domingo, 20 de março de 2011

Indignados, Protestámos!



Muitas dezenas de milhar de homens, mulheres e jovens, inundaram Lisboa.
Com um mar de gente que entupia a Avenida da Livedade e se estendia até às Amoreiras e ao Saldanha, a CGTP-Intersindical Nacional fez ecoar o seu protesto.
Nesse mar de gente, algumas centenas de manifestantes, homens mulheres e jovens, tinham saído bem cedo dos diferentes concelhos do Norte Alentejano.
Em autocarros que sairam de Portalegre, Arronches, Avis, Crato, Ponte de Sôr, Campo Maior e Comenda - Gavião centenas de trabalhadores e trabalhadoras do nosso distrito não quiseram ficar de fora deste protesto e, como afirmou Carvalho da Silva: se o Primeiro Ministro que atende todos os pedidos que lhe são transmitidos em Alemão, continuar a não perceber o que se lhes grita em português a luta continuará até que a nossa justíssima reivindicação seja ouvida!
Para já outras acções estão marcadas. A primeira no próximo dia 1 de Abril levará a Juventude Trabalhadora, de novo a Lisboa.
A InterJovem do Norte Alentejano, lá estará!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MUDAR DE RUMO, CONSTRUIR O FUTURO!



Apesar de serem conhecidas desde 1983 algumas movimentações operárias visando a constituição de associações de classe e de também aqui terem chegado quer as notícias sobre os acontecimentos de Chicago quer as ideias oriundas do Congresso Socialista de 1899 em Paris (que instituiu o 1º de Maio como o dia internacional de luta”) o facto é que o Movimento Operário em Portalegre foi, até aos primórdios da Republica, profundamente mutualista.
Essa situação não impediu que as ideias anarquistas comecem a proliferar desde 1894 data em que são registadas algumas prisões entre os operários portalegrenses devido a terem propagado os ideários libertários.
A partir de 1910 a classe operária de Portalegre desperta para a “acção directa” convocando e realizando um número significativo de greves em particular depois da implantação da Republica, mas é em 1911 que em Portalegre como no resto do país se fala pela primeira vez em Greve Geral. Face ao assassinato pela Guarda Republicana de operárias conserveiras de Setúbal em greve, é proclamada uma greve geral para o dia 20 de Março. A greve cumpre-se sobretudo em Lisboa, na margem sul do Tejo e no Alentejo.
É igualmente em 1910/1911 que os operários agrícolas são ganhos para a organização sindical, acontecimento particularmente importante no Alentejo onde a maioria da população trabalha no campo.
Em 1910 ocorre a primeira greve dos rurais no distrito em Cabeços de Vide – Fronteira e em 1911 registam-se importantes movimentos grevistas em Arronches, Campo Maior, Crato e Elvas..
Em Évora, ainda em 2010 (Novembro), realizam-se sessões de propaganda em todas as freguesias, aldeias e vilas do distrito que visam a criação de sindicatos rurais e em 1 de Janeiro de 1911 é inaugurado o Sindicato dos Rurais de Évora . Este sindicato virá em Maio desse ano a convocar a assembleia magna de sindicatos rurais que proclamou para o último dia do mês a primeira greve geral dos rurais do distrito de Évora.
Será uma outra greve também iniciada pelos rurais em Évora que irá trazer a Portalegre, a “dureza” de uma greve geral.
A 1 de Janeiro de 1912 inicia-se em Évora a segunda greve geral dos rurais.
Esta greve brutalmente reprimida pelas autoridades republicanas que mandam encerrar o Sindicato dos Rurais e prender trabalhadores recebe a solidariedade das outras classes profissionais: corticeiros, construção civil e artes auxiliares, manufactores do calçado e pedreiros entram em greve e o sindicato dos empregados do comércio declara-se moralmente ao seu lado. A greve continua. Ao 20º dia a guarda republicana assassina um grevista e em todo o distrito de Évora e em Beja é declarada a Greve Geral enquanto que a Comissão Executiva do Congresso Sindicalista proclama a greve geral em Lisboa que rapidamente se estendeu a Setúbal, Seixal, Montijo, Barreiro, Moita, Vila Franca de Xira.
Em Portalegre o proletariado procura responder aos apelos de solidariedade que entretanto lhes chegam. Corticeiros, Manufactores de Calçado e Alvanéus convocam uma sessão de apoio aos grevistas de Évora que tem lugar na Cooperativa Operária Portalegrense a 20 de Janeiro e que culmina com uma manifestação frente ao Governo Civil, no decorrer da qual são presos oito trabalhadores (três corticeiros, quatro sapateiros e um barbeiro) que ficarão detidos durante 51 dias.
Das greves gerais de 1917 e 1918 convocadas pela União Operária Nacional não encontramos registos de adesões em Portalegre.
Com a fascização dos Sindicatos a luta operária faz-se em condições de clandestinidade. Todavia são conhecidas as lutas e greves desenvolvidas pelo proletariado agrícola pela conquista das 8 horas de trabalho diário.
