REALIDADE VERSUS FICÇÃO
domingo, 10 de setembro de 2023
domingo, 23 de julho de 2023
Falar de
Turismo em tempos de férias!
Em época estival e numa das
“Catedrais do turismo de “Sun and Sea“
despeço-me do caminhar que ao longo dos últimos cinco anos percorri com outos
companheiros na Direção do Turismo Regional.
Ao longo desse tempo procurei dar
o meu modesto contributo para conseguirmos que o sector atingisse os patamares
de excelência por todos reconhecidos e que destaca a indústria turística, em
crescimento sustentado, como o maior contribuinte para o PIB regional colocando-o
este ano, números dos primeiros quatro meses, a superar em mais de 40% as
receitas registadas em 2019, o melhor ano do turismo Regional antes da
pandemia.
A partir de 19 de Julho uma nova
equipa com “Nova Ambição” dirige a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e
Ribatejo e pela sua composição e competência dos seus membros garante que os
próximos cinco anos serão de consolidação e crescimento da atividade turística
no Alentejo e no Ribatejo.
A equipa liderada por José Santos
e Pedro Beato e que inclui a “nossa” São Grilo, diretora da Escola de Turismo e
Hotelaria de Portalegre, contém a " genica”,
a competência e a experiência que garantem mais cinco anos de êxitos e
justificam a esmagadora maioria dos votos que a assembleia eleitoral lhe
conferiu. Assembleia que inclui os representantes das autarquias das empresas e
trabalhadores do sector.
Entretanto também no nosso
distrito e cidade a época é de intensa actividade turística e cultural.
Por todo o distrito sucedem-se os
festivais, as feiras, as exposições e os congressos visando atrair e fixar
visitantes nacionais e estrangeiros e colocar o distrito no roteiro dos
festivaleiros atraídos pelos nomes sonantes incluídos nos cartazes anunciados.
De Alter do Chão a Sousel
multiplicam-se os eventos e estimula-se a atractividade de novas gentes para os
seus territórios:
Em alter do Chão com o Horse
Summit, em Arronches com a FAE – Feira das Actividades Económicas, em Avis com
a Feira Franca. Em Campo Maior reedita-se a Festa das Flores, em Castelo de
Vide inaugurou-se a Casa da Inquisição e no Crato está anunciada a nova edição
do seu conceituado Festival.
Em Elvas a aposta principal foi
no Festival Medieval, enquanto Fronteira aposta no Todo o Terreno e Gavião tem
em Belver e no seu castelo pontos fortes na atração de turistas.
Monforte mostra-nos o seu belíssimo
património religioso enquanto Marvão volta a proporcionar-nos momentos sublimes
com o seu Festival Internacional de Música e Nisa usa o Tejo, os bordados e a
olaria pedrada para nos deslumbrar.
Ponte de Sor presenteou-nos com
as Festas da cidade e uma sua freguesia, Galveias, prepara-se para inaugurar o
Centro de Interpretação José Luís Peixoto e a Rota Literária Galveias enquanto
Sousel aposta no título de Capital do Borrego para garantir pela gastronomia os
trunfos que necessita.
Portalegre cidade e concelho
acompanham o distrito nesta intensa actividade turística-cultural. Foram as
Festas da Cidade, as inúmeras e importantes exposições no Museu da Tapeçaria e
nas Galerias de S. Sebastião e Sta Clara e foram-no, igualmente, os diversos
debates e conferências organizadas por diferentes entidades a que importa
juntar os passos dados na organização de um Roteiro Turístico concelhio.
Mas toda essa intensa actividade
não consegue esbater o desperdício que teima em manter.
Falo-vos do Núcleo Museológico da
S. Francisco que se mantem teimosamente encerrado e do Espaço Robinson, uma joia
no meio da cidade e que, ao que parece, já nem para as garraiadas serve; estas
aburguesaram-se e passaram-se para a zona do mercado municipal.
Num tempo em que a Industria do
Turismo “descobriu” o Turismo Industrial desperdiçar uma marca que incorpora a
cultura industrial da cidade capital industrial do Alentejo, uma fábrica
corticeira do século XIX ainda intacta e pronta a funcionar e uma outra que nos
podia contar a história da Industria “laneira”
em Portalegre é, mais que uma profunda insensibilidade, um quase crime.
