quinta-feira, 27 de abril de 2023

EM ABRIL, FALAR DE ABRIL!

Em Abril, Falar de Abril!

 



Quarenta e nove anos depois, o país ainda encontra razões para Comemorar Abril. E tem razão!

Apesar dos inúmeros golpes que o mutilaram, dos atropelos e dos desrespeitos continuados, Abril e os sonhos que nos permitiu, continua vivo no coração e no dia-a-dia das pessoas.

Também por isso a razão de se multiplicarem festejos e comemorações. Tantos a afadigarem-se para garantirem a pose na foto do dia e muitos outros, os que nunca lhe perdoaram, a intensificarem as manifestações de ódio, mesmo que escondidas por detrás de mil diferentes justificações.

De registar ainda haverem entre os que o comemoram, quem não se cansa de concentrar elogios nos que designam (agora) como heróis quando, tantas vezes, ofenderam e maltrataram esses mesmos que agora dizem venerar.

Entre as sinceras manifestações de apreço e a histeria de colagem a um dia que passadas 24 horas irão esquecer, registe-se a voz de um dos mais prestimosos membros do MFA a colocar a verdade que alguns teimam em esquecer:

“Movimento Coletivo…é a essência do MFA. Nada mais. Há militares com coragem e força de aço…Todos cumpriram…menos um tal JN…E o grande herói é o Povo Português”.

Tão verdade! Antes, durante e depois de Abril.

Antes quando com a sua resistência e luta manteve acesa a chama da liberdade e quantos dos seus filhos pagaram com a vida a manutenção dessa chama.

Durante o próprio dia quando souberam desobedecer aos comunicados do próprio Movimento que aconselhavam a ficar em casa e inundaram praças e avenidas colando-se aos militares, apoiando-os e desafiando-os a passarem da golpe militar à Revolução.

Depois, dia a dia, ano a ano, até hoje. Conquistando direitos, resistindo a cada golpe, defendendo Abril e a Constituição que o consagra, semeando e consolidando a democracia conquistada.

Que não tem sido tarefa fácil todos o reconhecemos.

Hoje, quarenta e nove anos depois, com as suas principais conquistas vertidas na Constituição da Republica e apesar do empenho popular e das necessidades do país, muitos dos direitos conquistados continuam sem serem efetivados e alguns foram mesmo “arrumados em gavetas” ou eliminados.

Ao arrepio da Lei Fundamental e dos valores de Abril, as politicas de direita recolocaram as regras do capitalismo, ou “do mercado” como gostam de dizer e foram mutilando os direitos até os “saudosistas” se sentirem, como agora, com o à vontade necessário para saírem da “clandestinidade” onde se moviam e virem abertamente exigir a destruição dos direitos e conquistas e a própria democracia conquistada com Abril.

Se dúvidas ainda houvessem bastar-nos-ia recordar os ataques movidos às próprias Comemorações de Abril na casa da Democracia.

Num ano a desculpa foi a pandemia, no seguinte foi a designação do Presidente da Comissão Organizadora do Cinquentenário, agora o convite a um Chefe de Estado. Tudo lhes justifica o combate porque o motivo é tão só o 25 de Abril e o que ele trouxe a Portugal e aos Portugueses.

Os valores que cabendo numa única frase preenchem a vida e os sonhos de todo um povo: O Pão, a Paz, Educação, Saúde, Habitação, a Liberdade de Mudar e Decidir e o sonho de que um dia seja dado ao povo o que o povo produzir!

Não lho permitamos. Comecemos hoje as celebrações do cinquentenário da forma como o vivemos no seu dia primeiro, com mil sonhos… e a capacidade de lutar por eles.

VIVA O 25 DE ABRIL!

 

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 12 de abril de 2023

SEMEAR ABRIL

 




SEMEAR ABRIL

Mais que o bonito título que o Grupo de Cantares de Portalegre escolheu para o espectáculo com que nos acolherá no CAEP no Dia da Liberdade para na companhia de João Santos, celebrarmos o 49º aniversário do 25 de Abril é uma necessidade.

