quarta-feira, 27 de agosto de 2025
quarta-feira, 23 de julho de 2025
Vemos, ouvimos e lemos…e ainda assim, ignoramos?
Aos nossos olhos passam diariamente imagens de
assassinatos de milhares de civis, na sua esmagadora maioria mulheres e
crianças, em Gaza e na Cisjordânia, ocupadas.
A barbárie desenvolvida pelo estado terrorista
de Israel, com a cumplicidade ativa dos estados Unidos e da União Europeia,
assassinou na faixa de Gaza, desde 7 de outubro de 2023, mais de 50 mil
palestinianos dos quais mais de 17 mil são crianças.
É uma brutal realidade que diariamente nos
entra pela “casa dentro” trazida por imagens recolhidas pelos diferentes meios
de comunicação social da mesma maneira que nos chegam as mais pérfidas
manifestações de insensibilidade e hipocrisia dos governantes do nosso país, da
União Europeia e da maioria dos países que a integram.
Sim, há excepções mas essas só confirmam a
regra. E sim, também entre alguns de nós, entre a maioria esmagadora que pede o
fim do genocídio e uma intervenção pela paz, alguns persistem em fingir que não
sabem, não ouvem, não veem o genocídio que decorre à nossa porta ou, ainda
pior, valorizam de forma diferente as mortes e os assassínios mediante a sua
proximidade aos criminosos e a religião, nacionalidade ou cor da pele das vítimas.
Em Portugal e na União Europeia onde nos
integramos, apesar das evidências que já ninguém consegue ignorar e que se
consubstanciam na destruição de Gaza, na proliferação de colonatos à custa da
expulsão dos palestinianos e no genocídio de todo um povo, o governo português
e a direita que o suporta, continuam entrincheirados na defesa incondicional
dos criminosos e nas acções de propaganda das suas mentiras.
No caso português essa intenção está presente
todos os dias, no branqueamento do genocídio e dos genocidas, assumido pela
comunicação social que controlam e pela acção dos papagaios, pagos, que
diariamente nos entram pela casa dentro, pelo silêncio cúmplice que assumem na
U.E no apoio prestado ao Governo terrorista de Israel e que ficou ainda mais
claro, no passado dia 12, no Parlamento, com toda a direita, desde os
extremistas do ventura aos eleitos pelo partido socialistas, estes a darem o
aval com uma posição de abstenção, a impedirem, mais uma vez, o reconhecimento
do Estado da Palestina.
Já no que respeita à União Europeia a situação
é ainda mais hipócrita. Ao mesmo tempo que os seus dirigentes enchem a boca com
a defesa dos direitos humanos e a legislação com sanções aos russos, a Cuba ou
a quem não é amigo do Tio Sam, mantêm o Acordo de Associação com Israel e
persistem na venda de armas ao regime terrorista instalado em Tel Avive.
Há algumas diferenças, é verdade. O governo de
Espanha, por exemplo, talvez por ser dirigido por um socialista, tem vindo a
exigir da UE, quer o reconhecimento da Palestina, quer o fim do comércio
(particularmente de armas) com Israel mas as exceções não podem branquear a
hipocrisia da Sra. Ursula Von der Leyen do Sr. Costa e dos seus seguidores.
É que não será possível por muito mais tempo
impor sanções à Federação Russa, já vão na 19ª, por estar em guerra com a
Ucrânia e continuar a vender armas a Israel que este usa para assassinar
crianças na Palestina;
Não será possível por muito mais tempo impedir
os europeus de ter acesso às televisões da Federação Russa e propagandear na
europa as teorias sionistas.
Não será possível por muito mais tempo, não
permitir a participação de artistas, cantores e desportistas nos eventos
ocorridos no chamado ocidente e chamar a televisão e os clubes israelitas a
integrarem como se de europeus se tratassem o Festival Europeu da Canção ou os
torneios desportivos europeus.
E, sobretudo, não lhes será possível por muito
mais tempo, portugueses e europeus, condenarem à fome os seus próprios povos
para alimentarem a guerra e os genocídios.
A rua impô-lo-á!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 3 de julho de 2025
Fazer Guerra à Guerra,
Sempre. Pela Paz!
Quatro décadas após a entrada na actual União Europeia, o país está bem
longe do Portugal saído da revolução dos cravos e nos antípodas do sonho que o
25 de Abril nos trouxe.
Podemos mesmo afirmar que está (quase) cumprido o projecto dos que nos
arrastaram para essa aventura. A “Europa com eles “ travou o sonho, impôs a
regressão no plano interno e arrastou-nos inexoravelmente para novos e
perigosos confrontos militares.
