A CIMAA e a
ULSAA andam a brincar ao faz de conta?
A Comunicação social Regional deu-nos a conhecer o seu
entusiasmo com uma iniciativa dos nossos autarcas e do conselho executivo da
ULSAA para, dizem-nos, atraírem novos médicos para o nosso território.
Tratando-se de uma dificuldade óbvia a que o distrito e o
país não têm conseguido dar resposta, também eu não consegui alhear-me.
Procurei a informação disponível e a desilusão foi (sempre
assim sucede) proporcional à expetativa que entretanto alimentara. O alarido
era isso mesmo, alarido.
Sendo certo que só “por obra de milagre” seria possível a uma
resposta parcelar, por melhor que se apresentasse, teria condições para
responder positivamente a uma dificuldade que se coloca em todo o país: a falta
de meios humanos que garantam as respostas necessárias aos utilizadores do
Serviço Nacional de Saúde.
Os dados recolhidos permitiram confirmar a vontade dos
autarcas do distrito reunidos na CIMAA, criarem com a Unidade de Saúde do Alto
Alentejo uma parceria visando a atração de médicos para o nosso distrito.
Ao que parece a parceria está de pé para, diz-nos o
Presidente da CIMAA, ser criado um portefólio com “as bondades do nosso
distrito” para afirmam, poderem intervir junto dos jovens médicos e
mostrarem-lhes a qualidade de vida que podem usufruir quem optar por exercer
aqui a sua profissão.
Ou seja, vamos mostrar aos jovens médicos (e também, espero,
aos jovens com as mais diversas profissões no campo da saúde, todas elas
deficitárias no nosso distrito). Isso é mau? Não concordo que temos um
território encantador? Claro que não!
Estou totalmente alinhado com quantos entendem que o nosso
território tem condições de excelência para viver: a riqueza do nosso património
construído, do nosso património natural e do nosso património cultural
imaterial garantem uma qualidade de vida muito difícil de encontrar em qualquer
outro ponto do nosso país. Só que…isso tudo conhecem os nossos jovens e, mesmo
assim, “teimam” em deixar a região, a família, as raízes…
Porquê? Porque não conseguimos garantir-lhes trabalho com
direitos e salários dignos. E porque ninguém consegue (por enquanto) sobreviver
com o ar puro e paisagens idílicas “conquistámos o título de região menos
populosa e mais envelhecida.
Acresce que no caso em apreço (atrair médicos) temos um
exemplo recente que ninguém ignora e muito menos autarcas e responsáveis pelas
instituições de saúde.
Um concurso para médicos de Medicina Geral Familiar para as
Unidades de Saúde Familiar teve resultados diferentes para as USF de modelo C e
as USF restantes. Para as primeiras (privadas) o número de candidatos
ultrapassou o número de vagas, para as restantes (publicas) os candidatos não
chegaram para preencher as vagas postas a consumo.
Tal situação não se verificou por as USF do SNS ficarem em regiões
sem beleza, sem ar puro, sem atividades culturais e de lazer. Não se deve a
questões ideológicas: os médicos preferem trabalhar no privado e não no setor publico.
Autarcas e responsáveis pela saúde no distrito conhecem bem as razões de tal
situação. Nós também: nas USF privadas o vencimento é de 7.000€/mês e seguro de
responsabilidade civil profissional. Nas USF do SNS o vencimento é de 2.800mês.
Há dúvidas?
Os autarcas
não podem/não devem fazer nada? Claro que podem. Podem e devem!
Podem e
devem bater-se e mobilizar a região para termos direitos (e deveres iguais) aos
de todos os portugueses: saúde, educação, transportes e acessibilidades,
energia e redes de comunicação… trabalho não lhes irá faltar deixem a
dinamização turística e a propaganda para quem para tal tem competências e
resp0onsabilidades.
Diogo Serra
(a foto foi pedida de emprestimo à RP)
