sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 



A CIMAA e a ULSAA andam a brincar ao faz de conta?

A Comunicação social Regional deu-nos a conhecer o seu entusiasmo com uma iniciativa dos nossos autarcas e do conselho executivo da ULSAA para, dizem-nos, atraírem novos médicos para o nosso território.

Tratando-se de uma dificuldade óbvia a que o distrito e o país não têm conseguido dar resposta, também eu não consegui alhear-me.

Procurei a informação disponível e a desilusão foi (sempre assim sucede) proporcional à expetativa que entretanto alimentara. O alarido era isso mesmo, alarido.

Sendo certo que só “por obra de milagre” seria possível a uma resposta parcelar, por melhor que se apresentasse, teria condições para responder positivamente a uma dificuldade que se coloca em todo o país: a falta de meios humanos que garantam as respostas necessárias aos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

Os dados recolhidos permitiram confirmar a vontade dos autarcas do distrito reunidos na CIMAA, criarem com a Unidade de Saúde do Alto Alentejo uma parceria visando a atração de médicos para o nosso distrito.

Ao que parece a parceria está de pé para, diz-nos o Presidente da CIMAA, ser criado um portefólio com “as bondades do nosso distrito” para afirmam, poderem intervir junto dos jovens médicos e mostrarem-lhes a qualidade de vida que podem usufruir quem optar por exercer aqui a sua profissão.

Ou seja, vamos mostrar aos jovens médicos (e também, espero, aos jovens com as mais diversas profissões no campo da saúde, todas elas deficitárias no nosso distrito). Isso é mau? Não concordo que temos um território encantador? Claro que não!

Estou totalmente alinhado com quantos entendem que o nosso território tem condições de excelência para viver: a riqueza do nosso património construído, do nosso património natural e do nosso património cultural imaterial garantem uma qualidade de vida muito difícil de encontrar em qualquer outro ponto do nosso país. Só que…isso tudo conhecem os nossos jovens e, mesmo assim, “teimam” em deixar a região, a família, as raízes…

Porquê? Porque não conseguimos garantir-lhes trabalho com direitos e salários dignos. E porque ninguém consegue (por enquanto) sobreviver com o ar puro e paisagens idílicas “conquistámos o título de região menos populosa e mais envelhecida.

Acresce que no caso em apreço (atrair médicos) temos um exemplo recente que ninguém ignora e muito menos autarcas e responsáveis pelas instituições de saúde.

Um concurso para médicos de Medicina Geral Familiar para as Unidades de Saúde Familiar teve resultados diferentes para as USF de modelo C e as USF restantes. Para as primeiras (privadas) o número de candidatos ultrapassou o número de vagas, para as restantes (publicas) os candidatos não chegaram para preencher as vagas postas a consumo.

Tal situação não se verificou por as USF do SNS ficarem em regiões sem beleza, sem ar puro, sem atividades culturais e de lazer. Não se deve a questões ideológicas: os médicos preferem trabalhar no privado e não no setor publico. Autarcas e responsáveis pela saúde no distrito conhecem bem as razões de tal situação. Nós também: nas USF privadas o vencimento é de 7.000€/mês e seguro de responsabilidade civil profissional. Nas USF do SNS o vencimento é de 2.800mês.

Há dúvidas?

Os autarcas não podem/não devem fazer nada? Claro que podem. Podem e devem!

Podem e devem bater-se e mobilizar a região para termos direitos (e deveres iguais) aos de todos os portugueses: saúde, educação, transportes e acessibilidades, energia e redes de comunicação… trabalho não lhes irá faltar deixem a dinamização turística e a propaganda para quem para tal tem competências e resp0onsabilidades.

Diogo Serra

(a foto foi pedida de emprestimo à RP)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

 

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

O Novo Ano trouxe aos portugueses e ao mundo alguns sinais de esperança, mas mais, muitos mais, motivos de incerteza e angústia.

