quarta-feira, 19 de março de 2025

“A Europa contra os EUA e contra a paz! Quem diria?!”





                           “A Europa contra os EUA e contra a paz! Quem diria?!”


A frase com que titulei este texto não é da minha autoria, foi “pedida de empréstimo” da página de um ilustre jornalista alentejano que conhece bem a Europa e o mundo e com o qual me identifico na apreciação que faz sobre o papel da EU na guerra que se instalou no velho continente.

Também eu, que sempre assumi publicamente que importa fazer guerra à guerra, e contesto quer as posições incendiárias dos dirigentes da União Europeia, quer o seguidismo quase doentio das autoridades portuguesas, fico surpreendido com a sua incapacidade de acompanharem o pragmatismo de quem até há poucos dias seguiam sem pestanejar.

Essa incapacidade é notória quando persistem no estado de negação da realidade face às mudanças ocorridas nos EUA e à sua própria importância no jogo dos poderosos.

Em Portugal essa situação chega a ser confrangedora. Desde as principais figuras do estado aos partidos políticos da direita (os que o assumem e os outros) à comunicação social dita de referência… passaram da maior das subserviências aos interesses e ordens do Tio Sam para uma arrogância parola de encher o peito e debitar slogans contra o “patrão” de ontem e de incentivos à guerra até ao último dos ucranianos ou dos filhos e netos dos outros.

O desvario é tal, também por cá, que é normal termos opinadores a defenderem a guerra a todo o custo, com ou sem o chapéu onde sempre se abrigaram todos os europeus ditos democratas e para onde sempre, sem pestanejar, canalizaram o produto do trabalho das suas populações.

O próprio Presidente da República, há muito desaparecido de cena, não se coibiu de tratar publicamente o até há pouco “rei sol” como antigo aliado.

E a questão é, como sempre foi, mais do que travar a luta fratricida entre Rússia e EUA pela conquista dos comandos da ordem mundial imposta pelos vencedores da segunda grande guerra e que foi substancialmente alterada pelos vencedores da chamada guerra fria, refrear os sonhos de grandeza das extremas-direitas no poder em ambos os Estados: O partido republicano de Trump nos EUA e o Partido da Nova Rússia de Putin, na Federação Russa.

Mais, garantir como gostam de dizer, uma paz justa e duradoura o que se consegue não ameaçando a sobrevivência de um dos lados, cercando-os de base militares, plantando-lhe inimigos à porta.

O resto, os discursos da afirmação dos princípios ou a “defesa das liberdades e das democracias pouco mais são que propaganda para os papalvos. Ou alguém acredita que a Ucrânia corrupta e totalitária que ninguém queria sequer a bater à porta da U.E. passou a ser “séria” só porque lhe passaram a enviar carregamentos de dólares, e os seus dirigentes permitem a matança dos seus jovens para fazerem uma guerra que não é sua? Ou passou a ser uma democracia só porque ilegalizou partidos políticos e prendeu os seus dirigentes?

Alguém pode acreditar que a guerra é pela defesa de valores e da democracia quando quem se opõe ao “totalitarismo” de Putin é a França de um Macron que perdeu as eleições e recusou passar o poder aos vencedores? É a União Europeia que impôs a anulação das eleições da Roménia porque o seu candidato foi derrotado? Que alimentou e financiou o golpe de estado que depôs o Presidente Eleito da Ucrânia e que tornou constitucional a classificação de ucranianos em “puros e impuros”?

A situação com que nos deparamos na Europa e no Mundo é grave. Os tambores da guerra fazem-se ouvir, também no nosso país e temo que os nossos governantes não consigam já afastar-se do discurso inflamado tipo clubismo que nos tem proporcionado nos últimos dias e continuem a arrastar-nos para a guerra. Uma guerra que já nos custa qualidade de vida e desafogo económico e que se não for travada pode também custar-nos filhos e netos.

A situação é muito muito perigosa mas, apesar disso, permitam-me o desabafo: dá um certo gozo ver os “direitolas” do meu país de dedo esticado contra os EUA!

 

Diogo Júlio Serra




sábado, 22 de fevereiro de 2025

NUM TEMPO (e num país) DO FAZ DE CONTA !

 

NUM TEMPO (e num país) DO FAZ DE CONTA !

