindo a arrastar perigosamente para o que poderá ser a última guerra no Planeta Terra. São estas as razões verdadeiras que têm dinamitado todas as estruturas criadas no seguimento da segunda grande guerra com o objectivo de criar, a nível internacional, um conjunto de regras que protegessem os mais fracos da cobiça dos poderosos: homens, estruturas, países…

O Novo Ano trouxe-nos o regresso da política da canhoeira em detrimento do direito internacional. Os “piratas” com menores escrúpulos e mais e melhor armamento não hesitam em assaltar bancos, navios, países. Não têm qualquer pudor em proceder ao genocídio de todo um povo e ao roubo das terras, das casas, das pátrias e ao contrário do que faziam antes, já não se preocupam em tapar com mentiras os seus crimes hediondos. Agora, como é o caso do “ Cowboy dos states” assumem com clareza que matam para roubar enquanto os seus capachos espalhados pelo mundo (também em Portugal, também na nossa cidade) se contorcem para encontrar formas de nos explicar o inexplicável e de nos fazer acreditar que é por um Bem Maior que nos roubam o alimento e querem levar os nossos filhos e netos a matar e morrer nas guerras que os alimentam.

É neste contexto que em Portugal estamos a ser chamados a escolher um novo Presidente da Republica.

Conhecidas as candidaturas e os protagonistas não é difícil percebermos quer o que os move, quer o que defendem para Portugal e para os Portugueses. E temos de tudo… Dois candidatos anti-sistema, um contra o sistema democrático mas sincero: consciente de que não tem “estatuto” para o conseguir, sonha com o regresso de um, dois, três Salazares para dinamitar o regime. O outro, culto e citadino procura com humor ridicularizar o sistema.      

Restam os outros que podemos dividir em três blocos diferentes.

Um bloco da direita democrática, que entende a democracia como a mera alternância de poder entre os defensores do “deus capital”. Um bloco dito do centro com um candidato que entende os partidos como um empecilho e pensa que ser independente é não ser filiado em qualquer partido e os partidos sociais-democratas, assumidos ou não, que entendem que o capitalismo até é bom se levar uns pequenos retoques. Temos depois, o bloco da esquerda sem “mas”, que apresenta como programa a Constituição da República Portuguesa e o compromisso constitucional de cumprir e fazer cumprir a Constituição de Abril.

Os atributos pessoais e a vontade de cumprir devem também pesar na nossa escolha, mas disso, cada um terá formas de medir tais intenções.

Eu não tenho dúvidas que é pela esquerda (e com a esquerda) que lá vamos.

Que sejamos muitos mil!

 

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

É Natal, É Natal, Sinos de Belém...

 

É Natal, É Natal, Sinos de Belém…

Estamos em plena época natalícia e, por isso mesmo, mais abertos à compreensão do outro, mais sensíveis à procura da paz e da fraternidade, entre pessoas e povos, ou assim deveria ser se todos juntássemos “a conversa à ação”.

É compreensível e nada tem a ver com credos políticos e religiosos. A época é tanto importante para os cristãos como para os que professam outras crenças ou não professam nenhuma.

Os fiéis à tradição cultural judaico-cristã comemoram a data em que lhes dizem ter nascido Jesus. Comemoram o nascimento de um revolucionário judeu que lutou contra o colonialismo político e cultural que o Imperio Romano lhes impunha. Os não crentes continuam fiéis às práticas culturais e valores seculares anteriores ao nascimento de Jesus e que tem a ver com o solstício de inverno e o regozijo pelo “renascimento do sol”: valores como a generosidade, a compaixão, a reflexão e a esperança que são universais e não exclusivos de uma religião.

Estamos pois numa época do ano em que, independentemente da fé que professamos ou da ausência dela, todos nos dizemos sensíveis aos valores da paz e da solidariedade e, por isso mesmo, mais estranho nos parece o acentuar dos confrontes verbais, dos combates e guerras que abertamente ou sob camuflagem se multiplicam aos níveis local, nacional e internacional, ao mesmo tempo que se “esquecem” ou se procura esconder a barbárie que se impõe em várias partes do mundo, sejam pela força das armas (o genocídio em Gaza é o exemplo mais gritante), ou pela via das desigualdade que a acumulação de riqueza “justifica” (em Portugal milhares de trabalhadores empobrecem a trabalhar).

Nesta época em que os cristãos, ortodoxos e católicos, celebrarão o nascimento do “Deus Menino” seja a 25 de dezembro ou a 7 de janeiro. Quando aos milhões frequentarão a “sua” Igreja a pedirem paz, solidariedade e bem-estar. Quando outros tantos, não crentes, comemoram no solstício de inverno o “renascimento do sol” será certamente uma boa data para os convidarmos (nos convidarmos) a passar dos pedidos nas igrejas e na família e sairmos à rua a confrontar os poderosos com a sua hipocrisia e a exigir-lhes a Paz e a Concórdia.

