domingo, 16 de agosto de 2015

Quando uma porta se fecha abre-se sempre uma janela!


Quando uma porta se fecha abre-se sempre uma janela.
Será?

     A afirmação que assumo como título deste texto, o último a ser subscrito como Coordenador da USNA/cgtp-in é a transcrição de um ditado popular usado na nossa região.
     A dúvida colocada é justificada tão só pela proximidade da data em que deixo a coordenação da União e procuro "acertar o passo" com o que quero que seja o meu futuro imediato.
     Os projectos, em particular os que deixaram de ser projectos de vida para se assumirem como o projecto de uma vida, como foi o caso, marcam-nos sempre, mesmo que o não queiramos admitir. Este não foi diferente, tanto mais que o Movimento Sindical de classe e a União fazem parte da minha vida desde a juventude. Foram a  família mesmo antes de ter constituído a minha família.
     Quando casei em 1980, quando nasceram os meus filhos, hoje com 34 e 31 anos, os meus dias ( e tantas vezes as noites) eram guiados a partir da velha sede da União, na travessa da liberdade, no edifício onde hoje está sedeada a delegação local do Novo Banco.
     Ali, com outros camaradas e amigos, desenhei o programa das comemorações do 1º de Maio de 1978 e com o Joaquim Miranda então à frente do Secretarado Distrital das UCP's e Cooperativas e o António Ramos do Sindicato Agrícola, preparámos a vinda e distribuição das máquinas agrícolas oferecidas pela União Soviética às cooperativas do distrito.
     Ali, com dezenas de outros camaradas, defendemos o edifício perante a turba enraivecida convocada pela CAP para o Rossio, naquela que seria a primeira manifestação da CAP a sul do Tejo.  
     Foi ainda a partir daquele edifício, onde estavam sedeados o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, o Secretariado das UCP´s e Cooperativas e a União dos Sindicatos do Distrito de Portalegre, que planificámos, coordenámos e dirigimos a primeira Greve Geral realizada no pós 25 de Abril.
     Foram trinta e sete anos de intensa actividade em que percorri com muitos outros o caminho que une a minha condição de jovem acabado de deixar o serviço militar obrigatório (os vencedores do 25 de Novembro passaram-me de forma compulsiva à disponibilidade a 2 de Dezembro de 1975) e profundamente empenhado no processo revolucionário e em particular no desenvolvimento das Unidades Colectivas de Produção Agrícolas, ao homem que ultrapassou os sessenta, marido, pai e avô que continua a acreditar que os homens e mulheres, todos e todas hão-de um dia libertar-se das grilhetas e, como dizia o poeta refereindo-se ao Alentejo, hão-de cantar!
     Agora aos 24 dias de Junho de 2015, 37 anos depois daquela noite de Fevereiro de 1978, é preciso aprender a gostar de mim. Aprender a libertar-me dessa carapaça que me acompanhou ao longo de décadas e a tornar possível que sejam outros e outras, jovens, entusiastas e sonhadores a assumirem o seu papel.
     Procurar ( acreditem que não vai ser fácil ) estar disponível se solicitado sem atrapalhar quem ficou e assumir novos projectos e batalhas.
D.S
2015-06-24 
 
