É Pela Esquerda Que Lá Vamos!
O Novo Ano trouxe aos portugueses e ao mundo alguns sinais de esperança,
mas mais, muitos mais, motivos de incerteza e angústia.
Esperança numa melhor organização do mundo com o
fim do unilateralismo que dominou as últimas décadas e o nascimento e afirmação
de um mundo multipolar em que mais países e povos são chamados a tomar parte na
governança do nosso planeta e com o crescimento das preocupações e acções em
defesa do meio ambiente e da vontade de deixar aos vindouros um mundo habitável.
O crescimento exponencial da militância
ambientalista e a extraordinária adesão da juventude mundial à causa ecologista
e o nascimento e consolidação dos BRICS como alternativa ao poder “quase
absoluto” dos Estados Unidos da América e do dólar são disso os exemplos mais
visíveis.
Paradoxalmente são esses mesmos sinais de esperança
e o que anunciam, os motivos maiores para a incerteza e angustias citadas.
A tentativa de manter o poder e as regalias de que
têm desfrutado levam os seus detentores a tomarem medidas, capazes de incendiar
o mundo e a não olharem a meios para procurarem parar a roda do tempo.
São estas as razões aliadas à ganância, sempre
alardeada pelos ricos e poderosos que nos tem vindo a arrastar perigosamente
para o que poderá ser a última guerra no Planeta Terra. São estas as razões
verdadeiras que têm dinamitado todas as estruturas criadas no seguimento da
segunda grande guerra com o objectivo de criar, a nível internacional, um
conjunto de regras que protegessem os mais fracos da cobiça dos poderosos:
homens, estruturas, países…
O Novo Ano trouxe-nos o regresso da política da
canhoeira em detrimento do direito internacional. Os “piratas” com menores
escrúpulos e mais e melhor armamento não hesitam em assaltar bancos, navios,
países. Não têm qualquer pudor em proceder ao genocídio de todo um povo e ao
roubo das terras, das casas, das pátrias e ao contrário do que faziam antes, já
não se preocupam em tapar com mentiras os seus crimes hediondos. Agora, como é
o caso do “ Cowboy dos states” assumem com clareza que matam para roubar
enquanto os seus capachos espalhados pelo mundo (também em Portugal, também na
nossa cidade) se contorcem para encontrar formas de nos explicar o inexplicável
e de nos fazer acreditar que é por um Bem Maior que nos roubam o alimento e
querem levar os nossos filhos e netos a matar e morrer nas guerras que os
alimentam.
É neste contexto que em Portugal estamos a ser
chamados a escolher um novo Presidente da Republica.
Conhecidas as candidaturas e os protagonistas não é
difícil percebermos quer o que os move, quer o que defendem para Portugal e para
os Portugueses. E temos de tudo… Dois candidatos anti-sistema, um contra o sistema
democrático mas sincero: consciente de que não tem “estatuto” para o conseguir,
sonha com o regresso de um, dois, três Salazares para dinamitar o regime. O
outro, culto e citadino procura com humor ridicularizar o sistema.
Restam os outros que podemos dividir em três blocos diferentes.
Um bloco da direita democrática, que entende a
democracia como a mera alternância de poder entre os defensores do “deus
capital”. Um bloco dito do centro com um candidato que entende os partidos como
um empecilho e pensa que ser independente é não ser filiado em qualquer partido
e os partidos sociais-democratas, assumidos ou não, que entendem que o
capitalismo até é bom se levar uns pequenos retoques. Temos depois, o bloco da
esquerda sem “mas”, que apresenta como programa a Constituição da República
Portuguesa e o compromisso constitucional de cumprir e fazer cumprir a
Constituição de Abril.
Os atributos pessoais e a vontade de cumprir devem também pesar na
nossa escolha, mas disso, cada um terá formas de medir tais intenções.
Eu não tenho dúvidas que é pela esquerda (e com a esquerda)
que lá vamos.
Que sejamos muitos mil!
Diogo Júlio Serra
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