Que saibamos inverter a marcha é,
mais que um desejo uma necessidade.
Diogo Júlio Serra
quarta-feira, 5 de julho de 2023
Tal tás Alentejo?
Tal Tás Alentejo?
O movimento cívico que se propôs
dar voz aos alentejanos tem em curso um conjunto de incitativas que sob o Lema
Tal Tás Alentejo? Pretende discutir a situação em que continuamos “afundados”
apesar dos significativos montantes que aqui têm sido “despejados”.
Esta iniciativa irá levar a cada
uma das quatro sub-regiões: Alentejo Central; Alentejo Litoral, Alto Alentejo e
Baixo Alentejo a análise destas e de outras situações, com que nos debatemos,
procurando que em cada uma dessas sub-regiões o debate, a análise e a procura
de soluções envolva os atores locais e se centre nas temáticas que aí se fazem
sentir.
O arranque do Tal Tás Alentejo?
Ocorreu no Litoral no passado dia 22 de Junho em Santiago do Cacém e o próximo
ocorrerá no Alto Alentejo.
Aqui, com um qualificado painel
de oradores, procuraremos identificar quais as causas que de forma continua e
acentuada nos provocam a enorme perda de população sofrida em toda a região
apesar dos investimentos realizados na região e do elevado montante de dinheiro
disponibilizado pelos fundos comunitários. De referir que só no Portugal 2020 o
Alentejo tinha disponíveis um total de 1.083 milhões de euros.
Na sub-região que mais população
perdeu (entre 1950 e 2021 a perda foi superior a 47% dos residentes), o debate centrar-se-á
nos desafios que a demografia nos coloca.
Integro, como é conhecido, o
grupo fundador de AMALENTEJO e estarei, como moderador, no debate anunciado e, também
por isso não deixarei de colocar-vos a ideia que defendo desde há muito de que
não será, não pode ser, atribuindo pequeninos prémios aos pais que se
estimulará o aumento dos nascimentos e muito menos, que será essa a via capaz
de travar e inverter a tendência de acelerada diminuição e envelhecimento da
nossa população.
O cheque/oferta que algumas
autarquias têm vindo a atribuir aos recém-nascidos é não apenas insuficiente
como totalmente ineficaz. O que pode e deve estimular os nascimentos são as políticas
nacionais de estímulo ao emprego digno, o aumento dos salários, o fim da
precariedade a que são submetidos os trabalhadores e em particular os jovens
trabalhadores.
Igualmente me integro entre os
que defendem que a criação das regiões administrativas, tal qual a Constituição
da República Portuguesa as consagra, permitiria à Região desenhar e aplicar
políticas capazes de contribuírem para a fixação e atração de pessoas e em
particular dos milhares de jovens aqui formados.
Independentemente de quantos estivermos
presentes nos diferentes debates que se irão desenvolver por toda a Região e
particularmente no que irá decorrer no Instituto Politécnico de Portalegre o
que importa é que estes consigam mobilizar-nos para a procura de soluções e
para a determinação de lutar por elas.
Porque é o amor ao Alentejo que
nos une e motiva. Continuemos o caminho!
Diogo Júlio Serra
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Entre a realidade vivida e a realidade “fabricada”!
Entre a realidade vivida e a realidade “fabricada”!
Os casos e casinhos que preenchem
a atenção dos nossos “media” são tão
só um novo instrumento para nos distrair dos verdadeiros problemas que nos
afectam.
A sucessão de casos e debates em
torno deles tem como objectivo descentrar a discussão dos conteúdos políticos e
alimentar a ladainha do “são todos iguais” e as agendas reaccionárias que aí
estão.
Nos últimos dias a somar à
realidade mediática marcada pelos grandes meios também a comunicação social
regional tem tentado manter na agenda, a partir de declarações proferidas pelo
presidente da CCDRA, o perigo “dos atrasos nas obras de diversos equipamentos
de saúde” e das preocupações sobre a perda de parte significativa dos fundos
alocados para tais construções e na procura de culpados para essas situações. E
tudo “contado” como se o que estivesse em causa não fosse a incompetência ou
desleixo do poder central no garantir de tais tarefas.
