quinta-feira, 4 de abril de 2024
CADA FIO DE VONTADE SÃO DOIS BRAÇOS...
quarta-feira, 3 de abril de 2024
Cumprir e fazer cumprir a Constituição!
Cumprir e fazer cumprir a Constituição!
Ao
longo da nossa história enquanto país independente só por quatro ocasiões
fizemos reunir Assembleias constituintes que produziram diferentes
Constituições.
No
século XIX e no seguimento da Revolução Liberal em que pela primeira vez a
Nação elaborou e fez aprovar a Carta Constitucional, no século XX quando da
implantação da República que elegeu uma Assembleia Constituinte que elaborou e
aprovou a Constituição Republicana de 1911, em 1933 quando em plena ditadura
Salazar plebiscitou a sua constituição, visando dar um ar de legitimidade à
ditadura terrorista que comandava e em 1976 quando a Assembleia Constituinte
eleita pela primeira vez, pelo voto geral e universal dos portugueses aprovou a
Constituição da República que hoje se mantém e que consagra a Revolução dos
Cravos que derrubou a ditadura e nos recolocou no seio das nações livres e
democráticas.
Hoje,
quando se cumpre o 48º aniversário da sua proclamação, venho falar-vos dessa
Constituição saída da vontade popular expressa nas primeiras eleições gerais,
universais e livres, após os 48 anos da Ditadura que uns apelidam de terrorista
ou fascista e outros, os que a impunham, denominavam de Estado Novo.
Comemorar
o 48º aniversário da promulgação da Constituição da República Portuguesa é
festejar um dos acontecimentos mais significativos da Revolução de Abril. O
registo em forma de lei da vontade do povo português manifestada na primeira
eleição verdadeiramente democrática realizada em Portugal, por sufrágio direto
e universal, e que contou com a participação de 91,66% dos 6 231 372 cidadãos
eleitores inscritos para votar.
Vontade
interpretada de forma sublime pelos deputados constituintes entre os quais os
que ali estavam em representação do nosso distrito e que quero aqui recordar: Júlio
Miranda Calha, Domingos do Carmo Pereira e João do Rosário Barrento Henriques, eleitos
pelo Partido Socialista e António Joaquim Gervásio, que viria a ser substituído
por Joaquim Diogo Velez, eleito pelo Partido Comunista Português.
Os
processos de revisão constitucional já concluídos (sete) modificaram muitas das
suas disposições originárias, adaptando-a às necessidades de cada momento e à
correlação de forças politicas e sociais que as promoveram mas mantendo-lhe a
marca que a caraterizou desde a sua promulgação em 2 de Abril de 1976 – uma das
leis fundamentais mais progressistas da Europa e do mundo que garante: a defesa
dos valores do estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no
pluralismo, no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades
fundamentais; a subordinação do poder económico ao poder político democrático;
os direitos individuais e coletivos dos trabalhadores; o direito ao trabalho, o
acesso à saúde, à educação, à cultura, à justiça, à segurança social e à
habitação.
No
ano em que assinalamos o cinquentenário da Revolução dos Cravos e quando os
derrotados em Abril, estão aí, às claras, com as suas habituais charlatanices à
procura de oportunidades para capitalizarem o justo descontentamento, em
oportunidades do retrocesso de que nunca desistiram, é a hora de refletirmos
sobre o país que hoje temos e o que justifica a justa insatisfação de muitos
portugueses para com o estado da democracia.
Reflexão
tanto mais importante quando a justa insatisfação de muitos portugueses, tantas
vezes ignorada ou olhada com desdém, fez-se agora ouvir com estrondo nos
resultados eleitorais do passado dia 10 de Março.
Estou
certo de que o estado da democracia e dos portugueses não resulta da
Constituição mas do seu incumprimento, pelo que o futuro passa pelo seu
cumprimento.
Quanto
mais cidadãos conhecerem a Constituição e o que nela está expresso, quanto
melhor for conhecido o contexto em que nasceu e se concretizou a Revolução que
esta consagra, mais portugueses compreenderão que os problemas, graves, que nos
afetam e ferem e o estado atual da nossa democracia não resultam da
Constituição, mas do seu incumprimento.