 
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

            A situação (gravíssima) vivida/sofrida na região Alentejo não se confina apenas a este território. A “crise “ económica e social atravessa “fronteiras” e ataca, também, com particular violência o território extremenho que é, sempre o foi, a continuação do Alentejo.
            Alentejo e Extremadura, mais concretamente os alentejanos e extremenhos, estiveram desde sempre irmanados pelas necessidades de sobrevivência. Primeiro face às guerras ditadas pelos interesses dos senhores feudais, depois, pelas politicas de rapina das periferias ditadas ao longo de décadas pelos governos centralistas de Espanha e Portugal.
            É verdade que derrubadas as ditaduras que durante décadas subjugaram os povos de Portugal e Espanha, os extremenhos conquistaram a autonomia politica para as suas gentes mas a recente chegada ao poder regional da direita politica já detentora do poder nacional, acabou por esmagar os muitos avanços alcançados pelos extremenhos.
            A situação é, também ali, de grandes dificuldades com 151.000 desempregados (30% da população activa) e uma elevada taxa de desemprego de longa duração (60%).
            Hoje 46% dos desempregados não auferem quaisquer apoios sociais e as famílias com todos os seus membros no desemprego atingem já 50.000 e estima-se que os desempregados em risco de pobreza atinjam os 40%.
            Extremadura é, actualmente a segunda região de Espanha com maior taxa de pobreza e a terceira com maior taxa de desemprego.
            Este retrato que não é diferente da situação que vivemos no Alentejo, é o resultado das politicas de roubo dos direitos dos trabalhadores e das populações que não só têm provocado um aumento significativo da pobreza e da desigualdade em amplas camadas da população como significam uma dramática deterioração dos serviços públicos e põem em causa as próprias instituições democráticas.
            Observando o que se passa na euro-região é fácil constatar que as politicas impostas por Madrid ou por Lisboa não têm quaisquer diferenças porque são iguais os objectivos de quem as impõe e são os mesmos os que delas se aproveitam.
            Hoje é claro, para extremenhos e alentejanos que a destruição de uma importante parte da estrutura produtiva da euro-região, a queda do investimento público e o aumento substancial da dívida pública de ambos os países, vão impedir a saída da crise e o futuro de várias gerações.
            Por todo o território a precariedade, a temporalidade a parcialidade involuntária foram-se apropriando do mercado laboral, provocando o aparecimento de situações de pobreza mesmo entre os que apesar de trabalharem não auferem o rendimento mínimo necessário para sobreviverem com dignidade.
            Num e outro lados da antiga fronteira politica as cada vez mais alargadas politicas de privatização (directas ou encapotadas) dos serviços públicos essenciais e o desbaratar do património do estado são instrumentos para favorecerem a acumulação e concentração do capital nas mãos privadas l e desvincular cada estado das suas funções sociais.
           As “reformas laborais” cujo objectivo confesso foi facilitar os despedimentos, a baixa dos salários, o roubo de direitos, o aumento da jornada laboral e o desmantelamento da contratação colectiva foram num e noutro lado da “fronteira” um ataque sem precedentes a um conjunto de direitos laborais e sociais consagrados constitucionalmente.
            A intensa ofensiva de ataques e acusações à acção sindical de classe, violando convenções internacionais mereceram denuncias junto da OIT e têm unido em sua defesa os trabalhadores extremenhos e alentejanos e os seus sindicatos de classe.
            A luta desenvolvida em toda a euro-região tem exigido a urgente implementação de politicas de crescimento económico, de estímulo à procura e de crescimento dos salários.
            Tal como no Alentejo, também na Extremadura existem recursos suficientes para recolocar a região nos caminhos do desenvolvimento económico e do progresso social e por isso, os sindicatos de ambos os lados da “fronteira” reunidos em Portalegre a 10 de Março último definiram desenvolver acções e lutas comuns em quatro direcções fundamentais à recuperação económica e social.

  • Primeira prioridade, a luta contra o desemprego. Sem emprego não há recuperação possível. São necessários planos extraordinários para apoiar a criação de postos de trabalho de qualidade na euro-região.
  • Reactivar a economia da euro-região. Sem actividade económica, sem consumo, não há recuperação nem há emprego.  Importa tomar medidas para restaurar o poder de compra dos trabalhadores e das famílias e apostar, num e outro lado da “fronteira” na reindustrialização porque é inegável a necessidade de projectos industriais fortes e sólidos que funcionem como locomotiva das nossas economias.
  • As infra-estruturas são vitais para o desenvolvimento que queremos pelo que é fundamental dar continuidade a obras que nunca se iniciaram ou ficaram suspensas:
    • A linha ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid;
    • A Plataforma logística do sudoeste;
    • O Trem de alta velocidade prometido entre Sines e Badajoz, com ligações a Beja e Portalegre;
    • A modernização da linha e recuperação do transporte de passageiros entre Abrantes e Badajoz,
    • A potenciação do comboio tradicional entre Alentejo e Extremadura com regresso do Lusitânia entre Madrid e Lisboa ao seu traçado original com a recuperação do ramal de Cáceres;
    • A finalização das estradas suspensas e em particular a IP8 e IP2, IC13 e estrada de ligação entre o Alentejo e Extremadura por Nisa/Cedillo;
    • A construção da Barragem do Pisão-Crato
    • Um plano de melhoria das transferências para Centros educativos e hospitalares
  • O reforço das políticas sociais e do Estado de Bem-estar que passa pelo fim da ofensiva contra os serviços públicos e o abandono ou desmantelamento dos serviços do interior em particular nos âmbitos sociais, da educação e da saúde.
            Todas estas acções podem e devem ser sustentadas pelos fundos comunitários, fundos do orçamento geral dos Estados e no caso extremenho, também da comunidade autónoma.
            Os trabalhadores de ambos os lados da “fronteira” e o seu movimento sindical não abdicam de serem actores do seu futuro.

