quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

PERANTE OS NOSSOS OLHOS!

 


Perante os nossos olhos, acontece um novo Holocausto!

“O Holocausto foi a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão,  seus aliados e colaboradores. O Holocausto foi um processo contínuo que ocorreu por toda a Europa entre os anos de 1933 a 1945.”

 

Perante o nosso olhar e face à indiferença dos “poderosos”, incentivados pelos falcões da guerra e o alheamento hipócrita dos que só veem crimes se praticados pelos não amigos, o governo terrorista de Israel, persiste o assassinato de milhares de Palestinos e o arrasar de Gaza e da Cisjordânia.

Perante o silêncio cúmplice de governos e opinadores que, cumprindo as ordens do imperialismo teimam em apelidar de terroristas os que morrem e de Estado “bom” quem os assassina, assistimos com a minha (e de muitos outros) indignação, ao ruidoso silêncio do Governo e Presidência da República do meu país, face às tentativas de crucificação de um Português que, no exercício das obrigações do prestimoso cargo que detém, tem denunciado os crimes perpetrados a mando do governo terrorista de Israel com o apadrinhamento dos EUA e dos seus súbditos da União Europeia.

No momento em que escrevo ainda não é conhecido o resultado de mais uma corajosa decisão de António Guterres para tentar travar o morticínio mas face ao que tem sido a posição dos Estados Unidos, não será de admirar que mais uma vez, os EUA garantam o “colinho” aos assassinos através do seu Veto nas Nações Unidas. Independentemente do que for o resultado da reunião do Conselho de Segurança da ONU este não apagará a posição (que entende no mínimo de cobarde subordinação) do governo e presidência portugueses.

Ao nível da nossa região constatamos igualmente que não há grandes diferenças do que se constata a nível dos governantes. Aqui, persistem os silêncios ruidosos de quantos se afadigaram (e bem) a denunciar os mortos na Ucrânia e particularmente com as imagens que nos chegavam de vítimas civis ou, no início deste conflito, quando tomamos conhecimento das vítimas do ataque dos guerrilheiros do Hamas a civis israelitas, mas que agora fingem não ver, ouvir ou ler sobre o “holocausto” em Gaza e na Cisjordânia.

Triste postura de quem teima em ver, sempre, à luz da ideologia que defendem e à catalogação que a essa luz fazem do que é bom ou mau, certo ou errado e que muitas vezes é o resultado de um misto de fanatismo e desinformação.Ainda na passada semana um dos chamados cidadãos informados a quem a Rádio Portalegre dá tempo de antena, afirmava, sem…digamos pudor, ainda não se ter apercebido que “a nossa esquerda apoiante desta Rússia” tenha comentado/condenado a posição do Supremo Tribunal Russo de considerar Persona não grata a associação LGBT+.

Um bom exemplo do que designo como resultado da mistura do fanatismo e desinformação. Fanatismo ideológico que não estranha o silêncio sobre o genocídio na Palestina mas se incomoda (e bem) com a perseguição por motivos de orientação sexual. Fanatismo ideológico e desinformação por não ter ainda percebido que há décadas que a Rússia é governada à direita e que só por maldade ou estupidez se pode querer colar a “nossa esquerda” às posições neocapitalistas dos governantes russos.

E assim, também por cá, entre festarolas que hipnotizam e opinadores que se limitam a difundir “a verdade” fabricada nas centrais do capitalismo, promovemos a anestesia, o desinteresse e o conformismo. Até quando?

 

Diogo Júlio Serra


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Está tudo grosso, está tudo louco!



Este país é um colosso. Está tudo grosso!

Está tudo louco!

Titulei o presente escrito com uma rábula popularizada nos anos 80 do século passado num popular programa televisivo com os atores Ivone Silva e Camilo de Oliveira.

Era assim que terminava uma rábula revisteira dos “Agostinho e Agostinha” que denunciava a situação vivida em Portugal, quando o país “sofria” a governação da direita protagonizada pela AD (PPD+CDS+PPM).

Quarenta e três anos depois, no mesmo país, uma qualquer resposta ou comentário de um treinador de futebol a um jornalista desportivo, durante uma conferência de imprensa, transforma-se em motivo de acesas discussões e levanta entre os comentadores do futebol uma onda de protestos e análises e levou mesmo a associação que representa os jornalistas desportivos a exigir desse treinador e da sua entidade patronal um pedido de desculpas.