Foi após a reconquista da liberdade que os trabalhadores e trabalhadoras do Distrito de Portalegre foram chamados a cumprir um maior número de greves gerais. Até ao momento foram convocadas pela CGTP-IN e cumpridas no distrito, cinco greves gerais, estando em preparação uma outra, a sexta, que será concretizada a 24 de Novembro próximo.
A primeira greve geral do pós 25 de Abril realizou-se a 12 de Fevereiro de 1982, durante o governo da AD liderado por Francisco Balsemão. Decorreu sob o lema “Uma só solução, AD fora do Governo” e fez-se sentir com grande intensidade em todos os concelhos e em todos os sectores de actividade do distrito.
A segunda greve geral realizou-se três meses depois da primeira, a 11 de Maio. Foi convocada para protestar contra o assassínio de dois trabalhadores que no Porto exerciam o direito de comemorar o 1º de Maio na Praça da Liberdade. Teve igualmente uma forte adesão dos trabalhadores e trabalhadoras do distrito.
Seis anos mais tarde, a 28 de Março de 1988, com um governo liderado por Cavaco Silva, a CGTP convoca a greve geral contra o “Pacote Laboral de Bagão Félix” e a tentativa de enfraquecer os direitos dos trabalhadores, facilitar os despedimentos e o trabalho precário. Pela primeira vez desde a sua criação a UGT declarou-se ao lado da greve.
No Distrito de Portalegre esta “nova” situação foi visível no facto de alguns estabelecimentos bancários terem encerrado.
Em Dezembro de 2002 a CGTP-IN convoca a quarta greve geral. A greve geral concretiza-se no dia 10 e visa protestar contra o aumento do desemprego, a precariedade laboral e a destruição dos serviços públicos levados a cabo pelo governo da coligação PSD/CDS liderado por Durão Barroso.
De novo a greve chega a todos os concelhos e a todos os sectores de actividade.
Já com Sócrates no Governo a CGTP-IN convoca a 5ª greve geral depois de Abril. A greve tem lugar a 30 de Maio de 2007 e tem como objectivo dar combate à política social do governo e às tentativas de imposição da flexisegurança e da precarização.
Para dia 24 de Novembro está marcada uma nova greve geral. Desta vez a greve é não só a favor dos trabalhadores e dos seus direitos mas também a favor do povo e em particular dos jovens, em favor do futuro do país.
No Norte Alentejano a greve geral é também uma resposta à necessidade de provocar uma rotura com as políticas que nos têm vindo a impor a destruição do nosso sector produtivo, o desemprego e os salários em atraso. No distrito de Portalegre a greve geral não vai ser – mais uma greve geral – vai ser um contributo dos trabalhadores e da população por em movimento a força necessária para quebrar a barreira do esquecimento a que esta região tem sido votada e tornar eficaz a exigência de que o Norte Alentejano possa atingir os patamares de desenvolvimento a que aspira e merece.
As adesões à greve geral estão a ser, também aqui, muitas e diversificadas. Não poderia ser de outra maneira. O Norte Alentejano tem sobejas razões para estar na luta: uma taxa de desemprego que ronda os 10 mil, as principais empresas encerradas ou com salários em atraso, os serviços públicos a serem desmantelados os jovens mergulhados na mais profunda precariedade. Tem ainda uma forte razão para vir à luta: a certeza de que juntos podemos e vamos conseguir a mudança necessária.

domingo, 21 de novembro de 2010

GREVE GERAL POR PÃO, PAZ, LIBERDADE!


Continua o trabalho de preparação da Greve Geral. Hoje activistas sindicais levaram a necessidade de a cumprirmos junto dos milhares de homens e mulheres presentes no Mercado Mensal de Portalegre.
Os carros de som difundiram as razões da greve e a necessidade de a cumprirmos.
Os milhares de homens e mulheres ali presentes e a necessidade de procurarem os bens que necessitam ao preço mais baixo são um bom exemplo da necessidade de cumprir esta Greve Geral que se assume como a luta pelo pão, pela paz, pela liberdade, pelo direito de vivermos e trabalharmos na nossa terra.
A mensagem está a atingir todos e todas. A greve Geral está na rua!

sábado, 20 de novembro de 2010

PAZ SIM! NATO NÃO!



Mais de 30 mil manifestantes levaram hoje a Lisboa o sentimento de centenas de milhar de portugueses e portuguesas de que a defesa da paz passa pelo fim das alianças militares onde a NATO se insere.
Entre estes uma delegação do Norte Alentejano empunhando um pano com o "grito" O distrito de Portalegre em defesa da paz.
Num momento em que se ultimam os preparativos para a Greve Geral a delegação da USNA/cgtp-in foi a Lisboa mostrar que a luta pela Paz não pode ser desassociada da luta pelo desenvolvimento.
Um protesto na Baixa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Há Sobejas razões para a Greve Geral!


