É Natal, É
Natal, Sinos de Belém…
Estamos em plena época natalícia e, por isso mesmo, mais
abertos à compreensão do outro, mais sensíveis à procura da paz e da
fraternidade, entre pessoas e povos, ou assim deveria ser se todos juntássemos
“a conversa à ação”.
É compreensível e nada tem a ver com credos políticos e
religiosos. A época é tanto importante para os cristãos como para os que
professam outras crenças ou não professam nenhuma.
Os fiéis à tradição cultural judaico-cristã comemoram a data
em que lhes dizem ter nascido Jesus. Comemoram o nascimento de um
revolucionário judeu que lutou contra o colonialismo político e cultural que o
Imperio Romano lhes impunha. Os não crentes continuam fiéis às práticas
culturais e valores seculares anteriores ao nascimento de Jesus e que tem a ver
com o solstício de inverno e o regozijo pelo “renascimento do sol”: valores como a generosidade, a compaixão, a reflexão e a
esperança que são universais e não exclusivos de uma religião.
Estamos pois numa época do ano em que, independentemente da
fé que professamos ou da ausência dela, todos nos dizemos sensíveis aos valores
da paz e da solidariedade e, por isso mesmo, mais estranho nos parece o
acentuar dos confrontes verbais, dos combates e guerras que abertamente ou sob camuflagem
se multiplicam aos níveis local, nacional e internacional, ao mesmo tempo que
se “esquecem” ou se procura esconder a barbárie que se impõe em várias partes
do mundo, sejam pela força das armas (o genocídio em Gaza é o exemplo mais
gritante), ou pela via das desigualdade que a acumulação de riqueza “justifica”
(em Portugal milhares de trabalhadores empobrecem a trabalhar).
Nesta época em que os cristãos, ortodoxos e católicos,
celebrarão o nascimento do “Deus Menino” seja a 25 de dezembro ou a 7 de
janeiro. Quando aos milhões frequentarão a “sua” Igreja a pedirem paz,
solidariedade e bem-estar. Quando outros tantos, não crentes, comemoram no
solstício de inverno o “renascimento do sol” será certamente uma boa data para
os convidarmos (nos convidarmos) a passar dos pedidos nas igrejas e na família
e sairmos à rua a confrontar os poderosos com a sua hipocrisia e a exigir-lhes
a Paz e a Concórdia.
O exemplo d´O Jesus revolucionário e anticolonialista, mas
também regenerador da sua igreja (recorde-se a expulsão dos agiotas do Templo)
pode e deve iluminar os cristãos. Os não crentes terão o conforto dos ideais da
Revolução Francesa: LIBERTÉ! ÉGALITÉ! FRATERNITÉ!
E não, que não seja a paz dos cemitérios! Que seja uma Paz
baseada na fraternidade e não no roubo de bens, riquezas e territórios. Uma paz
baseada nos princípios da igualdade e da equidade entre pessoas, povos e
estados. Uma paz baseada no fim do imperialismo, do belicismo e do ódio. Uma
Paz baseada no Direito Internacional e não nas Guerras de rapina, e no que a
Portugal diz respeito, a “construção” de uma europa de paz e desenvolvimento do
Atlântico aos Urais, com os blocos militares substituídos por blocos de
cooperação e liberdade.
É utópico? Que o seja. Todas as utopias o são até passarem a realidade!
Assim o queiramos!
Diogo Júlio Serra

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