O exemplo d´O Jesus revolucionário e anticolonialista, mas também regenerador da sua igreja (recorde-se a expulsão dos agiotas do Templo) pode e deve iluminar os cristãos. Os não crentes terão o conforto dos ideais da Revolução Francesa: LIBERTÉ! ÉGALITÉ! FRATERNITÉ!

E não, que não seja a paz dos cemitérios! Que seja uma Paz baseada na fraternidade e não no roubo de bens, riquezas e territórios. Uma paz baseada nos princípios da igualdade e da equidade entre pessoas, povos e estados. Uma paz baseada no fim do imperialismo, do belicismo e do ódio. Uma Paz baseada no Direito Internacional e não nas Guerras de rapina, e no que a Portugal diz respeito, a “construção” de uma europa de paz e desenvolvimento do Atlântico aos Urais, com os blocos militares substituídos por blocos de cooperação e liberdade.

É utópico? Que o seja. Todas as utopias o são até passarem a realidade!

Assim o queiramos!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025





 "Se o governo quer realmente enfrentar rigidezes estruturais que

comece pelo ninho de vespas que é a sua própria casa e deixe em

paz o ninho de abelhas que trabalha, produz e sustenta a

economia";

(José Bonito , gestor. In Jornal Publico de 3-dez-2024)


O presente texto chegará às vossas mãos, presumo, em vésperas de greve geral. A

décima primeira em democracia e em consonância com o direito constitucional.

Este tem sido um tema de intenso debate na sociedade portuguesa com defensores e

detratores a esgrimirem razões ou tão só as suas opções politicas face aos direitos que

os trabalhadores foram conquistando ao longo de gerações e que, no caso português a

Constituição consagra.

Lamentavelmente esta discussão tem incidido mais na greve geral convocada pelos

trabalhadores e menos, muito menos nas razões que a impõem. No caso a

apresentação por parte do governo de um novo Pacote laboral visando agravar ainda

mais as condições de trabalho e de defesa dos trabalhadores portugueses.

Greve geral e "roubo de direitos" não são novidades em Portugal.

A greve geral convocada para 11 de dezembro é a 11ª cumprida no nosso país desde

que a Revolução de Abril repôs a liberdade sindical e politica em Portugal


Greves Gerais no Portugal de Abril

Greve Data Governo

1ª 12-fev-1982 AD

2ª 11-mai-1982 AD

3ª 28-mar-1988 Cavaco

4ª 10-dez-2002 Durão Barroso

5ª 30-mai-2007 José Sócrates

6ª 24-nov-2010 José Sócrates

7ª 24-nov-2011 Passos Coelho

8ª 22-mar-2012 Passos Coelho

9ª 14nov-2012 Passos Coelho

10ª 27-jun-2013 Passos Coelho


As Leis Laborais, também elas, objeto de diversas alterações que retiram direitos aos

trabalhadores e reforçaram o poder dos empregadores, alteraram significativamente o

equilíbrio entre trabalho e capital nas relações de trabalho e desmentem claramente o

argumentário agora utilizado pelo governo e a sua ministra das "corporações".

Vejamos! A Lei 99/2023 (Pacote Laboral de Bagão Félix) é agora apresentado como

resquícios do PREC e, mesmo que entendamos Bagão Félix como um perigoso


esquerdista, esse pacote laboral já sofreu outras alterações ainda mais gravosas para

quem trabalha, num governo de José Sócrates (Lei nº 007/2009) e posteriormente

com Passos Coelho e as troikas que facilitaram os despedimentos e reduziram as

compensações aos trabalhadores. As principais mudanças incluíram a flexibilização dos

tempos de trabalho, a terminação dos contratos de trabalho e o corte de benefícios e

direitos. 

É, neste contexto, que o governo dos patrões vem agora procurar arrastar-nos para o

século XIX, procurando roubar direitos sociais e humanos, abrindo portas ao sonho

patronal de despedir sem regras ou travões, reduzir salários e desarmar os

trabalhadores quer com a destruição do direito à greve quer impedindo a ação

sindical no local de trabalho.

A direita e a extrema direita agora no poder querem, também no mundo laboral,

acertar contas com o 25 de Abril e fazer-nos regressar a tempos que ainda não

esquecemos nem queremos de volta.

No Pasarón!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Na Unidade a Força dos Trabalhadores

 



Na Unidade a Força dos Trabalhadores

O grande patronato, com os seus partidos e o seu governo voltaram, meio século depois da primeira tentativa, a tentar "partir a espinha à Intersindical.

É, mais uma vez, este o principal objetivo da declaração de guerra que lançaram aos trabalhadores e, agora como ontem, também à Revolução dos Cravos e ao Regime Democrático que esta permitiu.

