quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Na Unidade a Força dos Trabalhadores

 



Na Unidade a Força dos Trabalhadores

O grande patronato, com os seus partidos e o seu governo voltaram, meio século depois da primeira tentativa, a tentar "partir a espinha à Intersindical.

É, mais uma vez, este o principal objetivo da declaração de guerra que lançaram aos trabalhadores e, agora como ontem, também à Revolução dos Cravos e ao Regime Democrático que esta permitiu.

Nada que seja assustador para uma organização de classe nascida em pleno fascismo e regada com a vontade indomável dos seus dirigentes e dos trabalhadores, cujos interesses desde o nascimento e até hoje, sempre defendeu.

Quando do seu nascimento, a 1 de Outubro de 1970, muitos dos dirigentes políticos que agora a atacam ainda não eram nascidos e os seus antecessores ou estavam nas fileiras do Partido Único que suportava o fascismo ou no seio das empresas que lhe davam suporte.

Chegado aquele dia "inicial inteiro e limpo" a intersindical empenhou-se na consolidação da democracia que ajudara a fundar e no desenvolvimento do modelo social que valoriza o trabalho e os trabalhadores. Essa postura haveria de valer-lhe o ódio dos mesmos (ou dos seus rebentos) que agora a odeiam e por isso, viu as suas estruturas regionais assaltadas e os seus dirigentes vitimas de ataques bombistas.

Ultrapassada a fase terrorista da contra-revolução, já nos tempos da "europa connosco", seria um Ministro de um governo do PS a declarar por palavras e por actos a vontade de partir a espinha à Intersindical.

Morreu o ministro e não a Intersindical. Esta continuou viva e atuante na defesa dos trabalhadores que representa e da Democracia que ajudou a fundar.

Apesar das duríssimas condições em que tem sido obrigada a agir, os resultados conseguidos mantiveram-na sempre na mira do grande patronato e aí os temos, de novo, procurando concretizar o sonho antigo: Quebrar a espinha à Intersindical e dessa maneira deixar indefesos e desarmados os trabalhadores portugueses.

Num tempo em que os ventos favoráveis ao extremismo de direita sobram por toda a europa, os derrotados de Abril entendem ser agora, a conjuntura é-lhes favorável, o tempo de esmagar os direitos alcançados pelos trabalhadores e populações, procedendo ao "acerto de contas" com o 25 de Abril.

Sim, não são apenas, (e já era demais), os direitos dos trabalhadores que procuram destruir. São os direitos sociais conquistados ao longo de várias gerações que querem destruir. O seu governo dá-lhe as ferramentas: a destruição dos direitos sociais, o desmantelamento dos serviços públicos e para o mundo do trabalho o Pacote Laboral.

Está aqui a receita deste governo do século XXI, um verdadeiro retrocesso para o século XIX:

A facilitação dos despedimentos e mais precariedade; horas de trabalho à borla e a desregulação dos horários; ataques aos direitos de maternidade, de paternidade e à família; a tentativa de destruição da contratação colectiva e a imposição da caducidade dos contratos; o ataque brutal à liberdade sindical visando retirar aos trabalhadores a possibilidade de se defenderem.

Enquanto isto, colocam os seus megafones disfarçados de comunicação social, os seus "comentadeiros" de serviço e os próprios ministros, a esconderem as suas intenções por detrás de uma nuvem de candura e perplexidades, face à resposta já anunciada pelos trabalhadores.

Afadigam-se a procurarem convencerem-nos da não razoabilidade da resposta sindical por, gritam, ainda se está em fase de negociação, como se não estivesse muito clara a sua estratégia.

Negociar? Querem negociar o quê?  

O que está aí é mau demais. A própria ministra do trabalho já o disse publicamente. - "Haja negociação ou não, mude-se uma vírgula ou um verbo, isto é para seguir sem mexer no essencial do que foi apresentado". Palavras da ministra.

Eles sabem bem o que querem. Os trabalhadores também. Viva a Greve Geral!

 

Diogo Júlio Serra

domingo, 16 de novembro de 2025

GREVE GERAL É POLITICA? CLARO QUE É!



"Greve geral é uma questão política" e vem de um sindicato que se "revê em regimes onde não é permitido fazer estas greves"

É desta forma que João Marques de Almeida, comentadeiro da CNN e megafone avençado  do capital  critica a CGTP-IN  por ter convocado uma greve geral como resposta à declaração de guerra que lhe foi lançada pelo grande patronato através do seu (deles) governo.

O Megafone desconhece, estranho seria que conhecesse, que a Central Sindical dos Trabalhadores Portugueses, a Intersindical, nasceu em pleno fascismo, em situações que ele, felizmente, só conhece porque  ouviu dizer ou leu, e seguramente ouviu e leu mal.

Afirmar a sua discordância com a Greve Geral é perfeitamente normal. Tanto mais que ele não é seguramente trabalhador por conta de outrém, será, quanto muito, um "colaborador" - é mais modernaço - embora não deixe de auferir alguns "cobres" pelos serviços que presta ao seu deus-capital. O que não é normal é ele, que claramente não é trabalhador (é quanto muito colaborador) e muito menos sindicalizado, opinar - sentenciar onde e em que regimes se revê a INTERSINDICAL.

