sexta-feira, 13 de março de 2026

11 de Março 75 - Golpe falhado contra Abril

 


11 de Março de 75 – Golpe (falhado) contra Abril.

Cumpriram-se na passada quarta-feira cinquenta e um anos da tentativa de mais um golpe contra Abril. Era a quarta tentativa. A primeira que recorria à força armada e viria a resultar no assassinato de um portalegrense, o soldado Luís.

As tentativas anteriores, também elas resultantes da ambição pessoal de António de Spínola, haviam sido derrotadas sem originarem derramamento de sangue. A primeira no próprio dia 25 de Abril quando o general do monóculo se apresentou no Posto de Comando do MFA a querer pôr e dispor e teve que lhe ser lembrado que as tropas do Movimento ainda estavam na rua. A segunda com o chamado golpe Palma Carlos visando plebiscitar uma Constituição e a passagem dos poderes absolutos para o Presidente d Republica a. A terceira a 28 de Setembro através da maioria silenciosa que deveria desaguar em Lisboa, demitindo o Governo de Vasco Gonçalves, adiando as eleições convocadas e entronizando Spínola. Nova derrota!

O  11 de Março foi a quarta tentativa de Spínola tomar o poder e evitar as eleições que o programa do MFA garantia, e desta vez fê-lo, como viria a repetir, apostando na força militar e não hesitando em arrastar o país para uma guerra civil. Utilizando a mentira e os seus homens de mão, arrastando consigo os fascistas derrotados em Abril ocupou uma base militar e a partir daí metralhou o Ralis e procurou decapitar o MFA e o governo provisório.

Mais uma vez foi derrotado. Os heli-canhões que metralharam o Ralis e assassinaram o soldado Luís foram rechaçados pelos militares de Dinis de Almeida e os pára-quedistas mobilizados para o cercarem eram desmobilizados pela firmeza e pelos argumentos de Dinis de Almeida e outros militares de Abril e regressavam a Tancos.

O fracasso foi total e teve como resultado um passo em frente da revolução que iria atingir a economia. No dia seguinte eram nacionalizadas a Banca, os Seguros e outras alavancas da economia.

Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, com muitos dos golpistas ou os seus “rebentos” estão no poder. Quando muitos dos heróis de Abril sofreram perseguições, prisões e prejuízos nas suas carreiras. Quando um dos mandadores do terrorismo bombista que assolou o país e assassinou portugueses se senta na cadeira da vice-presidência da Assembleia da Republica há quem queira reescrever a história. É fundamental que os que viveram esses dias não permitam que apaguem a memória. É obrigação de todos os democratas e particularmente daqueles que foram protagonistas de alguns desses momentos.

No que respeita ao 11 de Março eu vivi-o na BA3 em Tancos. Vivi-o com outros Alto Alentejanos. Alguns já partiram, casos do Tenente Jaime Pinheiros, de Portalegre, que comandava uma companhia de PA e do sargento Vintém, dos Fortios, mas outros estamos vivos e recordados do que vimos e no que participámos. O Alferes Caldeira, o cabo e instrutor dos amanuenses, João Manuel, de Stº António das Areias e os instruendos, como eu, Caldeira, do Crato; Barata, de Castelo de Vide; Nuno, de Stº António das Areias; Patrício de Nisa.

Cinquenta e um ano depois o chefe do golpe, dos que o antecederam e das acções terroristas e bombistas que se lhe sucederam, morreu como Marechal enquanto os heróis que fizeram Abril foram passados ao “estatuto” de implicados no 25 de Abril e por isso perseguidos e mal tratados pelos fascistas que então derrotaram mas também por camaradas de armas que se acobardaram quando foi preciso dar o passo ou até, por alguns camaradas que com eles conspiraram e executaram o golpe militar.

Ao longo destas cinco décadas foram dados muitos passos atrás mas mantêm-se no essencial o legado de Abril. O Regime Constitucional Democrático, a Constituição com o seu nome e que continua a garantir os direitos, liberdades e garantias essenciais a qualquer democracia politica.

