quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

ACORDAI!

 


ACORDAI!

A nossa cidade e concelho foi recentemente “abanada” por uma reportagem televisiva assinada por um ilustre portalegrense, que nos mostrava o estado comatoso para onde temos sido sistematicamente empurrados.

Mostrava, também, os rostos e as falas de alguns que teimam em remar contra a maré mas também rostos e falas de gente desiludida, que não percepciona a gravidade da coisa ou que já atirou a toalha ao chão.

Para os portalegrenses que há muito denunciam as politicas e as acções que impõem ou permitem a estagnação que nos atinge, a peça televisiva serviu para confirmar a justiça das denúncias e animar para novos “combates”. Esperámos, eu encontro-me entre estes, que a exposição pura e dura da situação para onde fomos atirados nos arrancaria, a todos, do “torpor” em que nos deixámos envolver.

Não foi o que sucedeu, a acreditarmos no que se ouviu dos apoiantes da “inércia” e das forças políticas que a têm imposto. Nas redes sociais e nas “conversas da treta” em que se especializaram e cujo palco privilegiado é o espaço que as redes sociais permitem o “povo lagóia” reagiu como tem sido seu costume: fingir que não se passa nada, culpar os outros, a notícia não é boa? “Mate-se” o mensageiro…

Mais do mesmo… afinal a culpa é das “forças de bloqueio”- onde e quando já ouvimos isto? – é a oposição que não nos deixa governar! E nem repararam que a principal responsável pela política municipal numa demonstração do que tem sido o seu papel no concelho, colocada perante as câmaras de uma televisão nacional, em vez de aproveitar o tempo de antena que lhe está a ser oferecido para promover o concelho a que preside, optou por mostrar ao país o que aqui já todos sabemos: É a líder de uma equipa que há muito desistiu de ser solução e é cada vez mais o problema.

Recordemos. É verdadeiro o papel nefasto dos governos centrais e centralistas para com todo o designado “interior”, é conhecido o efeito nefasto para cidades como Portalegre, da eliminação dos distritos (sim eu sei que formalmente não foram extintos) sem que tivesse sido cumprida a imposição constitucional da criação das Regiões Administrativas.

 Sabemos, todos, das criminosas decisões sobre para onde vão e onde acabam os investimentos públicos e privados, as empresas e os empregos. Sabemo-lo, mas sabemos igualmente e sofremo-lo, que a esse quadro se adicionam, no caso de Portalegre, uma governação local sem capacidade de liderar, de prever e antecipar acontecimentos, de congregar esforços e projetos, de construir e liderar uma estratégia para o concelho e, até, sem capacidade de ouvir.

Um concelho que só mexe ao ritmo dos calendários eleitorais pode, por vezes, atingir os objectivos eleitorais de quem o dirige, não chegará nunca a bom porto. É assim Portalegre.

E agora? Não há nada a fazer?

Claro que há! Como o poeta nos ensina, importa acordar. … pois quando um povo acorda é sempre cedo!

 

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

CUMPRIR E FAZER CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO!

 



CUMPRIR E FAZER CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO!

Agora é ainda mais necessário!

A campanha eleitoral para a Presidência da República mostrou-nos muito do que há para fazer e particularmente a necessidade de dar cumprimento aos preceitos constitucionais.

Mais do que olhar para a espuma “da coisa”: quem ganhou a quem? Quem deve ou não envergonhar-se, devemos olhar para o que provoca tal espuma e, nesse caminho, honra lhe seja feita, a candidatura de João Ferreira marcou pontos.

Nós, os que nascemos, vivemos e trabalhamos no distrito de Portalegre, estamos infelizmente muito bem posicionados para compreender essa importância mesmo que tenhamos preferido apostar em soluções de continuidade no definhamento ou em aventuras que poderiam acelerar a tragédia.

Lembremos.

O Alentejo do Norte é uma das regiões mais que esquecida, esmagada pelas políticas definidas e aplicadas pelo chamado “centrão” político e dos interesses e, demasiadas vezes, da corrupção. Estamos assim em condições de testemunhar que, a letra e o espirito da Constituição mais progressista da Europa tem sido, pelo menos aqui, colocada na tal “gaveta” onde alguns guardaram outros sonhos.