Eu, como certamente a maioria dos portugueses e até dos que se sentiram ofendidos. Não ouvi tais afirmações e não tenho nenhum interesse em ouvi-las, compreendo a agitação.

Até aqui “tudo bem”. Sei, embora tal me desgoste, que uma parte significativa dos portugueses tem maior facilidade em indignar-se com um pontapé mal dado, com o livre não marcado ou com uma resposta de um qualquer agente do futebol do que a indignar-se com a abertura (por encomenda?) de mais uma crise politica em Portugal, com os horrores das guerras, com o genocídio do povo palestiniano que o Estado Terrorista de Israel leva a cabo em Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Contesto mas percebo! Já tenho uma grande dificuldade em perceber e aceitar, certamente por estar muito marcado por uma vida inteira dedicada à acção sindical, que uma associação sindical portadora de um passado de luta contra a censura e o cerceamento das liberdades que o fascismo lhes/nos impunha, se sinta “obrigada” a vir a terreiro tomar posição sobre este incidente.

Trata-se de defender um seu associado (o jornalista desportivo) dir-me-ão. E eu estaria “obrigado” a perceber tal posição. Só que essa associação sindical tem vindo, nos últimos anos, a fingir que não vê, não ouve, nem lê os ataques soezes, as perseguições e a violência exercida sobre jornalistas, também portugueses, só porque estes não se deixam corromper e não são megafones dos poderosos.

Refiro-me como facilmente já perceberam da mesma associação sindical que não levantou um “pio” quando camaradas seus eram vilipendiados e presos por persistirem em serem jornalistas no lado “dito errado” das guerras. Não tiveram uma palavra de censura perante uma “comentadeira” portuguesa que quase apelava a que assassinassem o jornalista Bruno Carvalho que cobria a guerra da Ucrânia a partir das Repúblicas do Donbass. Uma associação que mantém o mesmo silêncio ensurdecedor, face às intervenções policiais nas escolas e universidades que nos trazem à memória as incursões do famigerado capitão Maltez nos tempos do fascismo.

“Arrumado” este assunto do pontapé na bola, dois pequenos apontamentos esses sim, a meu ver, passíveis do nosso enérgico protesto.

Primeiro os olhares diferentes que a auto intitulado “Mundo Ocidental” lança sobre a guerra da Ucrânia e o genocídio do Povo Palestiniano e sobretudo a ligeireza com que cataloga de terroristas uns ou outros, não pelas suas praticas mas pelos ideais e sobretudo pelas “ordens” que lhes chegam dos centros de decisão que os/nos controlam sejam os sedeados no Vaticano ou na Casa Branca.

Por último, a campanha de destabilização interna visando alinhar o nosso país nas cartilhas da U.E. e dos USA que endeusam o capital e usam as políticas de ódio e as guerras como instrumento de garantia para os seus mandantes, de que continuarão a acumular riqueza, independentemente de qual seja o preço a pagar pelos povos.

Que não cometamos os erros do passado! Que saibamos semear e manter a PAZ!

Diogo Júlio Serra

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS...

 VEMOS OUVIMOS E LEMOS...