Semear, tratar e colher são tarefas bem conhecidas de quantos como nós alentejanos, nascemos e crescemos neste território, bebemos e vivemos a sua ruralidade, brincámos junto aos campos semeados, partilhámos alegrias e cansaços de quantos se afadigavam em trocar a secura das terras em fartas e loiras searas e depois, garantiam a passagem de cada grão de trigo ao pão que alimentou e alimenta as nossas gentes.

É por conhecermos tão bem esse processo e por termos vivido a profunda transformação que Abril permitiu que estamos certos da necessidade, mas também da possibilidade de semear, tratar, colher e distribuir os seus valores e as suas conquistas.

E não vos falo da Revolução e dos sonhos que nos permitiu, nem dos ataques de que foi alvo desde a primeira hora. Muito menos de actos e pessoas que desde a primeira hora conspiraram, boicotaram e mataram para que não pudesse vingar. Não, falo-vos tão só desse dia “ inteiro e limpo” que abriu as portas das prisões, rompeu as mordaças da censura e do medo, trocou as chapeladas pelo voto directo secreto e livre, permitiu a livre associação de pessoas e organizações, descriminalizou o direito à greve e permitiu o início da emancipação da mulher.

Para que entendamos a necessidade de Semear Abril, falar-vos-ei tão só dos direitos, liberdades e garantias vertidas e mantidas na Constituição da Republica Portuguesa. A mesma que ciclicamente os cidadãos investidos no cargo de Presidente da Republica juram defender, cumprir e fazer cumprir… juramento que ciclicamente esquecem no imediato.

E, por isso mesmo, importa Semear Abril.

Semear, colher e disseminar os valores de Abril. Criar e formar cidadãos que intervenham e garantam que se cumpra Abril e a Constituição:

  • Que o direito a habitação, ao trabalho com direitos, à educação, à saúde, à paz não sejam apenas slogans mas sejam efectivados.
  • Que a Regionalização seja cumprida em vez dos “arremedos” anunciados como descentralização mas que de facto apenas descentralizam problemas enquanto centralizam o poder de decidir e os meios para agir.
  • Que o desenvolvimento harmonioso do país se concretize em vez do contínuo acentuar de diferenças entre territórios e populações.

Sejamos capazes de garantir essa seara. Consigamos provar a razão do poeta revolucionário quando escreveu no seu poema “As Portas que Abril Abriu”.

“… e se Abril ficar distante

desta Terra e deste Povo

nós temos força bastante

p’ra fazer um Abril Novo.”

Que viva Abril!

Diogo Serra

 

quarta-feira, 29 de março de 2023

Não somos um país pobre, somos um país que foi empobrecido.

 

Não somos um país pobre, somos um país que foi empobrecido.


Nos últimos dias nos diversos canais de televisão os chamados “opinadores” têm escalpelado os documentos ou as intenções do governo apresentadas com o objectivo de minimizar as enormes dificuldades de quem vive do seu trabalho em esticar o magro orçamento das famílias. Fazem-no, ao que parece, na esperança de o poderem descredibilizar não pelo que ele possa ou não valer mas pela sua (deles) necessidade de menorizar o governo num processo há muito denunciado de “o cozer em lume brando” até que encontrem à direita quem e como possam ser os actores para a alternância.

Cumprem apenas a vontade de quem os alimenta. Agora o alvo é o governo e a necessidade de o descredibilizar abrindo caminho à direita pura e dura tentando dar-lhe alguma credibilidade, que manifestamente não tem, e que impede o seu Presidente da Republica de avançar com a demissão da Assembleia.

Num tempo em que os portugueses sofrem uma brutal inflação que os salários e pensões não acompanham e quando muitos deles, mesmo trabalhando, não conseguem garantir o pão, a habitação e a saúde enquanto os 5% mais ricos apropriam-se de 48% da riqueza produzida em Portugal, estes ataques ao governo não são, muito pelo contrário, a contestação das políticas de direita que este impõe a quem trabalha ou trabalhou.