Esperança numa melhor organização do mundo com o fim do unilateralismo que dominou as últimas décadas e o nascimento e afirmação de um mundo multipolar em que mais países e povos são chamados a tomar parte na governança do nosso planeta e com o crescimento das preocupações e acções em defesa do meio ambiente e da vontade de deixar aos vindouros um mundo habitável.

O crescimento exponencial da militância ambientalista e a extraordinária adesão da juventude mundial à causa ecologista e o nascimento e consolidação dos BRICS como alternativa ao poder “quase absoluto” dos Estados Unidos da América e do dólar são disso os exemplos mais visíveis.

Paradoxalmente são esses mesmos sinais de esperança e o que anunciam, os motivos maiores para a incerteza e angustias citadas.

A tentativa de manter o poder e as regalias de que têm desfrutado levam os seus detentores a tomarem medidas, capazes de incendiar o mundo e a não olharem a meios para procurarem parar a roda do tempo.

São estas as razões aliadas à ganância, sempre alardeada pelos ricos e poderosos que nos tem vindo a arrastar perigosamente para o que poderá ser a última guerra no Planeta Terra. São estas as razões verdadeiras que têm dinamitado todas as estruturas criadas no seguimento da segunda grande guerra com o objectivo de criar, a nível internacional, um conjunto de regras que protegessem os mais fracos da cobiça dos poderosos: homens, estruturas, países…

O Novo Ano trouxe-nos o regresso da política da canhoeira em detrimento do direito internacional. Os “piratas” com menores escrúpulos e mais e melhor armamento não hesitam em assaltar bancos, navios, países. Não têm qualquer pudor em proceder ao genocídio de todo um povo e ao roubo das terras, das casas, das pátrias e ao contrário do que faziam antes, já não se preocupam em tapar com mentiras os seus crimes hediondos. Agora, como é o caso do “ Cowboy dos states” assumem com clareza que matam para roubar enquanto os seus capachos espalhados pelo mundo (também em Portugal, também na nossa cidade) se contorcem para encontrar formas de nos explicar o inexplicável e de nos fazer acreditar que é por um Bem Maior que nos roubam o alimento e querem levar os nossos filhos e netos a matar e morrer nas guerras que os alimentam.

É neste contexto que em Portugal estamos a ser chamados a escolher um novo Presidente da Republica.

Conhecidas as candidaturas e os protagonistas não é difícil percebermos quer o que os move, quer o que defendem para Portugal e para os Portugueses. E temos de tudo… Dois candidatos anti-sistema, um contra o sistema democrático mas sincero: consciente de que não tem “estatuto” para o conseguir, sonha com o regresso de um, dois, três Salazares para dinamitar o regime. O outro, culto e citadino procura com humor ridicularizar o sistema.      

Restam os outros que podemos dividir em três blocos diferentes.

Um bloco da direita democrática, que entende a democracia como a mera alternância de poder entre os defensores do “deus capital”. Um bloco dito do centro com um candidato que entende os partidos como um empecilho e pensa que ser independente é não ser filiado em qualquer partido e os partidos sociais-democratas, assumidos ou não, que entendem que o capitalismo até é bom se levar uns pequenos retoques. Temos depois, o bloco da esquerda sem “mas”, que apresenta como programa a Constituição da República Portuguesa e o compromisso constitucional de cumprir e fazer cumprir a Constituição de Abril.

Os atributos pessoais e a vontade de cumprir devem também pesar na nossa escolha, mas disso, cada um terá formas de medir tais intenções.

Eu não tenho dúvidas que é pela esquerda (e com a esquerda) que lá vamos.

Que sejamos muitos mil!

 

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

É Natal, É Natal, Sinos de Belém...

 

É Natal, É Natal, Sinos de Belém…

Estamos em plena época natalícia e, por isso mesmo, mais abertos à compreensão do outro, mais sensíveis à procura da paz e da fraternidade, entre pessoas e povos, ou assim deveria ser se todos juntássemos “a conversa à ação”.

É compreensível e nada tem a ver com credos políticos e religiosos. A época é tanto importante para os cristãos como para os que professam outras crenças ou não professam nenhuma.