O Distrito, como todo o interior, é cada vez mais um território envelhecido, desertificado e despovoado de gentes, ambição e valores e isto porque não se cumpriu, bem pelo contrário, o preceito constitucional de desenvolvimento harmónico do todo nacional.

Está como está, sem jovens, sem emprego, sem rendimento digno, porque os diversos governos optaram de forma criminosa por canalizarem os investimentos públicos e privados para a pequena faixa junto ao mar entre o Porto e Setúbal, mais uma vez, em claro incumprimento da Constituição da República e do que ela garante.

O Distrito de Portalegre sofre da falta de emprego, porque as empresas foram empurradas pelas políticas nacionais, para o encerramento ou para a deslocalização. Foi-lhes imposto esse caminho não pela escassez de matérias-primas, pela inexistência de mão-de-obra qualificada ou de conhecimento existentes na zona. Foram encerradas ou expulsas porque os custos de aqui persistirem se tornavam insuportáveis: os factores de produção e de escoamento eram e são aqui, muitíssimo superiores aos que existem na tal faixa litoralizada.

E não, não é culpa dos alentejanos do norte, como não o é das populações que ainda resistem em todo o interior. As falhas de energia eléctrica, a inexistência de fibra óptica ou sequer de rede aceitável para as telecomunicações e a tele informática, a inexistência de vias rodoviárias eficazes e seguras ou a manutenção intocável das vias ferroviárias e material circulante do século XIX. A culpa deve ser assacada às políticas e aos interesses que, de novo, fizeram letra morta da Constituição.

Mesmo algumas das medidas com que fingiram estar empenhados em responder às nossas solicitações, aí estão, a provarem serem um embuste. Só dois exemplos: as vias rodoviárias e ferroviárias tantas vezes esgrimidas para enganar “os pacóvios”.

O distrito é tocado por duas auto-estradas, a A6 a Sul e a A23 a Norte. Quaisquer delas tocam o distrito porque não poderiam passar por outro lado: a primeira porque não era possível chegar a Badajoz sem tocar Elvas e a segunda porque no seu caminhar para Castelo Branco, Nisa e Gavião se lhes atravessaram no caminho.

Abrem-nos pontes com outras regiões? Não. São barreiras ao nosso desenvolvimento.

O que nos abriria pontes seriam um IP2 completo e sem estrangulamentos, o IC13 completo entre Beirã e Lisboa, a ponte, entre Nisa e Cedillho, ligações “decentes” entre a A6 e a A23 ligando Elvas/Portalegre/Nisa e ainda ligando Estremoz/Avis/Ponte de Sor/Abrantes.

No que respeita às vias ferroviárias pouco nos serve a linha Sines/Caia que a concretizar-se como está, só serve os interesses da Europa e, de novo, do Litoral.

O que é fundamental para o nosso distrito, é que a Linha do Leste seja eletrificada e modernizada, que o seu traçado seja rectificado de forma a trazer o comboio à capital do distrito e ponha fim aos estrangulamentos como o existente em Santa Eulália, que chegue ao CAIA e que as nossas mercadorias possam, por aí ser escoadas para toda a Europa.

Também aqui, o caminho é cumprir e fazer cumprir o que a Constituição consagra.

Que saibamos ver, para além das naturais diferenças ideológicas que afinal, as eleições do passado dia 24 tiveram vencedores e vencidos, bem diferentes do que “os média” se afadigam em mostrar-nos!

E, já agora, registemos a azáfama que vai pela nossa cidade. Finalmente “tudo mexe”. Vivam a eleições!

Diogo Júlio Serra

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Não Passarão!

 




E se Abril ficar distante
desta terra e deste povo
Nós temos força bastante
Prá fazer um Abril novo.

Os resultados eleitorais de ontem deixaram-me magoado e preocupado.

Frente ao televisor, bombardeado pela verborreia dos comentadores que se afadigavam a replicar a sua nefasta actuação nos últimos tempos e mais uma vez sem a presença da voz da candidatura que ao longo de centenas de horas ocultaram, deturparam e atacaram foi-me difícil resistir à reacção a quente e, por isso, quase sempre incorrecta.

Muitos amigos e companheiros não conseguiram resistir e aí estão a declararem-se envergonhados de serem alentejanos, a acusarem os seus/nossos amigos e vizinhos de traição às ideias, aos antepassados à nossa cultura e à nossa região.