Os Cravos continuam Vermelhos.

Que Viva Abril!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 



A CIMAA e a ULSAA andam a brincar ao faz de conta?

A Comunicação social Regional deu-nos a conhecer o seu entusiasmo com uma iniciativa dos nossos autarcas e do conselho executivo da ULSAA para, dizem-nos, atraírem novos médicos para o nosso território.

Tratando-se de uma dificuldade óbvia a que o distrito e o país não têm conseguido dar resposta, também eu não consegui alhear-me.

Procurei a informação disponível e a desilusão foi (sempre assim sucede) proporcional à expetativa que entretanto alimentara. O alarido era isso mesmo, alarido.

Sendo certo que só “por obra de milagre” seria possível a uma resposta parcelar, por melhor que se apresentasse, teria condições para responder positivamente a uma dificuldade que se coloca em todo o país: a falta de meios humanos que garantam as respostas necessárias aos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde.

Os dados recolhidos permitiram confirmar a vontade dos autarcas do distrito reunidos na CIMAA, criarem com a Unidade de Saúde do Alto Alentejo uma parceria visando a atração de médicos para o nosso distrito.

Ao que parece a parceria está de pé para, diz-nos o Presidente da CIMAA, ser criado um portefólio com “as bondades do nosso distrito” para afirmam, poderem intervir junto dos jovens médicos e mostrarem-lhes a qualidade de vida que podem usufruir quem optar por exercer aqui a sua profissão.

Ou seja, vamos mostrar aos jovens médicos (e também, espero, aos jovens com as mais diversas profissões no campo da saúde, todas elas deficitárias no nosso distrito). Isso é mau? Não concordo que temos um território encantador? Claro que não!

Estou totalmente alinhado com quantos entendem que o nosso território tem condições de excelência para viver: a riqueza do nosso património construído, do nosso património natural e do nosso património cultural imaterial garantem uma qualidade de vida muito difícil de encontrar em qualquer outro ponto do nosso país. Só que…isso tudo conhecem os nossos jovens e, mesmo assim, “teimam” em deixar a região, a família, as raízes…

Porquê? Porque não conseguimos garantir-lhes trabalho com direitos e salários dignos. E porque ninguém consegue (por enquanto) sobreviver com o ar puro e paisagens idílicas “conquistámos o título de região menos populosa e mais envelhecida.

Acresce que no caso em apreço (atrair médicos) temos um exemplo recente que ninguém ignora e muito menos autarcas e responsáveis pelas instituições de saúde.

Um concurso para médicos de Medicina Geral Familiar para as Unidades de Saúde Familiar teve resultados diferentes para as USF de modelo C e as USF restantes. Para as primeiras (privadas) o número de candidatos ultrapassou o número de vagas, para as restantes (publicas) os candidatos não chegaram para preencher as vagas postas a consumo.

Tal situação não se verificou por as USF do SNS ficarem em regiões sem beleza, sem ar puro, sem atividades culturais e de lazer. Não se deve a questões ideológicas: os médicos preferem trabalhar no privado e não no setor publico. Autarcas e responsáveis pela saúde no distrito conhecem bem as razões de tal situação. Nós também: nas USF privadas o vencimento é de 7.000€/mês e seguro de responsabilidade civil profissional. Nas USF do SNS o vencimento é de 2.800mês.

Há dúvidas?

Os autarcas não podem/não devem fazer nada? Claro que podem. Podem e devem!

Podem e devem bater-se e mobilizar a região para termos direitos (e deveres iguais) aos de todos os portugueses: saúde, educação, transportes e acessibilidades, energia e redes de comunicação… trabalho não lhes irá faltar deixem a dinamização turística e a propaganda para quem para tal tem competências e resp0onsabilidades.