Diogo Júlio Serra

(publicada na Revista Alentejo nº 38 de Junho > Novembro de 2015)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

 

CONTRA CORRENTE

            Desde há muito “virou moda” bater na Fundação Robinson.
            As diferentes forças políticas do concelho elegeram esta instituição da cidade como saco de areia para o seu apuramento enquanto boxeurs!
            As motivações não serão iguais mas o resultado é praticamente o mesmo: colocar sobre a Fundação Robinson as suas próprias frustrações e o resultado das suas debilidades técnicas e políticas.
            É também perfeitamente claro que muitas vezes a Fundação se tem “colocado a jeito”. Vejam-se a quase ausência de relações comerciais com as empresas do concelho, o “abandono” nunca explicado do que era o seu projecto inicial, a pouca informação e a “má imprensa” que cultivou ao longo dos anos, as dificuldades em explicar à cidade e ao concelho as diferentes opções que foi tomando, mesmo quando era fácil mostrar as vantagens de tais opções.
            Neste momento assiste-se ao incentivar das campanhas anti-Fundação, insistindo-se em apresentá-la como culpada pelo incumprimento permanente em que a autarquia se mantém: com as freguesias, com as instituições culturais e desportivas, com os seus fornecedores e os seus cidadãos. A Fundação é acusada de sugar os subsídios de outras colectividades e de, ela própria, ser subsio-dependente necessitando de subsídios da autarquia até para pagar os vencimentos dos seus trabalhadores.
            É tudo mentira? Não. Até porque como dizia o poeta,  “para a mentira ser segura/ e atingir profundidade/ tem que trazer à mistura/qualquer coisa de verdade”.
            Se a discussão (que deve/tem que ser feita) tivesse como objectivo a defesa do concelho e a necessária e desejável preservação da memória da “fábrica da rolha” e da actividade corticeira em Portalegre, muito diferente teriam que ser os discursos quer do Executivo Municipal quer das forças politicas nele representadas.
            O muito que há para dizer e sobretudo para (continuar a) fazer poderá não se inscrever nas estratégias politico-eleitorais de cada uma dessas forças mas ajudaria certamente à compreensão de todo este processo.
            Neste início de 2015, quando as diferentes forças politicas alinham já as suas agendas com os olhos postos nos diferentes actos eleitorais, não poderemos aspirar a posições diferentes das habituais tiradas demagógicas com que uns e outros visam fixar as franjas do eleitorado que cada uma elegeu já como seu. E no entanto todos ficaríamos a ganhar se o caminho fosse diferente.
            Todos os portalegrenses ganhariam se a Câmara Municipal quebrasse o ruidoso silêncio a que se remeteu e viesse explicar as causas que levaram a Fundação a ter que solicitar ao Executivo Municipal que assuma mensalmente o pagamento dos funcionários da Fundação.
            Deveria ainda informar os seus munícipes acerca dos projectos e das obras em que a Fundação se substitui à Câmara e quais as razões que o impõem. O facto da Fundação ter sido agora, mais uma vez, a entidade capaz de garantir o financiamento para as infra-estruturas do espaço Robinson, poderia a ajudar nesse esclarecimento.
            Também os partidos e movimentos que nas últimas décadas passaram pelos diferentes executivos deveriam substituir a guerrilha em que se têm envolvido pela informação séria e necessária a podermos avaliar o seu comportamento e em particular:
            - Quantos dos seus membros e durante quanto tempo participaram nos órgãos e nas decisões da Fundação?
            - Quantos dos seus membros e durante quanto tempo estiveram nos Executivos Municipais que (dizem) usou a Fundação para fugir ao controlo democrático do próprio Executivo e da Assembleia Municipal?
            - Que defendem, de facto, para a Fundação Robinson?
            Se assim agissem certamente todos (munícipes, autarquias, fundação) estaríamos melhor preparados para ajuizar os passos dados e definirmos o futuro da nossa comunidade.
            Já agora, seria igualmente interessante saber o que cada força política conhece e defende em relação ao ICTVR-International Center for Technology in Virtual Reality.

