quarta-feira, 16 de abril de 2008

Querem “fechar” o Norte Alentejano!



Os últimos tempos não se têm mostrado favoráveis para o Norte Alentejano.
Ainda mal refeitos do encerramento da Jonshon Control’s e com a Robinson à procura dos caminhos da recuperação somos confrontados com os salários em atraso na Manufactura Tapeçarias de Portalegre e o com o anúncio do encerramento da Delphi em Ponte de Sôr.
Para alguns, particularmente os “bens instalados”, esta situação não é mais que o ciclo normal da vida. As empresas, dizem eles, são como as pessoas: nascem, vivem e morrem. Mas para quantos vivem por dentro os dramas trazidos pelo desemprego e pela precariedade, o ângulo de visão é necessariamente outro. Para estes o distanciamento nunca será possível em particular numa região, como a nossa, onde as empresas só morrem.
Apesar das visões diferentes, porque diferentes são os impactos suportados, todos têm que procurar as soluções necessárias ao inverter da situação que tem levado à desertificação do Norte Alentejano.
Os problemas do nosso distrito estão ligados à incapacidade de garantir emprego com qualidade que permita aos nossos jovens perspectivarem um futuro com um mínimo de segurança: garantia de independência económica através do trabalho, possibilidade de dar continuidade ao ciclo da vida, cortando amarras com a casa dos pais e constituindo as suas próprias famílias.
Trinta e três anos depois de Abril e consumidos três pacotes financeiros disponibilizados pela União Europeia o nosso distrito encontra-se numa situação que é, em alguns casos praticamente igual à que existia e justificou a Revolução de Abril.
Se a análise à situação que vivemos tiver por base os compromissos do 25 de Abril –Descolonizar, Democratizar, Desenvolver fácil será constatar que no último dos “D’s” muito falta cumprir.
É certo que a descolonização foi cumprida e a guerra colonial que nos roubava o melhor da nossa juventude deu lugar ao nascimento de países independentes. É igualmente certo que a Democracia política está institucionalizada, apesar de se notarem sintomas de totalitarismo e arrogância em diversos sectores da nossa sociedade.
Mas não é menos verdadeiro que o “D” do desenvolvimento está longe de ser conseguido.
No norte alentejano e em particular nos tempos revolucionários foram impulsionadas medidas e politicas visando um corte com o passado. Também aqui se fizeram sentir os efeitos da nacionalização da banca e dos principais sectores da actividade económica e se deram os passos necessários para que a terra passasse a cumprir a sua função social.
Durante algum tempo, pouco, o desemprego foi banido das nossas terras e Portalegre foi, de facto, um território atractivo para os seus naturais e para quantos ansiavam o regresso às origens.
Foi “sol de pouca dura” . As forças que sempre “reinaram” na região cedo recuperaram do sobressalto sofrido com Abril e pacientemente teceram estratégias para, adaptando-se aos novos tempos, garantirem a recomposição do poder perdido.
Mais de três décadas depois a situação vivida na nossa região mostra-nos como essa recomposição foi conseguida: O desemprego e a precarização do emprego, o encerramento de empresas e serviços, a necessidade de retomar os caminhos da emigração, o envelhecimento das nossas gentes e a desertificação do nosso território.
A adesão à União Europeia e a introdução no país e na região de muitos milhões de euros destinados a acelerar o nosso desenvolvimento foram consumidos em Jeeps em vez de tractores, em consumos faustosos em vez de apetrechamento técnico, na resolução de problemas de tesouraria em vez de formação…estamos agora, todos, a pagar os desvarios de poucos.
No momento em que assinalamos mais um aniversário da Revolução dos Cravos importa reencontrar os caminhos de Abril.
Urge encontrar as parcerias e os parceiros capazes de garantirem a inversão dos caminhos que nos querem retirar o direito de viver em Portalegre – cidade e região – com a dignidade que merecemos.
Importa a unidade necessária a manter “aberto e vivo” este território e as suas gentes.

