Na Unidade a Força dos Trabalhadores
O
grande patronato, com os seus partidos e o seu governo voltaram, meio século
depois da primeira tentativa, a tentar "partir a espinha à Intersindical.
É, mais
uma vez, este o principal objetivo da declaração de guerra que lançaram aos
trabalhadores e, agora como ontem, também à Revolução dos Cravos e ao Regime
Democrático que esta permitiu.
Nada
que seja assustador para uma organização de classe nascida em pleno fascismo e
regada com a vontade indomável dos seus dirigentes e dos trabalhadores, cujos
interesses desde o nascimento e até hoje, sempre defendeu.
Quando
do seu nascimento, a 1 de Outubro de 1970, muitos dos dirigentes políticos que
agora a atacam ainda não eram nascidos e os seus antecessores ou estavam nas
fileiras do Partido Único que suportava o fascismo ou no seio das empresas que
lhe davam suporte.
Chegado
aquele dia "inicial inteiro e limpo" a intersindical empenhou-se na
consolidação da democracia que ajudara a fundar e no desenvolvimento do modelo
social que valoriza o trabalho e os trabalhadores. Essa postura haveria de
valer-lhe o ódio dos mesmos (ou dos seus rebentos) que agora a odeiam e por
isso, viu as suas estruturas regionais assaltadas e os seus dirigentes vitimas
de ataques bombistas.
Ultrapassada
a fase terrorista da contra-revolução, já nos tempos da "europa
connosco", seria um Ministro de um governo do PS a declarar por palavras e
por actos a vontade de partir a espinha à Intersindical.
Morreu
o ministro e não a Intersindical. Esta continuou viva e atuante na defesa dos
trabalhadores que representa e da Democracia que ajudou a fundar.
Apesar
das duríssimas condições em que tem sido obrigada a agir, os resultados
conseguidos mantiveram-na sempre na mira do grande patronato e aí os temos, de
novo, procurando concretizar o sonho antigo: Quebrar a espinha à Intersindical
e dessa maneira deixar indefesos e desarmados os trabalhadores portugueses.
Num
tempo em que os ventos favoráveis ao extremismo de direita sobram por toda a
europa, os derrotados de Abril entendem ser agora, a conjuntura é-lhes
favorável, o tempo de esmagar os direitos alcançados pelos trabalhadores e
populações, procedendo ao "acerto de contas" com o 25 de Abril.
Sim,
não são apenas, (e já era demais), os direitos dos trabalhadores que procuram
destruir. São os direitos sociais conquistados ao longo de várias gerações que
querem destruir. O seu governo dá-lhe as ferramentas: a destruição dos direitos
sociais, o desmantelamento dos serviços públicos e para o mundo do trabalho o
Pacote Laboral.
Está aqui a
receita deste governo do século XXI, um verdadeiro retrocesso para o século XIX:
A
facilitação dos despedimentos e mais precariedade; horas de trabalho à borla e
a desregulação dos horários; ataques aos direitos de maternidade, de
paternidade e à família; a tentativa de destruição da contratação colectiva e a
imposição da caducidade dos contratos; o ataque brutal à liberdade sindical
visando retirar aos trabalhadores a possibilidade de se defenderem.
Enquanto
isto, colocam os seus megafones disfarçados de comunicação social, os seus "comentadeiros"
de serviço e os próprios ministros, a esconderem as suas intenções por detrás
de uma nuvem de candura e perplexidades, face à resposta já anunciada pelos trabalhadores.
Afadigam-se
a procurarem convencerem-nos da não razoabilidade da resposta sindical por,
gritam, ainda se está em fase de negociação, como se não estivesse muito clara
a sua estratégia.
Negociar?
Querem negociar o quê?
O que está
aí é mau demais. A própria ministra do trabalho já o disse publicamente. -
"Haja negociação ou não, mude-se uma vírgula ou um verbo, isto é para
seguir sem mexer no essencial do que foi apresentado". Palavras da
ministra.
Eles sabem
bem o que querem. Os trabalhadores também. Viva a Greve Geral!
Diogo Júlio
Serra