“Portugal caiu nove lugares no Índice de Percepção da Corrupção 2024: ocupava a 34ª posição e está agora na 43ª, num total de 180 países analisados, com 57 pontos, o valor mais baixo de sempre.”

Esta a “notícia” que na passada semana abriu telejornais, fez machetes em jornais ditos de referência, ocupou políticos e opinadores e sobretudo, foi motivo avançado para abrir caminho ao intensificar do discurso alarmista e as portas aos sonhos da direita em normalizar o lobismo.

Só muito poucos se preocuparam em descodificar a bombástica noticia e rapidamente esta era “vendida” como se a corrupção em Portugal tivesse atirado o país para patamares só comparáveis a países do considerado terceiro mundo.

Mesmos na classe política e nos profissionais da comunicação social não se fizeram ouvir palavras e textos que colocassem a “notícia” no seu devido lugar. Ninguém ousou dizer-nos que afinal não tínhamos mais corrupção (a que existe realmente já é suficiente para nos deixar envergonhados) tínhamos isso sim, gente mais mal informada ou menos capaz de pensar pela sua própria cabeça. Que tinha aumentado, isso sim, a circulação de mentiras, a capacidade de uns quantos, chamemos-lhes “influencers” ou pantomineiros em semearem as notícias falsas e os “achismos”, em espalharem lama e ódio por vastos setores da sociedade.

Na verdade, tanto na corrupção como na segurança e insegurança ou nas questões de refugiados ou imigração, o que aumentou foi percepção que se constrói a partir das narrativas construídas sobre determinado tema, mesmo que, (quase sempre) baseada na repetição de mentiras e na ampliação desmedida de situações verdadeiramente existentes.

Em Portugal já devíamos estar imunes às narrativas e práticas de quantos usam e abusam das narrativas pensadas para enganar os incautos, para transformar cenários em realidade aceite, para nos levar a assumir as suas e dos seus mandantes verdades e vontades. E fazem-no desde há muito, mesmo muito antes de terem ao seu dispor, como hoje têm, as ferramentas que transforma em (quase) verdade a mais abjecta mentira.

Foi assim com a encenação da “matança da Páscoa” que justificou o golpe militar de Spínola, derrotado pela aliança Povo-MFA mas que provocou a morte de um militar no Ralis, voltou a sê-lo no verão de 75 e pelo ano de 76, para justificar a ação das redes terroristas e bombistas com que a direita trauliteira pôs Portugal a arder e semeou violência e morte de norte a sul do país.

Foram também as percepções semeadas que se apresentaram como suporte da destruição por Barretos, Portas e quejandos, da Revolução Social e agrária nos campos do Alentejo e Ribatejo e os espancamentos e assassínios de trabalhadores. Foi-o mais recentemente quando as percepções construídas permitiram as campanhas de ódio contra a Festa do Avante e alimentam hoje as campanhas de ódio contra imigrantes e minorias étnicas e religiosas.

Todas elas com objetivos e autores facilmente identificáveis. Todas elas a anos-luz da verdade. Todas elas servindo como lebre, às aspirações de quantos não conseguem adaptar-se às regras da democracia e à Constituição que as garante.

Diogo Júlio Serra

 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Construam-me PORRA


 

CONSTRUAM-ME PORRA!

O Título do presente texto é a reprodução da exigência que se mostrou durante décadas num muro junto a Alqueva.

Hoje nem o muro nem a pintura existem, substituídos que estão pelo grande lago que modificou a paisagem e a vida de milhares de alentejanos.

Talvez valha a pena reproduzi-lo no nosso território onde desde os anos 50 do século passado terras e gentes esperam a construção da barragem do Pisão, também ela integrada no Plano de Rega do Alentejo, lançado em 1957 e cuja execução se iniciou dois anos mais tarde com o início da construção da barragem do Rio Mira. Até hoje!

O agora denominado empreendimento de aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Crato inclui uma central fotovoltaica, uma mini-hídrica e uma vasta rede de canais de regadio permitindo o abastecimento de água para consumo público a mais de cinquenta mil pessoas e uma agricultura de regadio em milhares de ha de terras de diversos concelhos do Alto Alentejo.

Pelo meio a necessidade de construir uma nova aldeia capaz de acolher os habitantes do Pisão que ficará submerso.