O mesmo e com a mesma fonte, o
que se refere à situação “vergonhosa” como é tratada a nossa região no que
respeita às acessibilidades.
De novo a realidade mediática a
tentar fazer-nos acreditar que o Poder Central, responsável pela situação para
onde nos atiraram, vai agora “presentear-nos” com as acessibilidades
ferroviárias que nos “roubou”, com as rodovias que nos são necessárias mas não
construiu e com o tratamento politico que sempre nos negou.
Pela voz do Presidente da CCDRA
sistematicamente ampliada e repetida pela comunicação social local, ficámos a
saber do esforço “enorme” que a CCDRA vem fazendo para trazer o caminho de
ferro à cidade ou para que a Linha do Leste não continue parada “no tempo dos comboios
a vapor”. E até, pasme-se, o que de bom tem para nós, no caso para os
portalegrenses, termos sido brindados com mais uma rotunda, não para nos
impedir de morrer no entroncamento “ilegal” do IP2 na entrada sul da cidade
mas, na estrada que nos liga a Arronches, a 200 metros do outro que já lá
existia mas agora, destinado a levar-nos para a nova escola da GNR.
Que a tal estação só chegue à
cidade lá para 2030, data em que se prevê a linha do leste ficar toda electrificada,
ou que Portalegre “ganhou” uma rotunda (200 mil euros) pelas mesmíssimas politicas
que outros (Campo Maior p.ex) “ganharam novas áreas de parqueamento industrial,
(15 milhões de euros).
Que a descoberta da necessidade
de aproximação da ferrovia à cidade é uma reivindicação antiga, que dos milhões
do PRR só se prevê que aqui possam chegar migalhas ou que os que agora fazem
tais anúncios são os mesmíssimos que têm impedido ou esquecido as nossas (do
território) reivindicações, são verdades que não estão “na agenda”.
Casos, casinhos e a ampla
“animação” mediática procuram esconder as manobras de chantagem sobre os
municípios relativamente à linha de desresponsabilização do Estado por via
chamada descentralização de competências e, também, a inércia e desinteresse em
garantir no território a mobilidade drasticamente reduzida e que foi imposta
por vários meses de estradas cortadas e pontes destruídas pelo mau tempo de
Dezembro último.
As infra-estruturas, quer pelo
seu valor intrínseco, quer pelo contributo que podem dar para o desenvolvimento
das regiões, são determinantes se inseridas numa política de desenvolvimento
integrado e sustentado, que partindo do aproveitamento dos recursos existentes,
os potenciem, os afirmem e contribuam para combater as assimetrias e as
desigualdades. A mobilidade em melhores condições é um anseio e aspiração das
populações e uma condição indispensável para a actividade económica.
O transporte de passageiros e mercadorias,
além de depender do nível dos serviços disponibilizados, deve estar ancorado
numa rede de infra-estruturas que assuma uma perspectiva intermodal,
complementar entre as suas diversas formas, valendo cada uma delas por si
(aérea, rodovia e ferrovia), mas que interligadas assumem uma relevância maior.
Esta a discussão que devemos ter.
O aproveitamento das
infraestruturas e as condições naturais e de corredores aéreos de Ponte de Sor,
a existência de uma rodovia qualificada, garantindo a ligação rápida e segura
entre as três cidades do Alto Alentejo e o acesso aos principais centros urbanos
e com uma rede ferroviária modernizada e electrificada.
Estes sim são os casos reais que
importa discutir.
E não basta continuar a agitar a
proximidade da inauguração da Linha Sines/Caia que a U.E. paga e impôs. Para o
Alto Alentejo o fundamental é a eletrificação da Linha do Leste e a sua conexão
com essa linha de Alta Velocidade que possa escoar os bens aqui produzidos e
permitir aos cidadãos reduzir significativamente os tempos de viagem, entre
Portalegre, Lisboa ou o Norte do País e fazendo-o com padrões de qualidade
consentâneos com o nosso tempo.
No que à rodovia diz respeito é
fundamental a conclusão do IP2 e do IC 13, a ligação em perfil de auto-estrada
da A6 com a A23 unindo Elvas/Campo Maior, Portalegre, Castelo Branco e um novo
itinerário que ligando Estremoz a Abrantes quebre o isolamento a que Ponte de
Sor/Avis/Sousel foram votados.