Vemos, ouvimos e lemos…

Cumpriram-se este ano duas décadas, desde o dia em que o chamado Ocidente (leia-se EE.UU. e seus apaniguados) invadiram militarmente o Iraque. Fizeram-no, como bem sabemos, alicerçados numa mentira deliberada porque bem sabiam, particularmente a CIA, americana e o MI6, inglês, que não existia qualquer programa de armas de destruição maciça.
Entre os dirigentes e países que construíram a mentira e estimularam a guerra, Portugal e o então Primeiro-Ministro Durão Barroso que viria a ver premiada a sua postura com a oferta da cadeira de Sr. Europa e posteriormente com empregos milionários ao serviço dos mesmos senhores.
Sobre essa mentira usada e abusada pela comunicação domesticada pelos mesmos interesses gastaram-se rios de tinta e ouviram-se milhares de discursos, incentivou-se o ódio, rapinaram-se recursos, arrasou-se um país e assassinou-se o seu Presidente, Saddam Hussein.
Hoje, sabemos todos quais os resultados e sabemos particularmente que o Iraque e o mundo não ficaram melhores.
Vinte anos depois o Médio Oriente volta a viver momentos dramáticos e os mesmos de então afadigam-se em inventar narrativas, outra vez, para fazerem crer à opinião pública que os horrores que todos vimos não são assim tão graves e que estão a fazer de tudo para os minorarem.
Enquanto o genocídio do Povo Palestino se mantém e se acelera através da terraplanagem bombista em Gaza e das acções terroristas dos colonos judeus na Cisjordânia, os “bem-pensantes” do mundo dito ocidental dividem-se entre, o assobiar para o lado ou o aplauso mais ou menos entusiástico.
Sempre ouvi dizer que “Tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica a vigiar” e é à luz desse ensinamento que analiso a posição das inúmeras “virgens ofendidas” sempre disponíveis para condenarem “invasões”, “crimes de guerra”, “bombardeamentos de civis” e “mortes de crianças” quando perpetrados por quem identificam por “inimigo” e que estão agora de olhos e ouvidos tapados ou, pior, se afadigam na procura de justificações para a matança que um estado terrorista desencadeou e mantém num território que, ocupa ilegalmente há décadas e contra um povo que mantém prisioneiro numa pequena parcela de terreno que lhe roubou.
Neste turbilhão de cobardia, hipocrisia e maldade inclui-se o estado português e os seus governantes. Uma postura tanto mais grave por se comportar no panorama internacional da mesmíssima maneira a que já nos habituou nos casos domésticos: leão para com os fracos, cachorrinho para com os fortes.
Já o havíamos registado quando na sua sede de agradar ao Tio Sam permitiu todas as diatribes à embaixadora da Ucrânia que não se coibiu de estimular e participar em manifestações contra partes de estado português ou manifestações de ódio desenvolvidas por cidadãos desse país que a embaixada apoiava, contra cidadãos e autarquias portuguesas.
Vemo-lo agora, de novo, quando permite que o representante sionista em Portugal ataque tudo e todos que recusem seguir a cartilha de Telavive; sejam jornalistas, partidos políticos ou, até o Secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres.
A passividade do governo português perante tais posturas de arrogância intolerável e desrespeito pelo estado que os acolhe é simplesmente chocante. Em qualquer país “a sério” tais posturas garantir-lhes-iam um bilhete só de ida, para os seus países.
Também os ataques do Estado de Israel ao Secretário-geral da ONU e à própria Organização deveriam ter originado a chamada do Embaixador de Israel em Lisboa para dar explicações das razões da suas acusações ao Secretário-geral que se limitara a constatar o óbvio: O Estado de Israel desrespeita sistematicamente as resoluções das Nações Unidas.
O mesmo ensurdecedor silêncio das “virgens ofendidas” perante as afirmações de ódio do Sr. Netanyahu, um fugitivo à justiça do seu próprio país através duma golpada judicial e que agora aposta no extermínio de todo um povo.
Sim, eu sei, que o Estado Terrorista tem o “colinho” dos Estados Unidos mas nada justifica que calemos o genocídio que decorre sob os nossos olhos.
Freedom for Palestine!
Diogo Serra


terça-feira, 31 de outubro de 2023

 TAL TÁS PORTALEGRE



Nas últimas semanas a atenção dos portalegrenses tem vindo a ser requisitada por diferentes e graves acontecimentos mundiais e por importantes momentos da vida nacional.

No primeiro caso, o ataque do Hammas e o rol de assassinatos e raptos que espalharam o terror entre os civis na zona ocupada e a brutal e desproporcionada intervenção do Estado Terrorista de Israel que já somam muitos milhares de mortos, quase todos civis, particularmente na prisão a céu aberto que Israel instalou em Gaza e que vem acrescentar horror ao que se tem vivido, e continua a viver, na Europa fruto da guerra na Ucrânia.

No segundo caso tem sido a da discussão (ou a falta dela) do Orçamento de Estado para 2024, que tem estado na agenda política.

Aqui enquanto o governo, alicerçado na sua maioria absoluta, persiste em continuar as suas políticas anti Robin dos Bosques, políticas de “roubar aos pobres para dar (cada vez mais) aos ricos, temos assistido a posições muito díspares das diferentes forças políticas com assento parlamentar:

À esquerda com apresentação de propostas visando levar todos os setores da sociedade a contribuírem para o esforço necessário a melhorar as condições do país e dos portugueses e em particular a resposta necessária e urgente no SNS, na habitação e no ensino.

À direita através de “rodriguinhos” que fingem estar contra o que eles próprios defendem e fizeram. Percebe-se que a haver diferenças seriam tão só mais duras e mais rápidas. Mesmo quando invocam os altos impostos ou a reforma fiscal esquecem ou querem que nós esqueçamos, como estiveram todos unidos para derrotarem a proposta do PCP que propunha a redução dos impostos para quem trabalha e a obrigação dos bancos e seguradoras, que têm recolhido lucros diários de onze milhões de euros contribuírem para a alivio da carga de juros da habitação ou diminuírem os custos da energia e dos combustíveis.