Acredito que estejam onde estiveram, se sentirão realizados. Tanto ou
mais que os nascidos em democracia por falta de informação ou pela informação
manipulada, confundem coveiros com progenitores da democracia que ainda
resiste.
O Movimento revolucionário foi travado. Os do costume recuperaram no
plano interno todo o poder e os lucros que haviam perdido e no plano externo
voltaram a amarrar Portugal aos seus mesquinhos interesses.
Apenas dois exemplos:
1. No país a repartição da riqueza produzida que
em 1975 era claramente favorável aos trabalhadores (59,98 % para o trabalho e
40,02 para o capital) voltou a níveis piores que em 1973 com os actuais 63,7%
para o Capital e 36,3% para o Trabalho. Nesse ultimo ano de salazarismo a taxa
de distribuição da riqueza produzida era de 60% para o capital e 40% para o
factor trabalho.
2. Perdemos parte significativa da nossa
independência e voltamos a ser arrastados para guerras que não são nossas. O
grande capital nacional e internacional directamente ou através dos seus
avençados preparam o acerto de contas com o 25 de Abril e com o sonho de
independência, económica, politica e militar que os capitães de Abril e a
aliança Povo/MFA manifestaram e conseguiram impôr.
Pior que isto, que já é suficiente mau, estamos agora prisioneiros dos
beneficiários da(s) traição(ões) de quantos por ditames de classe, por vaidade,
ou por ingenuidade traíram-se a si próprios, aos seus camaradas e ao povo a
quem juraram servir e desarmados, até politicamente, face ao proliferar de comentadeiros e megafones pagos,
disfarçados ou não de jornalistas.
É essa a situação actual de Portugal e dos portugueses num contexto
internacional em que o direito internacional foi assassinado, com os poderosos
a semearem a sua “autoridade” através de assassínios selectivos, a estimularem
ou permitirem o genocídio do povo palestiniano às mãos dos sionistas e com
todos os avençados disfarçados de jornalistas a criarem as condições que lhes
permitam iniciar a terceira possivelmente a última confrontação mundial.
Enquanto a ONU (ela própria há muito desarmada e desautorizada) se
cansou de olhar para o lado ao ver os seus próprios elementos a serem
chacinados em Gaza e nos restantes territórios Palestinianos Ocupados, procura
alertar-nos para a necessidade de parar, é a União Europeia, esse clube para
onde nos arrastaram há 40 anos a propor-nos o caminho do rearmamento e da
guerra.
Cá dentro os do costume chamem-se Mários, Barrosos ou Costas, procuram
aliciar-nos com novas versões de “ a Europa Connosco” como se nós todos (eles
também) não soubéssemos que os donos desta União dita Europeia não procuram
sócios mas sim servos!
Que tenhamos a força suficiente para os travar!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 12 de junho de 2025
Entre Abril (25) e Maio (28) é preciso optar e decidir!
Entre Abril (25) e Maio (28) é preciso optar e decidir!
"Lambidas as feridas" e contabilizados os danos impostos pelo vendaval direitola que varreu o país, foi tempo de acomodar a informação vinda do então Primeiro-ministro indigitado e dos quartéis-generais dos partidos maioritários na Assembleia da República.
Foi interessante constatar as movimentações dos diferentes partidos, na sua maioria, muito mais interessados na distribuição dos lugares a preencher na Assembleia da República e no governo a constituir do que, no ataque necessário aos muitos problemas que afectam os portugueses e alguns deles, independentemente da força real que lhes foi atribuída, já colocando todas as fichas no acerto de contas com Abril.
Agora, no momento em que escrevo o presente texto, já com o governo empossado, conhecidos os ministérios e os seus titulares, ouvidas as intenções do governo e as posições dos diferentes partidos políticos é possível constatar que, para a esquerda social e política, as piores perspectivas faziam sentido.
Na semana da tomada de posse do “novo governo velho”, dos discursos proferidos e dos anúncios avançados pelos diferentes partidos com assento parlamentar, o país pode constatar que a diferença existente entre o governo agora empossado e o que o antecedeu é tão só na rapidez e no tom.
Este governo 2, de Montenegro, vai agir mais rápido e mais fundo contra as principais conquistas de Abril, embora disfarçando essa intenção chamando-lhe "guerra à burocracia" e ao despesismo e sob a ”bandeira” tão querida ao capital - é fundamental primeiro criar riqueza para depois se poder dividir".