 

Diogo Serra

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de Maio em POrtalegre


 

Camaradas:
O 1º de Maio que hoje comemoramos acontece num momento determinante da nossa vida colectiva, num quadro em que aumenta a exploração na razão directa da acumulação e concentração de riqueza nos grupos económicos e financeiros e nos seus serventuários, em que cresce e alastra o empobrecimento para a generalidade da população ao mesmo tempo que disparam as desigualdades, em que os valores e conquistas de Abril são atacados tendo por base a mais vil campanha ideológica desde 1974.
É neste contexto que saudamos os trabalhadores, os jovens, os reformados e pensionistas e os desempregados que por todo o país, no Continente e Regiões Autónomas, comemoram o Dia do Trabalhador lutando, lembrando a memorável jornada de há 40 anos atrás, quando o movimento operário e os trabalhadores, firmes e unidos em torno da sua organização de classe, a Intersindical Nacional, ergueram e juntaram a sua voz ao povo nas ruas, marcando de forma indelével o curso da Revolução de Abril!
Saudamos aqueles que durante os 48 anos do fascismo, enfrentando com coragem a repressão, despertaram consciências, mobilizaram vontades, derrotaram fatalismos e forjaram as condições para acontecer Abril.
 
Saudamos os capitães de Abril e o MFA, que abriram as portas à liberdade, à democracia e à participação do povo na construção da sua vida e destino colectivo.
Nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e do primeiro 1º de Maio em Liberdade, tem-se dito e escrito muitas coisas. Afirma-se que o Abril consolidado em Maio não tem donos, para tentar ocultar o carácter popular, de classe e de massas da nossa Revolução. Dizem que é de todos, para esconder que, sendo dos trabalhadores e do povo, Abril não é dos grandes grupos monopolistas, nem das sete famílias que detinham o poder no nosso país, não é dos exploradores, nem dos que subordinam a vontade popular à ditadura da finança.
Não são neutros os direitos conquistados.
Não são neutras as conquistas na área da educação e da escola pública, gratuita e de qualidade, na saúde com a edificação do Serviço Nacional de Saúde para todos, na segurança social, com prestações sociais universais e solidárias!
Não é neutra a construção da reforma agrária, as nacionalizações e todos os avanços consagrados na Constituição da República Portuguesa!
Por mais que tentem branquear os anseios e aspirações dos trabalhadores e do povo expressos naquele 1º de Maio de há 40 anos, que também inundou Portalegre, aquilo que esteve e está em causa, é a opção entre a valorização do trabalho e a opressão do capital, entre a justiça social e a perpetuação das desigualdades, entre o desenvolvimento e a estagnação económica, entre um projecto soberano e a subserviência perante as grandes potências, entre o emprego de qualidade e o desemprego, a precariedade e a emigração forçada.
O que está em causa ao longo dos últimos 37 anos é a inversão destes valores, deixando a economia de estar aos serviço do povo, para estar subjugada aos ditames do capital, transformando os trabalhadores em mero instrumento de reprodução da força de trabalho, para satisfazer as necessidades e vontades dos ditos mercados.
Ao contrário do que os arautos do capital afirmam, não é Abril, nem os direitos políticos, económicos, sociais e culturais ganhos com a luta, que estão na origem da crise, mas sim o afastamento dos valores de Abril e a imposição da política de direita que foi prosseguida e está a ser continuada.
 As medidas de austeridade impostas aos trabalhadores e ao povo, quer na versão dos PEC,s quer pela aplicação do memorando das troikas, e que tanto o Governo do PS/Sócrates como o actual Governo do PSD/CDS apelidaram de  “êxito” e de  “sucesso”, são o exemplo acabado dos efeitos nefastos e brutais da opção em continuar a política de direita:
Um “êxito” para os agiotas que ganham milhões com a especulação de uma dívida pública insustentável, e para os defensores da redução do défice à custa do crescimento económico, com Portugal a ter, pela primeira vez na sua história, três anos consecutivos de recessão que já destruiu mais de 9 mil milhões de riqueza produzida.
Um “êxito” para os milionários que todos os anos aumentaram espectacularmente as suas fortunas, quando a pobreza e a exclusão social atinge 1 em cada 4 portugueses.
Um “sucesso” para os que vêem nos serviços públicos fonte de lucros e no direito à educação, saúde e segurança social importantes áreas de negócio, mesmo que tal hipoteque o desenvolvimento humano, a coesão social e territorial e inviabilize o urgente combate às desigualdades!
Um “sucesso” dizem os que vivem à conta das SWAP, PPP e dividendos livres de impostos, em relação a uma política que generaliza a precariedade laboral, que empurra mais de um milhão e quatrocentos mil trabalhadores para o desemprego, e força centenas de milhar a emigrar.
Um “sucesso” para os que engordam à custa da exploração, com o enfraquecimento e individualização das relações de trabalho e o ataque sem precedentes à contratação colectiva para reduzir as retribuições e libertar assim mais recursos para o capital, como é exemplo a redução das indemnizações por despedimento, o aumento da jornada de trabalho na Administração Pública e a transformação em definitivas de medidas que juraram ser provisórias.
Um “êxito” para o grande capital e as grandes potências com o aprofundamento do ataque à soberania nacional, com a situação de “protectorado” a manter-se por mais 20 anos.
Daqui, desta cidade de Portalegre que no longínquo ano de 1895, deu início às comemorações do 1º de Maio com acções de rua,  afirmamos com convicção:  da mesma forma que rejeitámos e derrotámos o papel colonizador do nosso país por ser injusto, rejeitamos e derrotaremos a colonização a que nos querem submeter, porque é ultrajante!