Esta estratégia de descredibilizar o governo é tão só um detalhe no combate que movem a Abril e ao seu significado. Não querem perceber que a situação a que anos de rapina nos conduziram não pode e não vai continuar!

Acresce a isto que o actual governo não precisa que o descredibilizem. Ele próprio encarrega-se disso.

Ao recusar a continuação da convergência à esquerda e usando a sua maioria para retroceder nos caminhos e politicas que procuravam consolidar direitos de cidadania e menos desigualdades entre pessoas e entre territórios, o governo e a sua maioria escolheram ser reféns dos que agora em nome da alternância aguardam o momento certo para os afastarem do poder.

Optou por ser actor menor das políticas da EU e internamente, manajeiro dos interesses do grande capital de quem a própria União Europeia é instrumento e refém e, por isso, deixou de ter o “amparo” do mundo do trabalho sem conquistar o respeito dos sectores a quem verdadeiramente beneficia.

A sua posição face à decisão do BCE de voltar a aumentar as taxas de juro é ilustrativa.

O apoio a esta medida que está a infernizar a vida de mais de um milhão de famílias que têm empréstimos à habitação, ao mesmo tempo que os bancos anunciam lucros recorde, como se verificou no último ano com os cinco principais bancos nacionais: lucros de mais de 2,5 mil milhões de euros que representou uma subida de mais de 81% face ao ano anterior.

O mesmo no que respeita ao aumento especulativo dos preços e à perda do poder de compra face à inflação que já ultrapassou os 8 %. As políticas do governo têm como resultado a privação para milhares de trabalhadores e reformados em acederem a bens essenciais como a comida. Constata-se que para um número crescente de pessoas não é possível ter mais que uma refeição quente por dia.

À inflação de 8,1%, a maior das últimas décadas, acresce o facto conhecido que esta não afecta todos da mesma forma. Esta reflecte a evolução dos preços de um conjunto de bens e serviços. As famílias de baixos rendimentos são muito mais afectadas, porque há um conjunto de bens e serviços de que já não tinham condições de adquirir e aquilo que é básico, a alimentação, a energia, tiveram aumentos bem superiores ao aumento da inflação: os lacticínios aumentaram 25%; as frutas e legumes mais de 30%; a carne e o peixe mais de 20%.

Esta é uma realidade que contrasta com os colossais lucros obtidos pelos grupos económicos, alguns com valores recorde:

A GALP obteve lucros recorde de 881 milhões de euros.

A EDP obteve 681 milhões de euros de lucro.

Os lucros da Sonae e do Jerónimo Martins nos primeiros nove meses de 2022 aumentaram mais de 30%.

As seguradoras aumentaram os seus lucros em 39%, para 900 milhões de euros.

O Banco Santander duplica o lucro para 568 milhões de euros.

Os lucros do BPI aumentam em 50% para 207 milhões de euros.

Dizem-nos que é assim por causa da guerra, da inflação, como se não fosse possível fazer nada, como se fosse uma fatalidade. Dizem lamentar as desigualdades, mas que não há outra solução como se estivéssemos condenados a esta política de baixos salários e ao contínuo empurrar das famílias e dos territórios para o empobrecimento e a exclusão.

Não é verdade. A situação que vivemos é o resultado de opções políticas que apostam em priorizar o lucro, a acumulação da riqueza nas mãos de uns poucos mesmo que para isso empurre para a pobreza milhares de trabalhadores e as suas famílias.

Esta é a natureza capitalismo e de quem o defende e pretende perpetuá-lo. Não é, nunca será uma fatalidade!

Assim o queiramos!

sexta-feira, 3 de março de 2023

CONSTRUAMOS A PAZ!

 

Façamos Guerra à Guerra. Construamos a PAZ!

“À guerra não ligues meia

Porque alguns grandes da terra

Vendo a guerra em terra alheia

Não querem que acabe a guerra.”