Aqui nada de novo! Sempre foi esta a bandeira e a acção do grande capital e das políticas ao seu serviço. Soubemos agora que, os maiores bancos portugueses tiveram lucros (alguém criou riqueza) de milhões de euros por dia e já começaram a distribuir...pelos acionistas. O mesmíssimo sucedeu com os grandes grupos económicos. A Jerónimo Martins, a Sonae a EDP... registaram lucros de muitos milhões que já começaram a dividir...pelos acionistas.
Mas o vendaval de direita entrou também pelo interior de partidos que gostam de se auto-intitular de esquerda e aí temos o Partido Socialista a procurar limpar-se de quaisquer "pequenas nódoas de esquerda” e a anunciar as virtudes da estabilidade da direita política e social e em seu nome, a garantir o regresso aos caminhos do centrão da política e dos negócios.
Tudo isto quando nos bate à porta novo acto eleitoral, desta vez para as autarquias.
Estas muito mais próximas dos cidadãos e onde, regiões como a nossa, não são obrigadas a pagar muito mais caro que noutras regiões o custo de cada um dos seus eleitos.
Aqui, no Alto Alentejo, começam a conhecer-se as candidaturas de cada força política e os candidatos que podemos escolher. Ainda esta semana a actual Presidente da Câmara Municipal do concelho, capital do distrito anunciou a sua candidatura à reeleição num tempo em que, nenhuma outra força deu esse passo. Nas outras cidades do Alto Alentejo também já são conhecidos alguns candidatos, particularmente das forças políticas ou movimentos que detém a presidência. Em Elvas, Rondão de Almeida anunciou a sua candidatura pelo Movimento de Cidadãos “PS B” conhecendo-se igualmente os candidatos do PS A , da coligação CDS/PSD e da força politica maioritariamente votada no concelho.
Em Ponte de Sôr, o Partido Socialista anunciou a candidatura de Rogério Alves, actual vice-Presidente, tendo a coligação PSD/CDS anunciado a sua candidatura.
A partir de agora, diariamente saberemos mais e mais candidatos, das forças que tradicionalmente concorrem e, previsivelmente das que emergiram nos últimos tempos.
Dúvidas, apenas da forma como foram geridas as autarquias e da avaliação que os eleitores farão dessa gestão.
Os resultados mostrar-nos-ão se o Poder Local Democrático copiou os defeitos do Poder Central ou, pelo contrário, não deixou espaço para o populismo anti-democrático marcar presença.
As urnas esclarecer-nos-ão!
quinta-feira, 29 de maio de 2025
Há sempre alguém que semeia canções no vento que passa...
"Mas há sempre uma
candeia dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia canções no vento que
passa"
As eleições que Luís Montenegro
impôs ao país resultaram num vendaval imenso que varreu as posições socialistas
e provocou rombos enormes nos partido à sua esquerda: o PCP perdeu um quarto da
sua representação parlamentar, o BE perdeu dois terços e o grupo parlamentar. O
Partido Socialista perdeu mais de 400 mil votos e 20 deputados e passou de
segunda a terceira força política com assento parlamentar.
A esquerda parlamentar sofreu uma
enorme derrota. Uma derrota com consequências imediatas como provou a demissão,
em direto, do Secretário-geral do Partido Socialista.
A estratégia do Primeiro-ministro
não lhe permitiu esconder as trapalhadas para as quais arrastou o seu governo e
o país , mas acabou por resultar num reforço parlamentar da aliança que apoia o
seu governo.
Não foi tudo favorável para o
primeiro ministro. O 18 de maio trouxe-lhe alguns dissabores e muitas preocupações:
continua a não dispor da tal maioria maior que reivindicou e viu ascender à
segunda posição no parlamento, a extrema direita não democrática, que pretende
substitui-lo e à sua maioria, apostando no discurso do ódio e na mentira
O nosso distrito não ficou imune
ao tornado que varreu o país. Também aqui o extremismo não democrático,
convenceu o eleitorado que o transformou em força política maioritária do Alto
Alentejo, elegendo um dos dois deputados em disputa e assumindo-se como
vencedor em 7 dos 15 concelhos do distrito.
São factos que por demais
perturbadores ou perigosos não podem ser escamoteados ou desvalorizados. É
fundamental que os partidos políticos do arco constitucional assumam a derrota
sofrida e procurem encontrar as razões para o sucedido e em particular para o
crescimento desabrido do radicalismo não democrático, mas também, as suas
próprias culpas.
A análise que urge fazer não pode
ser encarada como se cada partido político fosse uma equipa de futebol e os
seus responsáveis meros tiffosi de bancada. Se a estes é permitido
encontrar sempre no outro, no arbitro, no anti desportivismo do adversário ou na
qualidade do relvado a justificação para a derrota, aos partidos políticos e
aos seus responsáveis tal não pode ser admitido mesmo sabendo que há muito de verdade,
também na ação política, nos comportamentos desleais de quem devia garantir a
igualdade de tratamento...