A
efetivação dos direitos fundamentais constitucionalmente consagrados exige um
poder político determinado em cumprir e fazer cumprir a Constituição e a adoção
de políticas que se identifiquem com os seus valores e princípios e isso não
tem sido conseguido.
É
preciso garantir o futuro.
Cumpra-se a
Constituição!
Diogo Serra
quarta-feira, 13 de março de 2024
AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU...
~
As
Portas que Abril abriu…
Na caminhada
eleitoral que ontem terminou tomei partido de forma empenhada pela coligação
onde se integra o Partido onde milito, o PCP. Fi-lo, como militante empenhado e
como mandatário distrital da candidatura por Portalegre, na companhia de muitos
outros democratas e com os companheiros e companheiras que deram rosto à
candidatura, a Fátima Dias, o Manuel Coelho, a Susana Teixeira e o Pedro Reis procurámos
levar a todo o distrito, concelho a concelho, porta a porta, uma mensagem que
era e é de proposta, de dignidade e de confiança.
Os resultados
obtidos no distrito e no país ficaram muito aquém do que entendo ser necessário
para conseguirmos o país e a região que merecemos e, no que concerne ao nosso
distrito, o respeito que devemos merecer dos governos centralistas e surdos às
nossas reivindicações e necessidades.
Os resultados
obtidos pelo bloco da direita e a subida desmesurada das forças anti-sistema
democrático nestas eleições constituem um factor negativo para a resposta e
solução de problemas com que os trabalhadores, o povo e o país se confrontam.
Facilitam o caminho de retrocesso e de ataque a direitos e favorecem o grande
capital e os interesses estrangeiros prosseguindo o percurso de sempre de PSD e
CDS.
Potenciam a
ofensiva contra o regime democrático, as instituições e a própria Constituição.
Os resultados
agora obtidos pela AD e pela direita não democrática são inseparáveis das
opções da governação que impuseram as políticas de direita, geradoras de injustiças
e que acentuaram o legítimo descontentamento face ao acumular de dificuldades
por parte dos trabalhadores e do povo.
Essa governação de dezenas de anos, agora
acentuada com a maioria absoluta do PS, favoreceu o discurso demagógico, da
extrema-direita e levou muitos milhares a acreditarem que estaria aí a
resolução para os problemas que os afectam e a esquecerem a acção passada do
PSD e do CDS e os seus projectos para a voltarem a pôr de pé.
O resultado
da CDU, com a redução da sua representação parlamentar (menos dois deputados) uma
percentagem e um número de votos abaixo dos resultados de há dois anos,
significa um desenvolvimento negativo, que importa inverter.
Os resultados
alcançados no país e também no nosso distrito, não deixando de constituir uma
expressão de resistência face a um clima fabricado e caracterizado pela
hostilidade e menorização, pela prolongada falsificação de posicionamentos do PCP, não serão apenas isso.
O clima fabricado
para alimentar preconceitos anti-comunistas e estreitar o seu espaço de
crescimento, para esconder da sua voz e as soluções e política alternativas que
propõe não pode fazer esquecer-nos, à CDU e ao PCP, que importa olhar
também para dentro de casa e intervir, já, naquilo que está nas nossas mãos
fazer.
Importa
questionar, de novo e mais profundamente, como melhorar a comunicação. Como
tornar mais eficaz o combate à mentira e à calúnia que alimenta o preconceito
anti-comunista, como fazer chegar a nossa mensagem e as nossas propostas, por
meios alternativos comunicação social que o capital transformou em megafones
das suas ideias e projetos.
No Alto
Alentejo a eleição de um deputado pela extrema-direita não democrática é um
ponto negro da nossa vida democrática mas não significa, estou absolutamente
certo, a existência entre nós, desses milhares de cidadãos saudosistas do
“estado novo”, apoiantes convictos do ódio e da xenofobia, que o programa e a
vontade dessa agremiação representam.
Estou
absolutamente certo que essa postura dos milhares de eleitores que engrossaram
a votação desse agrupamento o fizeram empurrados pelo ostracismo que eles, os
seus problemas e o nosso território, têm sido votados. Retornarão ao local de
onde “fugiram” logo que sejam confrontados com o logro em que caíram. Todos,
eles e elas, serão recuperados pela lucidez e pela democracia.