Os fiéis à tradição cultural judaico-cristã comemoram a data em que lhes dizem ter nascido Jesus. Comemoram o nascimento de um revolucionário judeu que lutou contra o colonialismo político e cultural que o Imperio Romano lhes impunha. Os não crentes continuam fiéis às práticas culturais e valores seculares anteriores ao nascimento de Jesus e que tem a ver com o solstício de inverno e o regozijo pelo “renascimento do sol”: valores como a generosidade, a compaixão, a reflexão e a esperança que são universais e não exclusivos de uma religião.

Estamos pois numa época do ano em que, independentemente da fé que professamos ou da ausência dela, todos nos dizemos sensíveis aos valores da paz e da solidariedade e, por isso mesmo, mais estranho nos parece o acentuar dos confrontes verbais, dos combates e guerras que abertamente ou sob camuflagem se multiplicam aos níveis local, nacional e internacional, ao mesmo tempo que se “esquecem” ou se procura esconder a barbárie que se impõe em várias partes do mundo, sejam pela força das armas (o genocídio em Gaza é o exemplo mais gritante), ou pela via das desigualdade que a acumulação de riqueza “justifica” (em Portugal milhares de trabalhadores empobrecem a trabalhar).

Nesta época em que os cristãos, ortodoxos e católicos, celebrarão o nascimento do “Deus Menino” seja a 25 de dezembro ou a 7 de janeiro. Quando aos milhões frequentarão a “sua” Igreja a pedirem paz, solidariedade e bem-estar. Quando outros tantos, não crentes, comemoram no solstício de inverno o “renascimento do sol” será certamente uma boa data para os convidarmos (nos convidarmos) a passar dos pedidos nas igrejas e na família e sairmos à rua a confrontar os poderosos com a sua hipocrisia e a exigir-lhes a Paz e a Concórdia.

O exemplo d´O Jesus revolucionário e anticolonialista, mas também regenerador da sua igreja (recorde-se a expulsão dos agiotas do Templo) pode e deve iluminar os cristãos. Os não crentes terão o conforto dos ideais da Revolução Francesa: LIBERTÉ! ÉGALITÉ! FRATERNITÉ!

E não, que não seja a paz dos cemitérios! Que seja uma Paz baseada na fraternidade e não no roubo de bens, riquezas e territórios. Uma paz baseada nos princípios da igualdade e da equidade entre pessoas, povos e estados. Uma paz baseada no fim do imperialismo, do belicismo e do ódio. Uma Paz baseada no Direito Internacional e não nas Guerras de rapina, e no que a Portugal diz respeito, a “construção” de uma europa de paz e desenvolvimento do Atlântico aos Urais, com os blocos militares substituídos por blocos de cooperação e liberdade.

É utópico? Que o seja. Todas as utopias o são até passarem a realidade!

Assim o queiramos!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025





 "Se o governo quer realmente enfrentar rigidezes estruturais que

comece pelo ninho de vespas que é a sua própria casa e deixe em

paz o ninho de abelhas que trabalha, produz e sustenta a

economia";

(José Bonito , gestor. In Jornal Publico de 3-dez-2024)


O presente texto chegará às vossas mãos, presumo, em vésperas de greve geral. A

décima primeira em democracia e em consonância com o direito constitucional.

Este tem sido um tema de intenso debate na sociedade portuguesa com defensores e

detratores a esgrimirem razões ou tão só as suas opções politicas face aos direitos que

os trabalhadores foram conquistando ao longo de gerações e que, no caso português a

Constituição consagra.

Lamentavelmente esta discussão tem incidido mais na greve geral convocada pelos

trabalhadores e menos, muito menos nas razões que a impõem. No caso a

apresentação por parte do governo de um novo Pacote laboral visando agravar ainda

mais as condições de trabalho e de defesa dos trabalhadores portugueses.

Greve geral e "roubo de direitos" não são novidades em Portugal.