É esta realidade, a nossa
realidade e não as realidades mediáticas, fabricadas para nos entreter, que o
Alto Alentejo precisa ver debatida e, sobretudo, alterada.
Que seja agora!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 8 de junho de 2023
A Situação de Seca no Alentejo
A Situação de Seca no Alentejo
Mais que propaganda importam soluções!
Nos últimos anos tem sido recorrente a
existência de períodos de seca, com maior ou menor incidência em situações de
escassez hídrica dependendo dos recursos hídricos existentes. Uma situação cuja
gravidade é reconhecida por todos os quadrantes políticos mas que tem merecido
importância diferente dos diferentes atores políticos com intervenção no
Alentejo.
O Governo parece acordar
periodicamente para este problema repetindo diversas promessas que nunca
cumpre, colocando a ênfase na questão do valor da água, apelando ao aumento do
seu preço a nível do consumo doméstico, mas sem colocar o mesmo tipo de
argumentação a nível da utilização da água para a agricultura que representa
cerca de 90% do uso total da água e onde o preço praticado é muito inferior ao
preço de custo. À boleia deste problema o governo insiste em criar o caldo de
argumentação para retirar a competência municipal na gestão das águas e do
saneamento, começando por impor a sua agregação, avançando no caminho que visa
desaguar no aprofundamento da lógica do negócio da água e da sua privatização,
a exemplo do que já iniciou na área dos resíduos.
Esta não é, como a vida nos mostra, a
solução para tão grave problema. Este tem de ser enfrentado em todas as suas
múltiplas dimensões desde a definição da política da gestão global dos recursos
hídricos, iniciando-se na questão das massas de água, da sua disponibilização,
da definição sobre quais devem ser os seus usos prioritários, e pressupondo
também uma adequada política de gestão de solos e de ordenamento do território,
que minimize os efeitos da progressiva desertificação que se tem verificado.
A gestão pública deve afirmar-se como
o princípio de assegurar uma clara perspectiva de eficiência hídrica
inseparável da aplicação do conceito de rede de infra-estruturas hidráulicas,
aumentando-se assim a capacidade de armazenamento para fazer face a períodos de
seca e de eventual escassez.
É fundamental a aprovação e o
financiamento da execução do Plano de Eficiência Hídrica do Alentejo e ter em
consideração a Iniciativa Territorial sobre a água que envolve o Alentejo e o
Algarve cujos contornos se desconhecem e que pode representar riscos para a
gestão da água na região e também para o destino dos recursos financeiros.
Esta questão da água é inseparável da
questão agrícola e uso da terra, e também dos perímetros de rega que foram alvo
de decisões recentes relativamente ao Alqueva e é tão mais importante para o
nosso distrito agora que se perspectiva (finalmente) a construção do Pisão.
Um dos grandes problemas é que parte
muito significativa do consumo de água, nomeadamente a água armazenada no
Alqueva, é direccionada para as culturas super-intensivas, designadamente
olival e amendoal. O mesmo se passa nas albufeiras do litoral alentejano e os
frutos vermelhos. Tendo em conta as quantidades e o preço podemos dizer que a
gestão dos recursos hídricos está na prática a financiar grupos económicos que
usam o solo e a água do Alentejo como um activo financeiro.
É uma situação que não nos é
desconhecida tal qual a intensificação das culturas intensivas e a inundação de
pesticidas nos concelhos de Campo Maior, Elvas e Avis.
As visitas do Deputado João Dias ao
distrito e a intervenção política que originaram na Assembleia da Republica e
no Parlamento Europeu ajudaram a dar visibilidade à grave situação que se vive
na região mas é necessário ir mais longe. É fundamental o envolvimento dos actores
locais, reclamando medidas compensatórias para os pequenos e médios
agricultores atingidos pelos efeitos da seca e da escassez hídrica e exigindo das
autarquias uma postura de intervenção que dê centralidade à gestão da água,
tomando as melhores opções para garantir a eficiência hídrica, a gestão pública
e a exigência da disponibilização de fundos para os investimentos a realizar.
Construamos o Futuro!