Diogo Serra

(a foto foi pedida de emprestimo à RP)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

 

É Pela Esquerda Que Lá Vamos!

O Novo Ano trouxe aos portugueses e ao mundo alguns sinais de esperança, mas mais, muitos mais, motivos de incerteza e angústia.

Esperança numa melhor organização do mundo com o fim do unilateralismo que dominou as últimas décadas e o nascimento e afirmação de um mundo multipolar em que mais países e povos são chamados a tomar parte na governança do nosso planeta e com o crescimento das preocupações e acções em defesa do meio ambiente e da vontade de deixar aos vindouros um mundo habitável.

O crescimento exponencial da militância ambientalista e a extraordinária adesão da juventude mundial à causa ecologista e o nascimento e consolidação dos BRICS como alternativa ao poder “quase absoluto” dos Estados Unidos da América e do dólar são disso os exemplos mais visíveis.

Paradoxalmente são esses mesmos sinais de esperança e o que anunciam, os motivos maiores para a incerteza e angustias citadas.

A tentativa de manter o poder e as regalias de que têm desfrutado levam os seus detentores a tomarem medidas, capazes de incendiar o mundo e a não olharem a meios para procurarem parar a roda do tempo.

São estas as razões aliadas à ganância, sempre alardeada pelos ricos e poderosos que nos tem vindo a arrastar perigosamente para o que poderá ser a última guerra no Planeta Terra. São estas as razões verdadeiras que têm dinamitado todas as estruturas criadas no seguimento da segunda grande guerra com o objectivo de criar, a nível internacional, um conjunto de regras que protegessem os mais fracos da cobiça dos poderosos: homens, estruturas, países…

O Novo Ano trouxe-nos o regresso da política da canhoeira em detrimento do direito internacional. Os “piratas” com menores escrúpulos e mais e melhor armamento não hesitam em assaltar bancos, navios, países. Não têm qualquer pudor em proceder ao genocídio de todo um povo e ao roubo das terras, das casas, das pátrias e ao contrário do que faziam antes, já não se preocupam em tapar com mentiras os seus crimes hediondos. Agora, como é o caso do “ Cowboy dos states” assumem com clareza que matam para roubar enquanto os seus capachos espalhados pelo mundo (também em Portugal, também na nossa cidade) se contorcem para encontrar formas de nos explicar o inexplicável e de nos fazer acreditar que é por um Bem Maior que nos roubam o alimento e querem levar os nossos filhos e netos a matar e morrer nas guerras que os alimentam.

É neste contexto que em Portugal estamos a ser chamados a escolher um novo Presidente da Republica.

Conhecidas as candidaturas e os protagonistas não é difícil percebermos quer o que os move, quer o que defendem para Portugal e para os Portugueses. E temos de tudo… Dois candidatos anti-sistema, um contra o sistema democrático mas sincero: consciente de que não tem “estatuto” para o conseguir, sonha com o regresso de um, dois, três Salazares para dinamitar o regime. O outro, culto e citadino procura com humor ridicularizar o sistema.      

Restam os outros que podemos dividir em três blocos diferentes.

Um bloco da direita democrática, que entende a democracia como a mera alternância de poder entre os defensores do “deus capital”. Um bloco dito do centro com um candidato que entende os partidos como um empecilho e pensa que ser independente é não ser filiado em qualquer partido e os partidos sociais-democratas, assumidos ou não, que entendem que o capitalismo até é bom se levar uns pequenos retoques. Temos depois, o bloco da esquerda sem “mas”, que apresenta como programa a Constituição da República Portuguesa e o compromisso constitucional de cumprir e fazer cumprir a Constituição de Abril.

Os atributos pessoais e a vontade de cumprir devem também pesar na nossa escolha, mas disso, cada um terá formas de medir tais intenções.

Eu não tenho dúvidas que é pela esquerda (e com a esquerda) que lá vamos.

Que sejamos muitos mil!

 

Diogo Júlio Serra