segunda-feira, 8 de julho de 2019

Apresentação da Cabeça de Lista e do Mandatário da CDU




Saudação a todos e todas!
Os que estão e os que hão-de chegar
Permitam-me que num gesto de alegria e vaidade possa partilhar convosco o orgulho enorme em esta aqui.
E sobretudo pelo reconhecimento de que a CDU ao convidar-me para mandatário distrital da sua candidatura por Portalegre, me ter dado a honra de poder continuar a intervir,  com o meu modesto contributo, para podermos um dia concretizar o sonho de podermos viver e trabalhar no território onde nascemos ou que elegemos para viver e, também para, a partir daqui intervirmos na construção do País que sonhámos e queremos: Livre, Democrático, Soberano e Justo!
Hoje é para mim e penso, sê-lo-á também para o nosso distrito, um dia de grande significado por três motivos diferentes:
·         1º Portalegre, mais propriamente o nosso IPP acolhe hoje e amanhã, uma importante iniciativa: A MOSTRA  - economia circular;
·         2º A União dos Sindicatos do Norte Alentejano – Estrutura sindical de classe e polo de resistência e construção de futuro, comemora o seu 44º aniversário;
·         3º Aqui e agora damos início a um caminho que pretendemos nos leve a dar vida e voz ao Norte Alentejano e coloque na assembleia da república (de forma directa) as aspirações e propostas do distrito de Portalegre.
Hoje estivemos aqui aqui, para iniciar um caminho que pretendemos nos leve a retomar no Parlamento o lugar que ambicionamos e merecemos.
Ambicionamos porque reconhecemos que não serão os executores ou apoiantes das políticas cujos resultados bem conhecemos os mais indicados ou capazes de alterar o rumo para onde nos tem conduzido.
Merecemos porque temos dado sobejas provas de trabalho, de honestidade e competência em defesa das políticas que defendemos e o distrito precisa.
Quarenta e cinco anos depois do Abril que permitiu todos os sonhos, o nosso distrito está atirado para uma situação de quase não retorno aos caminhos do desenvolvimento e da prosperidade.
A situação demográfica é um nítido retrato.
Entre 1960 e 2015 o distrito de Portalegre perdeu 17.992 habitantes que percentualmente quase atinge os 10% (9,54%) mas que pode ser referido de forma mais drástica:
Durante este período a perda de população corresponde à totalidade da população (ao dia de hoje) dos concelhos de: Portalegre - 23.175; Elvas-21.571; Ponte de Sôr - 15.709; Campo Maior - 8.214; Nisa - 6.649 e Monforte - 3.129.
Ou, dito de outra maneiras as perdas sofridas correspondem a cerca de 70% da população actual.
 Uma situação que se irá agravar estimando-se que em 2021 tenhamos apenas 109.994 habitantes.
Este retrato (e ao contrário do que muitas vezes nos querem fazer crer) é a consequência das políticas erradas ou deliberadamente decididas contra o chamado interior que, no nosso caso, é o interior do interior.
Este retrato é o resultado da destruição do nosso aparelho produtivo:
De cidade industrial passamos a cidade de arqueologia industrial. De território agrícola e de produtos de excelência a território diariamente envenenado.
Um território de onde são retirados os serviços públicos, encerradas as vias ferroviárias e esquecidas as rodovias, e onde, as políticas demissionistas do Estado Central impuseram um deserto de gente, de serviços.
Um distrito onde às escolas, aos serviços postais, aos centros de saúde e às juntas de freguesia que fugiram das aldeias, juntamos o que retiraram das nossas cidades:
O governo civil (trocado pela Regionalização que nunca mais chega), os hospitais que já foram de referência e agora agonizam sem meios, sem gentes e particularmente sem rumo nem timoneiro. (ainda ontem isso mesmo foi dito à Comissão Parlamentar de Saúde).
Os inúmeros serviços públicos encerrados ou deslocalizados, que colocam barreiras a quem cá vive ou aspira a viver
Este é o Estado a que chegámos e que importa alterar!
Na passada 2ª feira, muitos de nós estivemos em Castelo de Vide a assinalar os 75 anos do nascimento de um Capitão de Abril, o Capitão Salgueiro Maia.
Pudemos relembrar a forma como anunciou aos militares sob o seu comando os objectivos do MFA e da coluna que iria comandar:
Iam a Lisboa, disse então, derrubar O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU!
Pois bem. Para todo o distrito de Portalegre é preciso seguir tal exemplo. É preciso pôr fim ao estado a que isto chegou. Para que o consigamos, já não é necessário marchar com armas sobre lisboa mas é fundamental a mesma vontade e a mesma coragem para fazermos o que tem que ser feito!
É absolutamente necessário marcharmos (no nosso território) para, porta a porta, eleitor a eleitor, com a palavra e o convencimento derrotarmos o preconceito e o desânimo.
Para pôr no parlamento, através da Manuela Cunha, a voz e os sonhos do distrito de Portalegre!
AVANÇAR É PRECISO!
VIVA A CDU!
(Intervenção de Diogo Serra - Mandatário distrital)