Amplificam as mentiras e o ódio de quantos pensam ter chegado o momento para ocuparem o território e as nossas gentes com as políticas do ódio.

Vamos lá por os pontos nos is.

Quem se pode e deve envergonhar-se dos resultados eleitorais que na nossa região e quase na totalidade do país, reelegeram uma personalidade assumidamente de direita e colocaram em segundo lugar o megafone de quantos sonham com o regresso das ditaduras terroristas de capitalistas e agrários e semeiam o discurso do ódio e da divisão, são os que neles votaram e os que com as suas práticas tacticistas permitiram a eleição à primeira volta do representante da direita democrática.

Quem tem que se envergonhar (se tiverem vergonha) são os que trocaram o jornalismo pelo megafone, e a liberdade (a sua e a do país) por um qualquer cargo de manajeiro dos patrões, bem remunerado mas servil.

Eu, e muitos outros, a maioria dos que não desertámos, podemos e devemos sair à rua, já o fiz, de cara bem levantada.

Cara ao alto porque fiz o que tinha que ser feito. Porque com muitos outros, me empenhei esclarecimento possível, na divulgação das propostas, do candidato que apoio, no combate, sempre, pela liberdade e pelos direitos que a nossa Constituição garante.

Fiz ao longo da campanha eleitoral o que faço no dia a dia: lutar pelos direitos dos que aqui vivem e trabalham e tentei que juntos pudéssemos levar toda essa luta até ao voto.

Mas, sobretudo, cara ao alto porque hoje, amanhã e sempre cá estarei, cá estaremos, a combater as políticas xenófobas e do ódio, a exigir que o pós pandemia não seja tão letal como o vírus, a afirmar que a pandemia não se combate com o restringir das liberdade, que é fundamental valorizar o trabalho e os trabalhadores.

Cara ao alto porque aqui estamos a renovar a esperança e a confiança.

Envergonhados? Era o que faltava!

Aqui estamos orgulhosos e firmes na defesa do regime democrático e imunes aos profetas da desgraça e da divisão.

E, como diz a canção da resistência e um camarada hoje bem lembrou " cada fio de vontade são dois braços e cada braço uma alavanca.”

 

No pasarón!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

QUE NINGUÉM FIQUE PARA TRÁS!

 


Que ninguém fique para trás!

 

De novo com as liberdades “cassadas” enquanto crescem os números de doentes e mortes em Portugal e no mundo por acção de um vírus que, comidas as filhós e visionados os espectáculos do fogo preso, voltou mais robustecido.

Mais uma vez os governantes foram mais rápidos a cercear do que a garantir os nossos direitos constitucionais.

Iniciou-se um novo “sequestro” de pessoas e empresas enquanto no sector da saúde só as palmas e as palavras que o eleitoralismo impõe, chegam aos profissionais e aos serviços há muito exauridos de pessoal, meios materiais e organização e a necessitarem mais do que aplausos da coragem dos decisores.

O nosso território é nos dias de hoje a montra que nos mostra tudo o que de melhor e de pior se passa no país.

Aqui, como em todo o país, os trabalhadores e os serviços que garantem as primeiras linhas de combate à doença, continuam o combate diário para salvar vidas, a garantir-nos a produção e distribuição dos bens alimentares, a higienização e a limpeza, o ensino aos nossos filhos e a guarda e os cuidados aos nossos idosos, os que garantem a nossa segurança. Continuam a fazê-lo de forma abnegada, agora mais cansados e fragilizados pelas baixas que também a eles tem sido infligidas.

Fazem-no esquecendo as suas próprias dificuldades e problemas e fingindo acreditar que os meios humanos hão-de ser reforçados, que os meios matérias e o justo reconhecimento do seu labor (para além das palmas) também irão chegar.

No Norte Alentejano, como no país, alguns autarcas arregaçaram mangas e integraram-se no combate sem perdas de tempo ou discussões sobre o que eram ou não competências suas, mas também vimos os outros que mesmo cercados pelas dificuldades dos seus munícipes continuaram a assobiar para o lado ou, pior, a protegerem apenas a sua vaidade e os seus amigos.