Mas,
entretanto, no curto prazo, como vai ser? Não são poucos os que me têm feito
chegar a sua inquietação encerrada na expressão, e agora?
Agora,
libertos da emoção (e da dor) que ontem vivemos, a resposta é muito clara. Os
trabalhadores e o povo, do distrito e do país, podem contar com a CDU com a
coragem de sempre, para defender os seus direitos, enfrentar os interesses dos
grupos económicos e das multinacionais, afirmar os valores de Abril e o que
eles transportam de referência para a construção de um Portugal de progresso e
soberano.
No nosso
distrito e no que ao PCP diz respeito, a mesma clareza na resposta. Quando
aqueles que elegemos se esquecerem que nós (o distrito e todo o interior)
existimos seremos nós, os do costume, a estarmos com os trabalhadores e as
populações, nos locais de trabalho e nas ruas, nas autarquias e nas
associações, em defesa dos direitos que temos e nos avanços que desejamos.
No caso
concreto do Alto Alentejo, espero estar certo, serão também aqueles outros alto-alentejanos
que se candidataram e não foram eleitos, a continuarem cá e a fazerem aquilo
que alguns dos que “elegemos” prometeram e esquecerão rapidamente.
E, porque
Abril se cumpre sempre que se afirma a liberdade, os resultados melhores ou
piores para quem os observa, só são possíveis porque houve e há Abril.
Que Viva
Abril!
Diogo Júlio
Serra
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
O Alentejo tem Futuro. O Alto Alentejo Também!
O Alentejo tem Futuro. O Alto Alentejo Também!
A campanha eleitoral que agora decorre, trouxe de novo aos
nossos olhos o facto de o Distrito de Portalegre ser o único círculo eleitoral
do país a eleger apenas 2 deputados. Mais grave ainda, elege dois deputados
porque a legislação impõe que esse seja o número mínimo. Se tivesse apenas em
conta o número de eleitores, previsivelmente elegeria ainda menos.
Como, também, já se tornou um hábito todas as candidaturas
lamentam a perda de população e elegem a questão demográfica como o maior
problema que aqui se nos coloca.
Fazem-no, quase todas as candidaturas, como se a questão da
perda e envelhecimento populacional fossem obra do acaso e os culpados fossem
os “transtaganos” que perderam o gosto em procriar. Daí as medidas, demagógicas
e erradas: oferta de uns tostões aos pais, quando nasce uma criança, planos e
“planozinhos” de apoio financeiro ao regresso de jovens que tenham emigrado,
mais uns milhões para construir e inaugurar uns quantos “semilleros” de
empresas mais ou menos informatizados e, quanto mais à direita sejam os seus
autores, propostas de mais e mais cortes nos impostos a pagar (em particular
pelas grandes empresas).
E assim, como as receitas (e os deputados eleitos) são sempre
as mesmas, desajustadas e inúteis, não só não combatem como ampliam a doença
que nos vai minando.
Todos sabemos, particularmente os que cá nos mantemos, que o
Alto Alentejo como a restante Região não é um território pobre e muito menos
condenado a viver de mão estendida. Pelo contrário tem inúmeras riquezas,
começando pelo seu povo, a sua rica cultura e os seus recursos naturais e
paisagísticos.
Sabemos igualmente, que a gravíssima situação demográfica com
que nos debatemos, é o resultado das políticas de direita que nos têm sido
sistematicamente impostas, independentemente das forças políticas que no
governo central e centralista a cada momento se instalam.
Independentemente da “côr” do governo: PS e PPD sozinhos, em
conjunto ou acompanhados, cada um, com apêndices ainda mais à direita, as políticas
não diferem, como na difere o apoio cego dos seus representantes no terreno.
Para os que como eu se situam entre os que entendem que é à
esquerda que lá vamos. O movimento Operário e Sindical e as forças políticas
que representam os seus valores entendem, que a nossa região não é pobre, é sim
uma região sem projeto, está perfeitamente claro que o combate à perda e
envelhecimento demográfico desta região só terá êxito se for à raiz dos
problemas que o originam. Desde logo a questão salarial e a estabilidade
laboral.
Só com a melhoria salarial e o fim da precariedade será
possível manter na região os nossos jovens, todos, e particularmente as muitas
centenas que em cada ano são formados nas nossas escolas e no nosso IPP.