quarta-feira, 26 de junho de 2019

No pós 10 de Junho!



No pós 10 de Junho!

Portalegre e o Alto Alentejo viveram uma “quinzena de ouro” que nos (re)colocou no mapa político nacional e nos permitiu recuperar o orgulho de sermos “Alentejanos do Norte”.
Um período que se iniciou com as comemorações do dia da Cidade e terminou com a concretização do dia de Portugal de Camões e das Comunidades.
Pelo meio, a eleição da vila do Crato como sede do governo e a cerimónia montada para anunciar (pela quarta vez) a obra há 63 anos esperada - a construção da barragem do Pisão.
Uma “quinzena” onde todos ganhámos!
Os “Lagóias” o direito a reverem a sua cidade decorada e limpa e a participarem nesse “feito”.
 Os alentejanos, todos, a satisfação de tornarem a ouvir (pela quarta vez) os governantes a prometerem-lhe que... agora é que é! E, como a esperança nunca morre, até fizemos por esquecer que um dos ministros qua ali estiveram a prometê-la já é repetente na promessa...
O encerramento desse período de afirmação de Portalegre e dos Portalegrenses aconteceu com o concretizar da decisão do Presidente da República de podermos partilhar com Cabo Verde a honrosa posição de anfitriões das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal de Camões e das Comunidades.
A cidade transformou-se numa enorme exposição do nosso “poderio militar” e, por fugazes momentos, em montra do que de bom, e é muito, aqui temos e produzimos.
Nem tudo foi perfeito ou, pelo menos, nem todos vimos da mesma forma o que aqui se passou e em particular como se “escolheram” e actuaram muitos dos protagonistas desse período e em particular da forma como o Municipio não aproveitou todas as condições criadas para promover a região e as nossas gentes e, atente-se à polémica surgida, com a escolha do Presidente da Comissão Organizadora e com os discursos produzidos.
Vejamos:
Quanto à promoção do que de bom aqui temos e fazemos. Podíamos ter feito melhor?
Sim, podíamos e devíamos e bastava para tanto que tivéssemos tido (município e organizações) a mesma iniciativa que alguns poucos tiveram e em particular a Associação de Criadores do Rafeiro Alentejano ou a Confraria do Senhor do Bonfim.
Não potenciámos a nossa riqueza cultural?
É verdade. Apesar de temos incluído no programa as Tapeçarias de Portalegre (que essas sim, têm colaboradoras desde que foram despedidas todas as trabalhadoras), “esquecemos” o Espaço Robinson, com a sua riqueza patrimonial, a necessidade de apoio financeiro e a recomendação unânime da Assembleia da República para que o Governo garanta a sua preservação.
Mostrámos do melhor que existe no nosso acervo cultural, mas fizémo-lo em “circuito fechado” e “esquecemo-nos” que somos a capital da doçaria conventual e campeões no que respeita a produtos alimentares certificados.
Mostrámos a nossa apetência para contestar tudo. Opções politicas nacionais e municipais, indigitações e nomeações (JMT que o diga), e os discursos proferidos numa profusão que acaba por justificar o discurso escrito a quatro mãos e lido a 10 de Junho pelo Presidente da Comissão Organizadora.
Todavia, o que importa é o futuro e agora o fundamental é garantir que se cumpra o que Marcelo Rebelo de Sousa referiu: “...  a escolha de Portalegre para receber as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 2019 »também é simbólica, porque significa que Portugal nunca se esquece dessas realidades que são os portugais, não direi desconhecidos, mas que são minimizados, menorizados ou nem sempre presentes na vontade colectiva"...” o 10 de Junho não pode acabar por hoje”.
Importa, acima de tudo, não deixarmos repetir o vivido 43 anos atrás quando o que se seguiu ao 10 de Junho aqui comemorado foi o acentuar do estado comatoso que se foi agravando até nos deixar cidade,concelho e distrito, no patamar de quase não retrocesso em que este 10 de Junho nos veio encontrar.
Que seja verdadeira a afirmação da Presidente do nosso município. Que a escolha da nossa cidade para as comemorações de 10 de Junho “nos faça acreditar que é possível ter esperança no futuro” e já agora que motive o executivo a que preside a tornar verdadeiro o slogan com que se candidatou e seja Portalegre (a cidade e a região) a vontade que (n)os une!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 5 de junho de 2019




Andar para trás não. Avançar é preciso!