 


Cumpre-se hoje, data em que escrevo, um ano desde o dia em que o exército russo invadiu a Ucrânia dando inicio ao que a Federação Russa apelidou de “operação especial para a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia” e acabar com oito anos de guerra”.

Mais um capítulo do que sabemos hoje, dolorosamente, tratar-se de uma guerra entre a Rússia e o chamado Ocidente alargado (USA, Nato, EU). Uma guerra (mais uma) em que os falcões nos arrastaram e que volta a ter como palco o território europeu.

O “saldo” em mortes, destruição e pobreza ilustra a dimensão da tragédia e os “pagantes” são, como sempre, as populações dos territórios dilacerados, mais as vitimas dos chamados danos colaterais: as populações dos países, como Portugal, a quem o esforço belicista rouba o pão, o sossego e a segurança, atiçam e estimula ódios de um passado que muitos de nós não esquecemos.

Esta guerra que muitos portugueses só descobriram quando da invasão da Ucrânia pelas tropas russas ou quando os megafones do capital iniciaram a propaganda do ódio, tem por detrás vários anos de confrontações e de mortes.

É um processo que em nada difere do que foi montado na Jugoslávia, no Iraque, na América Latina ou que ainda decorre na Síria e na Palestina.

Na Ucrânia foram usados as mesmas “velhas” receitas: agitação social e violência orientada contra os poderes que não se submetem às diretrizes dos falcões, injeções de dinheiro para quem trai, rotulagem e sanções para quem resiste e de caminho, rapina de bens dos “inimigos”.

Todos conhecemos o processo. Foi usado nos Balcãs para destruir a Jugoslávia, na Síria, no Afeganistão e no Irão inventando nacionalismo ou criando o Daesh. Foi igual na Líbia inventando as revoluções coloridas, no Perú e na Bolívia e no Brasil derrubando os Presidentes eleitos e no Brasil impedindo Lula de concorrer e ganhar as eleições, na Venezuela inventando Gaidós, na Bielorrússia fabricando agitação “democrática”.

Na Ucrânia usaram métodos que nós portugueses conhecemos bem: o assalto à Casa dos Sindicatos, incendiando-a queimando vivos os 39 sindicalistas que a defendiam tem a marca fascista que em Braga incendiou o Centro de Trabalho do PCP, dos assaltos e das bombas que o fascismo aqui semeou em 1975/6.

 Ali, como por cá, eram pró-russos todos quantos se lhes opunham. Ali como por cá, todos sabiam quem eram os responsáveis mas nunca foram julgados. Ali, como por cá já se ensaia, são pró- russos os que se opõem à tentativa de hegemonização do imperialismo.

Hoje, quando é claríssima a necessidade de garantir a Paz é também conhecida a principal razão do seu início e manutenção: garantir o enfraquecimento estratégico da Federação Russa. São as autoridades norte-americanas quem o afirma e, talvez, seja essa a principal justificação para que se diabolizem todas as tentativas de garantir a PAZ se “descarreguem “ cada vez mais armas no teatro da guerra, se diabolizem e se rotulem de pró-russos todos os que exigem a PAZ.

O nosso país, que tenta sempre ser o menino obediente face às ordens de Ianques e U.E, aí está a canalizar o seu esforço para alimentar a máquina de guerra que o seu povo (nós) pagamos em inflação galopante, em aumento escandaloso dos preços de primeira necessidade, em perda acelerada do poder de compra a aumento exponencial da pobreza já bem visível por todo o território.

O Presidente da Republica dá o “toque final” ao decidir atribuir a Ordem da Liberdade ao “manajeiro” de tal estratégia em vez de homenagear os que sofrem com tais acções, os povos da Ucrânia e das regiões russófonas do Donbass.

Até quando?

Diogo Serra

sábado, 25 de fevereiro de 2023

 


XII CONGRESSO DA USNA/CGTP-IN

Portalegre, 24 de Fevereiro de 2023

Intervenção de Diogo Serra/Inter Reformados

 

Bom dia a todas e a todos.