Só garantindo o direito à saúde, à habitação e ao ensino de
qualidade, será possível atrair novos habitantes e famílias em idade ativa.
Só com horários de trabalho que permitam e estimulem a
fruição da família e com rendimentos familiares minimamente dignos se estimula
a vontade de trazer ao mundo mais crianças e, no curto prazo, a minimização da
perda demográfica tem que passar por conseguirmos captar e manter mais
imigrantes no nosso território.
Tal só possível se a quem nos
procura em busca de segurança ou de melhorias económicas soubermos garantir as
condições dignas de trabalho e de habitação que quem trabalha merece e que são
exatamente o contrário do que a direita defende e que recentes iniciativas de
extremistas da direita mais radical têm vindo a estimular e promover,
inventando e filmando e afirmando manifestações de ódio e xenófobas.
Não estamos condenados à pobreza,
ao despovoamento e à desertificação.
Ainda podemos dar a volta a isto
se combatermos em vez de estimularmos os responsáveis pela situação a que
chegámos.
Assim o queiramos!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
Continua o genocídio… e a hipocrisia!
Continua o genocídio… e a hipocrisia!
O estado terrorista de Israel continua a sua política de genocídio do Povo Palestiniano, em Gaza e no restante território ocupado, perante o silêncio cúmplice e as declarações medrosas da comunidade internacional.
São os povos do mundo inteiro, nas ruas, os que prestam solidariedade face ao terror.
Nos últimos dias, muitas manifestações de apoio à paz no Médio Oriente e à concretização dos direitos nacionais do povo palestiniano encheram praças e avenidas por todo o mundo:
Muitos milhares de pessoas empunhando bandeiras palestinianas e cartazes e faixas condenado a agressão desfilaram em cidades de vários continentes em apoio ao povo palestiniano e ao direito de terem o seu estado reconhecido pela comunidade das nações e com a segurança garantida face aos que lhe negam tal direito.
Mesmo em Paris, Londres e Washington capitais onde nasceu o problema e que agora aberta ou veladamente apoiam os genocidas, os protestos das populações fizeram-se ouvir. Protestos contra os respetivos governos que por intenção e inação apoiam o terrorismo do governo de Israel e lucram milhões com o assassínio organizado de milhares de palestinianos, na sua esmagadora maioria civis e fundamentalmente crianças.
Portugal, como quase sempre, cumpre o que lhe está destinado pelos “amos a quem serve” e qual menino bem comportado arroga-se, máximo dos máximos a uma leve “exigência” por um cessar-fogo humanitário não esboçando “vergonhosamente” o mais pequeno gesto de apoio ao português que dirige as Nações Unidas e que tem vindo a sofrer os maiores insultos do estado terrorista.
Um aplauso para a África do Sul, país que por sentimentos de solidariedade, por terem conhecido e sofrido os horrores do apartheid foram os primeiros a avançarem com uma queixa no TPI contra os crimes de guerra do Estado Terrorista de Israel.
E por cá? Em Portugal, como na Europa, os que “apoiam” a guerra lá fora, fomentam-na “cá dentro” contra o seu próprio povo, usando como arma as políticas de empobrecimento, de roubo dos direitos, de empurrar os mais fracos e debilitados para as fronteiras da marginalidade económica e social.
O governo, suportado por uma maioria absoluta na Assembleia da Republica, foi-se desmoronando e viu a Assembleia da Republica ser dissolvida por decisão presidencial.
Os portugueses foram obrigados a ir a votos pelo estado a que as políticas e trapalhadas do governo do PS deixaram o país mas também pela impaciência dos que defendendo as mesmíssimas políticas não aceitavam o seu afastamento do poder, As duas fases do centrão da política e das negociatas, continuam de acordo em salvaguardar os lucros dos poderosos e na adoração ao grande capital.
As eleições que se avizinham trazem-nos, aos que sofrem as consequências da sua governação classista, uma nova oportunidade de meter travão no caminhar para a “tragédia.
Não será fácil, como não o será para os menos atentos, perceber as diferenças entre os que são hábeis na palavra e no fingimento e os que deram e dão provas de honrar a palavra dada.