É esta obra que foi sonho de desenvolvimento e prometida por diversas vezes e diferentes primeiros-ministros que vislumbrámos, finalmente, a ensaiar os primeiros passos entretanto travados pela persistência de quem se lhe opõe e (talvez) pela ligeireza como os seus defensores não acautelaram todo o vasto caminho processual que uma obra desta envergadura pressupõe e exige.

Quando governo e CIMAA nos garantiam que “agora é que é.. e vários milhões já foram aplicados, as dúvidas e o cenário de “mais do mesmo” voltam a atormentar os que vivem tal ansiedade há décadas e desde logo os habitantes da Aldeia do Pisão cuja espectativa de mudar de lar os atinge há meio século e lhes tem impedido quaisquer possibilidades de programarem o seu futura e o das suas famílias.

Por solicitação dos opositores da construção o Tribunal de Castelo Branco anulou um documento imprescindível à construção da obra, a Declaração de Impacte Ambiental do projeto o que impõe a paralisação total da construção.

Seguir-se-ão recursos e contrarrecursos e o inevitável arrastar da decisão. Situação que já levou a que a sua construção já não possa ser financiada pelo PRR em cuja reprogramação já não está incluído.

Os governantes já vieram afirmar que serão encontradas outras fontes de financiamento com o objetivo, penso, de acalmar as suas fileiras e não como real garantia de que o Alto Alentejo encontrará no Estado centralista a possibilidade e vontade para encontrar os 150 milhões de euros que a obra custa e que agora o PRR deixou de contemplar.

E é fundamental para o Alto Alentejo e as nossas gentes que a afirmação dos governantes e da própria CIMAA tenha suporte efetivo. Este território não pode continuar adiado.

O encontrar os financiamentos necessários à pressecução das obras logo que as questões processuais e legais estejam ultrapassadas é fundamental. Porque, no meu entender, a “Barragem do Pisão” é absolutamente necessária, e também porque a desistência do projeto terá custos financeiros avultadíssimos que importa evitar.

Que o Alto Alentejo mantenha a unidade conseguida!

Que este grito seja bandeira e senha: Construam-na, Porra!

Diogo Júlio Serra

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

 50 ANOS DEPOIS – Olhemos a Reforma Agraria

 


Nos dias 26 de Janeiro e 2 de fevereiro em Beja e em Évora em diferentes iniciativas assinalar-se-ão os 50 anos da “Reforma Agrária” ou, sendo mais rigoroso, o início da revolução social havida em terras do Alentejo e Ribatejo e que pôs em confronto o modelo de agricultura secular, latifundista e caciqueira e o modelo coletivista sonhado por gerações de trabalhadores rurais sem terra e, muitas vezes sem trabalho.

A primeira dessas ações celebra o 50º Aniversário da Assembleia Distrital de Delegados Sindicais do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja, que teve lugar no dia 26 de Janeiro de 1975, na Sociedade Capricho Bejense e decidiu "Dar início imediato à Reforma Agrária..." A segunda, em Évora evocará a 1ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul, que a 9 de fevereiro de 1975 realizada naquela cidade e que reuniu quatro mil delegados de todo o Alentejo. Ali se decidiu o inicio do processo de tomada das terras por coletivos de trabalhadores e no dia seguinte “realizaram-se plenários para se escolherem as herdades a ocupar e os coletivos para dirigir as ocupações.”

Esta ação que alguns consideraram a Revolução dentro da Revolução e que passaria à história com a denominação de Reforma Agrária e com a fama, e o proveito, de ter transformado radicalmente a agricultura e a vida social dos territórios onde foi desenvolvida continua, ainda hoje, a ser objeto de diferentes leituras quer nos seus objetivos, quer nos seus resultados, quer ainda nas motivações que a justificaram.

50 anos após o seu início e 35 anos depois do seu “assassinato” ainda não é claro que os portugueses, em particular os oriundos e residentes nos territórios que integram a ZIRA já conseguem o distanciamento necessário que permita analisar as razões que a justificaram, os resultados que alcançou e os custos e/ou benefícios da sua extinção.

Meio século depois reunir-se-ão condições emocionais e técnicas para podermos, no nosso distrito, proceder a um balanço, não emocional, dos custos e ganhos económicos e sociais de termos vivido também no nosso distrito um processo revolucionário que colocou nas mãos dos trabalhadores organizados em Unidades Coletivas de Produção, milhares de ha de terras, que acelerou a modernização da agricultura com a introdução de maquinaria e de novas culturas, aumentou o emprego e a produtividade, como afirmam os seus defensores ou, como defenderam os seus adversários, foi fator de desorganização, de desmandos e de desrespeito.