Um abraço fraterno da Delegação da Inter-Reformados, a todos os convidados, à Direção da CGTP-IN e a todos os delegados presentes neste XII Congresso e por vosso intermédio a todos os trabalhadores e população do Norte Alentejano.

Volto hoje usar da palavra num Congresso da nossa União. Faço-o pela 12ª vez e em 12 congressos diferentes como antes o havia feito na 1ª Assembleia da Organização Sindical no Distrito que antecedeu os Congressos e mais atrás, desde 1978 em cada um dos Plenários Anuais em que fazíamos o balanço do trabalho feito e definíamos os caminhos para mais um ano.

Desde então e até hoje só mudou, para além do aspeto físico do orador, a condição em que o faz. Este ano e assumindo a minha condição de Reformado, como membro da delegação da Inter-Reformados que assinale-se, intervém pela primeira vez num Congresso da União.

Caras e Caros Delegados,

Estimados convidados.

Em Portugal as pensões tem vindo ao longo dos anos a perder poder de compra e entre 2010 e 2015 estiveram congeladas. Nos anos seguintes nem todas as pensões tiveram aumentos e em todas elas se se concretizou a perda do poder de compra.

Já em 2022, face a uma inflação muito acentuada e o aumento brutal dos preços dos bens essenciais o governo responde com propaganda a tentar ocultar a fuga ao cumprimento da aplicação da formula legal da atualização numa manobra que os reformados rotularem e bem de fraude.

Hoje, é sobejamente conhecida a difícil situação vivida pela esmagadora maioria dos Reformados, Pensionistas e Idosos em Portugal, com pensões de miséria que veem sistematicamente emagrecer, com acesso cada vez mais difícil às instituições de saúde e tendo, muitas vezes de optar entre o medicamento e a alimentação.

A situação vivida no Norte Alentejano só se diferencia por ser ainda mais difícil.

Como os documentos em vosso poder registam (dados de Novembro de 2022) existem no distrito perto de 30 mil reformados com pensões de velhice cujo valor médio é ainda inferior ao já baixíssima média nacional que é de 480 euros mensais.

Aqui, o valor médio das pensões de velhice é de apenas 391 euros, 18,54 % abaixo da média nacional e 17,7% abaixo do limiar da pobreza, situação que não se modificará, se nada for feito, uma vez que os salários praticados são, aqui, também eles, miseravelmente baixos.

Conforme o quadro inserto nos documentos que nos estão distribuídos e sem ter em conta o setor da Administração Publica, 60,8 % dos trabalhadores por conta de outrem recebem entre 601 e 800 euros, havendo mesmo 967 que auferem mensalmente menos de 600 euros.

É uma situação insustentável para a esmagadora maioria dos norte-alentejanos tanto mais que aos salários pequeninos de português e norte Alentejano se juntam os preços europeus (em muitos casos superiores aos praticados em países ricos) e uma inflação galopante que os senhores da guerra, a lógica capitalista e os oportunistas internos nos impõem em cada dia.

Há que travar as políticas que a originam, derrotar as logicas que as justificam e retomar os caminhos que muitos dos reformados de hoje construíram e que décadas de contra-revolução têm vindo a desmantelar.

Não é, por isso, o tempo de reformados ou não, calçarmos as pantufas.

Os trabalhadores e em particular os trabalhadores reformados temos o dever de continuar o caminho para alcançar o Portugal que merecemos. Um país e um mundo, como cantou o poeta, com pão, paz, saúde, habitação, liberdade de mudar e decidir e convenhamos, tal caminho é possível. Assim o queiramos!

Para tanto é fundamental retomar e intensificar a luta.

Luta pelo esclarecimento de todos e todas e em particular daqueles e daquelas que a destruição do sonho, as dificuldades e pancadas infligidas, os enganos e desilusões tendem a deixar-se arrastar pela desilusão e pela descrença e intensificarmos o seu chamamento à ação.