Se os trabalhadores não pararem quanto antes tal ofensiva a política que tem sido seguida contra todos os trabalhadores do sector público, do sector empresarial do Estado e do sector privado, vai ser continuada.
O aumento brutal do IRS suportado por quem trabalha e trabalhou, ao mesmo tempo que se reduz o IRC para as grandes empresas, é apenas mais um exemplo da opção por beneficiar os que muito têm em prejuízo dos muitos que pouco ou nada detêm.
Está visto que a ofensiva não cessa, enquanto não derrotarmos a política de direita e pusermos este Governo na rua. Para eles os sacrifícios nunca são suficientes e é sempre necessário mais cortes para os trabalhadores e a população!
Encenam preocupações sociais, mas aquilo que impõem e preparam são mais cortes nas prestações de desemprego, no abono de família, nas pensões de sobrevivência e querem aumentar ainda mais a idade da reforma.
Bem podem apelar ao consenso e à união nacional, que nós não confundimos o interesse nacional com a espoliação imposta pelo capital, não aceitamos o empobrecimento dos trabalhadores e do povo para alimentar os mesmos de sempre e combateremos e derrotaremos o aprofundamento da exploração e da alienação da soberania, porque temos propostas para uma política alternativa, de esquerda e soberana, de desenvolvimento e justiça social, de exigência de direitos, porque nós cumprimos com os nossos deveres!
Uma política alternativa assente no aumento dos salários, para dinamizar a procura interna e reequilibrar a repartição da riqueza!
Uma política que promova o aumento do salário mínimo nacional, para os 515€ já a 1 de Junho de 2014.
Os trabalhadores estão a ser roubados há 1215 dias, desde que o anterior e o actual Governo fizeram tábua rasa do Acordo em sede de Concertação Social! É hora de desmascarar o Governo e exigir que clarifique a sua posição, poise não aceitamos que continue a esconder as suas intenções.
Exigimos uma política que impulsione o emprego de qualidade e com direitos, para fixar a força de trabalho qualificada e combater a precariedade e a instabilidade profissional. A dinamização da contratação colectiva é um imperativo e um dos alicerces da democracia de Abril, consolidada em Maio.
Esta é a hora de derrotar a tentativa de aumentar o horário de trabalho na Administração Pública, respeitar a autonomia do poder local democrático e fazer vingar os mais de 200 acordos que contemplam as 35 horas semanais. É hora de estender este direito a todo sector público e progressivamente ao sector privado!
Reivindicamos a redução do tempo de trabalho sem perda de retribuição, para promover uma maior justiça social, com os trabalhadores a beneficiar dos enormes avanços científicos e tecnológicos introduzidos no sistema económico e produtivo.
Redução do tempo de trabalho para dinamizar uma melhor distribuição da riqueza e criar mais emprego para aqueles que hoje vêem negado o direito ao trabalho.
Exigimos a dinamização da produção nacional, o incremento do valor da produção e o investimento num aparelho produtivo moderno e de alto valor acrescentado. Sem produzir mais o país nunca estará melhor!
Defendemos uma nova política fiscal, que liberte os assalariados e pensionistas e incida sobre os rendimentos do capital!
Exigimos o reforço das funções sociais do Estado, da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social universal e solidária!
É hora de promover e desenvolver os serviços públicos e travar as privatizações em curso!
Temos de subordinar o défice ao crescimento económico e rejeitar as imposições do Tratado Orçamental!
Temos de renegociar a dívida, no seu montante, prazos e juros. Esta foi uma reivindicação que, durante muito tempo, só a CGTP-IN no plano social e muito poucos no plano político defenderam… de dia para dia crescem aqueles que constatam a insustentabilidade da dívida!
As propostas que fazemos, em cada um e em todo o seu domínio, implicam uma ruptura com o projecto de estagnação económica, regressão social e aumento das desigualdades, que a política de direita tem para o nosso país. Em simultâneo significa mais desenvolvimento económico, mais direitos para os trabalhadores e o povo.
Só com a força dos trabalhadores, organizados nas suas estruturas representativas será possível empreender a inversão de política! Só com uma CGTP-IN mais forte e interventiva, com a responsabilização de mais quadros e uma acção sem tréguas em cada empresa, em cada local de trabalho, será possível forçar a demissão do governo e derrotar a política de direita.
É este o nosso compromisso: continuar e intensificar a luta.
Luta que temos de levar até ao voto no próximo dia 25 de Maio, dia de eleições para o Parlamento Europeu, aproveitando esta ocasião para mostrar o cartão vermelho aos que lá, como cá, trazem a miséria, o desemprego, o empobrecimento e a desesperança para as nossas vidas.
Vamos rejeitar os apelos ao voto em branco ou nulo. Vamos votar em consciência, naqueles que defendem os nossos interesses, rejeitam inevitabilidades e que, de forma consequente, têm combatido e combatem a política de direita, apresentam soluções para o país e estão ao lado dos trabalhadores e do povo.
Luta que vai continuar, com uma semana, de 26 a 31 de Maio, para celebrar os 40 anos da conquista do SMN e exigir a sua actualização para os 515€, já a parir de 1 de Junho!
E nos dias 14 e 21 de Junho, no Porto e em Lisboa, vamos promover duas importantes manifestações, porque a nossa luta não vai parar, mas antes será intensificado o combate para derrotar o governo e a política de direita, abrir caminho à construção de uma política alternativa, de Esquerda e Soberana, que sirva os interesses dos trabalhadores, do povo e do país, afirmando os valores e as conquistas de Abril no futuro de Portugal.  
 