Têm sido razões de peso a reclamarem a nossa atenção e, infelizmente, a afastarem-nos do que se tem passado no nosso território e na nossa cidade.

Porque focados nos temas nacionais e internacionais não reparamos, ou não demos a devida atenção à vinda ao nosso distrito da Direção do Grupo Parlamentar do partido que suporta o governo que aqui veio, para entre outros locais, visitar o Hospital Doutor José Maria Grande porque, disse-nos, “é um hospital que tem dado particular atenção aos cuidados paliativos e queremos apoiar e apostas em políticas de envelhecimento digno”.

Assim, não questionámos ou sequer soubemos se dessa visita foram dadas as garantias para tornar mais célere a aquisição do colégio para a necessária ampliação do hospital, para garantir dotar o hospital com os recursos humanos em falta ou, tendo em conta a vontade, legítima, de apoiar e apostar em políticas de envelhecimento digno, sabermos o que estão a fazer para minorar os efeitos dos despedimentos na Misericórdia de Portalegre ou para garantir o financiamento adequado às IPSS da nossa região a quem trata da mesma maneira que as situadas em Oeiras ou Cascais.

Igualmente não demos a devida atenção às visitas das Senhoras Ministras da Justiça e da Coesão. Pelos motivos apontados não aplaudimos o anúncio da primeira de que o Tribunal encerrado há dez anos vai agora (em Novembro) ver a obra colocada a concurso e da segunda o pagamento da parte do governo nas obras que os municípios tiveram que fazer face às destruições ocasionadas pelo temporal do ano passado.

Houve mais. Na nossa cidade e com a responsabilidade a nível local, continuamos a testemunhar a paralisia da Fundação Robinson e a degradação do seu património imposta pela inércia de uns e a incompetência de muitos outros.

A realização de uma Assembleia Municipal extraordinária, acordada por todos os grupos nela representada, que à incompetência e insensibilidade de quem nos trouxe até aqui, se junta agora a arrogância dos que legitimamente eleitos para assumirem os destinos do concelho, dois anos passados não conseguiram sequer entender as responsabilidades do município que dirigem.

Nem todos se demitem das suas responsabilidades. A Assembleia Municipal de Portalegre, com a oposição da Mesa que a Preside e do Grupo que suporta o Executivo, decidiu o fim da paralisia – apontando para que sejam nomeados os órgãos sociais da Fundação Robinson e que se possa saber a situação real da Fundação e do Espaço à sua guarda.

Diogo Serra


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A IDEIA NUNCA ABALA

 



Robinson – “a ideia nunca abala”!

No próximo dia 13 de Outubro realizar-se-á uma sessão da Assembleia Municipal dedicada à Robinson. Para análise da situação do projecto Robinson e, espero eu, para definir o início de um futuro para aquele emblemático espaço no coração da cidade.

Será aconselhável que desta vez possamos encontrar, quer as soluções para o espaço Robinson e para o património que ele detém, (uma fábrica Corticeira ainda operacional, um tesouro de memórias e de património industrial, um núcleo museológico deixado ao abandono durante anos, etc…) mas também, conhecer como funcionou a Fundação com o seu nome, as suas contas ou a falta delas, o desleixo que todos testemunhámos, com roubos e vandalização do património, com derrocadas sofridas e provocadas e, sobretudo que futuro existe para o espaço Robinson.

Sabermos se existe ou não espaço para retomar o sonho de quantos entendiam que a velhinha Robinson mesmo depois de “assassinada” poderia continuar a ser motor de desenvolvimento da cidade e da região.

A decisão da Assembleia Municipal só terá utilidade se a discussão se desenvolver visando dois objetivos:

a)     Analisar, sem tabus, o caminho percorrido desde o início do projeto até aos dias de hoje. Os sucessos e os erros, os custos e os benefícios, as dívidas e os proveitos.

b)     Não deixar “lixo” debaixo dos tapetes e assumir que o instrumento idealizado na altura para concretizar o projeto Robinson - a Fundação com o seu nome - morreu e não é sequer necessária.

A Fundação foi a ferramenta então criada para garantir a gestão de um património entregue a entidades públicas e privadas, situação que foi alterada imediatamente a seguir à sua constituição.