Com o tecido produtivo a meio gás, com as micro-empresas, os empresários em nome individual e os trabalhadores por conta própria, que são a maioria dos empregadores, encerrados ou sem clientes e assim condenados a engrossarem a legião dos desempregados, a perda de rendimentos das famílias faz disparar o número de pedidos de apoio, nomeadamente de bens alimentares e faz emergir mais e maiores bolsas de pobreza.

O “xico-espertismo” também se fez notar. Desde logo pela mão dos que, quais aves de rapina, procuraram absorver a totalidade dos fundos e apoios disponibilizados a empresas e trabalhadores, se aproveitaram da situação pandémica para despedir todos os que por serem precários não lhes impediam a candidatura ao “subsidiozinho” apesar de saberem que, por serem precários, aqueles não teriam quaisquer apoios.

Também existiu o muito bom. Entre esses exemplos um sector que tem vindo a sofrer de grandes e injustas recriminações: as instituições que garantem a guarda e os cuidados dos nossos idosos, muitas delas locais de heroísmo.

O medo, a “injusta” situação de confinamento a que foram e estão sujeitos os seus utentes, a dor que as infecções e mortes verificadas e que continuam nos causavam e causam, levaram-nos mais vezes do que deveriam a desviarmos para eles as críticas e acusações que outros devem assumir. Por tudo isso, para quantos no distrito de Portalegre e nas outras regiões esquecidas (todo o interior) cuidam dos nossos idosos: direcções e todos os seus trabalhadores, uma palavra de enorme apreço. Tão forte quanto a acusação a quantos no governo e nas suas “sucursais” no território pretenderam fingir que não sabiam que os nossos lares não poderiam nunca aplicar, sem meios, os muitos planos de contingência que à distância foram rabiscando.

Fingiam e fingem não saber que enquanto mantiverem as formas de financiamento actuais (uma comparticipação fixa - e igual para todo o país- complementada com as pensões e reformas dos utentes) as instituições do interior com utentes que recebem pensões de miséria e familiares que recebem o salário mínimo, nunca sairão dos patamares da mera sobrevivência.

Agora, em que de novo é preciso o contributo de cada um para ajudar travar a doença e aliviar a brutal pressão sobre os estabelecimentos hospitalares, que saibamos todos resistir ao discurso do ódio, às pequenas vaidades que por vezes nos cegam e afirmemos a nossa condição de cidadãs e cidadãos solidários e actuantes.

Sim, e que não deixemos ninguém para trás!

 

Diogo J. Serra

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Do Grémio Planetário ao Grémio Transtagano

 


O Grémio Transtagano –uma instituição da cidade

Das diversas associações cívicas e culturais que ao longo do último século deram vida à cidade e ao concelho só a Sociedade Musical Euterpe, a Associação dos Bombeiros, a Associação Comercial, a Sociedade Musical Alegretense, a Cooperativa Operária e o Grémio Transtagano resistiram e, menos ainda, continuam com funcionamento regular uma vez que a Associação Comercial se encontra encerrada.

No passado dia 3 de Dezembro em Assembleia Geral, os meus companheiros do Grémio Transtagano concederam-me a honra de presidir a equipa que irá dirigi-lo no próximo mandato.

É uma honra, mas é também uma enorme responsabilidade. Não apenas por continuar a fazer caminho com uma instituição com mais de um século mas, sobretudo, para darmos continuidade ao lema que norteou todos quantos a dirigiram, desde os fundadores Capitão Nunes da Silva e Coronel Velez Caroço, ao último dos seus presidentes o Professor Doutor António Ventura: Defender a Cultura e os Direitos Humanos, servir Portalegre.

O Grémio Transtagano que nasceu em 1916 com o nome de Grémio Planetário assumiu-se desde o nascimento como uma associação Recreativa e Democrática, defensora da Cultura e dos Direitos humanos. O seu nome e a sua acção estão ligados ao nome de Portalegre e desde logo através de uma das suas primeiras iniciativas: a instalação na nossa cidade do Monumento aos Mortos da Grande Guerra e, cem anos depois, às cerimónias com que assinalámos o centenário do fim da Guerra.

Nos últimos tempos e após a sua revitalização em 2016 (quando se cumpria o seu centenário), o Grémio Transtagano organizou conferências, exposições documentais e bibliográficas e nos últimos meses procurou, na medida das suas possibilidades, ajudar as instituições de solidariedade no combate à pandemia que nos atinge.

