quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

É Natal, É Natal, Sinos de Belém...

 

É Natal, É Natal, Sinos de Belém…

Estamos em plena época natalícia e, por isso mesmo, mais abertos à compreensão do outro, mais sensíveis à procura da paz e da fraternidade, entre pessoas e povos, ou assim deveria ser se todos juntássemos “a conversa à ação”.

É compreensível e nada tem a ver com credos políticos e religiosos. A época é tanto importante para os cristãos como para os que professam outras crenças ou não professam nenhuma.

Os fiéis à tradição cultural judaico-cristã comemoram a data em que lhes dizem ter nascido Jesus. Comemoram o nascimento de um revolucionário judeu que lutou contra o colonialismo político e cultural que o Imperio Romano lhes impunha. Os não crentes continuam fiéis às práticas culturais e valores seculares anteriores ao nascimento de Jesus e que tem a ver com o solstício de inverno e o regozijo pelo “renascimento do sol”: valores como a generosidade, a compaixão, a reflexão e a esperança que são universais e não exclusivos de uma religião.

Estamos pois numa época do ano em que, independentemente da fé que professamos ou da ausência dela, todos nos dizemos sensíveis aos valores da paz e da solidariedade e, por isso mesmo, mais estranho nos parece o acentuar dos confrontes verbais, dos combates e guerras que abertamente ou sob camuflagem se multiplicam aos níveis local, nacional e internacional, ao mesmo tempo que se “esquecem” ou se procura esconder a barbárie que se impõe em várias partes do mundo, sejam pela força das armas (o genocídio em Gaza é o exemplo mais gritante), ou pela via das desigualdade que a acumulação de riqueza “justifica” (em Portugal milhares de trabalhadores empobrecem a trabalhar).

Nesta época em que os cristãos, ortodoxos e católicos, celebrarão o nascimento do “Deus Menino” seja a 25 de dezembro ou a 7 de janeiro. Quando aos milhões frequentarão a “sua” Igreja a pedirem paz, solidariedade e bem-estar. Quando outros tantos, não crentes, comemoram no solstício de inverno o “renascimento do sol” será certamente uma boa data para os convidarmos (nos convidarmos) a passar dos pedidos nas igrejas e na família e sairmos à rua a confrontar os poderosos com a sua hipocrisia e a exigir-lhes a Paz e a Concórdia.

O exemplo d´O Jesus revolucionário e anticolonialista, mas também regenerador da sua igreja (recorde-se a expulsão dos agiotas do Templo) pode e deve iluminar os cristãos. Os não crentes terão o conforto dos ideais da Revolução Francesa: LIBERTÉ! ÉGALITÉ! FRATERNITÉ!

E não, que não seja a paz dos cemitérios! Que seja uma Paz baseada na fraternidade e não no roubo de bens, riquezas e territórios. Uma paz baseada nos princípios da igualdade e da equidade entre pessoas, povos e estados. Uma paz baseada no fim do imperialismo, do belicismo e do ódio. Uma Paz baseada no Direito Internacional e não nas Guerras de rapina, e no que a Portugal diz respeito, a “construção” de uma europa de paz e desenvolvimento do Atlântico aos Urais, com os blocos militares substituídos por blocos de cooperação e liberdade.

É utópico? Que o seja. Todas as utopias o são até passarem a realidade!

Assim o queiramos!

Diogo Júlio Serra

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