Desde os primeiros momentos a única entidade em presença foi e é a Câmara Municipal de Portalegre. É esta entidade, como sempre foi, a responsável pelo bom e pelo mau da gestão do processo Robinson, pelo que, quaisquer caminhos de futuro só podem passar pela extinção da Fundação, e a sua internalização no Município.

A decisão da Assembleia Municipal de trazer ao debate político a questão Robinson só terá validade se conseguir ter presente que a Robinson e a Fundação com o seu nome não podem continuar a ser instrumentos de arremesso na luta político-partidária, desligados da importância económica e social que o espaço Robinson, sete hectares no coração da cidade, a marca Robinson, a sua fábrica da cortiça e as memórias que encerram são parte do riquíssimo património cultural de Portalegre e dos portalegrenses.

Os efeitos deste retomar da discussão do que se queria e ou quer para o Espaço Robinson tem o mérito de arrancar a Robinson do esquecimento para que tem vindo a ser arrastada e pode (e deve) trazer à luz do dia os custos que a cidade (todos nós) paga pelo desleixo de alguns.

Por fim, uma sugestão. Porque não aproveitar esta vontade serôdia de discutir a nossa cidade e trazer à discussão essa outra nódoa que se mantém escondida: O ICTVR - Internacional Center for Technology in Virtual Reality, e os milhões que custou ao erário público e, esclareça-se, à Fundação Robinson.

Porque o primeiro passo para a cura é assumir-se a doença… Que o consigamos fazer agora!

Que possamos, ainda, aproveitar o enorme potencial que a Robinson encerra.

 

 

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Olhar com olhos de ver!

 

Olhar com olhos de ver!

 


Os “Olhares sobre o Norte Alentejano” levaram-me (e a dezenas de outros interessados) a Castelo de Vide. No Cine-teatro local, IDECI e os seus convidados, brindaram-nos com uma interessante conferência que, pela temática em análise e pela qualidade dos conferencistas deixou-nos mais conscientes dos nossos recursos enquanto região e população, das nossas fragilidades e desafios mas, igualmente, reforçou a esperança de que, ainda é possível.

Ali foi reafirmada a necessidade do território resolver ou minimizar a grave situação demográfica que nos afecta, a necessidade absoluta de atrairmos gente e sobretudo garantir condições de trabalho e de rendimentos que estimulem a fixação dos nossos jovens. Falou-se, e bem, da necessidade de garantir-lhes trabalho, rendimentos, segurança, tempos de convívio e de lazer, condições que permitam e estimulem a compatibilidade do trabalho e da vida familiar.

Na conferência houve até espaço, para um “departamento do governo central” nos tentar vender a bondade das políticas que todos encaramos como corresponsáveis pela situação que vivemos. A medida que nos veio vender já distribuiu milhares de euros e conseguiu trazer para o distrito de Portalegre desde 2020, através do seu programa regressar, 59 (cinquenta e nove) ex-emigrantes… 

Entretanto os grandes meios da comunicação social descobriram agora uma realidade sentida e denunciada desde há muito, pelos trabalhadores e as suas estruturas representativas: a precariedade no trabalho e os baixos salários são os principais factores que empurram os jovens trabalhadores para as grandes metrópoles e aceleram o despovoamento de cada vez maiores faixas do território nacional.

Como também em Castelo de Vide nos foi lembrado, o salário médio em Portugal é baixíssimo mas ainda assim, o salário médio no Alto Alentejo é significativa-mente inferior.

Aqui, como no todo nacional, aos baixos salários junta-se a enorme precariedade que se abate sobre quem trabalha mas, especialmente sobre os jovens trabalhadores.

 Portugal é um dos países da União Europeia com mais trabalhadores com vínculos precários. O terceiro no Pódio diz-nos agora o Eurostat e, sabemo-lo nós, no último ano, 80% dos contratos de trabalho celebrados foram contratos a termo e/ou com outros graves factores de precariedade.

No primeiro trimestre deste ano,17,2% dos contratos de trabalho por conta de outrém eram precários. E, isto a comunicação social não nos traz, Portugal é também dos que mais beneficia o capital e prejudica salários com impostos.

Pois bem, detectadas as razões que mais influenciam a nossa situação demográfica seria fácil, penso eu, eliminá-las ou minimizá-las e iniciarmos a inversão do caminho que temos vindo a percorrer.

Fácil? Sim e não!

Fácil se existisse vontade politica alicerçada numa estratégia de desenvolvimento harmonioso e sustentável para o país, que valorizasse as regiões mais debilitadas pela visão centralista e de pilhagem dos recursos e da esperança das populações mais afastadas dos centros de decisão.