“Não me digas que não me compr´endes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a nascer-te nos dentes
…”
Consumadas as eleições para o Parlamento Europeu e dado o tempo necessário ao travar das euforias, para uns, e o “lamber das feridas” para outros é tempo de tentar compreender o que se passou e daí tirar as lições que se impõem.
É público o meu empenhamento numa solução que, desta vez, foi significativamente penalizada e, por isso mesmo a identificação com a estrofe que escolhi para encimar o meu texto e ser-me-ia extremamente fácil, embora pouco sério, justificar os resultados, aqui e no país, com barreiras que nos foram sendo colocadas, com tratamento desigual entre as diversas forças em presença, etc.. etc….
Seria tudo verdade. Enquanto mandatário distrital da candidatura CDU não deixei de me indignar e protestar contra algumas dessas práticas. Mas seria fugir ao essencial.
Outras candidaturas foram levadas ao colo? Sim! O aparelho do Estado foi aproveitado eleitoralmente? Sim! A comunicação insistiu na discriminação ou na desvalorização da CDU? Sim! A difusão massiva de calúnias e mentiras procurou colar-nos ao que de censurável se vem praticando nos centros de poder? Sim! Pagámos por aparecermos como parte duma solução para o País e termos viabilizado um governo do PS? Sim!
Sim, tudo isso seria e é verdade mas é tão só uma pequeníssima parte do que originou este alheamento entre os eleitores e as nossas propostas. Tanto mais, que estas situações sempre se verificaram por parte do bloco central de interesses que controla o poder político, domina os grandes órgãos de comunicação e atua de mão dada com o grande capital e os seus capatazes no país. E, já agora, o apoio Parlamentar ao Governo do PS não pode ser “desculpa” porque outros igualmente comprometidos com essa solução viram reforçadas as suas posições.
Há que encontrar outras causas e aprender com elas.
Para além das já enumeradas e que não me causam nem estranheza nem angústia. - Ninguém esperaria, muito menos nós, que o sistema capitalista e os seus defensores: partidos, comunicação social, aparelho de estado, organizações patronais e multinacionais, não combatessem afincadamente quem nasceu e existe para lhes pôr fim – penso que as situações onde é fundamental intervir são as que se prendem com a capacidade de fazermos passar a nossa mensagem e com a compreensão de que novas ferramentas comunicacionais entraram em força na ação politica.
- A entrada, a sério, das redes sociais e do aproveitamento “profissional” que destas fazem os fabricadores de notícias falsas e de calúnias direcionadas;
- A análise rigorosa das apetências e necessidades (reais ou fabricadas) de diferentes camadas da população e a definição de propostas claras e exequíveis para responder a tais “necessidades”.
Depois, porque é fundamental “não voltar atrás e avançar é preciso”, importa assumir com frontalidade o que defendemos para o Mundo, a Europa, o País, a Região o Concelho. Sabendo que é preciso fazer o caminho, que na construção desse caminho é preciso conseguir aliados mas que o nosso horizonte esteve, está e continuará a estar: “uma terra sem amos. A Internacional!”
Diogo Júlio Serra
(publicado no Jornal Alto Alentejo de 5-6-19)

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Vê Moinhos...