Para os cidadãos e eleitores não faltarão os “cantos de sereia” os processos de intenção, as condenações às politicas de desastre e à corrupção, aos aumentos brutais nos impostos e à sua pequenez nos salários, à falta de habitação, aos males que a saúde atravessa, à escola publica que atravessa enormes dificuldades, as provas fabricadas a justificarem os crimes da guerra… e a dificuldade será o separar o “trigo do joio”, não perder a memória, olhar e ver para além das promessas que nos são atiradas.
Esta necessidade tem para o nosso distrito uma maior importância. Continuamos a perder população. Só entre o último ato eleitoral e hoje o distrito perdeu mais de mil eleitores,
Na hora da escolha é importantíssimo sermos racionais. Quem tem governado o país nos últimos 40 anos? Quais as forças políticas que tem elegido deputados pelo nosso distrito? Têm cumprido? São merecedoras que voltemos a atribuir-lhes o nosso voto?
Quando vierem juntar-se a nós acusando este ou aquele pela dramática crise de habitação que coloca sem teto milhares e milhares de pessoas e leva um numero ainda maior a ter que escolher entre pagar a renda ou comer, impõe-se puxarmos atrás a fita do tempo e saber o que foi feito pelos governos da direita e pela ministra do CDS, Assunção Cristas de seu nome.
E não esqueçamos, também, que os governos que se lhe seguiram não só nada fizeram para anular tais decisões, como continuaram a apoiar o enriquecimento da banca, à custa do arrastar da população para muitas situações de sem abrigo.
Os DDTs – donos disto tudo – têm agora ao seu serviço, aqui e por toda a Europa, os sucedâneos do nazifascismo usando gravata em vez da farda, salto alto ou sapato lustroso em vez das botifarras e falinhas mansas em vez da berraria. Também estarão entre nós, prometendo dar o que nos quiseram e querem roubar e juntando-se a nós na condenação à corrupção e a corruptos e corruptores.
Também aqui é preciso estar alerta e sobretudo não esquecer que o nazifascismo está para a corrupção como o combustível para um incêndio.
Não nos deixemos enganar. Não deixemos que esta nova oportunidade se transforme em suicídio. Assumamos a defesa do nosso futuro!
Diogo Júlio Serra
sábado, 3 de fevereiro de 2024
O MEU CONVENTO
O MEU CONVENTO
Após um tempo em que a sua degradação me doía, o Convento da Luz, totalmente reabilitado abriu-se aos Arronchenses e a quantos o quiserem visitar.
Dia 15 de Dezembro de 2023 uma
data a juntar àquela outra do século XVI em que o Convento nasceu pela mão dos
Agostinhos Calçados voltei ao Convento.
Sim, voltei ao Convento e como
todos maravilhei-me com os resultados da sua reabilitação. Percorri os Claustros
(para mim serão sempre – a cerca) e as belas salas do primeiro andar depois de
subir os 28 degraus divididos por dois lanços e retomei a minha meninice. Os
meus olhos foram substituídos pelas memórias.
Ao cimo da escadaria vi o que já
lá não está! À minha direita a porta de entrada da residência dos proprietários
– “o menino Dioguinho”, menino como eu e meu padrinho de batizo e os pais Diogo
António Pereira e Dª Aninhas Salgueiro. Em frente, sobre as copas das
laranjeiras, que não estão lá, um conjunto de 6 janelas que da direita para a
esquerda iluminavam o vestíbulo, a cozinha (duas), a sala dos passados e o
quarto de dormir das empregadas dos proprietários. Seguia-se a que me era mais
querida a que iluminava o quarto onde dormi desde os cinco aos vinte sete anos.
Vinte e dois anos porque os primeiros cinco foram “vividos” os dois primeiros
no quarto dos meus pais e os três restantes, após o falecimento da minha mãe,
em casa dos meus avós maternos.
Passeio-me pela “varanda” a mesma
em fui fotografado ao colo da minha madrinha no dia em que me batizaram, confiro
cada uma das portas por onde passo. A primeira sem número - a casa da matança -
a que se seguem as habitações arrendadas a famílias diversas.