Luta com os trabalhadores do ativo pelo aumento geral dos salários, situação imprescindível para que as pensões do futuro não continuem miseráveis.

Luta com os reformados e pensionistas com todos os idosos pelo cabal cumprimento da lei da atualização em 2023 e nos anos seguintes e pela exigência da melhoria das pensões de forma a que seja reposto e melhorado o poder de compra dos idosos.

Luta com quantos continuam a bater-se por um pais livre, moderno e inclusivo que não deixe para trás pessoas e territórios, que Cumpra Abril e a sua constituição.

Camaradas

Essa compreensão do caminho que é preciso percorrer tem vindo a crescer também no distrito de Portalegre onde tem sido visível o crescimento da vontade dos trabalhadores no ativo e na reforma de fazerem da luta o caminho para travar as desigualdades e garantirmos a todos os níveis de bem-estar e desenvolvimento que merecemos e reivindicamos,

Nos últimos dois anos os trabalhadores do distrito e em particular os trabalhadores reformados voltaram a trazer à rua as suas dificuldades, as suas justas reivindicações e particularmente a sua determinação em continuarem a ser atores da sua própria vida.

A Inter-reformados acompanhada pelo MURPI e as suas comissões de reformados pensionistas e idosos e apoiados no Movimento Sindical de Classe tem vindo a desenvolver inúmeras ações de organização e combate que tiveram expressão pública em diferentes localidades:

Em Outubro de 2021 em Avis, um dos concelhos do distrito onde é mais sentido o défice de médicos de família com uma Tribuna Publica sobre cuidados de saúde primários;

Em 2022, de novo em Outubro, em Portalegre, com a realização de concentração e desfile contra o roubo das pensões, com um cordão humano entre a sede da Segurança Social e a rotunda do Navio.

Já este ano, a 24 de Janeiro, em Ponte de Sor com uma tribuna Publica de denúncia da perda do poder de compra e pelo aumento das pensões.

Foram tão só pequenos passos dum caminho que é necessário e urgente fazer.

Um caminho que defenda e garanta o Sistema de Segurança Social público e inter-geracional que potencie a solidariedade institucional e que torne natural que as gerações no ativo mantenham e ampliem os direitos que os reformados de hoje conquistaram e mantiveram, com a certeza de que serão os trabalhadores de amanhã a garantirem o sistema aos que hoje o alimentam e defendem.

Que garantam a sua sustentabilidade através do aumento do emprego e dos salários;

Que garanta a melhoria das pensões do futuro através da melhoria dos salários do presente.

Este é um combate (mais um) que é preciso travar e vencer. Um combate para o qual os reformados e pensionistas de hoje estão obrigatoriamente convocados e que não permite deserções, porque é um combate pelo futuro e pelo presente.

Lutar pela saúde e pela defesa e melhoria do Serviço Nacional de Saúde é importante para os filhos e netos mas é-o também para os reformados, pensionistas e idosos a cada dia mais necessitados desse apoio ao longo da vida;

Lutar, lado a lado com os trabalhadores do ativo, pela melhoria dos salários é acto de solidariedade mas é também a defesa da segurança social pública e solidária e da melhoria das pensões de hoje e de amanhã.

Caros delegados

Este caminho que todos reconhecemos como necessário só é possível se nos empenharmos no nosso movimento sindical de classe em dar cumprimento ao que nós próprios decidimos; organizar no seio dos nossos sindicatos os trabalhadores reformados e garantindo-lhes a capacidade de continuarem a luta.

No nosso distrito é ainda mais importante e as ações que temos desenvolvido a partir da União mostram que para além de necessário é possível garantir uma InterReformados mais forte e atuante a partir de cada um dos nossos sindicatos.

Se todos o quisermos é possível uma Inter-Reformados mais forte e mais interventiva no Norte Alentejano.

Vivam os Trabalhadores de todo Mundo e o seu Movimento Sindical de Classe!

Viva a CGTP-Intersindical Nacional!