Diogo Júlio Serra
MAIO, MADURO MAIO
Maio maduro Maio
Sim, Maio é um mês que sempre me encantou. Ainda criança por ser o “mês de Maria” com toda a agitação que impunha na criançada das famílias mais familiarizadas com os ritos da religiosidade cristã e sobretudo por ser o mês da mais importante e divertida feira da vila onde nasci e cresci: a Feira de Maio de Arronches.
Estrear roupa nova, poder ir ao circo (na noite em que as empresas Cardinali ou Mariani decidiam fazer “dama e cavalheiro” – cobrarem um bilhete com entrada para duas pessoas, banquetear-me com o “brinhol” (massa frita) da menina Judite ou os quadrados de torrão branco vendidos na barraca do Araújo eram então motivo mais que suficiente para eleger Maio como o melhor dos doze meses.
Perdida a inocência do menino de
escola, “matriculado” na oficina da família, primeiro, e mais tarde como
empregado de mesa ou escriturário numa editorial, mantinha-se a catalogação de
Maio ou não fosse ele o único a iniciar-se com o dia dedicado aos trabalhadores
de todo o mundo. Incluindo o mundo, onde Portugal então se integrava, em que
Maio só por impossibilidade mantinha o seu dia primeiro.
E chegou o tal dia “inicial
inteiro e limpo” e com ele a explosão de Maio. E, juntou-se-lhe o 23, dia de
festa da cidade para onde “me transferi”. E continuei a ter em Maio o melhor e
mais simpáticos dos meses.
Certo que este Maio tinha um tal
nº 28 de má memória mas esse, era olimpicamente esquecido.
E assim chegamos ao ano de 2023 da
era cristã. Estamos a terminar a sua vigência e de novo, Maio continua como o
Mês primeiro das minhas preferências e vivências.
Vejamos.
Como sucede em Portalegre, a
cada ano desde a decisão tomada pelo Congresso da Internacional Socialista
reunido em Paria no ano de 1889, com o interregno imposto pelo salazarismo,
voltamos a comemorar o dia Internacional do Trabalhador. Depois a 3, no Páteo
da Casa, apresentei o Livro Salgueiro Maia do escritor Moisés Rosado e três
dias depois no CAEP, Jerónimo de Sousa colocava-nos a importância de defender a
Constituição de Abril.
Na semana em que voltámos a viver as Festas da cidade a 23, na Sessão Solene que assinalava os 473 anos da elevação de Portalegre a cidade, o seu executivo entregou a medalha de ouro da cidade a uma instituição da cidade cujo merecimento é por todos reconhecido: o Grupo de Apoio de Portalegre da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A 26 a Companhia de Instrução de Praças da GNR assinalou os 50 cursos de guarda ministrados em Portalegre e no dia seguinte o “meu Benfica” conquistava o seu 38º título de Campeão de Portugal. E pasme-se, até o 28 em que, normalmente procuro nem reparar, este ano marcou muito positivamente a minha vida. Não, claro que não tem nada a ver com o golpe que derrubou a Primeira Republica e abriu caminho ao fascismo salazarista. A razão é bem diferente; O meu neto mais novo, “arrastou-me” ao campus do Benfica no Seixal onde ele mais umas dezenas de miúdos foram mostrar os seus dotes de guarda-redes.
No momento em que escrevo o presento
texto (na noite de 28) poderia garantir-vos que foi um mês excelente mas já sei
que não vai ficar por aqui.
Maio vai fechar com o brilhantismo
como se iniciou e a 31, em Beja, verá iniciar-se o Congresso do Turismo do Alentejo.
E sim, de novo, Maio Maduro Maio, de
novo a encantar-me!
Diogo Serra
quarta-feira, 17 de maio de 2023
ALIMENTAR A ESPERANÇA, FAZER GUERRA À GUERRA!
Alimentar a Esperança
Fazer Guerra à Guerra
O belo lema que o Banco Alimentar contra a Fome escolheu para a campanha que tem em curso, ilustra na perfeição uma das maiores necessidades com que nos debatemos, também na nossa cidade e região.
Faltar-lhe-á, talvez, incorporar a segunda frase que coloquei no presente título para tornar mais perceptíveis as razões que nos têm vindo a roubar a esperança e levado muitos à desistência… dos sonhos e dos valores que nos devem nortear mas, diz o nosso povo, “para bom entendedor meia palavra basta”.