O Senhor João Marques de Almeida, o nome é o que menos interessa, podia ser José Xico ou Amélia, vê e fala com os olhos e a voz de quem lhe paga. Não consegue, ou não pode, ver as razões que justificam a resposta dos trabalhadores.

Não vê, ou finge não ver, que o grande patronato, o seu governo e os seus partidos que agora são maioritários na Assembleia da Republica se preparam para o "acerto de contas" com o 25 de Abril e a democracia que o consagra.

Não vê, ou finge não ver, que esta é a terceira tentativa, desta vez numa conjuntura muito mais favorável a tais desejos, de "partir a espinha à Intersindical" e não é por esta se rever, como malevolamente afirma, em "regimes onde não é permitido fazer greves" é, isso sim, para desarmar os trabalhadores, impedindo-lhes defenderem os seus direitos, impedindo-os de defender a própria democracia.

Hoje como sempre os trabalhadores portugueses saberão defender os seus direitos e as suas organizações do capital que os confronta deste e de todos "Joões de Almeida", por mais bem pagos e amestrados que lhes apareçam.

Greve Geral é uma questão politica? Claro que é!

Diogo Serra

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

No Alto Alentejo as "autárquicas" ainda mexem.

 

Em Elvas a semana encerrou com a tomada de posse dos autarcas eleitos mas não encerrou a controvérsia e os ataques pessoais entre eles. E tudo à volta dos arranjos "necessários" ao garantir do funcionamento de uma autarquia cuja composição é: 2 eleitos , um deles o Presidente, do Movimento de Rondão de Almeida, 2 eleitos pela extrema direita, dois pelo Partido Socialista e um pela coligação PPD/CDS.

 

Também na nossa cidade já foram empossados os eleitos em 12 de outubro. Aqui sem necessidade de quaisquer alianças para viabilizar os executivos mas ainda assim com uma "confusão" com um eleito na Assembleia Municipal que concorreu pela CLIP mas cujo mandato é reivindicado pela direita modernaça que se expressa no IL.

 

Eu que com dezenas de Portalegrenses assisti ao acto de posse, fiquei agradavelmente surpreendido com o discurso da Sra. Presidente. Bem estruturado, recordando as carências principais que todas as forças politicas haviam colocado nos seus próprios diagnósticos, o esquecimento do transporte ferroviário, não terá passado disso mesmo; esquecimento, apostado na procura de fugir aos caminhos da prepotência que o resultado conseguido permitiria e a lançar pontes a todos os portalegrenses e às candidaturas que se lhe opuseram. Gostei!

 

Já o que nos chega vindo dos Poderes sediados em Lisboa e em Bruxelas, e a comunicação social dita de referência amplifica,  me deixa forte preocupação..

 

A destruição do Serviço Nacional de Saúde é como todos já nos apercebemos uma estratégia friamente aplicada e não como poderíamos pensar qualquer incapacidade da ministra em gerir aquela pasta.

 

O mesmo no que concerne ao criminoso prazer de nos arrastarem, ao país e à União que nos "aprisionou", para a guerra. Por enquanto obrigando-nos a alimentá-la à custa do nosso próprio alimento mas apontando perigosamente para que no curto prazo a alimentemos com sangue e morte dos nossos filhos e netos.

 

A comunicação social ajuda a festa.

 

Nos meios da comunicação social tradicional e nas redes so­ciais a tó­nica é cons­tante: para a guerra. A guerra é que é o ca­minho.

 

País e União Europeia de joelhos perante os poderosos do mundo e em particular o imperialismo ianque (apesar de Trump a quem gostam de "xingar"), não hesitam: compre-se mais caro aos ame­ri­canos o que antes se com­prava mais ba­rato aos russos; gaste-se em armas (ame­ri­canas) o que se devia gastar em saúde ou ha­bi­tação ofereçam-se milhões para manter a guerra e cortem-se mais uns milhões na saúde.

 

Entretanto neste país do faz de conta elege-se a proibição da "burka" como desígnio nacional e o medo como instrumento castrador da nossa liberdade.

 

Os DDT's através do seu governo e da sua comunicação social continuam a trabalhar o nosso medo enquanto as politicas do ódio nos preparam para vermos como inimigos aqueles que como nós são as vítimas do sistema.

Medo e preconceito para não vermos ou esquecermos que no último triénio os bens alimentares de primeira necessidade aumentaram mais de 30%, as rendas de casa mais de 20%, a água, eletricidade, gás e combustíveis 21,7% e as despesas com o crédito à habitação cerca de 50%, quando só em 2024 os cinco maiores bancos a operarem em Portugal lucraram quase 5.000 milhões de euros.

 

É caso para gritar. Deixemos em paz quem oculta o corpo e só deixa ver os olhos e procuremos que os outros, muitos mais, que só tem cobertos os olhos, arranquem também a "sua burka".

Talvez assim consigamos progredir.

Diogo Júlio Serra