Nada que seja assustador para uma organização de classe nascida em pleno fascismo e regada com a vontade indomável dos seus dirigentes e dos trabalhadores, cujos interesses desde o nascimento e até hoje, sempre defendeu.

Quando do seu nascimento, a 1 de Outubro de 1970, muitos dos dirigentes políticos que agora a atacam ainda não eram nascidos e os seus antecessores ou estavam nas fileiras do Partido Único que suportava o fascismo ou no seio das empresas que lhe davam suporte.

Chegado aquele dia "inicial inteiro e limpo" a intersindical empenhou-se na consolidação da democracia que ajudara a fundar e no desenvolvimento do modelo social que valoriza o trabalho e os trabalhadores. Essa postura haveria de valer-lhe o ódio dos mesmos (ou dos seus rebentos) que agora a odeiam e por isso, viu as suas estruturas regionais assaltadas e os seus dirigentes vitimas de ataques bombistas.

Ultrapassada a fase terrorista da contra-revolução, já nos tempos da "europa connosco", seria um Ministro de um governo do PS a declarar por palavras e por actos a vontade de partir a espinha à Intersindical.

Morreu o ministro e não a Intersindical. Esta continuou viva e atuante na defesa dos trabalhadores que representa e da Democracia que ajudou a fundar.

Apesar das duríssimas condições em que tem sido obrigada a agir, os resultados conseguidos mantiveram-na sempre na mira do grande patronato e aí os temos, de novo, procurando concretizar o sonho antigo: Quebrar a espinha à Intersindical e dessa maneira deixar indefesos e desarmados os trabalhadores portugueses.

Num tempo em que os ventos favoráveis ao extremismo de direita sobram por toda a europa, os derrotados de Abril entendem ser agora, a conjuntura é-lhes favorável, o tempo de esmagar os direitos alcançados pelos trabalhadores e populações, procedendo ao "acerto de contas" com o 25 de Abril.

Sim, não são apenas, (e já era demais), os direitos dos trabalhadores que procuram destruir. São os direitos sociais conquistados ao longo de várias gerações que querem destruir. O seu governo dá-lhe as ferramentas: a destruição dos direitos sociais, o desmantelamento dos serviços públicos e para o mundo do trabalho o Pacote Laboral.

Está aqui a receita deste governo do século XXI, um verdadeiro retrocesso para o século XIX:

A facilitação dos despedimentos e mais precariedade; horas de trabalho à borla e a desregulação dos horários; ataques aos direitos de maternidade, de paternidade e à família; a tentativa de destruição da contratação colectiva e a imposição da caducidade dos contratos; o ataque brutal à liberdade sindical visando retirar aos trabalhadores a possibilidade de se defenderem.

Enquanto isto, colocam os seus megafones disfarçados de comunicação social, os seus "comentadeiros" de serviço e os próprios ministros, a esconderem as suas intenções por detrás de uma nuvem de candura e perplexidades, face à resposta já anunciada pelos trabalhadores.

Afadigam-se a procurarem convencerem-nos da não razoabilidade da resposta sindical por, gritam, ainda se está em fase de negociação, como se não estivesse muito clara a sua estratégia.

Negociar? Querem negociar o quê?  

O que está aí é mau demais. A própria ministra do trabalho já o disse publicamente. - "Haja negociação ou não, mude-se uma vírgula ou um verbo, isto é para seguir sem mexer no essencial do que foi apresentado". Palavras da ministra.

Eles sabem bem o que querem. Os trabalhadores também. Viva a Greve Geral!

 

Diogo Júlio Serra

domingo, 16 de novembro de 2025

GREVE GERAL É POLITICA? CLARO QUE É!



"Greve geral é uma questão política" e vem de um sindicato que se "revê em regimes onde não é permitido fazer estas greves"

É desta forma que João Marques de Almeida, comentadeiro da CNN e megafone avençado  do capital  critica a CGTP-IN  por ter convocado uma greve geral como resposta à declaração de guerra que lhe foi lançada pelo grande patronato através do seu (deles) governo.

O Megafone desconhece, estranho seria que conhecesse, que a Central Sindical dos Trabalhadores Portugueses, a Intersindical, nasceu em pleno fascismo, em situações que ele, felizmente, só conhece porque  ouviu dizer ou leu, e seguramente ouviu e leu mal.

Afirmar a sua discordância com a Greve Geral é perfeitamente normal. Tanto mais que ele não é seguramente trabalhador por conta de outrém, será, quanto muito, um "colaborador" - é mais modernaço - embora não deixe de auferir alguns "cobres" pelos serviços que presta ao seu deus-capital. O que não é normal é ele, que claramente não é trabalhador (é quanto muito colaborador) e muito menos sindicalizado, opinar - sentenciar onde e em que regimes se revê a INTERSINDICAL.