As diferenças existirão (ainda bem que existem) na perspectiva de cada um face aos caminhos para alimentarmos a esperança, num tempo e num território em que para a maioria de nós, cada vez mais, sobra mês e faltam rendimentos para garantirmos uma vida minimamente confortável.
Para alguns, geralmente os que não são afectados pelo “crescer do mês e diminuição do rendimento” ou sendo-o não conseguem libertar-se da cegueira imposta pelo preconceito ou das amarras com que a comunicação dita de referência os vão enredando, a culpa é da guerra, do “socialismo” (encarado como o governo do partido socialista) ou para os mais “contaminados” do 25 de Abril. Como se a Guerra nascesse de forma espontânea, o partido do governo aplicasse políticas de esquerda ou os caminhos de Abril não tivessem sido bloqueados pelos que saíram da gaveta, porventura a mesma onde Mário Soares colocou o “socialismo”.
Para os que conseguem resistir à formatação do pensamento e da acção que os papagaios do capital persistem em impor-nos, a “desesperança” que se está a apoderar da nossa sociedade tem razões e responsáveis que urge combatermos. Só assim estaremos a Alimentar a Esperança, a garantirmos-lhe a sobrevivência.
E a hora é de agir!
Até porque são cada vez mais (no Alto Alentejo e na nossa cidade, também) os que não conseguem pôr comida na mesa, os que não conseguem pagar a casa, seja a renda ou a prestação. Os que apesar de trabalharem (particularmente os jovens a quem se aplica a mais feroz precariedade) não conseguem o empréstimo bancário para a compra de casa ou tão só a garantia que o senhorio exige para proceder ao arrendamento. Os que apesar de trabalharem todos os dias do mês, são abrangidos pelo RSI porque o salário que auferem não lhes permite garantir o sustento da família.
Se a culpa é da guerra que as potências capitalistas impuseram, de novo em solo europeu, combata-se a guerra em vez de alimentá-la.
Se a culpa é da falta de meios para gizar e aplicar politicas que combatam as dificuldades que atormentam as famílias e criam a desesperança, que se distribua a riqueza produzida, que se combata a concentração das benesses e da riqueza não mãos de muito poucos e se apliquem no reforço do Serviço Nacional de Saúde, na Educação, nas acessibilidades, na melhoria dos salários e das pensões.
Que se trave e inverta a vergonhosa política de nacionalizar falências e privatizar lucros e, já agora, que se trave a vergonhosa decisão de reprivatizar a TAP onde foram injectados milhões saídos diretamente dos impostos dos portugueses e dos salários dos seus trabalhadores.
E não, a culpa não é do Socialismo porque uma palavra não tem qualquer culpa ou mérito pelas políticas aplicadas em cada território. Ninguém é lindo só porque se chama Belo!
Muito menos a desesperança pode ser atribuída ao 25 de Abril como os mais saudosistas proclamam. É precisamente o contrário! É o incumprimento dos valores que o 25 de Abril nos trouxe e a Constituição, mesmo amputada, consagra, que nos tem conduzido à situação que hoje vivemos.
Importa por isso exigir de quem tem a responsabilidade (porque o jurou) de cumprir e fazer cumprir a Constituição, que cumpra o seu dever. Importa, também, exigir de quem solicitou e obteve uma maioria absoluta para governar, que governe!
A hora é de exigência e acção!
Não podemos permitir que as guerras de Alecrim e Manjerona se substituam à obrigação de garantir ao país e aos portugueses as condições e os direitos que merecemos e de que não podemos/queremos abdicar.
É tempo de exigir dos governantes -Presidente da Republica, Governo, Assembleia da Republica- que deixem de “olhar para o seu umbigo” e cumpram as obrigações que os cargos lhes impõem.
É tempo de exigir da Comunicação Social que se liberte das amarras de quem lhes paga, deixe de ser megafone dos poderes e cumpra o seu papel imprescindível de dar voz aos desejos e necessidades do povo e do país.
É tempo de exigir alto e bom som que em vez de se
amputar, se cumpra a Constituição da Republica Portuguesa, se CUMPRA ABRIL!
Diogo Júlio Serra