Viva a União dos Sindicatos do Norte Alentejano!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

FAZ DAS INJUSTIÇAS A FORÇA PARA LUTAR

 



Faz das injustiças a força para lutar!

A frase que serve de título a este texto é a transcrição da palavra de ordem do PCP dirigida a quantos sofrem as mais diversas e abjetas injustiças, num país que aspira e merece um caminho diferente do que lhe vem sendo imposto percorrer.

Trata-se de alimentar a resiliência de um povo, de combater a desilusão e não permitir que se assuma como inevitável o que é tão só fruto da vontade de uma minoria de pessoas, para servirem menos pessoas ainda.

É uma palavra de ordem totalmente adaptada ao Alto Alentejo e à sua população e que deveria ser por nós (todos) apropriada e assumida, tão grave é a situação para onde nos têm empurrado.

Num distrito sistematicamente empurrado para os últimos patamares do desenvolvimento e de bem-estar e, por isso mesmo, em acelerado processo de desertificação humana e envelhecimento da população.

O índice de envelhecimento é de 242 quando o distrito perdeu na última década 13.517 habitantes. Uma perda que atingiu cada um dos 15 concelhos e colocou Portalegre como a capital de distrito que mais população perdeu e também a que mantem o menor numero de habitantes.

Não será preciso procurar outros exemplos para ilustrar a situação que vivemos, tanto mais que esta é uma verdade em que todos os quadrantes da sociedade se reconhecem.

Se existe unanimidade no diagnóstico o mesmo não acontece no apontar das causas e na terapêutica a usar. Lembremos. É fácil o consenso na definição do problema demográfico como uma das mais graves situações que nos afligem, mas este já não é possível na identificação das razões que a originam e muito menos nas medidas necessárias para travar e inverter tal situação.

Para alguns a perda demográfica e envelhecimento tem causas “ sobrenaturais” cujo combate só pode travar-se através “de intervenção divina”; para outros, a culpa é dos que aqui nasceram e teimam em viver: não querem filhos, não querem ficar por cá, pelo que a solução, dizem, passa por estimular essa vontade, seja com subsídios aos recém-nascidos ou com “suplementos vitamínicos” para os jovens casais. Uns e outros recusam-se a reconhecer aquilo que durante um dia inteiro no Pavilhão Multiusos de Monforte dezenas de trabalhadores, delegados à Assembleia de Organização da Direção Regional de Portalegre do PCP, não se cansaram de mostrar.

A culpa é, disseram-nos, das políticas de direita que apostam nos interesses do Capital que engorda, (também no distrito), pela rapina de recursos e da riqueza produzida.

A solução passa pela valorização do território, do distrito e de todo o Interior com políticas nacionais de desenvolvimento regional; por políticas de coesão territorial no terreno, por forma a travar esta situação no imediato e inverte-la no futuro.

Como se reafirmou no Multiusos de Monforte a situação demográfica não se altera com pequenos subsídios de nascimento aos jovens pais. Alterar-se-á, sim, se a precariedade dos jovens for eficazmente combatida, se aos pais, atuais e futuros, forem garantidos salários dignos, se a todas as crianças for garantido o direito a creche gratuita, ensino de qualidade e sem custos, se para eles e para as famílias for garantido o direito à saúde.

O doloroso índice de envelhecimento (duzentos e quarenta e dois idosos por cada 100 trabalhadores ativos) só poderá ser travado quando for garantido aos jovens na região trabalho com direitos e salários dignos.

O doloroso caminhar para o não futuro só será travado e invertido se, e quando, o distrito puder contar com investimento publico (em vez de meras promessas) que nos garanta acessibilidades; um serviço nacional de saúde de acordo com as nossas necessidades e a excelência dos trabalhadores do sector, uma escola pública inclusiva e de qualidade, de acordo com o que necessitamos e os trabalhadores do sector reclamam e podem garantir.

Tudo isto desfilou, domingo em Monforte, no decorrer da Assembleia de Organização do PCP.