Lembro com enorme emoção duas iniciativas realizadas na sua sede, na Rua Tenente Valadim. A exposição documental sobre Mouzinho da Silveira e a Conferência Integrada nas Comemorações do Centenário do Armistício que teve como Conferencistas o Professor Bentes Bravo (o monumento aos mortos da Grande guerra) e o Professor Doutor António Ventura (do Grémio Planetário ao Grémio Transtagano) que contou com a presença da Sra. Presidente da Câmara e do Sr. Presidente da Comissão de Evocação dos 100 anos da Grande Guerra.

A situação pandémica que nos atinge e a necessidade de a combater tem imposto dificuldades acrescidas à vivência regular das populações e à actividade das instituições. O Grémio como quaisquer outras associações tem que saber reinventar-se para continuar o caminho.

Assim vai ser no próximo mandato.

Já em 2021 o Grémio Transtagano comemora 100 anos com a “nova” designação e quer comemorá-los dignamente.

As conferências, os debates e as exposições desenvolver-se-ão utilizando os meios e as técnicas que minimizem os riscos e os impedimentos de contactos próximos e, quando o for possível, estimulando o contacto directo e fraterno entre portalegrenses. E como sempre, afirmando-se sem dependências ou intuitos que não sejam servir a cidade e a região.

Diogo Júlio Serra


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

GATO ESCALDADO...

 

GATO ESCALDADO…*

No passado dia 26 foi assinado na nossa cidade um protocolo de colaboração entre o nosso Município, o Instituto Politécnico de Portalegre e a Softinsa/IBM que, visa instalar no Bio Bip, um Laboratório especializado em soluções tecnológicas para as Cidades Inteligentes.

Como portalegrense (por opção) e como autarca empenhado no desenvolvimento do concelho e na melhoria das condições de vida e de trabalho de todos os portalegrenses, não deixei de reagir com agrado ao anúncio da implantação de uma importante unidade, não apenas pelos empregos a criar mas também por poder vir a transformar-se num importante factor de atracção e fixação de jovens estudantes e quadros técnicos.

Penso, que terá sido essa a reação da maioria dos portalegrenses que ainda acreditam no futuro do seu concelho. E no entanto…

No entanto, passados os primeiros momentos de euforia, não consigo deixar de recordar outros anúncios e outras unidades que, também eles se nos anunciavam como projectos de futuro e geradores de desenvolvimento e modernidade e, nunca passaram de expectativas ou que rapidamente se transformaram em enorme problema.

São campainhas que gritam GAMEINVEST - o nome da empresa de edição de jogos de computador, sedeada no antigo edifício/sede do Município e que havia mobilizado a cidade, incluindo as poupanças de alguns pequenos comerciantes locais.

Campainhas que teimam em trazer-nos à lembrança que, esta cidade que já foi capital industrial da região e viu encerrar a maioria das suas unidades industriais, vê agora multiplicarem-se, não as empresas industriais que necessita mas aquilo que nuestros hermanos intitulam de semillero de empresas e que, face à ausência de empresas ou são os semilleros ou são as semilhas que não são adequados para que a seara dê frutos.

Desta vez pode ser diferente digo-me! Quero agarrar-me a essa ideia, mas como alicerçar essa vontade?

Porque desta vez para além da Câmara Municipal estarão também uma multinacional e o nosso IPP. Pois…

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o empenhamento, a vontade e a seriedade de nenhum dos subscritores do protocolo e no entanto, por mais que o queira vem-me à memória as ilusões e as duras realidades que nos deixaram as decisões de multinacionais como a Johnson Control´s.

A alegria de ver nascer e os custos de ver morrer uma outra Semente, a Associação ICTVR - Centro Internacional de Tecnologias de Realidade Virtual, dita então (como agora) como um instrumento fundamental para nos garantir o futuro e que resultava também de uma parceria, entre o município e o politécnico (uma das suas escolas) que sabemo-lo, dolorosamente nem um nem outro conseguiram evitar.

Que a minha memória seja apenas e só memória. Que o Laboratório a instalar no Bio Bip atinja os objectivos anunciados e esperados. Que tal infra-estrutura seja um factor de atractividade de investimentos e quadros. Que Portalegre volte a ser um território de futuro e a nossa cultura operária seja entendida com recurso. Que deixemos de estar confinados face aos ventos de reindustrialização que parecem soprar por toda a Europa.