Não porque se mantém no poder a mesma vontade de viver e nos impor, não a democracia/liberdade cantada por Sérgio Godinho e sonhada por milhões de portugueses mas a democracia/liberdade de que Mário Soares foi “pai”.

Já agora, importa recordar que foi o Primeiro Governo Constitucional que criou a possibilidade legal de precarizar o trabalho. É desse governo, liderado por Mário Soares, a “imposição” do decreto/lei 781/76 que recuperava uma medida do fascismo e permitia a contratação a prazo.

Disseram-nos que era uma medida temporária mas hoje, sabemo-lo dolorosamente, foi a abertura de uma porta que nunca mais se fechou…

 

Diogo Júlio Serra

domingo, 10 de setembro de 2023

 REALIDADE VERSUS FICÇÃO


     Terminadas as férias, para aqueles que as puderam ter, voltemos ao trabalho. Um
regresso que a classe política e a comunicação social gostam de apelidar de “
REENTRÉ”.
     É um regresso à realidade que uns observam à distância e outros teimam em
ignorar.
     Para os trabalhadores por conta de outrem, para os desempregados, os
reformados e pensionistas e também para o pequeno comércio tradicional não se trata de
qualquer regresso ou “reentré”, uma vez que, nunca saíram (nunca lhes permitiram sair)
dos problemas com que estão desde há muito confrontados. Problemas agora
brutalmente agravados pela perspectiva de desaceleração do crescimento (2,4% em
2023 e ainda mais em 2024), situação que não pode ser desligada da guerra na Ucrânia e
das sanções à Rússia, mas também das políticas das contas certas, do “aluno bem
comportado” que o governo teima em assumir à custa do crescimento económico, da
compressão do investimento público, da degradação da qualidade dos serviços públicos
e da desvalorização dos seus trabalhadores.
     Os resultados já não podem ser escondidos. De acordo com os dados divulgados
pelo INE da evolução do emprego e desemprego no 2º trimestre destaca-se o aumento
do desemprego, o forte aumento da precariedade e a continuação da perda de poder de
compra dos salários.
     O desemprego regista uma descida trimestral de carácter sazonal, mas cresce
perto de 9% em relação ao trimestre homólogo, com mais 25,7 mil desempregados, num
total de 324,5 mil.
     A taxa de desemprego tem a mesma evolução, sendo agora de 6,1%, tendo
subido também entre os jovens menores de 25 anos para 17,2%, uma das mais elevadas
da União Europeia.
     Acrescem os trabalhadores sub-empregados a tempo parcial, os inactivos
disponíveis e indisponíveis, num total de 300 mil. Em conjunto, a subutilização da força
de trabalho abrange 625,3 mil trabalhadores representando 11,5% da população activa e
também tendo aumentado face ao 2º trimestre de 2022.
     Perto de dois terços do número real de desempregados não tem qualquer
prestação de desemprego ou, quando tem, o valor médio fica-se pelos 575 euros, e com
metade dos desempregados a receber até 500, abaixo do limiar de pobreza.
     O crescimento do emprego registado este trimestre foi conseguido à custa de um
forte aumento da precariedade, que representa 80% desse aumento.
     No espaço de um ano o número de trabalhadores com vínculos precários
aumentou em 88 milhares (+13%), verificando-se também um aumento face ao
trimestre anterior. De acordo com estes dados, há 756 mil trabalhadores com vínculos
de trabalho precários, correspondendo a 17,8% do total, mas entre os trabalhadores com
menores de 25 anos chega aos 57%.
     Outro aspecto preocupante é a destruição de emprego entre os trabalhadores
licenciados que, no espaço de um ano reduzem-se em 128 milhares.
     Os salários continuam a perder poder de compra. O rendimento salarial médio
mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem foi de 1.044 euros no 2º trimestre,
tendo crescido 0,5% em termos nominais, mas descido 3,7% em termos reais.
     Os números mostram que para os que estão agora de “Reentré” é preciso arrepiar
caminho. Para os outros, para os que não reentram porque nunca saíram o caminho,
como bem sabem, é a luta. Luta em que não é necessário reentrar porque, tal qual os
problemas, nunca se saiu dela.
     É preciso responder aos problemas que persistem e que causam a degradação das
condições de vida de quem trabalha. É preciso romper com o modelo de precariedade e
baixos salários vigente no nosso país e valorizar o trabalho e os trabalhadores.
     Sim, é necessário e é possível. Assim o queiramos!

Diogo Serra