O Senhor João Marques de Almeida, o nome é o que menos interessa, podia ser José Xico ou Amélia, vê e fala com os olhos e a voz de quem lhe paga. Não consegue, ou não pode, ver as razões que justificam a resposta dos trabalhadores.

Não vê, ou finge não ver, que o grande patronato, o seu governo e os seus partidos que agora são maioritários na Assembleia da Republica se preparam para o "acerto de contas" com o 25 de Abril e a democracia que o consagra.

Não vê, ou finge não ver, que esta é a terceira tentativa, desta vez numa conjuntura muito mais favorável a tais desejos, de "partir a espinha à Intersindical" e não é por esta se rever, como malevolamente afirma, em "regimes onde não é permitido fazer greves" é, isso sim, para desarmar os trabalhadores, impedindo-lhes defenderem os seus direitos, impedindo-os de defender a própria democracia.

Hoje como sempre os trabalhadores portugueses saberão defender os seus direitos e as suas organizações do capital que os confronta deste e de todos "Joões de Almeida", por mais bem pagos e amestrados que lhes apareçam.

Greve Geral é uma questão politica? Claro que é!

Diogo Serra

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

Em Elvas a semana encerrou com a tomada de posse dos autarcas eleitos mas não encerrou a controvérsia e os ataques pessoais entre eles. E tudo à volta dos arranjos "necessários" ao garantir do funcionamento de uma autarquia cuja composição é: 2 eleitos , um deles o Presidente, do Movimento de Rondão de Almeida, 2 eleitos pela extrema direita, dois pelo Partido Socialista e um pela coligação PPD/CDS.

 

Também na nossa cidade já foram empossados os eleitos em 12 de outubro. Aqui sem necessidade de quaisquer alianças para viabilizar os executivos mas ainda assim com uma "confusão" com um eleito na Assembleia Municipal que concorreu pela CLIP mas cujo mandato é reivindicado pela direita modernaça que se expressa no IL.

 

Eu que com dezenas de Portalegrenses assisti ao acto de posse, fiquei agradavelmente surpreendido com o discurso da Sra. Presidente. Bem estruturado, recordando as carências principais que todas as forças politicas haviam colocado nos seus próprios diagnósticos, o esquecimento do transporte ferroviário, não terá passado disso mesmo; esquecimento, apostado na procura de fugir aos caminhos da prepotência que o resultado conseguido permitiria e a lançar pontes a todos os portalegrenses e às candidaturas que se lhe opuseram. Gostei!

 

Já o que nos chega vindo dos Poderes sediados em Lisboa e em Bruxelas, e a comunicação social dita de referência amplifica,  me deixa forte preocupação..

 

A destruição do Serviço Nacional de Saúde é como todos já nos apercebemos uma estratégia friamente aplicada e não como poderíamos pensar qualquer incapacidade da ministra em gerir aquela pasta.

 

O mesmo no que concerne ao criminoso prazer de nos arrastarem, ao país e à União que nos "aprisionou", para a guerra. Por enquanto obrigando-nos a alimentá-la à custa do nosso próprio alimento mas apontando perigosamente para que no curto prazo a alimentemos com sangue e morte dos nossos filhos e netos.

 

A comunicação social ajuda a festa.

 

Nos meios da comunicação social tradicional e nas redes so­ciais a tó­nica é cons­tante: para a guerra. A guerra é que é o ca­minho.

 

País e União Europeia de joelhos perante os poderosos do mundo e em particular o imperialismo ianque (apesar de Trump a quem gostam de "xingar"), não hesitam: compre-se mais caro aos ame­ri­canos o que antes se com­prava mais ba­rato aos russos; gaste-se em armas (ame­ri­canas) o que se devia gastar em saúde ou ha­bi­tação ofereçam-se milhões para manter a guerra e cortem-se mais uns milhões na saúde.

 

Entretanto neste país do faz de conta elege-se a proibição da "burka" como desígnio nacional e o medo como instrumento castrador da nossa liberdade.

 

Os DDT's através do seu governo e da sua comunicação social continuam a trabalhar o nosso medo enquanto as politicas do ódio nos preparam para vermos como inimigos aqueles que como nós são as vítimas do sistema.

Medo e preconceito para não vermos ou esquecermos que no último triénio os bens alimentares de primeira necessidade aumentaram mais de 30%, as rendas de casa mais de 20%, a água, eletricidade, gás e combustíveis 21,7% e as despesas com o crédito à habitação cerca de 50%, quando só em 2024 os cinco maiores bancos a operarem em Portugal lucraram quase 5.000 milhões de euros.

 

É caso para gritar. Deixemos em paz quem oculta o corpo e só deixa ver os olhos e procuremos que os outros, muitos mais, que só tem cobertos os olhos, arranquem também a "sua burka".

Talvez assim consigamos progredir.

Diogo Júlio Serra