A greve geral convocada para 11 de dezembro é a 11ª cumprida no nosso país desde

que a Revolução de Abril repôs a liberdade sindical e politica em Portugal


Greves Gerais no Portugal de Abril

Greve Data Governo

1ª 12-fev-1982 AD

2ª 11-mai-1982 AD

3ª 28-mar-1988 Cavaco

4ª 10-dez-2002 Durão Barroso

5ª 30-mai-2007 José Sócrates

6ª 24-nov-2010 José Sócrates

7ª 24-nov-2011 Passos Coelho

8ª 22-mar-2012 Passos Coelho

9ª 14nov-2012 Passos Coelho

10ª 27-jun-2013 Passos Coelho


As Leis Laborais, também elas, objeto de diversas alterações que retiram direitos aos

trabalhadores e reforçaram o poder dos empregadores, alteraram significativamente o

equilíbrio entre trabalho e capital nas relações de trabalho e desmentem claramente o

argumentário agora utilizado pelo governo e a sua ministra das "corporações".

Vejamos! A Lei 99/2023 (Pacote Laboral de Bagão Félix) é agora apresentado como

resquícios do PREC e, mesmo que entendamos Bagão Félix como um perigoso


esquerdista, esse pacote laboral já sofreu outras alterações ainda mais gravosas para

quem trabalha, num governo de José Sócrates (Lei nº 007/2009) e posteriormente

com Passos Coelho e as troikas que facilitaram os despedimentos e reduziram as

compensações aos trabalhadores. As principais mudanças incluíram a flexibilização dos

tempos de trabalho, a terminação dos contratos de trabalho e o corte de benefícios e

direitos. 

É, neste contexto, que o governo dos patrões vem agora procurar arrastar-nos para o

século XIX, procurando roubar direitos sociais e humanos, abrindo portas ao sonho

patronal de despedir sem regras ou travões, reduzir salários e desarmar os

trabalhadores quer com a destruição do direito à greve quer impedindo a ação

sindical no local de trabalho.

A direita e a extrema direita agora no poder querem, também no mundo laboral,

acertar contas com o 25 de Abril e fazer-nos regressar a tempos que ainda não

esquecemos nem queremos de volta.

No Pasarón!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Na Unidade a Força dos Trabalhadores

 



Na Unidade a Força dos Trabalhadores

O grande patronato, com os seus partidos e o seu governo voltaram, meio século depois da primeira tentativa, a tentar "partir a espinha à Intersindical.

É, mais uma vez, este o principal objetivo da declaração de guerra que lançaram aos trabalhadores e, agora como ontem, também à Revolução dos Cravos e ao Regime Democrático que esta permitiu.

Nada que seja assustador para uma organização de classe nascida em pleno fascismo e regada com a vontade indomável dos seus dirigentes e dos trabalhadores, cujos interesses desde o nascimento e até hoje, sempre defendeu.

Quando do seu nascimento, a 1 de Outubro de 1970, muitos dos dirigentes políticos que agora a atacam ainda não eram nascidos e os seus antecessores ou estavam nas fileiras do Partido Único que suportava o fascismo ou no seio das empresas que lhe davam suporte.

Chegado aquele dia "inicial inteiro e limpo" a intersindical empenhou-se na consolidação da democracia que ajudara a fundar e no desenvolvimento do modelo social que valoriza o trabalho e os trabalhadores. Essa postura haveria de valer-lhe o ódio dos mesmos (ou dos seus rebentos) que agora a odeiam e por isso, viu as suas estruturas regionais assaltadas e os seus dirigentes vitimas de ataques bombistas.

Ultrapassada a fase terrorista da contra-revolução, já nos tempos da "europa connosco", seria um Ministro de um governo do PS a declarar por palavras e por actos a vontade de partir a espinha à Intersindical.

Morreu o ministro e não a Intersindical. Esta continuou viva e atuante na defesa dos trabalhadores que representa e da Democracia que ajudou a fundar.

Apesar das duríssimas condições em que tem sido obrigada a agir, os resultados conseguidos mantiveram-na sempre na mira do grande patronato e aí os temos, de novo, procurando concretizar o sonho antigo: Quebrar a espinha à Intersindical e dessa maneira deixar indefesos e desarmados os trabalhadores portugueses.