Vê Moinhos, são Moinhos!
Vê Gigantes, são Gigantes!*

“A censura do  Estado Novo  é herdeira direta da Ditadura Militar triunfante em 28 de Maio de 1926. O regime ditatorial suprimiu todas as liberdades democráticas da República liberal incluindo a liberdade de imprensa estabelecendo a censura aos jornais, livros e espectáculos, nomeadamente o cinema e o teatro.  …  passando no Estado Novo a ter uma base  essencialmente distrital num aparelho fortemente centralizado, primeiro subordinado ao Ministério da Guerra, depois ao Ministério do Interior e desde  1944 à Presidência do Conselho, isto  é, ao próprio ditador Oliveira Salazar.”
(texto retirado da wikipedia.org/wiki/Censura_em_Portugal)
A liberdade de expressão e a liberdade de imprensa conquistadas com o 25 de Abril viriam a ser consagradas na Constituição de 1976 (artºs 37º e 38º).
Quarenta e cinco anos depois de Abril e com quarenta e três anos de vigência da Constituição da Republica que o consagra voltam a ser postas em causa por quantos se mantém fiéis à letra e aos interesses da constituição de 1933.
É certo que não se trata de um fenómeno recente. Desde que a liberdade foi reposta por diferentes vezes, a liberdade de expressão e de publicação foram assombradas pelo fantasma da censura, fruto da ação direta do poder político do momento ou pela ação menos visível mas igualmente eficaz, dos lobbies emanados do poder político ou financeiro.
São conhecidos alguns dos mais significativos desses momentos: as “entrevistas históricas” de Miguel Esteves Cardoso, dois livros do humorista Augusto Cid, o veto do então Secretário de Estado ao romance do Nobel, José Saramago e conhecem-se as formas mais ocultas de impor a censura na comunicação social escrita e falada, em particular nos territórios do interior, jogando com os euros para “domesticar” os menos dóceis.
Apesar disso, a nossa comunicação social regional e local, em particular a sedeada na nossa cidade vem desde há muito, num caminhar que, sem poder deixar de pensar na sua própria sobrevivência, honra o jornalismo e os jornalistas que souberam resistir às pressões e às chantagens.
Portalegre sempre teve no seu seio jornais e jornalistas que independentemente dos lobbies e do posicionamento político-religioso dos seus proprietários se souberam assumir como instrumentos de defesa da sua região, como difusores das diferentes opiniões em presença, como arma e voz dos que não tinham voz, como instrumento de contrapoder.
Recordo-vos apenas dois dos que viveram Abril e os anos que se lhes seguiram: O Distrito de Portalegre, ligado à Igreja Católica e a Rabeca, jornal republicano e assumidamente porta-voz dos opositores ao Salazarismo. Neste último aprendi a percorrer semanalmente, inúmeras vezes, o caminho entre a rua 19 de Junho (sede da Editorial Rabeca, S.A.) e o cimo da Av. da Liberdade (residência do censor) para levar os vários textos a inserir no semanário.
Hoje, por vicissitudes várias, Portalegre dispõe apenas de dois órgãos de comunicação: uma Rádio e um Jornal semanário. Ambos lutam pela sobrevivência mas fazem-no de forma bem diferente: a rádio procura afirmar-se (no que à informação diz respeito) pela diversidade de opiniões, pela abertura a todas as correntes de pensamento, sem abdicar dos ideais que a justificam mas procurando que essa postura não interfira com a sua linha editorial.
O Semanário, afirma-se igualmente como um projeto jornalístico de defesa dos interesses locais e aberto à participação de todos e tem procurado honrar esse compromisso. Todavia, em várias ocasiões, estamos a atravessar um desses momentos, o posicionamento politico-ideológico do seu diretor e proprietário impõe-se ao jornalista que também é e afasta o jornal dos caminhos que a si próprio impôs e a que nos habituou a respeitar.
A cobertura que tem vindo a dar às diferentes opiniões que se confrontam na cidade, seja no poder local seja no atual momento de campanha eleitoral para o Parlamento Europeu não honra, em minha opinião, o que tem sido a prática política do Alto Alentejo onde habitualmente escrevo e que considero ser, também, “coisa minha”.
Será mero “arrufo”? Será engano meu? Seja o que seja, importa é que retome o seu papel de instrumento e parceiro na construção do nosso futuro!
E, como se atribuí ao cego dizer, “a ver vamos!”.
Diogo Júlio Serra

*Texto publicado no Alto Alentejo de 22 de Maio acompanhado  de uma Nota do jornal

domingo, 5 de maio de 2019

INTOLERÂNCIA E PRECONCEITO




É só Azia?