Importa igualmente aferir se estamos ou não em condições, 50 anos passados, de procurar encontrar as verdadeiras razões para o início das ocupações das terras em janeiro de 75 quando a lei que as consagrava só apareceu em Julho desse ano. Foram os interesses políticos do PCP e a vontade dos militares revolucionários como alegavam os proprietários expropriados ou foram as ações de sabotagem económica, os despedimentos e o não pagamento dos salários a acelerarem o processo, conforme foi e é defendido pelos trabalhadores, os sindicatos agrícolas e os militares revolucionários?

Sei que pode, ainda, ser difícil para muitos. Sei-o por experiência própria e pela dificuldade que ainda tenho em ouvir comentários que vão contra a minha verdade e narrar como verdades acontecimentos que sei, porque os vivi, serem mentiras. Mas penso estar na hora de fazermos o que for necessário para podermos “ficar a bem” com a nossa história.

Reconhecer que nas nossas vilas e aldeias foi com este processo que se denominou de Reforma Agrária que se pôs fim (embora apenas pelo pouco tempo que esta resistiu), com o flagelo do desemprego, que na maioria das habitações entrassem os primeiros eletrodomésticos, que houve creche para as crianças e apoios dignos para os mais velhos.

Se o conseguirmos já valeu a pena assinalar o cinquentenário da Reforma Agrária e será em minha opinião uma forma ponderada e justa de dizermos a Casquinha e Caravela que sim, valeu a pena!

Diogo Júlio Serra 


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Woke versus Anesthtize

 




Woke versus Anesthtize

 A extrema-direita totalitária, instrumento essencial ao capitalismo e ao imperialismo, tem uma agenda bem definida visando preservar até ao limite do possível, o seu caduco modo de vida e de poder.

As guerras (frias ou quentes), os extermínios seletivos ou em massa, são a parte mais visível dessa agenda que é bem mais vasta, embora mais subtil.

A propaganda, declarada ou escondida por detrás dos "estudos científicos", das palestras e artigos encomendados, o controlo absoluto dos meios de comunicação, das centrais de dados e da emissão de conteúdos com insinuações e mentiras, agora em fase de acentuação com a introdução da IA - inteligência artificial, são instrumentos que permitem manipular, formatar e comprar consciências, isolar e imolar quem ousa pensar diferente ou agir fora do formato estabelecido, impedir ação e protesto.

Se a guerra e o extermínio em massa só agora entraram no nosso quotidiano, mesmo assim seguindo os cânones que impõem a difusão do olhar dos "bons", com a guerra na Ucrânia e o extermínio do povo palestiniano, o facto é que, a agenda desta extrema direita imperialista está presente desde que os povos começaram a contestar a justeza da sua governação.

Foi esta agenda (pelo menos os mesmos objetivos) que arrastou a europa e o mundo para duas guerras mundiais, que alimentou a sua divisão em blocos e fomentou a conflitualidade entre eles (guerra fria), que dividiu povos, destruiu países e arrasou cidades. Lembremos tão só o assassínio de milhões em Hiroxima e Nagasaki, a invenção da "cortina de ferro" na europa saída da segunda grande guerra, a destruição, com guerra civil, da Jugoslávia ou o semear de "primaveras" no mundo árabe, na América Latina ou no leste da Europa.

É essa agenda, com os mesmíssimos objetivos e contando com os mesmíssimos agentes executores: a extrema-direita racista e xenófoba, organizada em partidos ou agindo de forma isolada, recrutando fiéis, "idiotas úteis" ou gente desatenta que se instalou e age à luz do dia em Portugal e na nossa cidade.

Os objetivos, as técnicas e os agentes são velhos de séculos mas usando ferramentas novas continuam a ser eficazes: as políticas de difusão do ódio e da intolerância a partir das próprias instituições do estado; a propagação do medo como fator de adormecimento de consciências e tolerância contra a perda de direito individuais e coletivos; a diabolização de quantos cidadãos e instituições, ousam questionar a narrativa oficial, fazer guerra à guerra e exigir a paz, exigem e usam os direitos constitucionais, persistem em pensar e agir conforme a sua consciência.

Exemplos não faltam.