Novas Regiões de Turismo; um fato à medida do dono


O governo decidiu, através de Dec. Lei recentemente aprovado, alterar o regime das Regiões de Turismo e, desta maneira, desvirtuar a natureza daquelas entidades, dar nova machadada na autonomia do poder local e governamentalizar as Regiões de Turismo.

A medida apresentada como a necessidade de adaptar as Regiões de Turismo ao Programa de Reorganização da Administração Central do Estado (Prace) está tão só a liquidar as actuais Regiões de Turismo e a substitui-las por estruturas sem competências em importantes áreas e totalmente “amarradas ao governo e às suas orientações”.

Começando por apresentar a concentração de todas as existentes em apenas cinco regiões coincidentes com as Nuts II (Nomenclaturas de Unidade Territorial) e de uma contratualização específica com Lisboa e Porto a versão final veio autonomizar e elevar ao estatuto de Região de Turismo as áreas turísticas objecto de maior “cobiça” dos grandes grupos económicos: Alqueva, Douro, Litoral Alentejano, Oeste e Serra da Estrela.

Para um governo que se propunha combater a “pulverização do território” pela muitas Regiões de Turismo então existentes o Decreto de Lei deixa transparecer que afinal, o único objectivo seria o fazer coincidir as Regiões de Turismo aos chamados Projectos de Interesse Nacional (PIN), associados a grandes grupos económicos e financeiros e a quem o governo facultou um regime de excepção sem precedentes.

Passemos agora à nossa Região.

Se nos parecia certa a posição de dotar o Alentejo (reportando-o às suas “fronteiras tradicionais”) de uma só Regia de Turismo, desde que se mantivessem em cada uma das sub regiões as unidades operativas essenciais e na estrutura regional “coubessem” os olhares, projectos e anseios do todo Alentejano, entendemos a solução encontrada, a criação artificial das áreas turísticas Litoral Alentejano e Alqueva nos coloca numa situação bem pior que a anterior onde apesar da existência de três Regiões de Turismo; S. Mamede, Évora e Planície Dourada – e os concelhos do Litoral integrados na Costa Azul (Setúbal), era possível desenhar e desenvolver estratégias comuns a todo o Alentejo e encontrar formas de promoção e afirmação da “marca Alentejo”.

Com o actual modelo está em causa a própria sustentabilidade turística, a coesão económica e o papel da actividade turística no desenvolvimento da Região. Criam-se condições para o aparecimento de assimetrias no interior alentejano e o desaparecimento a prazo de dezenas de pequenas empresas ligadas ao sector e, pior, abrem-se precedentes que podem levar a que os interesses do grande capital, ironicamente chamados “PIN” possam sempre sobrepor-se aos interesses dos cidadãos e aos instrumentos de ordenamento do território.

A Associação Nacional das Regiões de Turismo (ANRT) já reagiu à iniciativa legislativa do governo considerando-a “um embuste”: “ …verificamos que o que tem vindo a ser afirmado pelo sr. Ministro da Economia e Inovação e pelo sr. Secretário de Estado do Turismo relativamente à redução de 19 para 5 Regiões de Turismo não corresponde à verdade. Efectivamente, são criadas o dobro e mais duas novas estruturas governamentalizadas.”

Entendemos que também nós, os que nos encontramos entre os que irão pagar o preço mais elevado fruto da substituição das pequenas empresas do sector pelas grande operadoras e as suas políticas predadoras, temos a obrigação de combater tais desígnios. As diferentes entidades locais que integram a actual Comissão Regional de Turismo de S. Mamede: Os 15 Municípios, os empresários e os sindicatos do sector – devem ser capazes de interpretar as preocupações e canalizar o protesto.
Se o fizerem, lá nos encontraremos!

Diogo Júlio Serra

sábado, 9 de fevereiro de 2008

ACTIVIDADE CORTICEIRA EM PORTALEGRE. QUE FUTURO?