É consensual a ideia de que esta
"viragem à direita e a subida dos seus mais radicais" não é um caso
português, como igualmente o é a afirmação que os mesmos grupos e interesses
que alimentam o crescimento da extrema-direita política e os arruaceiros
fascistas pelo mundo fora são os mesmos que estimulam, apoiam e alimentam esses
agrupamentos em Portugal.
Mas se análise ficar por aqui não
só é poucochinho como impedirá que possamos ultrapassar o problema.
A ascensão da direita e
particularmente da extrema direita trauliteira não é uma fatalidade. É uma
consequência! É-o em qualquer parte do mundo. É-o igualmente no nosso país, na
nossa região, na nossa terra.
A subida eleitoral do extremismo
não democrático é a consequência da ganância de uns poucos e dos partidos que
lhe dão "colinho". Hoje mesmo a comunicação social anunciava
que os cinco maiores bancos "portugueses" tiveram nos primeiros meses
de 2025 um lucro de 13 milhões de euros por dia, num tempo e num país onde a
esmagadora maioria da população não tem capacidade para arrendar casa ou não
consegue pagar ao banco a renda a que se obrigou a pagar.
É a consequência, como escreveu
um querido amigo e militar de Abril, da arrogância, cegueira, surdez e
totalitarismo dos DDT e é também consequência da nossa incapacidade, em
particular dos que construíram e defendem o 25 de Abril e o regime que ele
consagra, em constatar as mudanças e agir em conformidade.
E, não vale "chamar nomes
feios" aos alunos. O que é
preciso é percebermos (professores e
educadores) as razões que os estão a impedir de aprenderem...e mudar. Não o
programa, mas os métodos de ensino...
Talvez, ainda haja tempo!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 15 de maio de 2025
Apagões!
Apagões!
A última semana de Março foi marcada pelo apagão que durante mais de 8 horas levou os portugueses a recordarem ou descobrirem que há formas diferentes de (com) viver sem dependermos dos telemóveis e da televisão… Levaram-nos também a descobrir as imensas fragilidades que as dependências nos impõem acrescidas pela impreparação e mesmo incompetência que o estado português deu provas durante as horas que durou este apagão.
Mas este não foi, a meu ver, o pior apagão com que tivemos (temos) que lidar. O apagão de consciência, civismo e humanidade que é como o da electricidade, fruto da cegueira dos homens, tem tido ainda maiores e drásticas consequências.
Falo-vos de mortandades e em particular do genocídio dos palestinianos às mãos dos sionistas que comandam o estado terrorista de Israel, executado à vista de todos e com a maioria a fingir que não vê nem sabe.
Portugal (o estado português) é também aqui de uma leviandade aflitiva. Persiste em não reconhecer o Estado Palestiniano e aceita, neste caso, que o ocupante tenha em Portugal, voz e tempo de antena. Aceita e procura branquear o genocídio e assobia para o lado perante a arrogância do Sr.Benjamin Netanyahu condenado por crimes de guerra e os representantes do seu governo em Portugal: desde o inicio do ano o embaixador Oren Rozenblat e antes o Sr Don Shafira que conhecemos no nosso distrito em visitas a Castelo de Vide.
Escrevo o presente texto quando comemoramos o Dia da Mãe. Um dia em que todos gostamos (e bem) de exortar e glorificar o papel das nossas mães.
Na televisão passa a noticia da iniciativa tomada por algumas mães na rua de Santa Catarina, no Porto, para chamarem a atenção para o assassínio de muitos milhares de palestinianos na sua grande maioria mulheres e crianças e aqui em casa, os meus netos entregam á mãe a prenda que construíram na escola e que lhe é destinada. Será assim na maioria das casas portuguesas. Pergunto-me! Será que as nossas mães, os nossos pais e os nossos filhos, todos nós, teremos a mais pequena noção do sofrimento das mulheres da Palestina, mães a quem diariamente roubam os filhos, a esperança e a vida?
Não se pode fazer nada dizem-me alguns e o mesmo dizem os governantes portugueses e da União Europeia ou dizem outros, face à situação imposta aos Palestinianos em Gaza ou na Cisjordânia é inútil tudo o que possamos fazer!
É mais uma hipocrisia!