O branqueamento do fascismo e a "condenação" da Revolução de Abril e dos que a concretizaram a par da glorificação dos que a traíram e hoje, ousam já defender o salazarismo, o colonialismo e a rede bombista que pôs o país a ferro e fogo.

A incorporação do discurso do ódio e da glorificação do racismo e da xenofobia nas politicas e ações do governo e do estado. Veja-se a vergonhosa iniciativa montada recentemente no Martin Moniz em Lisboa e também a ação repressiva contra os que se manifestam contra tais iniciativas.

As iniciativas de alarmismo em curso na nossa cidade visando multiplicar o medo com o papão da insegurança e levando-nos a aceitar restrições à liberdade individual e coletiva em vez de, como seria necessário e desejável dotar de meios e de pessoal as instituições de segurança da cidade.

A campanha de propaganda e intolerância, também na nossa cidade, contra os que ousam remar contra a corrente, tem a ousadia de denunciar, insistem em não fechar os olhos e as mentes face à intolerância, o ódio, o racismo e a xenofobia. Campanha que se faz boca a boca mas também na comunicação social disfarçada de inquietação intelectual. De combate, dizem, ao "Wokismo mais extremado" mas, de facto, de divulgação dos valores e vontades da extrema-direita retrógrada e arruaceira que Abril havia colocado na clandestinidade.

A receita já foi testada com êxito noutros períodos da história do país e do mundo.

Que saibamos e queiramos neutralizá-la enquanto (ainda) há tempo e vontade suficientes.

Diogo Júlio Serra


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O ALTO ALENTEJO ESTÁ NA MODA?

 


O Alto Alentejo está na moda?

Sim! Pela sua qualidade.

 

O distrito de Portalegre está claramente na moda. Os seus eventos culturais atraiem olhares e visitantes em número crescente a cada dia que passa.

Longe vai o tempo em que o Alto Alentejo só “virava notícia” se e quando acontecesse uma tragédia. Isto nos apelidados órgão de comunicação de referência porque a comunicação social local sempre esteve no mesmo lado da barricada a lutar pela valorização do interior onde nos situamos.

Bem, parece que esses tempos são passado e hoje a comunicação social nacional, incluindo as televisões descobriram o Alto Alentejo e as nossas gentes e com regularidade mostram-nos nos seus écrans divulgando o que até há pouco ignoravam; a enorme riqueza paisagística, patrimonial e cultural que sempre aqui estiveram bem visíveis e ativas.

Nos últimos dias o país pode ver-nos em diferentes concelhos e eventos de altíssima qualidade e acompanhar-nos, os que aqui vivemos e trabalhamos mais aos muitos que nos visitam e usufruem do que temos e lhes disponibilizamos.

Foi assim no desporto com as 24 horas todo o terreno no terródromo de Fronteira. Foi assim em Portalegre com o Mercadinho das Artes que juntou mais de 80 artistas no mercado municipal, foi-o, também, com o Festival transfronteiriço “Tascas e Bodegas” que teve lugar na Praça da Republica e particularmente com a terceira edição da Feira dos Vinhos de Altitude que de uma só vez mostrou ao país a qualidade dos nossos produtos vinícolas, a resiliência dos nossos produtores e a joia arquitetónica durante anos escondida à fruição dos portalegrenses - a ex-Igreja de S. Francisco.

No momento em que escrevo este texto está em preparação no Alentejo e Ribatejo mais um extraordinário evento cultural e turístico promovido para Entidade Regional de Turismo e autarquias locais - O LiterÁrea - Festival de Turismo Literário do Alentejo e Ribatejo. Uma iniciativa turística e cultural que vai dar “palco” aos diferentes Roteiros Literários que o Alentejo e o Ribatejo tem disponíveis para serem usufruídos por turistas e residentes. Nos dias 13, 14 e 15 de dezembro toda a atenção será dada à obra literária dos escritores que elegeram este território como local de residência e de trabalho e aos espaços e memórias que semearam com o seu talento e a sua escrita.

O Alto Alentejo participa com diferentes e importantes iniciativas disseminadas pelo seu território: em Galveias – Centro de Interpretação José Luís Peixoto e Rota “Galveias”); Monforte – Torre de Palma Wine Hotel e Casa Branca – Associação era uma voz. Em Galveias à conversa com os escritores Margarida Vale do Gato e Frederico Pedreira, em Monforte num Brunch Literário e na Casa Branca – com o “Ler para comer”.