O Jornal Alto Alentejo, no seu último número, trouxe-nos um artigo de opinião assinado por um “militante” da sucursal de Portalegre do “estado do Vaticano”.
Nele o articulista opinava  acerca da toponímica local e dava a sua opinião sobre a necessidade de manter a “memória da cidade”. Tudo bem, o articulista nunca escondeu o seu empenhamento na defesa do património cultural, em particular o nosso património religioso e tem todo o direito, direi mesmo  a obrigação de defender as suas opções.
O que motiva este apontamento é a forma como, desta vez, não conseguiu resistir a integrar-se na onda de “ressabiamento” que atingiu a direita mais reaccionária que ainda vive em Portalegre.
Procura  combater a decisão de dar a algumas artérias da cidade o nome de alguns dos mais conhecidos construtores da Democracia e na sua ânsia de procurar argumentação  credível para sustentar a sua tese esquece o rigor a que nos habituou em escritos anteriores propondo nomes que a cidade já homenageou.
 Por outro lado e procurando ligar a justa homenagem com a partidarização que o enreda enleia-se em tiradas anti-comunistas requentadas, perdendo assim qualquer razão que pudesse reclamar.
De facto, o ilustre portalegrense, - meu amigo e camarada - Joaquim Miranda da Silva tem o seu  nome registado numa artéria da cidade e mesmo a Medalha de Ouro Municipal que a direita retrograda lhe havia negado uma vez  já lhe foi, justamente, atribuída.
Também as insinuações a sonhos e práticas soviéticas que regista não fazem esquecer e muito menos apagam as práticas e crimes da Inquisição  e isso não obrigou, e bem, que tivéssemos apagado da nossa memória e da toponímia da cidade nomes de personalidades que foram a voz e a cara da sucursal portuguesa da instituição que a promoveu
Por último a insinuação que agora se seguiriam os nomes dos dirigentes do Bloco de Esquerda e apresentação de alguns deles, alguns já falecidos é, permitam-me a afirmação, uma baixaria que não acreditava ser-lhe possível, tanto mais que alguns deles, recordo,  Miguel Portas e João Semedo são inegavelmente merecedores da nossa admiração e homenagem.
Espero sinceramente que o escrito tenha sido apenas um mau momento!

Portalegre, 5 de Maio de 2019
Diogo Serra

quinta-feira, 18 de abril de 2019

E no entanto ela move-se




 ….. e pur si muove!”

AMAlentejo voltou a fazer ouvir as suas propostas para o Alentejo e nos Olhos de Água, no coração da Serra de S. Mamede, assinalou o 30º aniversário do Parque Natural da Serra de S. Mamede com um seminário que mobilizou muitas dezenas de alentejanos.
No Seminário ali realizado e que teve comigo, na sessão de abertura, as honrosas presenças do Dr. Pedro Queiroz - Diretor do ICNF do Alentejo e da Dra. Adelaide Teixeira – Presidente da Câmara Municipal de Portalegre contou com um qualificado painel de oradores: Pedro – Biólogo; Margarida Cancela de Abreu – Arquiteta Paisagística; Helena Neves – Bióloga; Teresa Moreira – Técnica de Turismo e António Pita – Presidente da Câmara de Castelo de Vide.
O Jornalista Hugo Teixeira foi o moderador e foi colocando aos oradores os questionamentos que diariamente são levantados por quem habita a serra, quem nela investe e trabalha e quem dela gosta.
Na sala, o bem apetrechado e simpático auditório do Parque Natural, totalmente lotada, registava-se a presença de autarcas oriundos de 9 concelhos alentejanos: 8 do Alto Alentejo e um do Alentejo Central, de responsáveis do ICNF e do Parque, do Politécnico de Portalegre, de Associações Empresariais, Associações Locais, de Sindicatos e das estruturas regionais de três dos seis partidos políticos convidados (todos os que possuem representação parlamentar) e do Movimento Politico que dirige o Município de Portalegre.
Uma excelente jornada de trabalho, convívio e divulgação da joia que S. Mamede é.
Só que… foi o AMAlentejo quem, em parceria com o ICNF e o município de Portalegre a idealizaram e a realizaram. O AMAlentejo que com os alentejanos não desiste de reclamar o cumprimento da Constituição da Republica e a instituição do terceiro pilar do Poder Local Democrático que ela consagra e tal situação não podia deixar indiferentes quer o governo centralista quer os seus seguidores na região.
Dois dias antes montam uma ação para no mesmo dia e no mesmo local (só a hora não coincidiu), e com muitos dos mesmos protagonistas tentar “abafar” a iniciativa.
Valeu tudo. Convocam-se os Autarcas dos quatro concelhos onde o parque se insere, o ICNF e o Parque, faz-se deslocar uma Secretária de Estado e dois dias antes apela-se à presença da comunicação social.
Não conseguiram diminuir a dimensão e importância da iniciativa de AMAlentejo mas, com a conivência da Comunicação Social Local, conseguiram esconde-la da opinião pública.
Procurarão agora, os do costume, convencer-nos que tudo não passou de uma coincidência. Pois! Foi por coincidência que os nossos jornalistas não encontraram de manhã os caminhos, as canetas, os microfones e as máquinas fotográficas que afinal conseguiram na parte da tarde desse mesmo dia ou, que uma autarca do distrito que é também dirigente associativa não tenha podido integrar o Painel por não estar no distrito e pasme-se, aparecer à tarde no mesmo local, no mesmo palco e na companhia dos mesmíssimos que ali haviam estado de manhã.
Por acaso ou conspiração esconderam uma “bonita” iniciativa de quantos lá não puderam estar. Já outros há muitas centenas de anos quiseram tapar os olhos à verdade mas como então terá dito Galileu “ e no entanto ela move-se!”

