11 de Março de 75 – Golpe (falhado) contra
Abril.
Cumpriram-se na passada quarta-feira cinquenta e um anos da tentativa de mais um golpe contra Abril. Era a quarta tentativa. A primeira que recorria à força armada e viria a resultar no assassinato de um portalegrense, o soldado Luís.
As tentativas anteriores, também elas resultantes da ambição pessoal de António de Spínola, haviam sido derrotadas sem originarem derramamento de sangue. A primeira no próprio dia 25 de Abril quando o general do monóculo se apresentou no Posto de Comando do MFA a querer pôr e dispor e teve que lhe ser lembrado que as tropas do Movimento ainda estavam na rua. A segunda com o chamado golpe Palma Carlos visando plebiscitar uma Constituição e a passagem dos poderes absolutos para o Presidente d Republica a. A terceira a 28 de Setembro através da maioria silenciosa que deveria desaguar em Lisboa, demitindo o Governo de Vasco Gonçalves, adiando as eleições convocadas e entronizando Spínola. Nova derrota!
O 11 de Março foi a quarta tentativa de Spínola tomar o poder e evitar as eleições que o programa do MFA garantia, e desta vez fê-lo, como viria a repetir, apostando na força militar e não hesitando em arrastar o país para uma guerra civil. Utilizando a mentira e os seus homens de mão, arrastando consigo os fascistas derrotados em Abril ocupou uma base militar e a partir daí metralhou o Ralis e procurou decapitar o MFA e o governo provisório.
Mais uma vez foi derrotado. Os heli-canhões que metralharam o Ralis e assassinaram o soldado Luís foram rechaçados pelos militares de Dinis de Almeida e os pára-quedistas mobilizados para o cercarem eram desmobilizados pela firmeza e pelos argumentos de Dinis de Almeida e outros militares de Abril e regressavam a Tancos.
O fracasso foi total e teve como resultado um passo em frente da revolução que iria atingir a economia. No dia seguinte eram nacionalizadas a Banca, os Seguros e outras alavancas da economia.
Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, com muitos dos golpistas ou os seus “rebentos” estão no poder. Quando muitos dos heróis de Abril sofreram perseguições, prisões e prejuízos nas suas carreiras. Quando um dos mandadores do terrorismo bombista que assolou o país e assassinou portugueses se senta na cadeira da vice-presidência da Assembleia da Republica há quem queira reescrever a história. É fundamental que os que viveram esses dias não permitam que apaguem a memória. É obrigação de todos os democratas e particularmente daqueles que foram protagonistas de alguns desses momentos.
No que respeita ao 11 de Março eu vivi-o na BA3 em Tancos. Vivi-o com outros Alto Alentejanos. Alguns já partiram, casos do Tenente Jaime Pinheiros, de Portalegre, que comandava uma companhia de PA e do sargento Vintém, dos Fortios, mas outros estamos vivos e recordados do que vimos e no que participámos. O Alferes Caldeira, o cabo e instrutor dos amanuenses, João Manuel, de Stº António das Areias e os instruendos, como eu, Caldeira, do Crato; Barata, de Castelo de Vide; Nuno, de Stº António das Areias; Patrício de Nisa.
Cinquenta e um ano depois o chefe do golpe, dos que o antecederam e das acções terroristas e bombistas que se lhe sucederam, morreu como Marechal enquanto os heróis que fizeram Abril foram passados ao “estatuto” de implicados no 25 de Abril e por isso perseguidos e mal tratados pelos fascistas que então derrotaram mas também por camaradas de armas que se acobardaram quando foi preciso dar o passo ou até, por alguns camaradas que com eles conspiraram e executaram o golpe militar.
Ao longo destas cinco décadas foram dados muitos passos atrás mas mantêm-se no essencial o legado de Abril. O Regime Constitucional Democrático, a Constituição com o seu nome e que continua a garantir os direitos, liberdades e garantias essenciais a qualquer democracia politica.
Os Cravos continuam Vermelhos.
Que Viva Abril!

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