A actividade corticeira acompanhou o crescimento da cidade de Portalegre nos últimos cento e setenta anos.
Através da emblemática Fábrica de Cortiças de Portalegre, da família Robinson, a cidade e a região viram nascer e florescer uma indústria que foi ao longo dos anos, o motor e a referência do seu desenvolvimento.
A “velhinha” Robinson que começou por ser fábrica de rolhas, é hoje detentora de um invejável “know how” e rol de clientes que garantem que toda a sua produção (hoje destinada ao revestimento de pisos e à decoração de habitações) tenha colocação garantida nos exigentes mercados, americano e japonês.
A fábrica, fundada por um industrial inglês - Thomaz Reynolds – em 1837 e instalada numa parte do antigo Convento de S. Francisco foi, dez anos depois, adquirida por George Robinson, também inglês, conhecedor da cortiça e do seu manuseamento e que viria não só a dar-lhe o nome, mas a transformá-la numa das mais importantes unidades industriais do seu tempo.
Em 1881 data em que a administração passa para o filho, George Wheelhouse Robinson, a fábrica emprega já 560 operários.
Será sob a administração de George Wheelhouse Robinson que a indústria corticeira atinge o seu auge, em Portalegre e se inicia a sua vocação transfronteiriça.
Em 1891, adquire duas fábricas de rolhas em San Vicente de Alcântara e uma terceira é adquirida um ano depois, no mesmo “Pueblo Extremeño”. Desenvolve a política iniciada por seu pai, visando o controlo da matéria-prima necessária às suas indústrias e com esse objectivo, adquire inúmeras propriedades agrícolas com extensos montados[1]. Fruto dessas aquisições e da negociação com a Fazenda Pública para assumir a exploração de inúmeras áreas de cortiça, propriedade do Estado, fica com a capacidade de ser ele a controlar o abastecimento da matéria-prima necessária às suas indústrias.
No final do século XIX a fábrica da rolha de Portalegre empregava mais de 2000 trabalhadores entre operários e tiradores de cortiça e a sua importância enquanto motor de desenvolvimento da cidade e da região manteve-se por toda a primeira metade do século XX.
A partir de 1942, dez anos depois da morte de George Wheelhouse Robinson, a fabrica passou a ser gerida por diferentes estruturas accionistas fora do seio familiar mas todas elas mantiveram o nome Robinson, que ainda hoje ostenta e que é enquanto “Marca” o seu principal património.
Actualmente a Corticeira Robinson,[2] a mais emblemática empresa do Norte Alentejano atravessa uma das mais difíceis etapas da sua já longa existência.
Esta fábrica que funciona ininterruptamente, desde 1837, no antigo convento de S. Francisco em Portalegre, vê agora o seu futuro seriamente comprometido por persistirem as barreiras que impedem a sua deslocalização para a zona industrial.
As diferentes estruturas societárias e os diferentes gestores que dela se ocuparam não puderam, ou não souberam, continuar o caminho traçado pelos fundadores. Falhos de visão estratégica, não souberam “libertar” a velhinha Robinson dos equipamentos e das metodologias trazidas por Geoge Robinson da “sua” Inglaterra em tempos de revolução industrial, que na altura lhe garantiram o título das mais moderna e melhor organizada unidade industrial do Alto Alentejo mas que agora, a colocam como padrão de arqueologia industrial.
Nos últimos tempos a fábrica não consegue produzir o necessário para garantir a satisfação da carteira de encomendas e os custos de produção atiraram a empresa para situações de incumprimento para com os trabalhadores, a Segurança Social e a Fazenda Pública.
Apesar da gravidade da situação actual, não é esta a primeira vez que a veterana fábrica se viu em situações de aperto.
Ainda nos primeiros tempos da gestão de George Robinson foram os incêndios a originar avultados prejuízos. A sua dimensão e impacto levaram o industrial a criar, em 1903, a Corporação de Bombeiros Privativos que ainda hoje se mantém em actividade.
No início da década de 90, a fábrica tinha salários em atraso e corria o risco de vir a encerrar.