No que respeita ao estado Português e ao seu governo pode (já devia ter acontecido) reconhecer o Estado da Palestina ao invés de ficar amarrado à decisão do directório da União Europeia. Quanto a esta, conforme a proposta apresentada por diferentes deputados do parlamento europeu, o mínimo que se lhe exige é denunciar o acordo de comércio livre com Israel, que permite a este, isenções aduaneiras para os seus produtos e a estipular sanções económicas e politicas contra o agressor, como faz por exemplo para a Federação Russa.
Não o fazendo, continuando a branquear os crimes e a canina vassalagem ao sionismo e aos senhores da guerra U.E, e o estado Português são cúmplices e apoiantes dos criminosos, têm as mãos e o coração manchados pelo sangue das crianças e das mães de Gaza.
E, tudo o que façamos para denunciar o crime e exigir que parem a matança não é acertado e útil, pois como o meu camarada João Oliveira titula o seu artigo no avante e eu concordo: Gaza – inútil é a inacção!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Março, marçagão
Manhãs de Inverno, tardes de verão!
Este ano o adágio popular com
que titulo este texto não acertou. Manhãs e tardes de Março foram quase sempre
de inverno rigoroso.
Todavia o passado mês foi tempo
de comemorações: 50º aniversário da
derrota do 7 de Março em Setúbal (tentativa dos nostálgicos do fascismo
anteciparem o 11 de Março) ; 50º aniversário da intentona spinolistas de abater
pela força armada o 25 de Abril e a sua derrota pelo aliança Povo/MFA ; Cinquentenário
da publicação das leis das nacionalizações e da Reforma Agrária que significou
um passo em frente da Revolução face à derrota do push militar tentado pelos
spinolistas.
A estas efemérides juntou-se,
como sucede em cada março, o aniversário do PCP, o 104º aniversário do partido
politico que pela sua acção ininterrupta alcançou o direito de ser (re)
conhecido tão só por O Partido.
Mas o Março deste ano trouxe-nos
mais uma prenda. Oferta do Primeiro-ministro (quem diria…) que optou por
mergulhar o país em mais uma crise para não nos explicar a “trapalhada” em que
se meteu e para a qual arrastou todo o governo. Abriu-nos assim a possibilidade
real de inverter o caminho para onde a vontade de uns poucos persiste em
atirar-nos em marcha acelerada: para o empobrecimento dos trabalhadores e do
país face às políticas de rapina a favor dos “poderosos” e mais recentemente o
empurrar-nos para uma guerra que até poderá ser a última.
Até agora o custo que nos foi
exigido pelas loucuras belicistas do centrão da subserviência e dos interesses
que alterna a presença no poder foi-o pelo aumento brutal dos preços, pelo
emagrecimento dos direitos sociais, pelo afastamento dos direitos
constitucionais à saúde e à habitação, mas a loucura está em crescendo e
preparam-se já para subirem a parada e fazerem pagar, aos mesmos, agora com o
sangue e a vida dos nossos filhos e netos.
É a possibilidade real de travar
esta loucura e fazer o país regressar aos caminhos que a Constituição de Abril
consagra, que a crise politica que Março nos trouxe como presente e que não
podemos desaproveitar.
As eleições já agendadas para
dia 18 de Maio são a possibilidade real de retirar espaço de manobra aos
saudosistas do nazi-fascismo e de opormos à vontade da direita política e ao
Centrão dos interesses e das negociatas, a Constituição de Abril e a obrigação
que ela nos coloca de a defender e aplicar.
No nosso território começam a
ser conhecidas as personalidades candidatas enquanto as forças
político-partidárias se afadigam na procura de “argumentário” capaz de nos
convencer e algumas delas, as do costume, persistem em consumir-se em
trapalhadas, casos e casinhos que vão do uso abusivo de siglas, ao uso e abuso
da utilização dos chamados paraquedistas, do total desrespeito pelas decisões
das suas estruturas regionais ou, da dificuldade em convencer-nos que vão agora
fazer o que sempre nos negaram.
Ou seja, o dito normal que nos
trouxe até aqui. Importa (também por isso) que saibamos aproveitar a
oportunidade para nos afirmarmos como território que tem direitos e capacidades
que importa serem respeitados.
Importa, é fundamental, que não
nos deixemos prender pela paixão tipo clubista, que não esqueçamos as práticas
de cada candidatura e dos seus eleitos.
Impõe-se que em vez de nos
alhearmos da decisão ou de persistir em curar a ferida com a arma que a fez,
sejamos capazes de pedir responsabilidades a quem, mesmo dizendo o contrário,
nos tem vindo a roubar o sonho e a impedir-nos o futuro.
É a hora. Assumamo-lo!
Diogo Júlio Serra





