quarta-feira, 7 de outubro de 2026

HABEAS ATLÉTICO!

 Habeas Atlético



O ATLÉTICO VOLTOU!

Vinte e duas épocas depois o Atlético está de volta ao futebol sénior regional.

O Atlético das grandes tardes no antigo campo do Rossio que enchia para extravasar clubismo e rivalidades nos confrontos com a Maravilha. Esse Atlético que incluiu nas suas fileiras grandes glórias do futebol arronchense e entre elas a estrela mais brilhante, o internacional Palmeiro, do Benfica e da Seleção Nacional, mas para nós, sempre, o Nosso Xico Feiteira e que deu o seu nome ao atual estádio municipal.

Só por esse passado, pelas recordações do velho campo da bola, do pelado cercado pelo gradeamento de madeira pintada de branco, sem balneários que esse luxo só chegou com a SECA, e por isso com as equipas a desfilarem equipadas desde a sua sede até ao campo, o regresso do A.C.A. ao futebol sénior seria motivo de regozijo. Mas há mais, muito mais.

O Atlético Clube de Arronches que regressa às competições séniores após vinte e dois anos de afastamento teve tempo para cicatrizar feridas, garantir a sua continuidade enquanto instituição insubstituível na vivência desportiva e social do concelho e, sobretudo, para iniciar um trabalho de base que lhe permitisse regressar aos estádios que já pisou e, o sonho é livre, “fabricar” novos Palmeiros.

Reativou o futebol sem repetir erros seus e de outros clubes. Não apostou no “pronto-a-vestir”, apostou no “ouro da casa”.

Criou as escolinhas a partir dos sonhos de um homem da casa (parabéns Mister João Trindade) e durante anos a escolinha que foi a par da secção de cicloturismo quem manteve o clube ativo, foi criando condições para que as crianças  fossem participando nos vários escalões de formação que a idade dos seus atletas aconselhava até chegar aos dias de hoje, com os meninos das escolinhas, os que iniciaram o percurso, chegaram à idade sénior e constituírem a equipa principal do Atlético.

A reativação do futebol sénior que agora se assinala é fruto da resiliência (usemos também esta palavra tão em voga) da instituição, dos sonhos de alguns dos seus dirigentes, mas também da abnegação dos pais dos meninos das escolinhas que em muitos casos foram muito mais que asa protetora das suas crianças.

O renascimento do futebol sénior ocorre já num Atlético de portas abertas.

Este Atlético que nasceu como União Futebol Clube em 1930 pela vontade de alguns praticantes de futebol dos quais, o seu sócio nº 1, António Salgueiro, fora praticante dessa modalidade no Carcavelinhos Footeball Club, mas era também um ativista social e operário, cedo passou a ser muito mais que um clube de futebol assumindo-se como um instrumento de representação social do operariado/artesãos do concelho.

Agora, de novo de rosto erguido, o Atlético Clube de Arronches reassume-se como imprescindível. E não será nenhum resultado desportivo menos favorável a poder esconder a excelência deste regresso.

O Atlético voltou. De corpo inteiro, pela mão dos filhos, netos e bisnetos dos que o criaram e fizeram grande, decidido a retomar o lugar que é o seu!

Viva o Atlético!

Diogo Júlio Serra

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