Em 1994 um grupo económico liderado por Carlos Melancia, adquire a empresa e anuncia a sua reabilitação financeira e comercial.
Foi este grupo, que ao longo dos últimos anos geriu a Robinson, desenhou o projecto da sua deslocalização para a Zona industrial e garantiu os financiamentos necessários para a sua implementação.
O projecto apontava para a criação de uma nova unidade, a Robinson Revestimentos, S.A., dotada das mais modernas tecnologias e com capacidade para garantir o aumento da produção, mantendo os elevados padrões de qualidade que lhe têm permitido fidelizar os seus clientes.
Á empresa mãe, a velhinha Robinson Bros, ficava destinada a importante tarefa de, mantendo-se nas instalações que habita há 170 anos, garantir a memória da indústria corticeira e abrir-se à cidade através da Fundação a quem deu o nome. Espaços museológicos, áreas expositivas, ateliers, jardins, zonas de lazer, espaços comerciais e de I&D, faziam parte do projecto que deveria ser corporizado pela Fundação Robinson.
As dívidas à Segurança Social e à Fazenda Pública eram já uma ameaça mas uma boa parte dos terrenos ocupados no centro da cidade, o riquíssimo espólio arqueológico-industrial e a rentabilização de outros espaços a par do apoio conseguido no âmbito do 3º Quadro Comunitário de Apoio garantiriam o saneamento financeiro da empresa e os investimentos necessários à implantação do projecto.
Necessitava-se tão só, que cada uma das partes envolvidas honrasse a quota-parte dos compromissos assumidos.
A Câmara Municipal de Portalegre garantiria a entrega do terreno infra-estruturado na zona industrial e assumiria, em parceria com a Fundação Robinson entretanto constituída, o interesse na compra à Segurança Social, do riquíssimo espólio arqueológico-industral da “velha Robinson”; a Segurança Social aceitaria o espólio da Robinson como paga da dívida existente; os trabalhadores aceitariam trabalhar mais dois/três anos nas péssimas condições que as antiquíssimas instalações impõem; a Administração garantiria entradas de capital necessárias a garantir a viabilidade do projecto.
Uma vez que todas as entidades reafirmavam a sua vontade em viabilizar a actividade corticeira em Portalegre, parecia ser fácil conseguir tal objectivo. Só que… a Câmara Municipal de Portalegre e a Fundação, que entretanto perdeu dois dos quatro parceiros iniciais, não “conseguiram” assumir face à Segurança Social o seu interesse no espólio da Robinson preferindo vir a adquiri-lo como “bem penhorado” e a primeira destas entidades não conseguiu, passados quatro anos, entregar o terreno devidamente terraplanado. Uma arreliadora pedra que entretanto apareceu no terreno impediu a Câmara de honrar o seu compromisso.
Não se conhece se a Administração conseguiu captar novos investidores, conhecido é o facto dos trabalhadores continuarem a laborar não só naquelas instalações mas ainda, muitas vezes, sem receberem atempadamente o respectivo salário.
Entretanto a Câmara Municipal, que assumiu a sua impossibilidade de entregar o terreno terraplanado conforme o compromisso assumido, propôs-se adquirir as instalações da Jonhson Controls,uma multinacional entretanto encerrada e vende-las à Robinson Bros.
Mantinha-se a esperança da Robinson conseguir instalar-se na zona industrial e dessa forma poder dispor dos fundos disponibilizados, garantir as produções necessárias a satisfazer as encomendas existentes, garantir e aumentar o postos de trabalho.
Para tanto, necessitava de executar o projecto aprovado pelo IAPMEI, pela banca e pelos credores até Junho de 2008. Na altura, Maio de 2007, não parecia ser uma missão impossível. Só que, de novo, a Câmara não “conseguiu”, até agora, honrar os seus compromissos e o espaço Jonhson continua indisponível para a Corticeira.
Ainda há quem acredite. Mas o prazo é cada vez mais escasso e a velhinha corticeira pode vir a ser vítima de assassínio.
[1] Floresta de Sobreiros ou Azinheiras.
[2] Sociedade Corticeira Robinson bros, S.A.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