 VIVA O 1º DE MAIO!

VIVAM OS TRABALHADORES!

A LUTA CONTINUA!

sábado, 26 de abril de 2014



…Ainda um dia hás-de cantar!

O Alentejo, desde sempre vitima da organização territorial e política do estado-nação e da “inabilidade” para se posicionar face aos detentores do poder continua, quarenta anos depois da reconquista da democracia politica, em patamares de desenvolvimento que ilustram a descriminação de que é vítima.

No momento em que nos preparamos para iniciar mais um ciclo de utilização de fundos comunitários constatamos que continua a ser difícil o aproveitamento integral dos meios financeiros colocados à disposição do país.

Muitos dos obstáculos para conseguirmos transformar esses envelopes financeiros em instrumentos de mudança e de progresso continuam a existir apesar de há muito estarem sinalizados.

Acabados de aprovar um novo Plano de Acção Regional, o PAR Alentejo 2020, podemos constatar que muitas das barreiras identificadas continuam a condicionar a sua implementação e desde logo a teimosia do estado centralista em cumprir a Constituição da Republica, também, no que respeita à Regionalização e, no que a nós respeita, à criação da Região Alentejo.

Apesar de partir de um quadro que não questiona a subordinação dos fundos estruturais à Estratégia Europa 2020 e ao cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento e como isso vai retirar ainda mais capacidade para podermos, o país e a região, definir as politicas de acordo com as nossas necessidades e não com imposições exteriores, o Plano Regional – Alentejo 2020, foi aprovado por unanimidade pelo Conselho da Região e revestir-se-á de grande importância para o próximo futuro.

O Movimento Sindical de Classe que a CGTP-IN corporiza deixou bem claro nas diferentes fases de “construção” do Plano que recusa a subordinação do princípio da coesão social aos objectivos que visam a liberalização dos principais mercados de serviços e bens, com o acelerar do processo de privatização e a desregulamentação do mercado de trabalho.

Uma estratégia de desenvolvimento para o Alentejo só tem préstimo se servir para melhorar a vida de quem aqui vive e trabalha. Tem que ser este o seu objectivo principal.

No nosso caso a perda de postos de trabalho e de população foi de tal grandeza que os principais objectivos que qualquer estratégia de desenvolvimento tem que assumir deverão ser: a facilitação da criação de emprego de qualidade e o aumento dos níveis de vida e de bem-estar da população.

Desde logo medidas para a revalorização do trabalho e para uma industrialização que abranja todas as sub-regiões.

Persistir em centrar os apoios às empresas exportadoras e situadas em “ilhas” dentro do território será o continuar das apostas erradas ou insuficientes para as necessidades da região. O caminho passa pela aposta nos bens transaccionáveis na sua globalidade como consta aliás nos contributos que em nome da CGTP-IN/Alentejo, fiz chegar à Presidência da CCDRA.