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Viva o 10 de Junho e a Restauração


…”Viva o 10 de Junho e a Restauração”!

Quarenta e um anos depois as comemorações do 10 de Junho voltam a ter Portalegre como palco.

A cidade e o Alto Alentejo podem assim mostrar-se a Portugal e à Diáspora dando-lhes a conhecer a sua evolução (ou não) ao longo das últimas quatro décadas.

Esta possibilidade poderia/deveria mobilizar os portalegrenses na procura de encontrarmos a melhor maneira de mostrar o que somos e como estamos e, sobretudo, a nossa vontade de trabalhar para que possamos atingir os patamares de desenvolvimento e bem-estar que ambicionamos e merecemos.

E se é sabido que deixámos perder o “titulo” de capital industrial do Alentejo, que a nossa agricultura há muito deixou de ser uma realidade, que por “maldade” do centralismo que nos condena e do “centrão” que nos ostraciza, não poderemos deixar de fora as culpas próprias que a cada um devem ser assacadas.

Culpas que não são de outros e cujo exemplo está hoje e agora bem visível na forma como temos vindo a discutir a decisão de termos em Portalegre, este ano, em partilha com Cabo Verde, as comemorações do dia de Portugal e das Comunidades.

Na verdade o que tem motivado a discussão, em particular na comunicação social e nas redes sociais, não é a preocupação em potenciarmos a favor da cidade e do distrito “o tempo de antena” que nos será oferecido.

A discussão vai-se fazendo, não sobre as possibilidades que essa “montra” nos abre, mas sim, sobre a bondade da decisão presidencial de ter nomeado como Presidente da Comissão do 10 de Junho, um portalegrense. Um jornalista que reside e trabalha na “cidade grande” e a quem a aparição semanal na “caixinha mágica” tem dado alguma visibilidade.

Porque não tem “obra feita” que o justifica, dizem alguns. Porque é de direita, sentenciam outros. Porque…porque…porque…

Não tenho particular simpatia pelo Jornalista nem conheço pessoalmente este portalegrense. Aliás devo confessar-vos fiquei a simpatizar muito mais com a sua esposa (que não conheço) porque ele, João Miguel Tavares, confessou a “indignada” manifestação da senhora quando lhe anunciou a decisão da Município de Portalegre em outorgar-lhe a medalha de ouro da cidade. Mas
não consigo perceber as razões para tanta indignação por parte dos portalegrenses.

Já em relação aos não portalegrenses e em particular a uma certa “inteligência” lisboeta percebo-o facilmente. Custa-lhes entender que “Um Zé Ninguém” alentejano e portalegrense possa ser designado para um lugar que entendem dever ser de acesso restrito e só para os “iluminados” oriundos daquela estreita faixa onde tudo se decide e onde tudo se concentra.

Entendo por isso que é tempo de deixarmos de discutir o acessório e nos empenhemos, todos, em aproveitar ao máximo a possibilidade que se nos abre de mostrarmos as nossas potencialidades, a riqueza do nosso património cultural, arquitectónico, paisagístico e ambiental.  A excelência da nossa gente a nossa capacidade de acolher e a extraordinária localização desta terra que pode ser, só por si, uma vantagem para quem aqui queira investir e instalar-se.

Quanto ao saber se o João Miguel Tavares é mais ou menos de direita, se tem obra maior ou menor, se passou ou não pela universidades ditas de referência assumamos que tal é muito menos importante do que o facto de ter nascido e crescido espraiando o olhar pela nossa rua do comércio, respirando o ar da Serra de S. Mamede e interiorizando as dificuldades e desventuras de quem nascendo e vivendo numa cidade distante apenas 200 km da orla marítima, é rotulado de interior e, por isso, afastado das condições mínimas necessárias a garantirem, a todos, o direito de viverem e trabalharem na terra onde nasceram.


Diogo Júlio Serra