Mas como diz o ditado popular, gato escaldado de água fria tem medo!

Diogo Júlio Serra

* publicado no Jornal Alto Alentejo de 9-12-2020

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Quando o futebol e a política se cruzam...

 


Quando o futebol e a política se cruzam…*

Os amantes do “desporto- rei” facilmente recordarão casos de futebolistas que nos escalões juvenis se mostravam como jovens talentos a quem “todos” auguravam o estatuto de estrela e, depois, chegados a séniores não ultrapassavam a mediocridade ou simplesmente desapareciam.

Todos eles, também não terão dúvidas em apontar alguns nomes de “craques” com posturas que os nossos “hermanos” designam de “peseteros”.

Felizmente, reconhecemo-lo todos, a grande maioria são profissionais sérios e competentes e são muitos os que, apesar das obrigações profissionais, continuam com “amor à camisola”.

Na política, mais concretamente na política local (dentro de partidos tradicionais e dos agrupamentos que gostam de fingir que o não são) também é comum assistirmos a manifestações de igual teor. Também por cá temos vindo a assistir a manifestações de alguns que enquanto “jótinhas” se apresentavam como craques e, chegados a sénior, apesar de estarem permanentemente em “bicos de pés”, não conseguem ultrapassar a mediocridade. Igualmente, também aqui, se têm manifestado posturas “peseteras” com a mudança de clube ao sabor dos ventos e…das perspectivas “peseteras”.

Mas também no governo da Polis, a maioria mantém uma postura de enorme respeito pela “coisa pública” e entre esses, é numeroso o grupo dos que se continuam a jogar “por amor à camisola”.

É com estes últimos (existentes em todos os grupos políticos) que os portalegrenses contam para que consigamos ultrapassar a gravíssima situação sanitária que vivemos, os seus nefastos resultados e a crise social que já se vislumbra e que tenderá a prolongar-se, mesmo depois de ultrapassada a pandemia actual.

Importa pois que, estes “jogadores“ verdadeiramente empenhados na governança deste território, com visões táticas diversificadas, consigam concordar na estratégia necessária ao futuro da cidade e do concelho. E que neste “jogo da vida” mesmo jogado sem público nos estádios possam ser apoiados por cada portalegrense.

No momento que escrevo (sábado) a informação disponível diz-nos que num distrito com 357  infectados covid, activos, 163 são conterrâneos nossos e que o nosso Hospital Distrital atingiu a ocupação total de camas covid, apetrechadas com ventilador para combater os casos mais graves. Que os trabalhadores da saúde, estão esgotados e alguns deles também infectados. Que não estamos a conseguir salvaguardar os nossos idosos, institucionalizados ou não. Que o desemprego cresce e com ele, a pobreza que entrou já em muitos lares.

E todavia, continuamos a ver quem por desconhecimento ou má formação persiste em pôr-se como centro do mundo, não acatando as orientações das autoridades de saúde, persistindo nas festarolas e nas “tampinhas de Whisky” infectando-se e infectando outros, incluindo cuidadores e técnicos de saúde, e contribuindo assim, para o encerramento de locais de trabalho, instituições de apoio a idosos e a crianças e serviços hospitalares.

Mas é, ainda, um tempo de esperança. O país e a região foram/serão dotados de meios financeiros avultadíssimos que poderão, assim os homens o queiram, ajudar na minimização das dificuldades actuais e no investimento necessário a projetar-nos para patamares diferentes daqueles,  onde as politicas centralistas dos governos centrais e a cegueira politica de diversos actores locais nos impuseram.

A nossa cidade e concelho podem (e devem) agora aproveitar este envelope financeiro e os ventos de reindustrialização que percorrem a Europa, para voltarem a ser a Capital Industrial que já fomos e que a nossa cultura industrial poderá potenciar.

Não nos percamos na “baixa política”, arregacemos as mangas e façamos da unidade na acção a força que a densidade populacional nos nega.

  Haverá um tempo para assacar responsabilidades pelo que cada um fez, ou não fez, mas o tempo, hoje, é de ganhar esta batalha.

Diogo Júlio Serra

*publicado no Jornal do Alto Alentejo de 18-11-2020