“…A proposta centra os apoios às empresas no fomento das exportações, o que consideramos insuficiente para o desenvolvimento regional. Tem sido assim no INALENTEJO, como concluiu a avaliação intercalar do mesmo (pág. 6). Na nossa opinião o próximo período de programação tem que apostar nos bens e serviços transaccionáveis na sua globalidade e não apenas ou primordialmente nas exportações, com o objectivo de substituir importações. Com este objectivo os regulamentos dos apoios deveriam premiar os projectos que visam aumentar a produção para o mercado nacional…”[1]

Este aspecto é particularmente relevante nos bens alimentares uma vez que o país não garante a auto-suficiência em praticamente nenhum produto agrícola tendo a situação vindo a piorar desde a década de 90 do século passado.

A nossa elevada dependência alimentar, gritante nas leguminosas secas (produzimos apenas 8,5% das necessidades do país, mas com grande peso também nos cereais e no arroz (produzimos menos de 30% das necessidades do país) e nas raízes e tubérculos (56,7% das necessidades). Apesar de mais reduzida essa dependência assinala-se também nas carnes, nos frutos e no azeite.

A região poderia e deveria apostar nesses sectores contribuindo para satisfazer as necessidades do país e para criar emprego.

Para o Alentejo e as suas gentes os fundos estruturais e de investimento a serem disponibilizados até 2020 têm que ser (bem) utilizados para que possamos garantir: crescimento económico e criação de emprego de qualidade; aumento da produção regional em particular em sectores que contribua para substituir exportações e diminuir a nossa dependência; diminuição das assimetrias com o exterior e no interior da região; redução da pobreza e da exclusão social; reabilitação urbana e preservação do património cultural.

Sendo certo que nos debatemos com fortes constrangimentos ao desenvolvimento: o comportamento recessivo da demografia regional, a desvitalização social e económica de importantes aglomerados urbanos e dos territórios de baixa densidade, reduzido dinamismo do tecido empresarial, debilidades dos factores estruturantes da atracção de novos investimentos e desvantagens competitivas face a regiões concorrentes, [2] a que acrescem os resultados do desinvestimento público a que grande parte da região foi votada durante décadas. Não é menos certo existirem potencialidades suficientes para que tais constrangimentos possam ser ultrapassados.

O Alentejo detém no seu vasto território recursos suficientes para atrair pessoas e investimentos mas tal não chega para construir o desenvolvimento sustentável que os/as Alentejanos/as reclamam e merecem.

Para atingir esse patamar é essencial uma estratégia de desenvolvimento que aposte na revitalização e modernização do sector produtivo, na revalorização do trabalho e na melhoria dos serviços públicos.

Diogo Serra



[1] PAR Alentejo 2020 – Contributos da CGTP/Alentejo
[2] PAR Alentejo 2020


(Publicado na Revista Alentejo de Abril/2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014