Num tempo em que os ventos favoráveis ao extremismo de direita sobram por toda a europa, os derrotados de Abril entendem ser agora, a conjuntura é-lhes favorável, o tempo de esmagar os direitos alcançados pelos trabalhadores e populações, procedendo ao "acerto de contas" com o 25 de Abril.

Sim, não são apenas, (e já era demais), os direitos dos trabalhadores que procuram destruir. São os direitos sociais conquistados ao longo de várias gerações que querem destruir. O seu governo dá-lhe as ferramentas: a destruição dos direitos sociais, o desmantelamento dos serviços públicos e para o mundo do trabalho o Pacote Laboral.

Está aqui a receita deste governo do século XXI, um verdadeiro retrocesso para o século XIX:

A facilitação dos despedimentos e mais precariedade; horas de trabalho à borla e a desregulação dos horários; ataques aos direitos de maternidade, de paternidade e à família; a tentativa de destruição da contratação colectiva e a imposição da caducidade dos contratos; o ataque brutal à liberdade sindical visando retirar aos trabalhadores a possibilidade de se defenderem.

Enquanto isto, colocam os seus megafones disfarçados de comunicação social, os seus "comentadeiros" de serviço e os próprios ministros, a esconderem as suas intenções por detrás de uma nuvem de candura e perplexidades, face à resposta já anunciada pelos trabalhadores.

Afadigam-se a procurarem convencerem-nos da não razoabilidade da resposta sindical por, gritam, ainda se está em fase de negociação, como se não estivesse muito clara a sua estratégia.

Negociar? Querem negociar o quê?  

O que está aí é mau demais. A própria ministra do trabalho já o disse publicamente. - "Haja negociação ou não, mude-se uma vírgula ou um verbo, isto é para seguir sem mexer no essencial do que foi apresentado". Palavras da ministra.

Eles sabem bem o que querem. Os trabalhadores também. Viva a Greve Geral!

 

Diogo Júlio Serra

domingo, 16 de novembro de 2025

GREVE GERAL É POLITICA? CLARO QUE É!



"Greve geral é uma questão política" e vem de um sindicato que se "revê em regimes onde não é permitido fazer estas greves"

É desta forma que João Marques de Almeida, comentadeiro da CNN e megafone avençado  do capital  critica a CGTP-IN  por ter convocado uma greve geral como resposta à declaração de guerra que lhe foi lançada pelo grande patronato através do seu (deles) governo.

O Megafone desconhece, estranho seria que conhecesse, que a Central Sindical dos Trabalhadores Portugueses, a Intersindical, nasceu em pleno fascismo, em situações que ele, felizmente, só conhece porque  ouviu dizer ou leu, e seguramente ouviu e leu mal.

Afirmar a sua discordância com a Greve Geral é perfeitamente normal. Tanto mais que ele não é seguramente trabalhador por conta de outrém, será, quanto muito, um "colaborador" - é mais modernaço - embora não deixe de auferir alguns "cobres" pelos serviços que presta ao seu deus-capital. O que não é normal é ele, que claramente não é trabalhador (é quanto muito colaborador) e muito menos sindicalizado, opinar - sentenciar onde e em que regimes se revê a INTERSINDICAL.

O Senhor João Marques de Almeida, o nome é o que menos interessa, podia ser José Xico ou Amélia, vê e fala com os olhos e a voz de quem lhe paga. Não consegue, ou não pode, ver as razões que justificam a resposta dos trabalhadores.

Não vê, ou finge não ver, que o grande patronato, o seu governo e os seus partidos que agora são maioritários na Assembleia da Republica se preparam para o "acerto de contas" com o 25 de Abril e a democracia que o consagra.

Não vê, ou finge não ver, que esta é a terceira tentativa, desta vez numa conjuntura muito mais favorável a tais desejos, de "partir a espinha à Intersindical" e não é por esta se rever, como malevolamente afirma, em "regimes onde não é permitido fazer greves" é, isso sim, para desarmar os trabalhadores, impedindo-lhes defenderem os seus direitos, impedindo-os de defender a própria democracia.