No nº 2, a residência composta de
cozinha e um quarto no r/c e com acesso por uma escada de madeira, um quarto no
primeiro piso onde viviam a vizinha Joaquina com o marido e dois filhos –
Jaulino e Davide, consigo ouvir as gargalhadas do vizinho Zé à lareira a
Jantar. Passo ao nº 3 (número de policia) e frente à porta revejo décadas da
minha vida. Vejo o meu avô Domingos nos últimos tempos em Arronches e vejo
sobretudo a minha primeira residência de casado. A casa onde nasceu a minha
filha e consigo ouvir-nos aos três.
Imediatamente ao lado, a primeira residência
(grande) que ocupava toda a fundura do Convento, a casa dos vizinhos Aurélio e
Constança e do Manuel Dias (sobrinho) Eles mestres pedreiros e ela doméstica.
Continuo a percorrer a varanda e paro no nº 5 a casa do vizinho Barradas e dos
seus filhos, o João, a Clarisse e o Estevão e recordo quando lhes batia à porta
e aberto o postigo a primeira imagem que tínhamos era a luz da grande janela da
cozinha virada para o Páteo.
Segue-se o nº 6. Agora é preciso
respirar fundo. Olho em redor: ao canto, encostado ao muro decorado por dezenas
de craveiros com flores (alguns com ervas de cheiros), o que foi piscina
privada: minha, da minha irmã e dos outros meninos da vizinhança, o tanque para
lavar a roupa que todas as vizinhas utilizavam e a piscina privada da garotada
em tardes de verão. Pelo ar filas de arame onde se pendurava a roupa para
secar.
Ganha a coragem necessária,
abrimos a porta e entramos na divisão da casa que foi primeiro a minha sala de
jantar mas que depois o meu pai com uma divisória de madeira transformou em
duas divisões: na primeira a torneira da água que abastecia a casa, o grande
espelho quadrado onde o meu pai gostava de ajeitar o chapéu e a máquina de
costura “singer” onde a minha madrinha costurava. Na outra, com a independência
que a parede de madeira garantia, o meu quarto.
Seguia-se a cozinha enorme, com a
chaminé onde o fogão de lenha permitiu a água quente e a confeção dos
alimentos. Ao fundo, à esquerda o poial dos cântaros decorado com inúmeros utensílios
de barro e janela que não só iluminava toda a casa mas também me ligava aos
vizinhos do Páteo exterior, os Carêtos e os filhos Augusto, Manuel, Antónia
Rita, Maria Antónia e a Célia. Do lado direito a entrada para dois outros
espaços: o quarto dos meus pais e da minha irmã e a casa de jantar, ambos com
amplas janelas viradas para a muralha.
Sim, esta é a minha casa. Está
bem bonita. Ostenta agora, esta e as restantes, pinturas, altares e pormenores
antes tapados pela cal branca que desconhecíamos.
Regresso à varanda (não á
realidade) e consigo ver/ver-me com a Clarisse e o “Dioguinho” em brincadeiras
com jogos inventados ou com os brinquedos do único dos três que os possuía e
partilhava. Vejo o Manuel Dias e o João Barradas já homens a saírem depois do
trabalho para a coletividade ou o cinema, vejo-me na casa da vizinha Constança
a escolher os livros de banda desenhada (os livros de “cobóis”) que o Manuel
Dias me emprestava.
Vejo e ouço os diferentes
vizinhos sentados em cadeiras de bunho a cavaquear uns com os outros na noites
quentes de verão enquanto nós, os mais pequenos transformávamos a varanda em
território de disputas entre “ indíos e cóbois” ou em interessantes partidas de
futebol em que não poucas vezes a bola “voava” para a cerca e era preciso
esperar pelo dia seguinte para que o Sr. Matias, responsável pelos carreiras ou
a Maria Jacinta – a cozinheira dos proprietários, abrissem o portão e nos
permitissem a recolha.
E vejo ainda (tão nítido) uma
mesa estendida por toda a varanda com muitos amigos à volta a celebrarem o meu
casamento, nessa altura com mais uma família a morar ali e por isso na minha
boda, a família Casaca, ele médico veterinário e ela professora.
Volto à realidade. Quatro décadas
depois, é lindo voltar a pisar aquele chão e, mais lindo ainda, viver o
Convento da Luz, reabilitado, lindo, e pronto para iniciar um novo ciclo, com
novas funções, novas cores, novos espaços e novos “moradores”.