CGTP-IN 1970 - 2007 37 anos com os trabalhadores

Cerca de uma centena de norte alentejanos (homens e mulheres) participaram no Almoço Comemorativo do 37º aniversário da CGTP-Intersindical Nacional que decorreu no salão dos Bombeiros Voluntários de Portalegre no passado dia 1 de Outubro.
João Torrinhas Paulo do Secretariado da CGTP-IN e Diogo Serra coordenador da União dos Sindicatos do Norte Alentejano, apagaram as velas do enorme bolo que reproduzia o cartaz assinalando o efento.
No decorrer do almoço, servido pelo restaurante da Associação, os activistas presentes aprovaram uma moção onde reafirmavam a sua intenção de participar na Manifestação de 18 de Outubro em Lisboa.

Sindicalistas do Alentejo exigem novas políticas

No passado dia 1 de Outubro, dia do aniversário da CGTP-Intersindical Nacional, dirigentes sindicais dos três distritos do Alentejo reunidos em Portalegre, no Centro de Formação Profissional, aprovaram um conjunto de reivindicações que irão nortear a sua acção até ao Congresso da Central.

Igualmente aprovaram os objectivos e as metas minimas a garantir para a Mega Manifestação a ter lugar dia 18 de Outubro em Lisboa, tendo como lema" Por uma Europa Social, Não à Flexigurança!

No Encontro esteve presente João Torrinhas Paulo, em representação da direcção da Central.

sábado, 22 de setembro de 2007

Na Unidade a Força dos Trabalhadores

No próximo dia 1 de Outubro, dia em que a CGTP-INTERSINDICAL comemora o seu 37º aniversário, Portalegre irá acolher o Encontro Regional de Quadros Sindicais do Alentejo.
O Encontro marcado para o auditório do Centro de Formação Profissional e com início previsto para as 10,30 irá debater um caderno reivindicativo regional e preparar a participação dos alentejanos e alentejanas na Mega Manifestação de 18 de Outubro em Lisboa.
Na mesma data e local decorrerá igualmente o 7º Congresso da USNA (extraordinário).
No salão dos Bombeiros Voluntários de Portalegre decorrerá o Almoço Comemorativo do 37º aniversário da CGTP-IN. O almoço é aberto a todos/as os/as norte alentejanos/as estando as inscrições abertas em todos os sindicatos do distrito.

Mais vale tarde que nunca….



Os nossos autarcas perceberam, parece, os perigos que o “PRACE” trará para o distrito de Portalegre. Muitos dias depois de anunciados os inúmeros encerramentos e deslocalizações e com muitas dessas iniciativas já materializadas veio agora o Presidente da Câmara de Portalegre tornar públicas as suas preocupações e dar-nos conta das perspectivas que tem para o seu/nosso concelho.

Independentemente da apreciação sobre a intervenção do autarca ( alguns comentadores entenderam-na conformista ) penso ser de grande importância que os nossos autarcas venham a público dar conta das suas preocupações face ao futuro do Norte Alentejano e da sua disponibilidade (ou não) para integrarem a corrente dos que se disponibilizam para construir esse futuro.

Pessoalmente integro-me no grupo dos que defendem a necessidade de definir percursos de desenvolvimento para o Norte Alentejano onde caibam a maioria dos actores locais e entendo que tal só será possível se cada um desses actores, sem abdicar dos seus interesses de grupo, conseguir encontrar vantagens numa caminhada comum.

No espaço social em que me integro e assumo algumas responsabilidades tenho vindo a defender a necessidade do Norte Alentejano definir e assumir a operacionalização de projectos que possam travar e inverter o percurso para onde temos sido empurrados.

Todos reconhecemos que o Norte Alentejano tem enormes potencialidades que, devidamente utilizadas, poderão relançar o distrito nos caminhos do desenvolvimento económico e social. Todavia tal só será possível se, duma vez por todas, assumirmos as responsabilidades que nos cabem neste caminhar: se deixarmos de abdicar do direito que nos assiste em sermos os construtores do nosso destino; se formos mais criteriosos na escolha dos nossos representantes nas estruturas democráticas; se não deixarmos a alguns poucos, a luta pela afirmação dos nossos direitos.

É certo que nem tudo está nas mãos dos norte alentejanos. O Estado CENTRALISTA não abdica de qualquer migalha de poder e persiste em políticas que litoralizam gentes, saberes e investimentos, mas se todos quisermos e assumirmos que a luta é de todos, ainda estamos a tempo de obrigar o futuro a passar por aqui.