Confrontada com uma ignóbil campanha de sacrifícios aos trabalhadores e aos mais pobres, a cgtp-in decidiu, no ano do seu 40º aniversário, convocar a greve geral.
Fá-lo em coerência com o seu passado de luta, sempre com os trabalhadores e assumindo, responsavelmente, a necessidade de garantirmos a ruptura com as politicas que tem imposto a desvalorização do trabalho e uma dualização gritante na sociedade portuguesa.
Hoje, somos um país com uma estrutura social cada vez mais dualizada:
De um lado mais de metade das famílias a viverem com menos de 900 euros por mês; 20% dos trabalhadores com salários muito baixos; 890 mil assalariados com vínculo precário, mais de 600 mil desempregados, 310 mil pessoas com rendimento social de inserção, mais de um milhão de reformados com pensões mínimas ou sociais, perto de dois milhões de pobres.
Do outro lado uma pequena fracção da população com rendimentos indecentemente elevados, com forte influência política e elevada capacidade para fugir ao pagamento de impostos.
No Alentejo podemos ainda acrescentar novas e gravosas situações que penalizam, ainda mais, os/as trabalhadores/as e a maioria da população: vinte por cento de pobres, perda acelerada da população e em particular dos mais jovens e melhor preparados, destruição do tecido produtivo regional e mais de 30 mil desempregados, 105.561 reformados e pensionista (sem contar com os concelhos do litoral) com pensões médias escandalosamente baixas (360 €).
Também aqui, uma pequeníssima fracção da população tem acesso a rendimentos ostensivamente altos. Entre estes, 150 famílias de agrários que mantém as terras abandonadas e, por isso, auferem avultadas verbas que somaram no ano de 2008 mais de 37 milhões de euros.
Na Região, a esta insustentável situação, acresce ainda o abandono em que grande parte do território tem sido votada pelo poder central.
No que respeita a acessibilidades é aqui que se encontra a única capital de distrito que não é servida por auto-estrada, diversas infra-estruturas (IC8; IC 13; a ligação da A23 à A6; a Barragem do Pisão; os diferentes ramais ferroviários) são sistematicamente adiadas; que persistem os adiamentos no aproveitamento da maioria dos recursos endógenos – recursos mineiros, rochas ornamentais, a terra e a capacidade de a regar.
Como trabalhadores/as e como alentejanos/as há muito que aprendemos que só com a luta podemos atingir o que reivindicamos e merecemos. Foi assim nos momentos de lutar pela Republica, foi assim quando a burguesia republicana esqueceu as propostas formalizadas, foi assim na resistência ao fascismo, foi assim para construir e defender Abril e é assim no momento actual.
É alicerçados nessa certeza que saudamos a decisão da CGTP-IN de convocar a Greve Geral, que afirmamos a nossa vontade de a preparar e cumprir, que apelamos a todos e a todas que contribuam para pôr um travão nas políticas de desastre para o país e de destruição para a região e em particular para o distrito de Portalegre.

Diogo Serra
artigo publicado no Jornal Alto Alentejo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É preciso ACREDITAR!



Francisco Lopes, candidato à Presidência da Republica esteve ontem, 4 de Novembro, em Portalegre numa visita destinada a contactar vários sectores da população norte alentejana.
Em Avis, em Benavila e em Portalegre quis marcar com rigôr o seu compromisso com os trabalhadores e o povo. Nos contactos com a população, nos encontros com os trabalhadores do município de Avis e com os dirigentes sindicais da USNA/cgtp-in deixou sempre a sua determinação em travar e inverter o rumo que nos tem empurrado para a situação de pré-desastre que caracteriza hoje as nossas vidas e a nossa região.
Afirmando-se sempre pelo trabalho e contra o capital expeculativo Francisco Lopes insistiu em recordar-nos que já tivemos outras situações de grande aperto e sempre conseguimos, com unidade, combatividade e coragem, fazer-lhes frente e derrotá-las.
Ao contrário dos outros candidatos no terreno Francisco Lopes condena sem rodeios a rapina a que estamos submetidos, os seus executantes e os seus beneficiários e, numa posição que é igualmente única, à greve geral e à luta dos trabalhores não diz Não ou Nim: afirma claramente o seu apoio inconmdicional e exorta-nos a intrensificar o trabalho para que a mesma tenha o êxito que a situação que vivemos necessita e impõe.
São estas diferenças e não as sondagens ou as orquestrações dos tradicionais opinadores que devem valer no momento de decidirmos a nossa opção de voto.