Como a generalidade dos
arronchenses orgulho-me do que Arronches é. Esta obra redobra o meu orgulho. É
a minha casa!
Diogo Júlio Serra
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
EN TEMPO DE TRANSIÇÃO
EM TEMPO DE TRANSIÇÃO
Escrevo nas últimas horas de 2023
o texto que só vos chegará nos primeiros dias de um próximo ano. É o tempo de
transição entre o “velho” e o “novo”. O fim de um “annus horribilis” e o início de uma nova
oportunidade.
Quando quase mecanicamente
desejamos ao outro “Feliz Ano Novo” limitamo-nos, por norma, a cumprir um
ritual. Viramos uma página do calendário, embriagamo-nos de festarolas e
apressamo-nos a cometer os mesmíssimos erros que condenaram o ano findo.
E como estamos, todos, carentes
de uma oportunidade nova, como importava que entendêssemos o Novo Ano como uma
oportunidade de fazer diferente, de fazer melhor.
Quando aos primeiros minutos do
ano que para cada um de nós começa ali, na histeria coletiva com que tentamos
esconder o óbvio e desejamos a nós mesmos e a cada um dos que nos rodeiam um
Ano Melhor, não nos preocupamos, nem por um instante a tentar perceber o que
faríamos de diferente para conseguir tal desejo.
No frenesim do momento muitos
esquecem que nos despedimos de um Ano cujos maus resultados ultrapassaram as
nossas piores expectativas: um mundo devastado pelas guerras que o ódio e a
ganância impuseram por todos os continentes; um Planeta à beira do colapso
ambiental, com o capital a manter-se cego e surdo, face ao aproximar galopante
do ponto de não retorno.
No nosso território, País e
Região, foi um ano de regressão social e do desbaratar de oportunidades. Oportunidades
políticas com o Partido Socialista a fazer da sua maioria absoluta um
instrumento de sobressalto e um veículo de aceleração das políticas de classe
sonhadas à direita mas que este executou transvertidas de esquerda e cujas
consequências estão à vista com o agudizar e multiplicar de crises na saúde, no
ensino, na habitação, nos transportes, nos apoios sociais aos mais fragilizados
e no empurrar para a pobreza muitos milhares de trabalhadores que, apesar de
trabalharem não conseguem fazer face às despesas do dia-a-dia.
Regressão e desbaratamentos cujos
resultados adquirem no Alto Alentejo uma ainda maior dureza fruto da nossa
própria fragilidade e da disseminação dos erros, incompetências e “crimes”
levados a efeito pelas várias extensões do Poder Central sob o alheamento
cúmplice das estruturas locais dos mandantes nacionais.
O resultado é dramático e pode
ser ilustrado com uma única situação: O círculo eleitoral de Portalegre, o
menor de todos eles e que só elege dois deputados, tem agora ainda menos eleitores
que nas eleições de há dois anos e claro, menos cidadãos residentes.
Um Novo Ano é sempre um renovar
de esperança. Em 2024, para o país e para a região, mais que esperança é uma
oportunidade que não podemos desbaratar.
Arrastados para uma crise
politica pelos que conseguiram transformar uma maioria parlamentar num
constante viveiro de problemas e de instabilidade, temos agora a possibilidade
de arrepiar caminho: condenar nas urnas quem deu sobejas provas de não honrar a
palavra dada, quem nos conduziu para o desastre.
E não vale a pena limitarmo-nos à
condenação de quem desbaratou a nossa confiança. É fundamental que não os
substituamos por outros que serão diferentes, na intensidade e na velocidade
com que nos empurrarão paro o caos.
Dois mil e vinte e quatro só será
oportunidade e mudança se conseguirmos, desta vez, despir-nos do preconceito e
da cegueira ideológica e dermos uma oportunidade a nós próprios elegendo quem está,
nas boas e nas más horas, na nossa rua, no nosso emprego, na nossa vida, sempre
ao nosso lado.
É difícil encontrá-los? Olhe que
não! Dispa-se de preconceitos, rebobine o filme com as posturas dos vários
partidos na Assembleia da República, recorde o que foram as promessas
eleitorais em 2015 e as práticas desenvolvidas.
Façamo-lo, a hora é de coragem!
Diogo Júlio Serra