Hoje como sempre os trabalhadores portugueses saberão defender os seus direitos e as suas organizações do capital que os confronta deste e de todos "Joões de Almeida", por mais bem pagos e amestrados que lhes apareçam.

Greve Geral é uma questão politica? Claro que é!

Diogo Serra

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

Em Elvas a semana encerrou com a tomada de posse dos autarcas eleitos mas não encerrou a controvérsia e os ataques pessoais entre eles. E tudo à volta dos arranjos "necessários" ao garantir do funcionamento de uma autarquia cuja composição é: 2 eleitos , um deles o Presidente, do Movimento de Rondão de Almeida, 2 eleitos pela extrema direita, dois pelo Partido Socialista e um pela coligação PPD/CDS.

 

Também na nossa cidade já foram empossados os eleitos em 12 de outubro. Aqui sem necessidade de quaisquer alianças para viabilizar os executivos mas ainda assim com uma "confusão" com um eleito na Assembleia Municipal que concorreu pela CLIP mas cujo mandato é reivindicado pela direita modernaça que se expressa no IL.

 

Eu que com dezenas de Portalegrenses assisti ao acto de posse, fiquei agradavelmente surpreendido com o discurso da Sra. Presidente. Bem estruturado, recordando as carências principais que todas as forças politicas haviam colocado nos seus próprios diagnósticos, o esquecimento do transporte ferroviário, não terá passado disso mesmo; esquecimento, apostado na procura de fugir aos caminhos da prepotência que o resultado conseguido permitiria e a lançar pontes a todos os portalegrenses e às candidaturas que se lhe opuseram. Gostei!

 

Já o que nos chega vindo dos Poderes sediados em Lisboa e em Bruxelas, e a comunicação social dita de referência amplifica,  me deixa forte preocupação..

 

A destruição do Serviço Nacional de Saúde é como todos já nos apercebemos uma estratégia friamente aplicada e não como poderíamos pensar qualquer incapacidade da ministra em gerir aquela pasta.

 

O mesmo no que concerne ao criminoso prazer de nos arrastarem, ao país e à União que nos "aprisionou", para a guerra. Por enquanto obrigando-nos a alimentá-la à custa do nosso próprio alimento mas apontando perigosamente para que no curto prazo a alimentemos com sangue e morte dos nossos filhos e netos.

 

A comunicação social ajuda a festa.

 

Nos meios da comunicação social tradicional e nas redes so­ciais a tó­nica é cons­tante: para a guerra. A guerra é que é o ca­minho.

 

País e União Europeia de joelhos perante os poderosos do mundo e em particular o imperialismo ianque (apesar de Trump a quem gostam de "xingar"), não hesitam: compre-se mais caro aos ame­ri­canos o que antes se com­prava mais ba­rato aos russos; gaste-se em armas (ame­ri­canas) o que se devia gastar em saúde ou ha­bi­tação ofereçam-se milhões para manter a guerra e cortem-se mais uns milhões na saúde.

 

Entretanto neste país do faz de conta elege-se a proibição da "burka" como desígnio nacional e o medo como instrumento castrador da nossa liberdade.

 

Os DDT's através do seu governo e da sua comunicação social continuam a trabalhar o nosso medo enquanto as politicas do ódio nos preparam para vermos como inimigos aqueles que como nós são as vítimas do sistema.

Medo e preconceito para não vermos ou esquecermos que no último triénio os bens alimentares de primeira necessidade aumentaram mais de 30%, as rendas de casa mais de 20%, a água, eletricidade, gás e combustíveis 21,7% e as despesas com o crédito à habitação cerca de 50%, quando só em 2024 os cinco maiores bancos a operarem em Portugal lucraram quase 5.000 milhões de euros.

 

É caso para gritar. Deixemos em paz quem oculta o corpo e só deixa ver os olhos e procuremos que os outros, muitos mais, que só tem cobertos os olhos, arranquem também a "sua burka".

Talvez assim consigamos progredir.

Diogo Júlio Serra