Mas, ainda mais relevante que os eventos que se concretizam a cada momento o semear de estruturas (novas ou recuperadas) que afirmam o Alto Alentejo como um território onde nada está parado e tudo acontece. A inauguração de mais um museu em Castelo de Vide - o museu Garcia de Orta, a consolidação do Centro de Interpretação José Luís Peixoto em Galveias, a recuperação do Convento da Senhora da Luz em Arronches e, sinceramente espero, que também em Portalegre possamos ter ultrapassado um tempo de trevas para um valioso e caro equipamento cultural – o núcleo museológico de S. Francisco e a sua Igreja, recuperada pela Fundação Robinson e encerrada aos nossos olhos pela incúria e “casmurrice” de alguns.

Que seja o momento de também esta joia ser “reconquistada” pelos portalegrenses para a região e para o país!

Diogo Júlio Serra

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

FALHA DE PROTOCOLO OU FALTA DE CHÁ?

 


Falha de protocolo ou falta de "chá"?

Portalegre inaugurou recentemente mais um equipamento social na cidade, fruto da recuperação de um imóvel há muito "abandonado".

Tratou-se do antigo edifício dos Paços do Concelho, o edifício que dava nome à Praça  onde está  sedeado e albergou durante décadas os governos do concelho.

Depois de obras de restauro que levantaram alguma celeuma a devolução deste importante espaço à cidade, agora com a função de Centro Documental  e integrando também o Posto Municipal de Turismo, contou com a presença da Sra. Secretária de Estado da Cultura que enalteceu a iniciativa e a classificou como um "valioso contributo para a requalificação do centro histórico".

Pessoalmente concordo quer com a apreciação da Sra Secretária de Estado quer com a utilização que o Município lhe destinou: Centro documental do património de Portalegre  e sede do Posto Municipal de Turismo sendo, todavia, necessário resolver rapidamente um problema (grave) que parece não ter merecido a atenção do município e/ou do projetista: as acessibilidades  e em particular para aquelas e aqueles com mobilidade reduzida.

Mas é por uma outra razão que elegi hoje a requalificação dos antigos Paços do Concelho. O facto de mais uma vez o executivo municipal e particularmente a sua presidente serem acusados de ostensivo afastamento dos anteriores presidentes de quaisquer cerimónias municipais e particularmente de inaugurações que, dizem estes contestatários, foram os anteriores presidentes os primeiros responsáveis pelas obras inauguradas.

Não sei se é assim que as coisas têm ocorrido e se o é a que se deverá tal atitude. Há uma falha no  protocolo municipal, dizem-me uns; há uma deliberada intenção da atual presidente em esconder o trabalho da sua antecessora, dizem-me outros e, ainda, sussurram os mais críticos, é educação a menos  e prepotência a mais do executivo atual.

Neste esgrimir de razões e argumentos sou dos que hesitam em tomar "partido". 

Conheço pessoal e politicamente a atual e a anterior Presidentes da Câmara Municipal de Portalegre e sinceramente não vislumbro razões para tamanha (a ser intenção deliberada de apropriação  de protagonismo)"maldade". Mais, não me parece verosímil essa intenção por parte da Presidente atual nem , parece-me, a anterior Presidente se incomodaria com tal, a ser verdadeira, manifestação de intolerância.

Sendo assim. Estando correta a leitura que faço da sistemática ausência dos anteriores autarcas em eventos e inaugurações, esta só pode dever-se a uma falha de protocolo municipal.

Estarem arredados do Protocolo Municipal os anteriores autarcas e particularmente os anteriores Presidentes de Câmara  pode até ser legal mas é objetivamente imoral, É um erro e deve ser reparado.

Sim eu sei que em politica, particularmente politica partidária, a moral não é dos primeiros critérios a ter em conta. Sei que o PSD, puros e impuros como é o caso, não é sensível ao reconhecimento. Veja-se como tem tratado o ex-Presidente Mata Cáceres, eleito nas suas listas, votado de forma esmagadora pelos Portalegrenses e que é até hoje, não contabilizando a ex- Presidente Adelaide Teixeira  que deixou muito recentemente essas funções, o único Presidente de Câmara de Portalegre eleito a quem não foi atribuída a medalha de mérito municipal.

 Mas ainda assim, recuso-me a acreditar na "maldade". Espero não estar enganado!

Diogo Júlio Serra