Eu e muitos outros estando presentes, fomos parte do empenho na denúncia e na proposta, propostas que acreditamos serem necessárias e inadiáveis; perante este quadro importa transformar decisivamente as injustiças em força pra lutar!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

OS EMBAIXADORES E OS "DONOS" DO CANTE"

 


Os Embaixadores e os “donos” do Cante!

Uma polémica intensa acerca de um não assunto

1. Nas últimas semanas nas redes sociais muitos alentejanos no território ou na diáspora esgrimiram opiniões, indignações e outros “ões” quanto à legitimidade do cantor Pedro Abrunhosa para ser embaixador do cante alentejano que, afirmavam alguns, tinha para isso sido contratado e principescamente pago, subentendia-se, pela Entidade Regional de Turismo ou, pior, pelo seu Presidente.

As opiniões mais ou menos indignadas, quando não mesmo o insulto, cruzavam-se nas redes sociais à medida que mais internautas se afadigavam a comentar o comentário, que comentava o que alguém, que já não sabiam quem, havia postado.

Pelo caminho já havia réus, provas e culpados e em cada nova postagem ditavam-se as penas de quem cometera tais blasfémias.

Questionei um desses postadores, meu amigo, que me reafirmou a sua indignação por a Região de Turismo ter ido contratar para embaixador do Cante um fulano do Norte que, disse-me, nem sabia cantar. Questionado por provas que justificassem o sucedido “atirou-me” que o próprio Presidente da Entidade Regional de Turismo o havia anunciado na sua página no facebook.

2. Mesmo que tal fosse verdade, mesmo que tivesse sido convidado alguém para levar o cante a diferentes paragens ou para incorporar o cante no seu repertório, haveria algum motivo para contestação? Claro que sim, responderam-me. “Já há uns tempos um chico-esperto do norte quis abocanhar o capote alentejano”.

Não fiquei convencido e atrevo-me a colocar aqui mais uma dúvida. O Cante não foi candidatado e declarado património cultural da humanidade? E as fronteiras da humanidade cabem no nosso Alentejo ou pior, como alguns me gritaram, no Baixo Alentejo?

O Cante Alentejano, o Fado, a Arte Chocalheira, o Figurado de Estremoz e tantas outras manifestações do nosso Património Cultural Imaterial ao serem por nós investidos da categoria de Património da Humanidade passaram a não ser (apenas) dos alentejanos, dos lisboetas, dos vianenses e estremocenses passaram a ser de TODA A HUMANIDADE.

3. Mas há mais, muito mais. A intensa e acesa discussão tinha por base um “coisa nenhuma” ou pelo menos um conjunto de afirmações contidas num editorial de um jornal da Região e das quais o seu autor se viria a retratar.

Terá sido esse Editorial que diz-se, mais motivado por “ressabiamento” do que por tristeza, levou a que o post do Presidente da ERTAR fosse intuído em vez de lido e a que se juntou um misto de vontade de um acerto de contas (nessa parte eu compreendo) com quem fora das cantigas usou da sua popularidade para tomar partido contra um partido e a sua festa levando pela frente os seus próprios camaradas de cantigas.

Hoje, parece, já poucos se lembrarão das diatribes e remoques, muitas vezes atingindo o insulto e na sua maioria, das razões que os motivaram. Todavia, esse episódio, mais um, mostra-nos quão perigoso é a prática opinativa sem o mínimo de conhecimento sobre o que se opina ou com esse “conhecimento” baseado em débeis capacidades de leitura e numa incapacidade não assumida de saber interpretar um texto.

O capacidade destes opinadores de sofá em assumirem a presunção da culpa, até prova em contrário, só é equiparável à resistência em confirmar o que recolheram, quase sempre, através “do diz-se por aí, ou pelas postagens dos fabricantes de mentiras e da disseminação da boataria.´

Esperemos que consigam/consigamos aprender com os erros!

Que viva o Cante!

Que saibamos afirmar o Alentejo como Um Povo, uma Cultura, uma Região.