Intervenção do Coordenador da USNA/cgtp-in*

     Hoje, na tarde que agora começa, os representantes das forças de ocupação estão em Lisboa a reunir com os parceiros sociais.
     Estarão, certamente, a tentar convencê-los de que é necessário cortar, ainda mais, os salários de quem trabalha. Que é preciso intensificar a destruição do Estado e das suas funções sociais.
     Fazem-no alicerçados nos discursos dos seus mandatários em Portugal: o PPD/PSD, o CDS e o Presidente da Republica que se afadigam em fingir que a situação do país está melhor, que as políticas de recuperação do poder do capital estão a fazer com que o país esteja melhor.
     Uns e outros sabem que são falsas tais afirmações.
     São os números (deles) que o demonstram:
     O malvado défice melhorou? Vamos ver.
     Em 2007 o défice era igual a 60% do PIB.
     Em 2010 o défice era de 94% do PIB e,
     em 1 de Janeiro de 2014 atingia já os 130% do PIB.
     O desemprego que eles dizem ser uma das suas principais preocupações, atingia em 2010 os 11% da população ativa. Em Janeiro deste ano ultrapassa os 17%.
     Onde estão os êxitos desta gente?
     Eles sabem-no. Nós também sabemos onde estão. Estão nos roubos aos trabalhadores que as suas politicas conseguiram garantir.
     Mais uma vez vejamos os números deles.
     Em 2013 o custo com salários diminuiu 7,4% em relação ao ano anterior mas o IRS cobrado aos trabalhadores foi no mesmo período superior a 24%. Ou seja, estas politicas e esta gente retiraram aos trabalhadores mais 31,4% que haviam tirado no ano anterior e transferiram-no direitinho para os bolsos dos grandes empresários e acionistas.
     Mas há mais. No mesmo período, quando o desemprego disparou, o subsídio de desemprego pago, baixou 15% e, o complemento solidário para idosos (destinado a quem recebe pensão inferior a 300 euros) diminuiu 13%.
     Tal significa que também os desempregados  e os reformados com pensões miseráveis, contribuiram  para enriquecer os do costume.
     Olhemos o nosso distrito.
     Durante quatro meses os governantes e os seus papagaios na região, afadigavam-se a encher-nos os ouvidos com a diminuição do desemprego. Diziam que em cada mês o desemprego diminuia apesar de não se ter criado um único emprego. Este mês tiveram que mudar o disco. Afinal, dizem eles, em Janeiro o desemprego aumentou mais 626 desempregados.
     Mas ainda não dizem (dizemos nós) que no Norte Alentejano o desemprego atingiu os 12.289 trabalhadores dos quais, 4019 são mantidos em trabalho escravo (seja em ações de autodenomida formação a troco de subsídio de refeição ou em trabalhos ditos de integração social em que realizam trabalho sem receberem salário) e dos que restam a maioria não usufrui quaisquer rendimentos e são empurrados para a SOPA DOS POBRES.
     Queremos afirmar que reconhecemos o trabalho desenvolvido no distrito pelas diferentes associações que lutam para que as vitimas das politicas de roubo e de exclusão possam ver garantidas algumas refeições.
     Saudamos o esforço que desenvolvem mas queremos reafirmar a nossa convicção que o caminho não pode ser esse. Que o futuro da nossa terra e das nossas gentes não passa por aí.
     O futuro passa por construirmos, todos e todas, as condições necessárias para correr com esta gente dos órgãos de poder.
     O futuro passa pelo retomar dos caminhos de Abril.
     E que ninguém se iluda, a hora que vivemos é a hora das decisões. Todos e todas estamos confrontados com a necessidade de tomar decisões: ou estamos com os trabalhadores na construção do futuro ou estamos do lado da traição.
    Nós, os trabalhadores e o seu Movimento Sindical de Classe, já há muito decidimos.
    Estamos e somo o futuro e por isso e para issa a luta vai continuar!


* Diogo Serra

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

“Contra a violação dos direitos fundamentais; Pelo emprego, salários, saúde, educação, proteção social!”


Como bem sabemos o Governo tem em curso uma política que visa reconfigurar o Estado de direito e as Funções Sociais do Estado.

A violação dos direitos fundamentais dos trabalhadores, dos jovens, dos reformados e pensionistas, dos desempregados é procurar desmembrar  o último reduto de defesa dos cidadãos contra a arbitrariedade do poder.

É o continuar e intensificar as medidas destinadas a vedar ou reduzir o acesso da população aos direitos sociais, económicos e culturais básicos, aumentando as situações de carência, de pobreza e de exclusão social, particularmente em territórios como o nosso e negando, assim, a um número crescente de pessoas o direito a uma vida digna.

Ao violarem, reiteradamente, os direitos fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa, muitas medidas do Governo afrontam, também, direta ou indiretamente, pelas suas consequências, instrumentos jurídicos internacionais a que o país se encontra vinculado e  põem em causa um conjunto de avanços que Portugal conseguiu, no âmbito do desenvolvimento humano.

Esta é uma política que por estar em rota de colisão com a Constituição da República Portuguesa, precisa de ser contestada e travada quanto antes. A demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas torna-se, neste contexto, um imperativo nacional.

Neste sentido, é de saudar a decisão da DR da USNA de convocar para o dia 26 de Fevereiro, véspera de uma nova visita da troica a Portugal, uma  marcha  “Contra a violação dos direitos fundamentais; Pelo emprego, salários, saúde, educação, proteção social!”, com início às 15 horas frente à sede da USNA e desfile até à porta do Centro de Emprego onde se realizará uma tribuna pública.

A Marcha que terá por base o conjunto de dirigentes e ativistas sindicais impõe de cada um de nós o esforço necessário para que a mesma seja visível e mobilizadora. Que se faça ouvir e tenha o poder de atração necessário para aumentar a participação nas outras iniciativas já definidas.

Contamos com todos e todas para darem corpo a esta ação e para reafirmarem a sua determinação em pôr fim a este estado de coisas.